Em entrevista coletiva a correspondentes estrangeiros no Palácio do Planalto, nesta terça-feira (19), a presidenta Dilma Rousseff afirmou que é vítima de um processo de impeachment baseado em uma “flagrante injustiça” e que o Brasil tem um “veio golpista adormecido”.
A Câmara dos Deputados aprovou neste domingo (17) a abertura do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. Agora, o pedido segue para o Senado Federal, que deverá analisar a admissibilidade do processo. A presidenta só terá de se afastar do cargo se o Senado aprovar a abertura do processo.
Pouco antes do final da votação do pedido de impeachment na presidenta Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira utilizou sua página no Facebook para expressar sua revolta com o resultado que já se delineava.
Há momentos na vida de uma nação em que a consciência política do povo move-se aos saltos.
Por José Carlos Ruy
No dia 2 de dezembro de 2015, o Conselho de Ética da Câmara dos deputados aprovou por 11 votos a 9 o parecer pela continuidade do processo contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Naquela data os jornais já apontavam a chantagem de Cunha contra a presidenta Dilma Rousseff e diziam que o presidente da Câmara ameaça retalhar com a abertura do processo de impeachment.
Indignação. Sintetizou o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, sobre o resultado da votação que decidiu pela instauração do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. Segundo Cardozo, a natureza da decisão se mostrou “absolutamente política” já que não há base legal e nem recai sobre a presidenta nenhuma acusação em relação à sua probidade e honestidade.
O 17 de abril de 2016 entra para a história do Brasil como o dia em que 367 deputados resolveram ignorar a decisão soberana das urnas e dar seguimento a um pedido de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, sem nenhuma base jurídica. A nação foi dormir de ressaca. O dia seguinte ao golpe, contudo, não deverá ser de resignação, mas de luta.
Por Joana Rozowykwiat
Monitoramento de veículos mostra que a maioria das matérias mais compartilhadas atenderam a estratégias das campanhas.
Pablo Ortellado e Marcio Moretto
O deputado Waldir Maranhão (PP-MA), 1º vice-presidente da Câmara, desmentiu neste domingo (17) o boato de que teria mudado seu voto para se aliar aos que defendem o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. O parlamentar reafirmou que estará ao lado da democracia e votará contra o golpe.
Um dos fundadores e ex-presidente do PSB, sigla que engrossa oposição ao governo de Dilma Rousseff (PT) e apoia seu impeachment, Roberto Amaral é enfático ao definir processo contra a presidente como “golpe”.
Em pronunciamento na tribuna da Câmara, as deputadas federais Jandira Feghali (RJ), Jô Moraes (MG) e Alice Portugal (BA), do PCdoB, defenderam que a oposição está intranquila porque já percebeu que não terá os votos para levar adiante o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. As parlamentares destacaram que o mundo já percebeu que está em curso um golpe, que “inviabilizaria” o país.
A crista da oposição baixou. Além da ofensiva do governo, que nas últimas horas conseguiu ganhar ou virar votos, recuperando a possibilidade real de barrar o golpe amanhã, nas últimas horas cresceu a olhos vistos o movimento "Nem Dilma, nem Temer", que pode reunir até 30 deputados.