Em convenção eleitoral, Bolsonaro volta a ameaçar instituições democráticas

Presidente convocou seus apoiadores a “irem às ruas pela última vez” no dia 7 de setembro. Também ridicularizou ministros do STF chamando-os de “surdos de capa preta”.

Divulgação PL

O presidente Jair Bolsonaro (PL) aproveitou a convenção do PL no Rio de Janeiro, neste domingo (24), para mais bravatas e ameaças contra as instituições democráticas. Em seu discurso, ele convocou seus apoiadores a “irem às ruas pela última vez” no dia 7 de setembro. Neste dia, será comemorado o bicentenário da independência do Brasil.

Nesta Convenção Eleitoral, ocorrida no Maracanazinho, o Partido Liberal homologou oficialmente Bolsonaro como candidato à reeleição. O general Walter Braga Netto, também do PL, foi confirmado como vice da chapa.

Com a convocação aos apoiadores, Bolsonaro faz referência as manifestações golpistas ocorridas no 7 de setembro de 2021, quando seus apoiadores esperavam uma intervenção militar. Em vez disso, se decepcionaram com demonstrações de descoordenação e fragilidade do presidente. Agora ele volta a usar de termos dramáticos e juras de sacrifício armado.

“Nós militares juramos dar a vida pela pátria. Todos vocês aqui juraram dar a vida pela sua liberdade. (…) É um exército com 210 milhões de pessoas. Não ousem tocar na liberdade do meu povo”, afirmou Bolsonaro.

No discurso, ele voltou a atacar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem se referiu como “surdos de capa preta”, numa ameaça direta aos juízes. 

“Convoco todos vocês agora para que todo mundo, no 7 de setembro, vá as ruas para a última vez. Vamos às ruas pela última vez. Estes poucos surdos de capa preta têm que entender o que é a voz do povo”, disse Bolsonaro. A referência à “última vez” foi considerada um ato falho de quem já se vê derrotado nas urnas. A insistência em critica a Justiça Eleitoral é frequentemente entendida como um discurso derrotista.

Agradeceu o apoio do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), na aprovação de mais uma emenda constitucional driblando a lei eleitoral para oferecer benefícios financeiros às vésperas do pleito. As referências ao adversário Luis Inácio Lula da Silva foram todas em tom de xingamentos grosseiros, utilizando-se de referências anticomunistas e fake news.

Aliados

Na Convenção Eleitoral, Bolsonaro foi chamado ao palco, acompanhado da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. A homologação do general Walter Braga Netto, também do PL, confirmado como vice da chapa não agrega muito ao processo eleitoral. 

O mineiro Braga Netto tem no currículo a passagem pelos ministérios da Casa Civil e da Defesa, além do cargo de interventor no Rio de Janeiro, no governo Michel Temer (MDB). 

Havia a expectativa de que a campanha indicaria uma mulher para vice de Bolsonaro. Mas o presidente sempre considerou o militar como o “vice dos sonhos”. Nem Hamilton Mourão conquistou a confiança do presidente como Braga Netto. A ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP) era considerada o nome ideal por setores do partido e a única do lado de Bolsonaro no palco.

Michelle foi a primeira a discursar lembrando do episódio da facada na campanha de 2018. Utilizou uma linguagem carregada de tom religioso, como forma de dialogar com o segmento evangélico. Muitas esposas foram levadas ao palco para tentar atrair o voto feminino, onde Bolsonaro sofre mais rejeição eleitoral. Suas manifestações de carinho às mulheres presentes chegaram a ser exageradas.

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