Evaldo Lima: Uma História do Maracatu no Ceará

Na Morada, Fortaleza


 


A origem do nosso Maracatu remonta ao final do século XVII, como forma de preservação da cultura ancestral dos negros. Em princípio era um auto, a congada, com aparênci

Em suas apresentações, os batuqueiros e os tiradores de loas, responsáveis pela parte musical do cortejo, entoam cânticos homenageando orixás e figuras expressivas da cultura e da história afro-brasileira. As loas ficam por conta de mestres como Calé Alencar, Dilson Pinheiro ou Pingo de Fortaleza.


 


No Ceará, havia a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário em Aracati, em Icó e em Fortaleza. Durante as festas das irmandades os escravos tinham certa liberdade pois eram as figuras principais do cortejo. Eles se apresentavam como o Rei, a Rainha, o mestre de cerimônia e os mestres de campo.


 


Em Fortaleza, no final do século XIX, os negros já festejavam a coroação de sua rainha em um cortejo que saía do Morro do Moinho, por trás da estação João Felipe, no Centro de Fortaleza, e seguia rumo à Igreja de Nossa Senhora do Rosário.


 


A tradição do Maracatu surgiu dessas irmandades, que tiveram um papel muito relevante na sociedade colonial, entre os séculos XVII e XIX.


 


Hoje o Maracatu é uma procissão solene, sagrada e profana onde a negritude cearense é pura invenção da alma do povo mestiço, moleque, rebelde, liberto, pobre.


 


No Maracatu tudo vira preto. É grandioso um povo que se faz outro povo e que, neste povo reinventado, a si mesmo se reinventa.


 


Quem era pobre virou rei, quem era Manoel virou Manoela, quem era novo virou preto velho, quem era velho virou baiana, quem era bicha virou pai de santo.


 


Basta pegar a tinta feita com graxa de sapateiro e fuligem de lamparina e pintar o rosto com um preto sem igual mas semelhantes porque paridos do mesmo sonho sonhado na terra da luz.


 


 


Evaldo Lima é professor e colaborador do Vermelho/Ce