Mesmo sem elementos que justificassem uma operação contra Jaques Wagner (PT), o procurador Deltan Dallagnol demonstrou, em diálogos com colegas da Lava Jato, que queria acelerar ações contra o ex-governador. A troca de mensagens ocorreu em 24 outubro de 2018, semanas depois de Wagner ter sido eleito senador pela Bahia.
Reportagem da revista Veja deste final de semana revela as duas testemunhas que aparecem no diálogo pouco republicano entre o então juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, revelado pelo The Intercept Brasil, no caso em que o atual ministro da Justiça instruiu Dallgnol a procurar uma pessoa que incriminaria o ex-presidente Lula.
Por Iram Alfaia
O jornalista Carlos Andreazza anunciou nesta quinta-feira (27) uma parceria entre o site The Intercept Brasil e a revista Veja para organizar e divulgar dados sobre a criminosa atuação do ex-juiz Sergio Moro diante da operação Lava Jato. “Acabo de informar, no @programapanico, que a revista Veja se integrará ao grupo – que já tem a Folha – que divulgará o conteúdo administrado pelo Intercept. É oficial”, tuitou o jornalista, no começo da tarde.
O ex-presidente Lula não tem e nunca teve patrimônio sequer aproximado da quantia de R$ 78 milhões que o juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba determinou bloquear. Por meio de sua assessoria de imprensa, Lula entende que a decisão do juiz é ilegal e abusiva e só pretende produzir manchetes enganosas.
Parlamentares do Governo pediram a obstrução da sessão e encaminhar um ofício garantindo a presença do ministro no próximo dia 2 de julho
“Canalhas! Canalhas!”, bradou o saudoso Tancredo Neves ao ver o Congresso ser utilizado como instrumento para o golpe de 1964. Em 2018, o Brasil viveu cenário análogo, só que o golpe se materializou pela atuação de um juiz, o que justifica indignação similar à manifestada por Tancredo naquela tenebrosa noite.
Por Fernando Haddad, Flávio Dino, Guilherme Boulos, Ricardo Coutinho, Roberto Requião e Sônia Guajajara*
Pressionado pela crise causada com a divulgação de trocas de mensagens com o procurador Deltan Dallagnon, chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, o ministro Sergio Moro (Justiça) viajou esta semana aos Estados Unidos, mas não divulgou detalhes de sua agenda pública no país. Como ministro de Estado, ele deve informar via assessoria ou no site do ministério quais são (com horário e local definidos) seus compromissos oficiais ao longo de cada dia.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), declarou nesta segunda-feira (24) que as mensagens trocadas entre Sergio Moro (quando era juiz da Lava jato) e o procurador Deltan Dallagnol são “graves” e revelam “problema ético”. Segundo o senador, “se [Moro] fosse deputado ou senador, estava no Conselho de Ética, cassado ou preso”.
Um grupo de 30 juízes pediu que a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) abra processo administrativo para excluir o ministro da Justiça, Sergio Moro, da entidade. Desde que deixou a magistratura, Moro se tornou sócio benemérito da Ajufe.
Por Tadeu Rover, repórter do Conjur
Ministro apela a outros idiomas, diante de novas revelações do Intercept. Agia como um semideus: para manter “domínio das versões”, valia ocultar investigações exclusivas do STF e conspirar contra a democracia…
Por Marcelo Zero
A agenda do ministro foi modificada no último sábado (22), com a justificativa de que representantes do Governo fariam uma visita aos “principais órgãos de segurança e inteligência” dos EUA
A raposa vai ao moinho até que um dia perde o focinho, diz um velho ditado. Novas revelações, desta vez pela Folha de S.Paulo, trazem novos capítulos desse que pode ser considerado o maior escândalo da Justiça brasileira pós-1988.
*Por Lenio Luiz Streck, publicado no site Conjur