O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (15) a visita do subsecretário de Estado William Burns ao Egito, ainada sem pronunciar-se sobre a derrubada do presidente Mohamed Mursi por parte del exército desse país.
O recém designado vice-presidente egípcio Mohamed El Baradei e o chanceler iraniano, Alí Akbar Salehi, conversaram neste sábado (13) sobre a situação no país norte-africano, informaram meios oficiais persas. O anúncio segue um contato similar ontem em referência a uma conversa entre Akbar Salehi e seu par egípcio, Mohamed Kamel Amr, após uma visita de várias horas do primeiro à Turquia, durante a qual falou sobre a crise após a derrubada do presidente Mohamed Morsi.
A palavra começa com “g” de golpe [it. colpo, (NTs)] mas não pode ser dita em voz alta: eis como a posição da Casa Branca sobre o golpe de estado no Egito é descrita nos corredores de Washington. Condena a violência genérica, manifestando preocupação com o “vácuo de poder” e surpresa ante os eventos.
Por Manlio Dinucci, no Il Manifesto
O governo interino do Egito pediu a Israel a suspensão dos Acordos de Paz de Camp David, de 1978, para executar operações militares na península do Sinai, fronteira norte do país. Segundo o diário israelense Ma’ariv desta quinta-feira (11), o Exército egípcio pretende enviar tropas à região para neutralizar “ameaças terroristas”. Nesta sexta (12), Israel já permitiu o pouso de um helicóptero apache do Egito, que vinha de um sobrevoo pela Faixa de Gaza.
Por Moara Crivelente, da redação do Vermelho
De acordo com declarações do comandante James Amos, da Marinha dos Estados Unidos, nesta quinta-feira (11), o seu país, em ação “preventiva”, enviou dois navios à costa do Mar Vermelho do Egito, depois de o Exército deste país ter destituído, na semana passada, o presidente Mohammed Mursi. A tensão política tem escalado desde a destituição, embora o premiê interino Hazem al-Beblawi tenha declarado, nesta sexta (12), que seu gabinete deve prestar juramento já na semana que vem.
Apesar do debate a respeito da legitimidade do governo interino do Egito, estabelecido após controverso afastamento do presidente Mohamed Mursi pelo Exército, os EUA mantêm o plano de entrega de quatro caças F-16 ao país árabe. Na semana passada, o Exército depôs o primeiro presidente egípcio democraticamente eleito. Adly Mansur, presidente do Supremo Tribunal Constitucional, assumiu o poder em caráter temporário.
A Frente de Salvação Nacional (FSN) egípcia considerou que o gabinete em formação deve incluir "figuras credíveis que tenham apoiado a revolução desde o seu inicio", durante uma coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (11), no Cairo, capital do Egito, com Mohamed El-Baradei, porta-voz da oposição laica nas conversações com o governo interino chefiado por Adli Mansour e Hazem Beblawi, nomeado como o primeiro-ministro.
O autor palestino Saleh Al-Na'ami publicou um artigo, nesta quinta-feira (11), sobre os impactos da medida do Exército egípcio de retirar do poder o presidente Mohamed Mursi. Mais especificamente, Al-Na'ami argumenta que a ação, que classifica de "golpe", favorece Israel em diversos sentidos bem explicados e, por isso, o Portal Vermelho reproduz o artigo, que não necessariamente reflete a sua opinião.
A coalizão que governa a Tunísia disse, nesta quinta-feira (11), que está preparada para desempenhar o papel de mediador na redução das tensões que eclodiram no Egito, intensificadas após a destituição do presidente Mohammed Mursi pelo Exército. Episódios de violência durante as manifestações contrárias e de apoio a Mursi resultaram em dezenas de mortos, principalmente nesta semana, diante da sede da Guarda Republicana, onde o presidente destituído está detido, segundo informações locais.
As Nações Unidas ressaltaram nesta quarta-feira (10) a necessidade de garantir que as mulheres possam participar das manifestações no Egito sem medo da violência. A Organização pediu tolerância zero com todas as formas de violência contra mulheres e meninas. Segundo a imprensa, mais de 90 estupros foram cometidos durante os protestos que sacodem o país e que foram intensificados após a destituição do presidente Mohammed Mursi, na semana passada.
A promotoria do Egito ordenou, nesta quarta-feira (10), a detenção de líderes da Irmandade Muçulmana, sob a acusação de instigar à violência registrada nesta segunda (8), em frente à sede da Guarda Republicana, onde fontes indicam terem morrido de 55 a 84 pessoas, durante as demonstrações de apoio ao presidente destituído Mohamed Mursi. O presidente interino, Adli Mansur, emitiu uma mensagem ao povo egípcio em que pedia a reconciliação nacional no mês sagrado para o Islã, o Ramadã.
O período de transição no Egito durará entre seis meses e um ano. É o que estabelece uma Declaração Constitucional emitida nesta terça-feira (9) pelo presidente provisório, Adli Mansour, na qual se reserva prerrogativas legislativas.