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30. AO APRESENTAR o Programa
socialista, o Partido Comunista do Brasil baseia-se
na teoria científica do marxismo-leninismo e na
experiência histórica tanto do nosso país e do
nosso povo como do movimento revolucionário
mundial. Tem uma compreensão nova dos problemas que
envolvem as transformações radicais da sociedade,
tirando ensinamentos dos sucessos e insucessos da
luta pela edificação do socialismo na ex-URSS e em
outros países.
Considerações Gerais
31. O PROGRAMA do PCdoB deve
levar em conta as peculiaridades do país, sua
formação histórica, seu desenvolvimento contido,
suas tradições de lutas populares, seu
proletariado industrial recente - um país atrasado
e submetido ao imperialismo no qual o fator nacional
e democrático tem sido elemento motivador e
dinamizador dos movimentos progressistas. O Programa
deve considerar também o estágio do
desenvolvimento econômico e a correlação de
forças estratégicas no plano mundial. Embora em
suas linhas mestras o socialismo científico seja
idêntico em todos os países, sua concretização
em cada lugar exige ponderar as particularidades
locais, nacionais. Essas particularidades dão
feição própria ao regime avançado que substitui
o capitalismo. O modelo único de socialismo é
anticientífico.
32. A CONSTRUÇÃO do socialismo,
visando a meta do comunismo, é processo complexo
que engloba várias fases. Possivelmente, no Brasil,
a transição do capitalismo ao comunismo, que
compreende todo um período histórico, terá três
fases fundamentais: a da transição preliminar do
capitalismo ao socialismo; a da socialização
plena; e a da construção integral do socialismo e
passagem gradual ao comunismo. São fases
interligadas e sem limites rígidos, de duração
relativamente larga, que comportam também etapas
intermediárias. A primeira fase é indispensável
para alcançar premissas econômicas que favoreçam
a implantação integral do socialismo, tendo
presente que o Brasil é ainda pouco desenvolvido.
33. A FASE da transição
preliminar do capitalismo ao socialismo realizará
gradativamente as transformações indispensáveis.
Nesta primeira fase não haverá confiscação
geral, socialização total, expropriação
generalizada. As medidas radicais, ligadas às
exigências iniciais da construção socialista,
terão cunho parcial. Em qualquer circunstância,
será respeitada a propriedade pessoal conseguida
com esforço próprio, honesto.
34. O PARTIDO Comunista do
Brasil, vanguarda consciente da classe operária,
fiel representante dos interesses do povo
trabalhador e da nação, constitui a força
dirigente da luta pela implantação e construção
do socialismo. Sua liderança é fundamental na
direção do Estado e no processo de formação da
consciência social socialista. Apoiado na teoria
revolucionária, é o portador e o intérprete do
projeto de transformação progressista da
sociedade. O Partido, no entanto, não se sobrepõe
ao Estado e às organizações criadas pelo povo,
não impõe arbitrariamente ou mecanicamente suas
decisões. Nem substitui no poder as classes e as
forças sociais que lhe deram origem. Dirige o
sistema político como parte integrante desse
sistema, utilizando, tanto no governo quanto na
atividade social, o método da persuasão para
viabilizar suas opiniões.
35. O PRESENTE Programa não
aborda a construção geral do socialismo, mas os
problemas relacionados com a primeira fase da
transição do capitalismo para o socialismo. Traça
o caminho da luta para alcançar o poder na
situação atual, pressuposto básico para a
execução do Programa.
O PODER, A QUESTÃO ESSENCIAL
36. O PCdoB considera fundamental
a instauração no Brasil de uma República de
trabalhadores e de amplas massas do povo, unindo a
população que habita o país, integrando as
diversas regiões do Norte, Nordeste, Centro-oeste,
Sudeste e Sul. O princípio fundamental da
República é a valorização do trabalho físico e
intelectual, aliada à solidariedade humana e ao
esforço comum de edificação da vida socialista.
37. A QUESTÃO essencial para
atingir esse objetivo é a conquista do poder
político pelo proletariado e seus aliados - o
campesinato, as massas populares urbanas, as camadas
médias e a intelectualidade progressista, sob
liderança firme e conseqüente. Sem o poder
político nas mãos das forças sociais com
interesses distintos dos agrupamentos que sustentam
a ordem capitalista vigente, torna-se impossível
proceder às mudanças que se fazem necessárias.
38. A REPÚBLICA de trabalhadores
e de amplas massas do povo é um Estado de cunho
democrático, mas não liberal, Estado de direito no
sentido de que se regerá por leis estabelecidas
pelos órgãos eletivos e manterá a legalidade
socialista. A base da organização estatal será
constituída por assembléias populares, livremente
eleitas, com ampla participação de trabalhadores
da cidade e do campo. O órgão supremo do poder
estatal é a Assembléia Nacional formada por
mandatários populares eleitos em todo o país. O
Governo Central será indicado pela Assembléia
Nacional. O Executivo e o Legislativo harmonizam-se
na elaboração e execução da atividade estatal.
Adotam-se normas gerais de descentralização
administrativa. O Judiciário, composto por
tribunais e juízes eleitos pelo povo, assegura
justiça rápida e gratuita. O poder local obedece,
em linhas gerais, à organização do poder central.
Quanto às Forças Armadas, sob a direção do poder
central, serão constituídas por corpo militar
estável e de alta qualificação profissional. Suas
bases mais numerosas são os Comitês Populares de
Defesa Civil.
39. O REGIME político garante
amplas liberdades para o povo - de reunião, de
associação, de manifestação do pensamento, de
demonstração pública, de culto religioso, de
movimento e de profissão. O exercício de greve é
assegurado aos trabalhadores na defesa de seus
direitos. Resguardado o interesse coletivo e os
objetivos fundamentais do movimento transformador da
sociedade, são respeitadas as divergências e
contestações às diretivas do Governo e
igualmente, a diversidade de organizações e
partidos políticos democráticos e progressistas,
desde que respeitem a legalidade socialista. É
garantido o direito de cidadania a todos os
brasileiros e aos estrangeiros radicados no país.
Serão abolidas e combatidas todas as
discriminações de raça, nacionalidade, religião,
em especial as que têm por objeto o negro. Às
mulheres será garantida a igualdade de gênero. Os
indígenas contarão com proteção especial, defesa
e demarcação de suas terras e ajuda ao seu
desenvolvimento étnico. O Estado assegurará
condições materiais para o funcionamento das
entidades populares, culturais e científicas.
40. A FIM de possibilitar melhor
distribuição de renda e de elevar o status social
da classe operária e do proletariado em geral, as
conquistas sociais dos trabalhadores e sua
ampliação, inclusive a redução gradual da
jornada de trabalho, merecerão destaque na
aplicação do Programa socialista. Os sindicatos de
molde classista, desempenharão importante papel na
defesa das reivindicações do proletariado,
enquanto força produtora, e na organização das
massas, visando o aperfeiçoamento da produção e
sua participação ativa na edificação socialista.
A CONSTRUÇÃO ECONÔMICA
41. NA PRIMEIRA fase da
transição, além de uma economia coletiva,
propriedade do povo, haverá espaço para o
desenvolvimento do capitalismo, em especial sob a
forma de capitalismo de Estado, com o objetivo de
acelerar o crescimento das forças produtivas e
consolidar o novo regime.
42. A ECONOMIA socialista será
centralizada e planificada para impedir a dispersão
e a anarquia da produção. Mas a planificação
atingirá somente os setores fundamentais.
Manter-se-ão os mecanismos de funcionamento do
mercado, operando particularmente na área de
distribuição de bens de consumo e de serviços e
sinalizando as exigências da sociedade. Não terá
caráter de regulador da produção. O Estado
controlará as atividades do mercado.
43. HAVERÁ diferentes tipos de
retribuição do trabalho, tendo como critério a
quantidade e a qualidade dos bens e serviços
produzidos. A contribuição tecnológica ou
científica destinada a promover maior e mais
rápido desenvolvimento das forças produtivas ou
aperfeiçoamento de serviços sociais contará com
retribuição especial.
44. SERÃO nacionalizados os
bancos, tendo em vista o controle do sistema
financeiro, bem como os portos e os meios de
transporte essenciais.
45. SÃO OBJETO de exclusiva
exploração do Estado os recursos estratégicos do
solo e do subsolo, o sistema de telecomunicação,
correios e telégrafos, a utilização e lançamento
de veículos espaciais.
46. A ECONOMIA socialista será
constituída inicialmente pelas empresas de caráter
estratégico que passarão à condição de
propriedade coletiva de todo o povo; pelas usinas
fundamentais geradoras de energia elétrica; pelas
empresas monopolistas que, na atualidade, impedem o
livre desenvolvimento do país; por outras empresas
e serviços de interesse público. Inclui-se na
economia socialista o sistema bancário
nacionalizado, os portos e meios de transporte
essenciais e o Fundo Agrário Nacional.
47. O SISTEMA de direção
estatal da economia combinará a administração
individual das empresas com o controle do coletivo
de trabalhadores. Incentiva, no âmbito da
orientação geral, a autonomia das empresas no que
se refere à introdução de melhorias técnicas
tendentes a elevar a produtividade e reduzir os
custos, bem como para expandir as atividades das
empresas.
48. A ECONOMIA capitalista de
Estado compreende as concessões a empresários
particulares, nacionais e estrangeiros, para
incrementar indústrias e serviços necessários ao
progresso do país; o sistema de consociação de
empreendimentos estatais com produtores isolados; a
associação de capital estatal com o capital
privado na construção e ativação de empresas
fundamentais; e outros tipos de economia, todos sob
o controle do Estado. Dar-se-á prioridade às
empresas que adotem processos de desenvolvimento
científico e tecnológico avançado.
49. A PROPRIEDADE privada
compreende o livre funcionamento de pequenas e
médias indústrias; de empresas industriais e de
serviços que contribuam para o desenvolvimento
nacional; do comércio privado em setores
circunscritos; dos proprietários rurais admitidos
pela reforma agrária.
50. A PROPRIEDADE cooperativa
terá duplo caráter: socialista, reunindo
principalmente camponeses pequenos e médios;
privada, agrupando produtores capitalistas, ou
artesãos e pessoas de profissões rudimentares.
51. A ECONOMIA socialista, de
todo o povo, é a base principal do desenvolvimento.
Deve aumentar continuamente seu peso específico no
conjunto da economia. Regula e dirige o processo de
crescimento e de melhor aproveitamento dos bens de
produção e de consumo.
DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO
E A ORGANIZAÇÃO RURAL
52. O MAPA agrário do Brasil
apresenta forte predomínio do monopólio da terra,
os latifúndios, sobre o qual se desenvolveu o
capitalismo no campo. Há variados tipos de cultura
agrária: sistema de plantações (café, cacau,
cana, etc); agricultura de amplo consumo; criação
de animais (gado de corte, porco, etc); produção
de aves para o abate (frango, peru, etc);
matéria-prima de combustível (álcool-motor);
plantas oleaginosas; árvores frutíferas, etc.. A
exploração do solo é feita, em grande parte, pela
burguesia agrária e pelos latifundiários
aburguesados.
53. LIGADOS ao campo, existem
empreendimentos industriais de vulto que, combinados
com a produção agrícola, formam unidades
econômicas produtivas. É o caso da indústria
açucareira e da produção de álcool-motor; da
criação e industrialização de aves; da
produção de celulose; de preparação de sucos
cítricos e bebidas alcoólicas etc.
54. BASEADO na realidade do campo
brasileiro e visando a construção do socialismo, o
PCdoB estabelece a sua orientação geral nesse
setor de atividade. Considera que a nacionalização
da terra - meio de produção fundamental - é
indispensável à construção da nova sociedade.
Entretanto, nesta primeira fase de transição do
capitalismo para o socialismo, o PCdoB adota
posição intermediária e transitória. Não
haverá nacionalização da terra. Far-se-á reforma
agrária antilatifundiária que consistirá
basicamente em:
Fixação de teto máximo para as
propriedades rurais, segundo as diferentes regiões
do país. Isso permitirá a exploração da
propriedade do solo por capitalistas de médio e
grande porte;
O excedente do teto máximo e as
terras devolutas, considerados de interesse social,
constituirão o Fundo Agrário Nacional, utilizado
pelo Estado para suprir as necessidades do amplo
desenvolvimento das áreas rurais;
Apoiado no Fundo Agrário, o
Estado garantirá o acesso à terra a todos os que
nela queiram viver e trabalhar. Dará proteção e
ajuda aos pequenos e médios produtores agrícolas.
55. A PRODUÇÃO do campo estará
subordinada ao plano geral de desenvolvimento da
economia do país tanto no que se refere ao mercado
interno como às exportações.
56. NÃO SERá permitida a
formação de cartéis ou de monopólios.
57. AS EMPRESAS e setores
produtivos da área rural que inviabilizarem, por
meios fraudulentos, o abastecimento da população,
ou sabotarem e desorganizarem a economia nacional
serão expropriados e passarão a integrar o
patrimônio público.
58. SOMENTE o Estado, apoiado no
Fundo Agrário, poderá promover o arrendamento de
terras. O arrendamento objetiva incrementar a
produção em larga escala por investidores
capitalistas. Os proprietários que não desejem
cultivar o solo deverão vender a propriedade.
59. OS PEQUENOS e médios
produtores que alimentam de matéria-prima as
indústrias agrárias receberão, além do valor do
produto entregue, uma parte proporcional do lucro
dessas indústrias.
60. OS ASSALARIADOS agrícolas
que constituem a parte principal da força de
trabalho do campo serão organizados em cooperativas
de prestação de serviços. Contarão com pleno
apoio do Estado para negociar condições de
trabalho e salário com os produtores capitalistas.
Onde existirem cooperativas desse tipo não será
permitida a contratação de trabalhadores rurais
avulsos.
61. O ESTADO incentivará a
criação de cooperativas de pequenos e médios
camponeses que integrarão a economia socialista no
campo. Essas cooperativas contarão com ajuda e
apoio do Estado.
62. O ESTADO organizará a
economia socialista no campo, criando
empreendimentos que possibilitem a produção em
ampla escala, utilizando métodos modernos,
técnicas especializadas e de alta produtividade.
63. SERÃO criados Centros
Experimentais de culturas agrícolas e
estabelecimentos de sementes selecionadas e de
mudas.
64. CRIAR-SE-ÃO em todo o
território agrário escolas e cursos de
qualificação de mão-de-obra e de aprendizagem de
técnicas modernas.
URBANISMO
E QUESTÃO HABITACIONAL
65. O SOCIALISMO procurará
resolver, gradativamente, os problemas das grandes
cidades que apresentam sérias deformações, bem
como a questão habitacional em crise, que atinge o
proletariado e a classe média em geral. Milhões de
pessoas, particularmente nas cidades metropolitanas,
não dispõem de residência decente e boa parte nem
sequer consegue abrigo seguro.
66. AS DEFORMAÇÕES existentes
nas grandes cidades são originadas do capitalismo.
De modo geral, as cidades foram construídas segundo
os interesses dos capitalistas, à revelia das
aspirações dos que nelas habitam. Incentivando a
valorização do solo urbano, eles promoveram um
tipo desordenado de edificações que afeta a
estética urbanística e prejudica o ambiente sadio
indispensável à vida da população. Monopolizaram
os terrenos urbanos, o que repercute no
encarecimento cada vez maior dos aluguéis.
67. A SITUAÇÃO dos grandes
centros urbanos agravou-se com o afluxo populacional
vindo de diversas regiões do país. Esse afluxo é
provocado pela precariedade de meios de existência
em inúmeras localidades. Os fatores determinantes
são o êxodo rural e a carência de atividades
econômicas em boa parte do território nacional.
68. O PARTIDO Comunista do Brasil
defende o princípio de que todo trabalhador tem
direito a uma habitação decente, em ambiente
saudável e a baixo custo. Com esse objetivo e, em
relação à situação atual, propõe:
A nacionalização do solo
urbano, que não poderá ser objeto de especulação
capitalista. Cabe à sociedade dele dispor conforme
às necessidades da população e ao crescimento das
cidades;
A incorporação ao patrimônio
público dos imóveis pertencentes aos grandes
proprietários ou consórcios capitalistas de modo a
atender à demanda de residências para o povo e de
locais para serviços públicos;
Os pequenos e médios
proprietários de imóveis terão assegurado seu
direito de propriedade; será garantida igualmente a
propriedade coletiva dos edifícios residenciais;
As cidades obedecerão a
planejamento adequado à sua expansão e
modernização. Prevalecerá o interesse social
sobre o interesse privado.
69. A FIM de evitar o afluxo
populacional às grandes cidades, impõe-se realizar
melhor distribuição territorial da população,
firmada numa profunda reforma agrária que ajude a
fixação do homem no campo e num desenvolvimento
econômico equilibrado das distintas regiões do
país.
BEM-ESTAR SOCIAL E DEFESA
AMBIENTAL
70. O PROGRAMA do PCdoB aponta as
realizações sociais e a defesa ambiental como
elementos primordiais à obra de construção
socialista, cujo objetivo, em última instância, é
a elevação permanente do nível das condições de
vida, material e espiritual, do povo trabalhador.
Constituem, portanto, tarefas que devem acompanhar,
passo a passo, a edificação econômica e
política.
71. O ESTADO garantirá a todos
os cidadãos condições dignas de vida, seguridade
social compreendendo saúde, previdência e
assistência social, segundo os princípios da
universalidade, integralidade e eqüidade. Dedicará
especial atenção à proteção à infância, à
maternidade e ao idoso, ao saneamento e à qualidade
do meio ambiente, bem como à higiene e segurança
do trabalho.
72. O COMPLEXO da construção
social e defesa ambiental abrange:
a edificação de residências
para o povo, na cidade e no campo;
a criação de parques e locais de recreação
pública;
a construção de estádios, ginásios e pistas
esportivas;
a organização de creches e escolas infantis;
a instalação de serviços comunitários, tais como
restaurantes, lavanderias e outros serviços de
interesse coletivo;
a defesa do meio ambiente e do ecossistema; medidas
para evitar a poluição do ar, dos rios, dos lagos
e do mar;
a proibição da destruição de florestas e
manguezais;
a proteção contra radiações nucleares.
73. A PARTICIPAÇÃO das grandes
massas, de maneira independente, nessas tarefas,
contribui para forjar o espírito de comunidade
socialista que desempenha importante papel na
transformação da mentalidade individualista e na
afirmação do esforço coletivo.
74. SERÃO estabelecidas taxas
mínimas para aluguéis de imóveis e utilização
de serviços comunitários.
75. CONCEDER-SE-Á permissão
para a construção de casa própria, propriedade
individual ou de grupo.
76. COM O fim de descentralizar a
administração pública e possibilitar maior
iniciativa das massas trabalhadoras e populares,
serão criados órgãos que supervisionarão as
construções sociais e a defesa do meio ambiente,
com a participação majoritária de membros eleitos
pelo povo.
DESENVOLVIMENTO CULTURAL
77. A TRANSIÇÃO para o
socialismo exige amplo desenvolvimento de múltiplas
atividades culturais destinadas a elevar o nível de
conhecimento do povo, impulsionar a construção
socialista, ajudar a formação da consciência
social progressista. Diferentemente da cultura da
época burguesa, reservada à minoria, a nova
cultura, em luta contra o obscurantismo e as idéias
retrógradas, orienta-se no sentido de alcançar a
maioria da população.
78. PROCEDER-SE-Á à elevação
do nível cultural com a liquidação do
analfabetismo e a disseminação do ensino laico, de
boa qualidade, que assegure a todos conhecimento
técnico-científico universal. Far-se-á a reforma
universitária de conteúdo democrático e
progressista, garantida a liberdade de cátedra e de
pesquisa universitária.
79. SERÁ estimulado e apoiado o
desenvolvimento das artes em todas as modalidades:
plástica, literária, musical, coreográfica,
teatral, cinematográfica, artesã-popular, sendo
garantida, como instrumento de progresso artístico,
a liberdade de expressão e de criação.
80. COM A finalidade de
disseminar a cultura entre o povo, construir-se-ão
bibliotecas, museus, teatros, centros de
exposições artísticas, institutos de divulgação
e pesquisa da memória histórica, em especial das
lutas populares.
81. A FIM de impedir a difusão
em massa de idéias e concepções decadentes e
reacionárias e assegurar o acesso dos trabalhadores
e do povo aos meios de ampla comunicação social,
os canais de televisão e as estações de rádio
serão convertidos em propriedade estatal, ou de
Fundações ligadas à entidades sociais e
culturais, ou de centros de Estudos e Pesquisas
científicas, ou, ainda, das Universidades.
CIÊNCIA E TECNOLOGIA
82. A PASSAGEM do capitalismo ao
socialismo reclama atenção particular ao
desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Uma e
outra, interligadas, constituem elementos essenciais
à edificação de uma sociedade moderna. A
atividade tecno-científica deverá estender-se a
todos os setores que necessitam de conhecimentos
mais profundos para avançar. Em especial, a
ciência e a tecnologia devem impulsionar a
construção econômica que, por sua vez, nelas se
apoiará para progredir.
83. O ESTADO investirá recursos
suficientes para a formação, em larga escala, de
pessoal técnico-científico de alta qualificação.
Criará bases sólidas de educação e
investigação científica. Propiciará também
locais adequados à experimentação e prova de
tecnologia de ponta.
84. EM DIFERENTES regiões do
país criar-se-ão Institutos e Centros de pesquisas
especializados, que abarquem desde a biotecnologia
ao setor espacial.
85. SEM menosprezar as
aquisições tecnológicas estrangeiras, será
indispensável desenvolver tecnologia própria
ligada às características do país que contribuam
para o seu desenvolvimento independente.
86. NO CAMPO da ciência,
dar-se-á importância ao estudo da filosofia, do
materialismo dialético e histórico e das ciências
em geral, notadamente da ciência social, visando
promover e preservar as grandes conquistas do
marxismo. A teoria será posta a serviço da
prática, e a prática considerada como fonte do
conhecimento científico.
87. SERÁ garantida a difusão de
opiniões diferenciadas de natureza técnica ou
científica e também do materialismo e do
idealismo.
88. ESTIMULAR-SE-Á a formação
de quadros capacitados teoricamente, capazes de
generalizar a experiência do movimento
revolucionário e da luta de classes, estribados na
teoria do progresso ininterrupto da sociedade.
89. FAR-SE-Á intensa difusão da
teoria socialista firmada no materialismo
dialético, a fim de enraizar a cultura avançada
entre as massas e consolidar o sistema do socialismo
científico. A luta constante contra a ideologia
burguesa, individualista e mesquinha, é fundamental
para forjar culturalmente o novo homem e tornar
definitivamente vitoriosos os ideais do proletariado
revolucionário.
INTERNACIONALISMO
E SOBERANIA NACIONAL
90. OS COMUNISTAS defendem o
internacionalismo proletário. Apóiam a luta de
todos os povos por sua emancipação nacional e
social. São solidários com as nações e povos
socialistas que sustentam firmemente a grande
bandeira do progresso social, da construção da
nova sociedade, mais humana, justa, culta e
civilizada. A luta contra o capitalismo é tarefa
estratégica de todos os trabalhadores e povos
oprimidos. Enquanto existir o imperialismo haverá
guerra, fascismo, injustiças sociais, feroz
exploração do homem pelo homem. Somente o
socialismo libertará a Humanidade de séculos de
opressão, humilhações e sofrimentos.
91. O PROGRAMA do Partido
Comunista do Brasil põe, igualmente, em relevo a
luta intransigente em defesa da soberania e da
independência do nosso país, luta que envolve não
somente os inimigos externos, cada vez mais
agressivos, como também os inimigos internos, boa
parte da grande burguesia e seus comparsas
acumpliciados com os monopolistas estrangeiros. Essa
luta constitui uma das grandes tarefas da época que
vivemos. A conquista do socialismo é inseparável
do combate firme e decidido por uma pátria livre,
soberana e independente. Em última instância, o
internacionalismo proletário, na situação atual,
é também a defesa da soberania nacional de todos
os países. |