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Introdução - Porque e como estudar
Nereide Saviani
O marxismo-leninismo - sistema teórico que
compreende método, concepção de mundo, filosofia, ciência, política - é
arma indispensável aos comunistas. É a teoria do socialismo científico,
bússola para a ação revolucionária do proletariado.
Marx, seu principal elaborador, estudou as
origens e o desenvolvimento da luta de classes, examinou a fundo as
contradições do capitalismo de seu tempo (meados do século XIX), apontando
para a edificação de uma sociedade mais justa, sem exploração do homem pelo
homem. Engels - que ajudou muito nessa elaboração, chegando a escrever com ele
várias obras - afirmava que "o socialismo, desde que se tornou uma
ciência, precisa ser tratado como tal, isto é, precisa ser estudado".
Lênin, grande líder revolucionário do
início deste século XX, aprofundou aspectos dessa teoria, especialmente sobre
os fundamentos da ação revolucionária do partido do proletariado. Ao propagar
os ensinamentos dos grandes mestres, enfatizava que a luta teórica - tal como
as lutas econômica e política - é uma das manifestações da luta de classes.
Lembrava, então, que a consciência socialista revolucionária não deriva
simplesmente dos embates da luta espontânea da classe operária.
Ou seja, para compreender os interesses vitais
do proletariado e de sua missão histórica, os comunistas precisam unir a luta
concreta ao exame profundo dos fenômenos histórico-sociais. Precisam forjar-se
como intelectuais revolucionários de sua classe e isso exige o domínio da
teoria revolucionária.
Estudar o marxismo-leninismo é, portanto, uma
necessidade vital para os comunistas. Mas não nos interessa um estudo
simplesmente para "demonstrar conhecimentos", estudo abstrato. Também
não se trata de entender a teoria como fórmula acabada, solução para todos
os problemas ou modelo para o empreendimento da luta dos trabalhadores e sua
organização. É indispensável encarar o marxismo-leninismo como sistema
teórico vivo, dinâmico, que exige constante elaboração.
Começando pelos fundadores
Apresentaremos orientações para o cumprimento
de um plano básico de estudo, seguindo um roteiro dirigido aos que iniciam o
estudo sistemático do marxismo-leninismo, mas que se presta também àqueles
que já têm uma formação. Para começar, destacamos algumas obras clássicas
dos fundadores desse sistema teórico - Marx, Engels e Lênin. Os textos serão
examinados a partir do contexto de sua produção, com reflexões sobre seu
significado histórico e sua atualidade. A trajetória proposta não segue uma
ordem cronológica, nem tem em vista fornecer uma visão panorâmica ou
extensiva. Está voltada ao desenvolvimento da consciência socialista, visando
destacar aspectos básicos do socialismo científico e sua aplicação ao campo
da estratégia e tática revolucionárias, bem como da concepção de partido do
proletariado. A intenção é estimular o conjunto da militância a buscar o
domínio de conhecimentos fundamentais e orientar a constituição de pequenas
bibliotecas para os organismos de base e comitês partidários.
Estudo individual, reflexão coletiva
Sempre que se enfatiza a importância do
estudo, fala-se da necessidade de "fazer cursos". Estes, sem dúvida,
ajudam a "organizar as idéias", traçar as linhas gerais da teoria e
seus temas básicos. Assim como palestras, seminários e outras situações de
debates contribuem para nossa formação teórica, ideológica e política.
No entanto, nada substitui o estudo individual.
Ele é indispensável à preparação e aprofundamento dos temas tratados,
contribuindo para o aproveitamento dos cursos e participação em debates.
A formação dos comunistas se sustenta nesses
três pilares: estudo individual, vida orgânica regular e cursos (ou atividades
sistemáticas de formação).
Enfrentar as dificuldades do estudo
Estudar não é fácil. Quando não se tem o
hábito de estudo, fica-se impressionado ao pegar um livro. Pensa-se que só
pode ser lido por quem freqüentou escola durante muitos anos.
No início surgem muitas dúvidas e
dificuldades, mas com o prosseguimento do estudo começa-se a compreender melhor
os textos e a assimilá-los. Acima de tudo é necessário ter vontade de
aprender e não desistir diante dos primeiros obstáculos.
Estudo individual planejado, permanente e
metódico
Que tal assumir um compromisso com o estudo? E
se experimentarmos encará-lo como uma tarefa a ser cumprida com o mesmo rigor
que todas as outras? Para isto, nada melhor que estabelecer (e seguir) um plano
de estudo individual. Convém definir um horário fixo para o estudo. Depois,
exercitar-se na concentração, disciplina e organização: evitando fatores de
dispersão; fazendo intervalos; providenciando antecipadamente todo o material
necessário; realizando anotações e fichamentos. Um bom começo será definir,
realisticamente, um mínimo de horas semanais a dedicar ao estudo.
Como estudar
Estudar é procurar compreender o que se leu,
refletir sobre os assuntos abordados em um texto, reter o fundamental,
estabelecer relações com outras idéias lidas e ouvidas.
Quando se pega um texto pela primeira vez, é
importante começar por uma leitura atenta, para se ter a visão de conjunto.
Geralmente, essa leitura leva à necessidade de consultar dicionários,
anotações de aulas/palestras e outras obras importantes para o entendimento
das idéias centrais.
Depois, volta-se ao texto, várias vezes
(conforme necessário), para apreender sua mensagem, localizar idéias, fatos,
informações e exemplos. Durante a leitura, é conveniente assinalar as
passagens mais importantes e fazer anotações. Registrar palavras ou fatos
desconhecidos, dúvidas, idéias principais, argumentos, fatos e exemplos
permite voltar e refletir com maior facilidade sobre pontos importantes.
A partir das anotações, é possível fazer um
resumo, isto é, um texto menor, com as próprias palavras, trazendo as
principais idéias do que foi estudado. O resumo de cada texto lido ajuda a
fixação e o esclarecimento das idéias. Apresentando os pontos essenciais do
pensamento do autor e o registro de opiniões pessoais do leitor, o resumo
possibilita o desenvolvimento da capacidade crítica e do raciocínio
independente.
Persistir na reflexão e no debate
As dificuldades iniciais irão diminuir aos
poucos, com paciência e dedicação. Mas, é melhor não fechar-se em si mesmo!
Levar as dúvidas e dificuldades individuais para discussão no coletivo. Os
camaradas mais experientes ajudarão os principiantes. O plano individual terá
mais resultado se conjugado a um plano coletivo, do organismo, por exemplo, ou
de grupos de estudo.
Pode-se realizar, também, uma sessão de
estudo em grupo. Elege-se um coordenador e um secretário. Os participantes
apresentam/discutem dúvidas, fazem comentários e decidem se devem voltar ao
texto individualmente e realizar novas sessões. Se necessário, solicita-se a
presença de alguém que tenha mais acúmulo, para expor aspectos que facilitem
a compreensão do texto e auxiliar a dirimir dúvidas ou orientar o estudo.
Passos para o estudo
-
Ler
integralmente e com visão de conjunto
-
Identificar
o tema
-
Destacar
idéias principais.
-
Localizar
argumentos, justificações, fatos, exemplos ligados às idéias principais.
-
Anotar
dúvidas, impressões, associações, etc., bem como passagens que chamaram
atenção.
-
Formular
questões cujas respostas se encontrem no texto e/ou questões por ele
suscitadas.
-
Resumir
- construir um texto curto, que contenha as idéias mais importantes
-
Esquematizar
- elaborar um quadro ou sinopse que permita visualizar a estrutura, o
planejamento do texto, expondo suas idéias centrais.
-
Interpretar
- comparar/associar as idéias do autor (com as pessoais; com outras do
mesmo autor; com as de outros autores).
-
Criticar
- formar opiniões próprias, fazer apreciações e juízo pessoal do texto.
Lembretes para cumprimento do plano de estudos
1. Providenciar cópias dos textos.
2. Predeterminar um horário.
3. Garantir algumas condições básicas para o estudo:
- concentração - evitar ou isolar os elementos de dispersão
- disciplina e organização:
- providenciar todo o material necessário
- não deixar de ler índices, prefácios, tabelas, notas de
rodapé, etc...
4. Dedicar ao estudo a mesma atenção dispensada a outras tarefas.
5. Interpretar os textos e extrair deles ensinamentos para a prática
revolucionária.
6. Discutir no coletivo, as dúvidas e as interpretações surgidas no
estudo.
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