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Sobre a reformulação do CIFORMA
O CIFORMA - Curso Intensivo de Formação Marxista - foi concebido e
implantado em caráter emergencial, para dar conta das necessidades de
formação de dirigentes intermediários e lideranças de massas, em cumprimento
ao PEP - Plano de Estruturação Partidária. Daí seu "formato"
intensivo, a ele associada a sistemática de descentralização, contando-se com
formadores, carinhosamente denominados Ciformeiros, recrutados/formados (também
intensivamente) ao nível dos comitês estaduais.
Passada a primeira fase de desenvolvimento do PEP (1998-99), a par dos
resultados reconhecidamente favoráveis de realização de turmas do Ciforma na
maioria dos estados, constatou-se a necessidade de uma primeira adaptação de
sua programação, levando-se em conta problemas até então detectados e,
principalmente, em vista do perfil da demanda remanescente, já com nível de
formação e experiência partidárias apresentando certa dificuldade para
acompanhar a proposta original. Para o II PEP (2000), concentramos, numa só, a
primeira e a segunda aulas e propusemos outra dosagem ao conteúdo tanto daquela
que passou a ser a primeira aula, quanto das três subseqüentes, mantendo-se a
aula sobre aspectos da realidade estadual, segundo elaboração e condições de
cada CEST.
Neste ínterim, foi concluída a produção do CBV - Curso Básico em Vídeo
- destinado aos militantes de base, com orientações aos Formadores de Base
para o desenvolvimento, também descentralizado. Chegamos a sugerir sua
utilização como recurso para o desenvolvimento do Ciforma, no que coubesse.
Soubemos, inclusive, de casos em que se optou pelo seu desenvolvimento, tal e
qual, para dirigentes intermediários cujo nível de formação estaria exigindo
adaptação do Ciforma.
Entramos em 2001, tendo pela frente duplo desafio: dar continuidade ao
desenvolvimento do PEP e preparar a militância para a participação ativa nas
atividades do 10º Congresso do Partido. Além de dar maior conseqüência à
orientação para adaptação da programação ao perfil dos dirigentes
intermediários e lideranças de massas que ainda não passaram pelo Ciforma,
seria necessário pensar a adequação do conteúdo às temáticas do Congresso.
Na reunião nacional de Formação, realizada nos dias 31/03 e 01/04/01,
discutimos, entre outros assuntos, os rumos que pretendíamos dar ao Ciforma -
seu conteúdo, formato, público alvo, metas e prioridades. Com base na
avaliação do trabalho realizado nos Estados, foram apresentadas as seguintes
sugestões para a reformulação do Ciforma:
1. Público-alvo - manter dirigentes intermediários e lideranças de massas
- mas adaptar aos diferentes níveis
2. Pré-requisitos:
2.1. CBV
2.2. Curso (ou estudo programado) preparatório ao Ciforma.
3. Conteúdo
3.1. manter e incrementar a parte de realidade estadual (com base nela, cada
município deve introduzir discussão sobre a realidade local)
3.2. itens a ser introduzidos / intensificados / melhor trabalhados
- programa socialista / caminhos para o socialismo
- questões sobre o Brasil (formação social / realidade atual / classes)
- conceito de globalização (relação entre reestruturação produtiva e
imperialismo)
- papel do indivíduo na história (Stalin na construção do socialismo)
- relacionar com conteúdo do CBV (+ Brasil)
- introduzir um módulo sobre questões da frente de juventude
- introduzir questões de gênero e raça/etnia
- introduzir questões de frentes de massas / frentes partidárias
4. Metodologia
- atividades mais diversificadas, tendo em vista a diversidade do público
- garantir tempo para discussões em grupos e debates gerais
- relacionar aula/estudo (iniciar o curso com discussão sobre a importância do
estudo e orientações de como estudar)
- introduzir atividades culturais / garantir momentos de lazer e esporte
(principalmente em cursos para jovens)
5. Avaliação
5.1. importante a avaliação de conhecimentos
- durante o próprio curso e ou ao seu final - perguntas sobre o conteúdo
desenvolvido (oralmente ou por escrito, de acordo com o público);
- para ser entregue depois do curso - monografias, resenhas, artigos, pesquisas
sobre um tema dado;
5.2. conferir certificado a quem cumprir 75% de freqüência;
5.3. promover concursos de estudo, com premiação para os primeiros
classificados.
6. Formação continuada
6.1. dos "ciformeiros"
- sessões de estudo programado, segundo a temática escolhida;
- encontros gerais periódicos, para troca de experiências.
- necessidade urgente do curso nacional (superior)
6.2. dos "ciformados"
- não ciforma reformulado, sim estudo orientado (SEPRO M-L / SEPRO DI);
- necessidade de organização de biblioteca básica nos comitês municipais
(levantar finanças para isto)
7. Formato
7.1. extensivo - forma ideal, mas não aplicável a curto prazo (problema
principal: a freqüência)
7.2. manter intensivo, mas empreender esforços para organizar o extensivo,
acoplado ao estudo programado
8. Outras observações
8.1. imprimir regularidade ao ciforma (por exemplo: todo mês, de 2 em 2
meses...)
8.2. modificar a estrutura, garantindo uma parte fixa e outra variável, de modo
a permitir ajustes, conforme o público e a realidade local
8.3. organizar comissões locais para adaptação às diferentes
características do público-alvo e da realidade local
8.4. o Ciforma deve transformar-se no curso intermediário
8.5. formar uma comissão para sua reformulação, garantindo-se:
- no conteúdo, questões de marxismo e Brasil, com ênfase nas temáticas do
Congresso;
- na metodologia, atividades diversificadas, com orientações para adequação
às características do público alvo;
- na avaliação, formas de aferição de aspectos centrais do conteúdo;
- indicações para o desenvolvimento em formatos intensivo e extensivo;
- orientações para a continuidade do estudo;
- tornar o vídeo parte constitutiva do Ciforma (como recurso para o
desenvolvimento dos temas, inclusive retomando a apostila e reforçando o que
ali é tratado).
Eis os encaminhamentos aprovados na reunião de 2001 (quanto ao Ciforma):
1. Constituir uma comissão para reformulação, coordenada por Nereide
Saviani, pela CNF e integrada por representantes dos seguintes Estados: SP, BA,
MG, CE, RJ.
1.1. cada um desses estados indicará um participante, não necessariamente
membro da respectiva comissão estadual de formação;
1.2. as contribuições desses e de outros estados serão encaminhadas à CNF
pelo endereço eletrônico do IMG: img@img.org.br;
1.3. a comissão iniciará a sistematização das contribuições, visando
contemplar as necessidades de reformulação e indicar adaptações, mas ainda
não em função do Congresso;
1.4. a reformulação "definitiva", que caracterizará o Ciforma como
curso intermediário, nos formatos intensivo e extensivo, será realizada após
o Congresso, incorporando as Resoluções nele aprovadas.
2. No decorrer do ano de 2001, em cumprimento às metas do PEP-III, contemplar
discussões sobre as teses do Congresso:
2.1. no Ciforma - para dirigentes intermediários, lideranças de massas e
militantes com potencial de se eleger;
2.2. continuar utilizando o CBV como recurso, ou integralmente (com
adaptações) - quando se tratar de público com dificuldades de acompanhar o
Ciforma.
..................................
Chegamos a 2002, com o desafio de dar conseqüência às deliberações do
10º Congresso, que elegeu direções partidárias, em todas as instâncias.
Como garantir a formação dos dirigentes intermediários novos ou reconduzidos
que ainda não passaram pelo Ciforma? Como nos preparar para a formação
continuada de todo o contingente de dirigentes intermediários e lideranças de
massas que forem passando pelo Ciforma ou pelo CBV adaptado?
Os documentos do 10º Congresso passam a ser a referência para a condução
do Partido no próximo período e precisam ser exaustivamente estudados. A
Comissão Nacional de Formação considera necessário adaptar a programação
do Ciforma para contemplá-los, enquanto não se efetiva sua reformulação mais
"estrutural", aprovada em 2001, segundo as sugestões acima
sintetizadas e outras que vierem a ser apresentadas.
Cabe destacar aspectos teóricos importantes:
1. Crise do capitalismo/neoliberalismo:
1.1. conceito de crise
1.2. questão do Estado
2. Novo ciclo político no Brasil
2.1. caráter da crise brasileira (encruzilhada - período histórico)
2.2. caráter da formação econômico-social brasileira.
3. Impescindibilidade do Partido de tipo leninista - necessário traduzir
isto em termos contemporâneos:
3.1. conceito de sociedade e de formação econômico-social;
3.2. classes sociais - conceito e constituição, hoje;
3.3. o proletariado como sujeito histórico - quem é o proletariado hoje?
[questão que exige pesquisa empírica, mais que generalização
lógico-teórica];
3.4. luta de classes - seus objetivos e manifestações;
3.5. partidos e outras organizações;
3.6. partido de tipo leninsita.
Quanto aos temas:
1. Situação Internacional:
1.1. realidade econômica, política e social do mundo:
- caráter da crise do capitalismo atual;
- contradições fundamentais do mundo "globalizado";
- dimensão da crise social mundial;
- crise da América Latina como efeito da aplicação do projeto neoliberal.
1.2. impotência do capitalismo para resolver seus próprios problemas:
- desenvolvimento tecnológico X utilização do trabalho humano - desemprego
estrutural;
- produção de riquezas X sua apropriação - exclusão social;
- imperialismo X países dependentes / contradições interimperialistas - perda
da soberania nacional / instabilidade mundial (guerras);
1.3. resistência e luta por transformação
- formas de luta contra o imperialismo e o neoliberalismo;
- novo caráter à luta pelo socialismo no século XXI.
2. Situação Nacional:
2.1. realidade brasileira atual:
- natureza da crise;
- características do Estado brasileiro;
- política de FHC / forças de oposição.
2.2. perspectivas:
- projeto nacional alternativo - governo de reconstrução nacional;
- resistência ao neoliberalismo - movimento de massas e sua direção;
- relação do projeto nacional alternativo com o Programa Socialista do PCdoB.
3. Partido
3.1. histórico - 80 anos / 40 de reorganização;
3.2. avaliação da trajetória do atual período de legalidade;
3.3. objetivos estratégicos e táticos;
3.4. desafios e tarefas atuais.
A atual programação do Ciforma comporta a inclusão dos aspectos teóricos
destacados e das temáticas constantes das resoluções, bem como questões
abordadas nas intervenções especiais - ainda que não na mesma seqüência dos
documentos do Congresso. Ao que parece, as aulas 2 e 4 são as que mais
facilmente poderão incorporar os textos - especialmente quanto às situações
internacional e nacional - tanto na bibliografia básica quanto no roteiro de
exposição.
Tomando-se por base o esboço acima, os aspectos teóricos podem ser assim
distribuídos:
Aula 1 - itens 1.2 / 3.1 a 3.4 (Sociedade, Classes, Luta de classes / Estado)
Aula 2 - itens 1.1. / 2.1 e 2.2 (Crise, crise brasileira).
Aula 3 - item 2.2. (caráter da formação econômico-social brasileira).
Aula 4 - itens 3.5 e 3.6 (partidos, outras organizações, partido de tipo
lenisnista).
Já para a distribuição dos temas:
Aula 1 - ? [necessário examinar melhor].
Aula 2 - itens 1.1 a 1.3 / item 2.1.
Aula 3 - item 2.2 (perspectivas).
Aula 4 - itens 3.1. a 3.4.
Bibliografia:
Leitura obrigatória (antecipada): Informe Político - Renato Rabelo (livro do
Congresso - pp. 14-31).
Aula 1 - repensar o conjunto [incluir Resoluções pp 66-72 - sobre Estado
Nacional - ao menos como apoio]
Aula 2 - básica: Resoluções - pp. 34-87
de apoio - a básica do progama anterior (9º Congresso)
Aula 3 - básica: Resoluções - pp. 54-57 e 81-87
Aula 4 - Resoluções - pp 87-116.
______________
Obs.:
- Necessário elaborar proposta de roteiro para as aulas.
Nereide Saviani
21/03/02.
ANEXO
[questões que serviram de base à discussão na reunião nacional de 2001]
1. Quanto ao público alvo:
1.1. Mantêm-se os dirigentes intermediários?
1.2. O que exigir como pré-requisitos? (CBV e/ou outro/s?)
2. Quanto à programação:
2.1. Mantêm-se os temas propostos, distribuídos nas 5 aulas (inclusive a de
realidade estadual)?
2.2. Mantém-se a bibliografia básica para cada tema?
2.3. Permanecem os conteúdos propostos para o desenvolvimento de cada tema? Em
que casos devem ser aprofundados/simplificados? Como adequá-los:
a) aos diferentes níveis do público-alvo?
b) às temáticas do Congresso?
2.4. Quais atividades e recursos devem ser mudados/introduzidos? Como utilizar o
vídeo no desenvolvimento da programação?
2.5. Na avaliação, além de levantar opiniões dos participantes sobre o
desenvolvimento do curso, é o caso de introduzir aferição de aspectos
relativos aos conteúdos trabalhados? De que maneira isto pode ser feito?
3. Quanto ao "formato" do curso:
3.1. Mantém-se como intensivo?
3.2. Passa-se a extensivo? [com que duração / distribuição de aulas / etc?]
3.3. Conjugam-se as duas formas? [para quem / em quais situações recomenda-se
cada uma?]
4. Quanto à continuidade da formação do público-alvo:
4.1. É viável a realização de sessões de estudo programado?
4.2. Será o caso de organizar-se um curso pós-Ciforma?
5. Quanto à formação dos Ciformeiros:
5.1. Que medidas vêm sendo tomadas?
5.2. Quais as perspectivas [para o processo de Congresso e para a continuidade
do PEP]?
6. Quanto ao plano de metas:
6.1. Como se situa o Estado em relação ao PEP [o que foi cumprido / o que
falta cumprir] ?
6.2. Quais as prioridades e medidas para atendê-las?
7. Outros itens/sugestões considerados importantes.
Veja
relação de outros textos na páhina da Secretaria de Formação e Propaganda
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