O clima de tensão no Egito cresceu nesta quarta-feira (23), com a repressão violenta pela polícia aos manifestantes que ocupam a Praça Tahrir, no Cairo, enquanto a crise política no país se agrava a cinco dias das eleições legislativas.
A promessa, por parte da Junta Militar, de uma transição mais rápida para um regime civil chegou, mas não foi suficiente para convencer milhares de egípcios a abandonarem os protestos, que já fizeram 38 mortos. A Praça Tharir continua ocupada e manifestantes entraram em choque com policiais e soldados pelo quinto dia consecutivo no centro do Cairo, nesta quarta.
A praça Tahrir, no centro do Cairo, sugere uma dessas rotatórias inóspitas,como tantas outras, destinadas a ordenar o fluxo do trânsito nas grandes metrópoles subdesenvolvidas, pouco ou nada pensadas para o convívio humano. Mas desde fevereiro deste ano, quando foi palco de 18 dias consecutivos de protestos gigantescos que derrubaram o ditador amigo das potências, Hosni Mubarak, a praça Tahrir ingressou definitivamente no panteão dos símbolos libertários do nosso tempo.
Ativistas egípcios convocaram manifestações de massa depois de mais conflitos durante a madrugada entre forças de segurança e manifestantes na Praça Tahrir, do Cairo. A expectativa é fazer uma mobilização para aumentar o apoio popular a uma "segunda revolução". Os manifestantes pretendem reunir mais de um milhão de pessoas no país, para incrementar a oposição ao governo da junta militar.
O governo interino do Egito apresentou nesta segunda-feira (21) sua renúncia ao Conselho Supremo das Forças Armadas, orgão efetivamente no poder desde a derrubada do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro deste ano. O anúncio foi feito pelo porta-voz Mohamed Hijazi, em declaração reproduzida pela agência de notícias do país Mena. O porta-voz afirmou que a renúncia resulta das “circunstâncias difíceis que o país enfrenta atualmente”.
O ministro da Cultura do Egito, Emad Abu Ghazi, disse nesta segunda-feira (21) que apresentou sua "renúncia definitiva" por conta "dos fatos dos dois últimos dias na praça Tahrir do Cairo", onde pelo menos 26 pessoas morreram nos últimos dias em enfrentamentos entre manifestantes e forças de segurança.
Choque entre manifestantes e policiais voltaram a acontecer nesta segunda-feira (21) nos arredores da praça Tahrir, no Cairo. Egípcios que protestam contra a permanência da junta militar no governo do país continuam acampados no local, símbolo dos protestos que derrubaram o regime de Hosni Mubarak, após 30 anos no poder, em fevereiro.
A tensão prevalece neste domingo (20) no Egito, após confrontos de rua entre manifestantes e policiais que deixaram dois mortos, obrigando o governo a congelar sua pretensão de mudar a Constituição antes das próximas eleições.
Mais de 50 mil egípcios compareceram nesta sexta-feira (18) à praça Tahrir, no Cairo, Egito, para pressionar a Junta Militar, que assumiu o controle do país em fevereiro após a queda do ditador Hosni Mubarak, a promover a transferência do poder para um governo civil.
Buthaina Kamel, apresentadora de televisão, de 49 anos, é a primeira mulher a disputar a Presidência na história moderna do Egito.
Por Adam Morrow e Khaled Moussa al-Omrani
O ministro das Finanças e vice-primeiro-ministro do Egito, Hazem El Beblawi, pediu demissão nesta terça (11), depois de ser alvo de pressão popular por causa dos confrontos entre cristãos e policiais no último fim de semana. Beblawi renunciou ao cargo, mas não deu detalhes sobre a decisão.
As autoridades egípcias decretaram neste domingo (9) à noite um toque de recolher no centro do Cairo, após 24 pessoas terem morrido durante enfrentamentos entre manifestantes cristãos (coptas) e forças de segurança, anunciou a televisão pública. O toque de recolher foi imposto durante a madrugada e suspenso às 7h (2h de Brasília).