Se a lógica de uma empresa listada em duas bolsas de valores, como é o caso da Sabesp, é a maximização do retorno ao acionista, será que ela subestimou os riscos ao não realizar os investimentos necessários?
Por Bruno Peregrina Puga*, publicado no Brasil Debate
A população de Itu, município a 100 quilômetros da capital paulista, continua protestando contra a crítica situação de falta de água. Nesta segunda (21), moradores colocaram fogo em pneus e reivindicaram uma solução para o problema.
O vice-presidente nacional da CTB, Nivaldo Santana, funcionário de carreira da Sabesp desde 1978, conversou com o Vermelho sobre a crise de água em São Paulo e esclareceu pontos importantes sobre a má administração tucana na empresa. Para ele, há um conflito de interesses entre as necessidades da população e o lucro do capital privado.
Por Mariana Serafini, do Vermelho
A cidade de Cristais Paulista, a 400 quilômetros da capital, precisou fechar suas escolas, deixando mais de 2 mil alunos sem aulas devido à falta de água. No município de 10 mil habitantes, duas creches e três escolas estão sem funcionar, segundo a prefeitura. Hospitais, postos de saúde e outros órgão públicos ainda não foram prejudicados.
A presidenta da Companhia de Saneamento Básico do estado de São Paulo (Sabesp), Dilma Pena, negou nesta quarta-feira (8) que haja racionamento em depoimento para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga se o contrato entre a empresa e a Prefeitura de São Paulo está sendo cumprido. Ela, porém, admitiu que falta água de forma pontual em algumas regiões.
Levantamento parcial da campanha "Tô sem Água", realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, mostrou falta de água em centenas de casas. A TV Vermelho já alertava para o problema em maio (ver aqui)
A longevidade do PSDB à frente do governo de São Paulo é explicada pelo gasto pesado com publicidade, muitas vezes enganosa, pela blindagem da mídia e pela transferência de recursos para prefeitos do interior por processos clientelistas, de acordo com o historiador e cientista político Francisco Fonseca, professor na Fundação Getúlio Vargas.
O secretário Estadual de Recursos Hídricos, Mauro Arce, disse na noite desta terça-feira (23) que é enorme o número de pessoas que reclamam de falta de água em São Paulo, mas que, na verdade, não há problema e agentes públicos encontram dificuldade para localizar as pessoas que notificam o problema. Para o gestor público, as reclamações por falta d'água são um tipo de "exibicionismo" da população: "as pessoas gostam de um microfone", minimizou.
Além de impedir as urnas na escola, a Secretaria Estadual de Educação proibiu a discussão sobre o plebiscito pela reforma política nas salas de aula.
O nível do Sistema Cantareira, complexo de represas que abastecem a região da grande São Paulo, atingiu neste domingo (21), o pior nível registrado da história, com apenas 8,1% da sua capacidade total de armazenamento.
“Vó, estou muito triste”, Débora ouviu do seu neto ao atender o telefone. “O que aconteceu, meu filho?”, ela perguntou, chamando o menino pela forma que remete à relação que tenta ter com ele desde que o seu filho, o gari Edson Rogério Silva dos Santos, foi assassinado por policiais no Dia das Mães do ano de 2006.
O volume do Sistema Cantareira continua em queda e chegou nesta terça-feira (16) a 8,9% da capacidade dos reservatórios. Com isso, as represas que abastecem parte da Grande São Paulo e dos municípios do interior atingem praticamente o mesmo nível de 15 de maio (8,2%), considerado crítico, o que levou o sistema a começar usar a reserva técnica, que adicionou 182,5 bilhões de litros de água.