Brasil registra uma agressão a jornalista por dia em 2022, aponta Fenaj

Relatório sobre agressões contra jornalistas em 2022 será lançado na próxima quarta (25) pela Fenaj. Os ataques tiveram crescimento em todas as regiões do país.

Fotógrafo do Estadão Dida Sampaio escoltado em manifestação que cobria após ser agredido - Foto: Reprodução

A Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) irá apresentar na próxima quarta-feira (25), o relatório anual sobre violência cometida contra profissionais da imprensa no Brasil no ano de 2022. O levantamento da entidade aponta aumento dos ataques diretos aos profissionais da notícia, como hostilizações e agressões físicas.

Outro apontamento é que “as agressões diretas a jornalistas tiveram crescimento em todas as regiões do país, com jornalistas sendo atacados cotidianamente”.

Segundo a Federação, foram registrados 376 casos no ano passado. “Houve uma agressão por dia a jornalista no país no ano passado”, afirma a presidenta da Fenaj, Samira de Castro, destacando que, em muitos casos, mais de um profissional foi agredido.

Esse número manteve-se em níveis elevados, apesar da queda em comparação com o ano anterior, 2021, que teve 430 registrados, um recorde desde o início dos levantamentos feitos pela Federação Nacional dos Jornalistas.

“O ano de 2022 foi marcado, no Brasil, pelas eleições gerais e pela violência política, que atingiu autoridades, políticos, militantes dos movimentos sindical e social e pessoas que, em comum, tinham o fato de serem defensores da democracia e das instituições democráticas. Os jornalistas brasileiros foram, igualmente, vítimas do ódio político, mas tiveram de continuar enfrentando também a violência dirigida à categoria em razão do exercício profissional”, aponta o comunicado da instituição em seu site.

“Houve crescimento de 133,33% nas ocorrências de ameaças, hostilizações e intimidações, que foi a segunda categoria com maior número de ocorrências em 2022, com 77 casos. Já as Agressões físicas aumentaram 88,46%, passando de 26 para 49 no ano passado. Cabe destacar, ainda, o brutal assassinato do jornalista britânico Dom Phillips, numa emboscada, junto com o indigenista Bruno Pereira, em Atalaia do Norte (AM)”, ressalta a nota da Fenaj.

Na semana passada, acolhendo um pedido das entidades sindicais dos jornalistas, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino anunciou a criação do Observatório Nacional de Violência contra Jornalistas, no âmbito de sua pasta. O objetivo é monitorar casos de ataques à categoria. A proposta foi apresentada pela direção da Fenaj, em reunião, em Brasília.

Leia mais: Justiça criará Observatório Nacional de Violência contra Jornalistas

Dados da Abraji

Outro monitoramento sobre ataques a jornalistas em 2022, realizado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), aponta que neste mesmo ano, as agressões foram ainda mais violentas, inclusive com casos fatais.

“Esses casos incluem, além das situações mais críticas, ocorrências de discursos estigmatizantes, processos legais, restrições na internet, restrições de acesso à informação e uso abusivo do poder estatal, que vitimaram jornalistas, comunicadores, meios de comunicação e a imprensa de modo mais amplo”, aponta o levantamento da entidade.

Segundo os dados da Abraji, os principais autores de ataques são agentes estatais. Para a entidade, o discurso hostil e intimidatório de Bolsonaro contra a imprensa incentivou sua militância a assediar jornalistas nas redes sociais, inclusive com ameaças de morte e agressões aos profissionais e a seus familiares. 

Em pleno debate presidencial, a jornalista Vera Magalhães foi atacada pelo então candidato a reeleição Jair Bolsonaro, pouco tempo depois, em outra ocasião, a mesma jornalista foi agredida pelo deputado estadual Douglas Garcia, aliado de Bolsonaro. Foto: Reprodução

Metade dos casos foram cometidos pela família Bolsonaro

Em 2020, membros da família Bolsonaro, com cargos eletivos, estiveram envolvidos em pelo menos a metade dos casos registrados de agressões a jornalistas. Foram 157 episódios de ameaça (53,9%), com 60 deles com a participação direta do então presidente da República; 51 envolveram o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP); 32 estão ligados ao vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ); e 20 tem o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Lançamento do relatório

Os números completos do levantamento da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil – 2022 da Fenaj serão divulgados na próxima quarta-feira (25), a partir das 15 horas, na sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro. 

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