Fim do auxílio emergencial deve pressionar taxa de desemprego

Com nível recorde de pessoas fora do mercado de trabalho, devido ao isolamento social e também à garantia de uma renda mínima, a volta desses trabalhadores à busca por ocupação terá impacto sobre os números oficiais.

Isolamento social reduziu contingente em busca de trabalho

A perda de ocupação entre os trabalhadores informais em meio à pandemia é mais que o dobro daquela registrada para empregados formais. A informação está em estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), divulgado nesta quinta-feira (16) pela Folha de S.Paulo.

Com nível recorde de pessoas fora do mercado de trabalho, devido ao isolamento social e também à garantia de uma renda mínima pelo auxílio emergencial, a volta desses trabalhadores à busca por ocupação deve pressionar a taxa de desemprego nos próximos meses.

A taxa de desocupação estava em 12,9% no trimestre encerrado em maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acima dos 11,6% registrados até fevereiro, antes do início das medidas de distanciamento social para enfrentamento à Covid-19. Para especialistas, fatores como o auxílio emergencial estão impedindo que a taxa oficial de desemprego seja maior.

Segundo a Folha, os pesquisadores Paulo Peruchetti, Tiago Martins e Daniel Duque, do Ibre-FGV, analisam a variação da população ocupada para mensurar os efeitos da crise sobre o emprego. E para avaliar o que está acontecendo mês a mês, usaram uma metodologia desenvolvida pelo Banco Central que permite mensalizar a Pnad Contínua, do IBGE com base em trimestres móveis.

Segundo o estudo, a população ocupada brasileira somava 83,4 milhões de pessoas em maio, ante 93,5 milhões no mesmo mês de 2019, uma queda de 10,7%, recorde na série histórica iniciada em 2012. Entre os informais, a redução da ocupação foi de 15,1% em maio, comparada a recuo de 6,7% entre os formais.

O número de informais despencou de 44,9 milhões em maio de 2019, para 38,1 milhões em maio desse ano, com 6,8 milhões a menos de trabalhadores informais ocupados. Já os formais diminuíram de 48,7 milhões para 45,4 milhões, uma perda de 3,3 milhões de ocupações.

O jornal destaca que, na crise de 2014 a 2016, a informalidade funcionou como um “colchão” para o mercado de trabalho, absorvendo parte dos trabalhadores que perderam vagas no mercado formal. Em meio ao isolamento social, o emprego informal não consegue cumprir essa função, por ser o mais afetado pelas medidas de distanciamento.

Procurado pelo Vermelho, o sociólogo Clemente Ganz Lúcio, consultor em trabalho, corrobora que com a crescente flexibilização do isolamento e o fim do auxílio emergencial, a perspectiva é que esses trabalhadores informais tentem voltar ao mercado, engrossando a taxa de desemprego. “É muito provável que tenha informal recebendo auxílio que já está procurando postos de trabalho”, diz.

Ele afirma, ainda, que o mercado de trabalho deve mudar no pós-pandemia, pois mudanças que já estavam em curso foram aceleradas devido à necessidade de fazer isolamento. Entre elas, o trabalho home office e o uso de tecnologia no trabalho – com a explosão, por exemplo, das vendas online.

“Acho que uma mudança grande é a expansão da tecnologia, que fará com que algumas atividades sejam substituídas. O resultado líquido disso no curto prazo tende a ser desfavorável para o emprego. O que não quer dizer que não surjam outras ocupações para dar conta das novas demandas”, avalia.

Clemente ressalta que medidas podem ser tomadas para mitigar o impacto negativo sobre os trabalhadores e a economia. “Vai depender do que se venha a fazer, como reduzir as jornadas de trabalho, incorporando o ganho de produtividade que a tecnologia traz”.

Com informações da Folha de S.Paulo

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