Certamente por receio que a presidenta Dilma cumpra fielmente uma das suas principais propostas de campanha (“não deixar pedra sobre pedra”, em relação aos casos de corrupção) é que percebemos o esforço descomunal de notórios corruptos na luta para afastar Dilma da Presidência da República, antes que ela os pegue com a boca na botija.
Ex-ministro nos governos dos ex-presidentes Lula e Itamar Franco, o cearense Ciro Gomes, agora no PDT, faz uma síntese do cenário político brasileiro e compara a situação atual como "igual aos 10 anos anteriores a 1964" e "quase igual a 1964".
O ano de 2015, que teima em não terminar, foi marcado por grande instabilidade política e uma crise econômica que paralisa o país e sinaliza regressão nos avanços sociais conquistados nos últimos doze anos.
*Por Davidson Magalhães
E o que é pior, as tais “pedaladas” ainda nem foram julgadas pelo Congresso Nacional, que tende a não considera-las um crime de responsabilidade. Mas Eduardo Cunha e a “oposição”, a lá “Mãe Diná” enxergam antecipadamente motivos para impeachment.
O ministro Luís Roberto Barroso, autor do voto que venceu a discussão sobre o rito do impeachment no Supremo Tribunal Federal (STF), a despeito do conturbado momento político e econômico, avalia que o país não passa por uma crise institucional. No entanto, ele alerta que "a política não pode destruir o país". Em relação à possibilidade de impedimento da presidente Dilma Rousseff, o ministro afirma que "o impeachment é um momento de abalo político".
Foi tão intensa a saraivada de reveses sofridos pela aliança entre o golpismo e a vigarice no final de 2015, que seus protagonistas e a mídia embarcada ainda se agarram à batalha do dia anterior, sem perceber que a roda da história girou.
O deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) afirma que se o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), insistir na manobra de colocar em votação um projeto que permite o lançamento de chapas avulsas para a comissão do impeachment, incorrendo assim em crime de desobediência à ordem judicial, podendo até mesmo ser preso pelo ato.
A presidenta Dilma Rousseff esteve em Camaçari e Salvador, na Bahia, nesta terça-feira (22), onde participou da entrega de obras. Em ambas as cidades a presidenta discursou e reafirmou o seu compromisso com a democracia e disse que tem “coragem” para “enfrentar” todos aqueles que querem “atropelar” a democracia para chegar ao poder.
Em entrevista nesta terça-feira (22), o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, afirmou que “a oposição abandonou Michel Temer em 24 horas” depois que o impeachment ficou “hibernando”. E alfinetou: “Só que a população percebe, porque quem trai uma vez, trai dez”.
A presidenta Dilma Rousseff recebeu demonstrações de apoio de líderes mundiais contrários às tentativas de golpe contra o governo petista, durante a 49ª Cúpula do Mercosul, em Assunção, no Paraguai, nesta segunda-feira (21).
Enquanto o campo progressista se unifica em defesa da democracia, os tucanos se desentendem no rumo que trilham rumo ao abismo golpista .
Está na hora de dar um intervalo no golpismo, um arrefecimento nessa disputa ideológica anacrônica e se começar a pensar seriamente no próximo tempo do jogo.
Por Luis Nassif*, no Jornal GGN