No âmbito das comemorações dos 90
anos da Revolução Russa realiza-se este
Seminário de subsídios para elaboração
política do Partido Comunista do Brasil.
1) Motivo e objetivo
A luta entre capitalismo e socialismo é a
grande marca da atual época histórica. Nos
finais do século XX esta contradição se
expressava na derrota de algumas das
primeiras experiências de construção do
socialismo, destacadamente da União
Soviética e na pesada ofensiva que o
imperialismo, com sua feição atual,
globalizada e neoliberal, impôs ao movimento
transformador. Ao mesmo tempo, o socialismo
iniciava um período de luta de resistência.
Em alguns países socialistas que resolveram
persistir com esta opção e noutros,
capitalistas, onde partidos comunistas estão
a desfraldar a bandeira revolucionária.
Continuaram a atuar no plano mundial as
leis do desenvolvimento econômico e social e
a situação não parou de se modificar. Em
primeiro lugar, são grandes, abrangentes e
rápidas as modificações econômicas pelas
quais vem passando o capitalismo nos últimos
30 anos. Em segundo lugar, já com algum
tempo transcorrido, criaram-se melhores
condições para que se apreciasse as lições
das experiências construtivas que
fracassaram. Por último, as experiências de
construção do socialismo em curso se
desenvolvem e oferecem vasto material à
reflexão.
Esta nova situação, em seu conjunto,
emoldura isto que o PCdoB tem chamado de uma
nova luta pelo socialismo. Para o Partido
Comunista trata-se, pois, tanto de buscar
entender o conteúdo das transformações do
sistema capitalista dominante, sua dinâmica
de funcionamento, identificando seus pólos e
suas tendências contraditórias, quanto de
tomar em conta as preciosas lições das
experiências construtivas fracassadas ou
vitoriosas. Agora em 2007, quando se
comemora a passagem dos noventa anos da
Revolução de Outubro, se apresenta um
momento oportuno para este debate.
Quando da realização do 11º Congresso do
PCdoB, em princípios de 2005, vários
problemas vieram a debate sobre a questão
específica do capitalismo contemporâneo.
Fato que expôs a necessidade de maior
compreensão partidária. Entre outros pontos,
sobre o conteúdo e forma para melhor
caracterizar a atual fase da etapa
imperialista do capitalismo, ou o atual
padrão de acumulação e dominação do
capitalismo como um sistema de capitalismo
globalizado ou de capitalismo neoliberal;
sobre suas tendências econômicas à
monopolização e à financeirização
crescentes, ao parasitismo, ao crescimento
econômico e à estagnação, assim como ao
desenvolvimento desigual; sobre seus
desequilíbrios e suas crises, sobre o
sistema monetário internacional; sobre o
estágio do declínio norte-americano e assim
por diante.
Decorridos aproximadamente dois anos do
11° Congresso, o presente Seminário sobre o
Capitalismo Contemporâneo e a Nova Luta pelo
Socialismo tem exatamente a pretensão de –
sob os auspícios do PCdoB e do Instituto
Maurício Grabois – dar continuidade ao
esforço de desvendar a complexidade de tais
questões. Esse labor teórico e político com
certeza oferecerá subsídios, para melhor
embasar a construção das posições
partidárias.
2) Temas do Seminário
1 – O capitalismo contemporâneo
A) Características centrais do
capitalismo atual, modificações dos últimos
30 anos
1.1 – Balanço preliminar: situação dos
anos 70, déficits, crises, EUA (queda dos
indicadores de produtividade e das taxas
médias de lucro), reconstrução da Alemanha e
Japão, esgotamento dos acordos de Bretton
Woods, keynesianismo;
1.2 – A financeirização: capital portador
de juros, ao mesmo tempo não novidade e
novidade; os novos circuitos da valorização
capitalista, a alta finança e o crescimento
global do mercado de capitais, EUA como pólo
central e grande potência financeira; um
mercado financeiro vasto, profundo e líquido
(securitização); instrumentos e meios
financeiros (ações das Bolsas, títulos e
bônus privados e públicos) (diversos tipos
de fundos não bancários). O novo padrão
monetário, “dólar flexível”; títulos
públicos como “refúgio” de investidores.
Papel do Tesouro dos EUA, do FMI, do Banco
Mundial e dos bancos centrais na “finança
mundializada”, papel do G-7;
1.3 – Especulação e capital fictício:
fundos, derivativos e dívida pública;
financeirização e agentes financeiros como
modo de gestão da riqueza. A inédita
ultrapassagem valorativa dos ativos
financeiros versus produção mundial.
1.4 – Características da monopolização de
capitais (fusões e aquisições) e da
exportação de capitais na atualidade;
1.5 – Expansão do comércio internacional
com base na reorganização de um novo mercado
mundial único. A “nova” política econômica
adotada, quebra de barreiras para maior e
mais rápida circulação de capitais e de
mercadorias (liberalização e
desregulamentação), controle da inflação via
juros, política de câmbio flutuante.
B) A dinâmica, contradições e tendências
do sistema, repercussões na esfera
geopolítica; conjuntura e perspectivas da
economia internacional
1.6 – Imbricamento das esferas
financeira, produtiva e comercial da
acumulação do capitalismo globalizado. A
relação EUA com a China/Ásia, déficits e
superávits comerciais e financeiros,
reservas internacionais (novos devedores e
novos credores), parasitismo e produção;
equilíbrio e desequilíbrio; expansão,
instabilidade, estagnação e crise.
1.7 – Complementariedade e disputa,
blocos econômicos e políticos, surgimento de
potências médias na periferia. A tendência
objetiva à multipolaridade. A China como
pólo mais dinâmico da economia
internacional, uma economia relativamente
grande e avançada tecnicologicamente. Lento
declínio dos EUA e rápida ascensão da China;
as disputas econômicas fundamentais:
comércio e energia, destacadamente o
petróleo.
1.8 – A ordem mundial contemporânea, o
hegemonismo norte-americano e as
contradições geopolíticas. As principais
vertentes da luta por um mundo de paz,
democracia, independência, cooperação,
desenvolvimento e progresso social.
1.9 – A recorrência de crises financeiras
dos anos 90 e início do século XXI, no
centro e na periferia do capitalismo.
1.10 – A situação da economia dos EUA, da
Europa e do Japão. Dos países em
desenvolvimento, destacadamente China,
Índia, Rússia e Brasil.
1.11 – Razões e perspectivas da grande
liquidez internacional. Perspectivas do
dólar e do euro; fortalecimento de outras
moedas; novas formas de especulação diante
da valorização de diversas moedas (yen carry
trade).
2 – A Nova Luta pelo Socialismo
A) Lições da experiência soviética
2.1 – Transição mais ou menos prolongada
em países de baixo desenvolvimento das
forças produtivas, várias transições e
etapas de construção. Avaliação realista das
forças inimigas do socialismo interna e
externamente. Socialismo e democracia.
Partido Comunista da URSS e o movimento
comunista internacional. Partido e governo.
Não existe padrão de socialismo.
2.2 – O modelo soviético Seu legado, a
valorização da experiência, o porquê do
fracasso. As lições.
B) Perspectivas da nova luta pelo
socialismo
2.3 – Elementos centrais da experiência
chinesa, vietnamita e cubana. O alvorecer da
experiência venezuelana. Socialismo com
características próprias em cada país.
Desenvolvimento das forças produtivas.
Socialismo e capitalismo sob a hegemonia do
socialismo, formas de propriedade e papel do
capital estrangeiro. Missão histórica do
Partido Comunista. Sistemas políticos
vigentes e legalidade socialista. Soberania
e socialismo. Avanços sociais e diferenças
de classes.
2.4 – A resistência e a acumulação na
fase atual da experiência brasileira. Os
três vetores interdependentes da luta de
acumulação: luta ideológica, luta
institucional/parlamentar, lutas sociais. A
conjugação entre a luta por reformas e pela
revolução, reformismo e revolucionarismo.
Partido Comunista, alianças, independência.
3) Data
Dias 19 e 20 de novembro de 2007
4) Horário
Das 8:30 às 20 horas
5) Local
Unip Vergueiro
Rua Vergueiro, 1211 – Metrô Vergueiro – São
Paulo
6) Dinâmica
Abertura situando o Seminário no processo de
construção da linha política do Partido.
Quatro períodos de exposições e debates de
aproximadamente 4 horas (intervalos
inclusos).
Encerramento dedicado a sínteses e
sistematizações.
Em cada um dos quatro períodos referidos,
três ou quatro palestrantes – do Partido,
convidados brasileiros e convidados
estrangeiros – com intervenções de 25
minutos cada uma sob a coordenação de um
quarto integrante de cada Mesa Diretora dos
trabalhos. Em seguida serão abertos os
debates com intervenções de 5 minutos.
7) Participantes
Total aproximado, 200 pessoas, entre elas 81
membros do Comitê Central do PCdoB e
convidados de outras legendas do campo
progressista.
8) Método
Aos expositores é solicitado suas
intervenções por escrito, podendo fazer uso
de recursos áudio-visuais para facilitar a
compreensão.
9) Abertura, expositores e
coordenadores das mesas
Abertura
Renato Rabelo – presidente do PCdoB
Tema 1
Primeira mesa
Luiz Gonzaga Belluzzo (professor titular de
economia da Unicamp, aposentado),
José Carlos de Souza Braga (professor e
diretor do Centro de Relações Internacionais
do Instituto de Economia da Unicamp),
Renildo Souza (economista e professor do
Centro Federal de Educação Tecnológica da
Bahia),
Oswaldo Martinez (economista Cuba) - a
confirmar,
coordenador Sérgio Barroso (médico,
doutorando em Economia Social e do Trabalho,
da direção nacional do PCdoB).
Segunda mesa
Samuel Pinheiro Guimarães (embaixador,
Secretario Executivo do Itamaraty),
Francisco Carlos Teixeira da Silva
(historiador, professor Emérito da ECEME
[escola de Comando e Estado Maior do
Exército]),
José Reinaldo Carvalho (jornalista e
responsável pela Secretaria de Relações
Internacionais do PCdoB),
coordenador Dilermando Toni (jornalista, da
direção nacional do PCdoB).
Tema 2
Primeira mesa
Luís Fernandes (cientista político e
professor da Universidade Federal Fluminense
e presidente da Finep),
João Quartim de Moraes (professor de
filosofia da Unicamp – confirmar),
Convidado do Partido Comunista Português (PCP),
coordenadora Madalena Guasco (professora,
diretora do Centro de Educação da PUC-SP, e
da direção nacional do PCdoB)
Segunda mesa
Personalidades representantes de Cuba,
China, Vietnam e Venezuela, coordenadora
Nádia Campeão (da direção nacional do PCdoB,
Presidente do PCdoB de São Paulo).
Pronunciamento final do Presidente do
PCdoB Renato Rabelo (Sínteses,
sistematizações e desdobramentos para
continuidade do debate. Homenagem aos 90
anos da Revolução Russa).
10) Promoção
Partido Comunista do Brasil e Instituto
Maurício Grabois Para mais
informações, os interessados devem entrar em
contato com o Instituto Maurício Grabois
pelo telefone (11) 3266-8368 ou pelo
endereço eletrônico
formar@pcdob.org.br.
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