22 DE DEZEMBRO - BRASILIA
Na década de 70, retomando uma longa e
rica trajetória de lutas, o movimento
negro sai às ruas para denunciar o
desemprego e o subemprego do negro, vítima
do racismo, da discriminação racial e da
violência policial e lutar por melhores
condições de vida para a população negra
brasileira.
Um dos marcos dessa retomada de luta é a
criação do Dia Nacional da Consciência
Negra, no dia 20 de novembro. Nesse dia,
no ano de 1695, foi assassinado Zumbi, a
principal liderança do Quilombo de
Palmares, um território livre, símbolo da
resistência ao regime escravista e da
consciência negra de homens e mulheres
como Dandara e Luiza Mahin, em busca da
liberdade e da construção de uma nação.
Em novembro de 1995, no ano das
comemorações dos trezentos anos da
imortalidade de Zumbi dos Palmares, o
movimento negro brasileiro realizou a
Marcha Zumbi dos Palmares - Contra o
Racismo, pela Igualdade e a Vida. Uma
manifestação que conseguiu reunir cerca de
trinta mil pessoas, militantes do
movimento negro e de outros movimentos
sociais no dia 20 de novembro daquele ano
em Brasília.
A marcha influenciou os rumos da luta
contra o racismo em nosso país. Nos anos
seguintes o movimento negro é fortalecido
e a questão racial negra passa a ser vista
como um dos impasses nacionais a serem
solucionados para a construção de um
Brasil sem racismo, justo e igualitário.
No período de 1978 a 2005, as mulheres
negras avançaram na construção de uma
identidade dentro do movimento negro e
feminista, lideranças como Lélia Gonzáles,
Beatriz do Nascimento e outras, levaram a
discussão da mulher negra para o conjunto
das entidades. Crescemos na luta contra a
violência doméstica, nas políticas
públicas buscamos nossos direitos exigindo
acesso à educação, à saúde discutindo
nossas especificidades.
A luta contra a intolerância religiosa tem
sido um dos marcos para discutir o racismo
neste país, a hipocrisia ao se determinar
que as religiões de matriz africana são
satânicas, mostra a manipulação e a
introjeção do racismo, aqui protagonizados
por evangélicos que controlam a mídia
eletrônica, apesar do silêncio das
autoridades, essa prática tem sido
enfrentada por ações unitárias das
religiões de matriz africana.
Ao longo desses anos, as lutas pela
igualdade de oportunidade no mercado de
trabalho, foram sendo incorporadas pelo
movimento sindical, e varias comissões
contra a discriminação racial foram
criadas nas centrais sindicais e nos
sindicatos de trabalhadores.
Os quilombolas têm se articulado
nacionalmente para exigir títulos de posse
às terras, políticas econômicas,
educacional e cultural em seus
territórios. A juventude negra,
especialmente o movimento hip-hop, tem
tido avanços significativos na organização
da luta contra a violência racial,
desemprego e as péssimas condições de vida
da população da periferia, através de
atividades culturais, manifestações
públicas e utilização de mídias
alternativas (rádios comunitárias e
fanzine). A luta por cotas e ações
afirmativas tem tido participação decisiva
da juventude negra. Nos governos
municipais, estaduais e federal são
criados organismos de combate ao racismo e
para a implementação de políticas para a
promoção da igualdade racial. A criação da
Secretaria da Promoção da Igualdade Racial
- SEPPIR, com estatus de ministério no
governo do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, representa uma resposta do Estado
Brasileiro às demandas históricas da luta
anti-racismo.
Apesar do avanço da luta do movimento
negro, continuamos na base da pirâmide
social, com os piores empregos e salários;
menor índice de escolaridade; menor acesso
a saúde; somos as vítimas preferencial da
violência do Estado; sofremos com a
pobreza e vivemos num país com profunda
desigualdade econômica e social
racializada.
O processo de genocídio da população negra
no Brasil atingiu níveis alarmantes
através da proliferação do narcotráfico
que tem levado à morte grande contingente
de jovens negros, através da violência
policial e ação dos grupos de extermínios
deixando à mostra que o Estado Brasileiro
nunca desistiu de seu projeto de
branqueamento, arquitetado em finais do
século XIX.
A superação dessa situação exige mudança
na política econômica do atual governo,
com o objetivo de distribuir renda e
enfrentar a pobreza, estacando o
vertiginoso enriquecimento do setor
financeiro. O neoliberalismo implantado no
Brasil tem significado para população
negra atraso político e social. O
enxugamento do Estado significa a
desqualificação da educação e degradação
da saúde pública. Doenças que já se
encontravam sobre certo controle voltam a
ameaçar a população negra e pobre, como
tuberculose, cirrose, desnutrição e a
AIDS.
Manifestamos nosso repúdio às práticas de
corrupções que assolam o País. Acreditamos
que a corrupção fere duramente princípios
dos quais não abrimos mão: ética, respeito
e correção com o dinheiro público. Não
aceitamos que dinheiro da educação, saúde,
moradia seja desviado a interesse privado,
por isso exigimos criteriosa apuração e
punição dos culpados, acompanhada de uma
profunda reforma política que rompa com o
sistema político-eleitoral vigente.
Diante dessa realidade e ciente de que se
faz necessário á ação política do
movimento negro e presença nas ruas
lutando contra o racismo, por mudanças
reais no nosso pais, convoca para o DIA 22
DE NOVEMBRO, data em que celebramos os
noventa e cinco anos da Revolta da
Chibata, comandada por João Candido, o
marinheiro negro, a II Marcha Zumbi + 10 -
Contra o Racismo, Pela Igualdade e a Vida.
Uma marcha que além de fazer um balanço
das conquistas e avanço obtidos ao longo
desses dez anos, tem como objetivos exigir
do Estado Brasileiro o reconhecimento do
conceito de reparação como eixo principal
para implementação de políticas de combate
ao racismo e de promoção da igualdade
racial, acompanhamento as orientações da
Declaração e do Programa de Ação da III
Conferencia Mundial Contra o Racismo,
Discriminação Racial, Xenofobia e
Intolerância Correlatas.
Uma marcha que vai exigir do Governo Lula
e do Congresso Nacional, a aprovação do
Estatuto da Igualdade Racial e do Projeto
de Cotas nas Universidades, agilização da
titulação e regularização das terras
quilombolas.
Uma política de combates ao genocídio da
população negra, vitimando especialmente
as mulhares e a juventude negra. A
necessidade da ampliação do combate á
intolerância religiosa ás religiões de
matriz africanas.
A II Marcha contra o Racismo, pela
Igualdade e a Vida é uma iniciativa do
movimento negro Brasileiro e se constitui
num ato de indignação e protesto contra as
condições sub-humanas em que vive a
população negra deste pais, em função dos
processos de exclusão social determinados
pelo racismo e a discriminação racial
presente em nossa sociedade.
Uma marcha que será integrada por todos os
setores da sociedade disposto a fortalecer
um amplo movimento por mudança que consiga
concretizar os sonhos por soberania e
preservação de nossos territórios, de
nossa religiões, de nossa cultura, de
nossas identidades e orientação sexuais,
de nossos projetos de vida por um novo
Brasil sem racismo, justo e igualitário.
Comitê Impulsor Zumbi + 10 - II Marcha
contra o Racismo, pela Igualdade e a Vida:
Agente Pastoral Negro do Brasil - APNS;
Comissão Nacional Contra Discriminação
Racial da Central Única dos Trabalhadores
- Cncdr/CUT; Coordenação Nacional de
Entidades Negras - Conen; Fórum Nacional
de Mulheres Negras; Movimento Negro
Unificado - MNU; Pastoral Afro; Setorial
de Negros e Negras da Central de Movimento
Populares - CMP; União de Negros Pela
Igualdade - Unegro; Religião de Matriz
Africanas; Juventude e Quilombolas;Centro
de Articulação das Populações
Marginalizadas - CEAP
Comitês Estaduais:
RS, SC, SP, MG, ES, RJ, MS, MT, GO, DF,
TO, BA, SE, PE, PI, CE, MA, RO PA, AP,AM.
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• Secretária dos
Movimentos Sociais
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