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16 de agosto de 2011 - 14h52

“Margaridas” chegam a Brasília na luta por elas e pelo Brasil


“Olhe Brasília está florida/ Estão chegando as decididas/ Olhe Brasília está florida/ É o querer, o querer das Margaridas”. A música, fundo musical no vídeo institucional da Marcha das Margaridas, abriu a sessão solene que a Câmara dos Deputados promoveu nesta terça-feira (16) para homenagear as mulheres camponesas que realizam, a cada quatro anos, a manifestação que já se tornou tradição na capital federal.


Agência Brasil
A pauta delas é de um projeto de Brasil com soberania, desenvolvimento sustentável e distribuição de renda
O plenário e galerias foram tomados pelas “margaridas”, facilmente identificadas pelos rostos marcados e mãos calejadas do trabalho do campo, ostentando chapéu de palha lilás adornado com faixa e flores.

A coordenadora geral da 4ª Marcha das Margaridas 2011, Carmem Foro, falou em nome das manifestantes. “Enquanto houver uma mulher violentada, marcharemos; enquanto houver uma mulher na pobreza, marcharemos; uma mulher que não tenha documentos nem acesso à terra, marcharemos”. A dirigente defende um estado que propicie condições de absoluta igualdade para todas as mulheres no acesso aos seus direitos.

“Esperamos ouvir as respostas do governo à pauta de reivindicações por mais e melhores políticas públicas para o meio rural”, disse, lembrando que a pauta com 158 proposições e reivindicações foi entregue em julho a seis ministros.

“Queremos ajudar a pensar os rumos do desenvolvimento e plantar no Planalto uma agenda política que seja capaz de combater as desigualdades do País”, ressaltou.

A deputada Jô Moraes (PCdoB-MG) disse que “o Brasil deve se voltar para as mulheres do campo que estão aqui dizendo a que vieram, reivindicando não apenas para si, mas para o Brasil”, destacando que a pauta delas é de um projeto de Brasil com soberania, desenvolvimento sustentável e distribuição de renda.

A deputada Luci Choinaky (PT-SC), que solicitou a sessão solene, também destacou que a pauta de reivindicações das trabalhadoras do campo e da floresta vai além de direitos voltados exclusivamente às mulheres. “Trata-se de uma pauta extensa, que aborda também a agricultura familiar e o combate à violência no campo, que ainda persiste”, destacou a parlamentar.

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), enviou mensagem às manifestantes, parabenizando pela Marcha, dizendo que ao realizar a sessão solene, a Câmara dos Deputados dá visibilidade às suas reivindicações e bandeiras de luta, que, segundo ele, é uma das funções prioritárias do Parlamento, fazer eco às demandas do povo.

Novo amanhecer

O lema deste ano é “2011 razões para marchar por: desenvolvimento sustentável com justiça, autonomia, liberdade e igualdade”. As manifestantes buscam o apoio do Congresso Nacional e vão entregar a pauta de reivindicações das trabalhadoras do campo aos presidentes da Câmara e do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Além da sessão solene, a categoria participou, na Câmara, da abertura da mostra fotográfica “Mulheres do campo e da floresta tecem novo amanhecer”, com uma encenação para homenagear as mulheres assassinadas, como Margarida Alves. Mulheres vestidas de preto, carregando cruzes brancas, entoando cantos, faziam alerta sobre as mulheres que ainda correm risco de morte, por sua luta.

Após os eventos na Câmara, as manifestantes voltaram para o Parque da Cidade, onde estão acampadas na “Cidade das Margaridas”. Ao lado das barracadas das manifestantes, outras entidades do movimento sindical e social estão instaladas em manifestação de apoio à luta das mulheres camponesas, como a União Brasileira de Mulheres (UBM) e a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil).

No acampamento elas desenvolvem várias atividades, como a Mostra Nacional da Produção das Margaridas com artesanatos e produtos da agricultura familiar, o lançamento da Campanha contra os agrotóxicos e de publicações sobre a Lei Maria da Penha, além de debates e de várias oficinas. Também estão sendo realizados debates sobre desenvolvimento sustentável, que inclui a discussão dos temas da pauta de reivindicações.

De Brasília
Márcia Xavier

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