Crise do marxismo, segundo o pensamento de
João Amazonas
O texto a seguir
foi publicado originalmente na revista
Princípios, edição 85. De autoria de
Walter Sorrentino, foi reproduzido no
Partido Vivo como uma complementação ao
artigo
As polêmicas atuais
sobre a questão partido – a degenerescência
dos partidos comunistas,
também escrito pelo secretário de
Organização do PCdoB.
Walter
Sorrentino*Ao
homenagear a memória de Amazonas pelos
quatro anos de seu falecimento, destaca-se
que seu pensamento é uma fonte seminal de
investigação e alento para o projeto
revolucionário em nosso país.
No 8º Congresso do PCdoB, em 1992, João
Amazonas conclamava-nos a superar a crise do
marxismo e do socialismo como uma tarefa
notável, maior desafio do tempo
contemporâneo. Foram, como veremos, anos de
intensa reflexão e elaboração sobre o tema.
O sentido atribuído por ele ao termo é de
uma crise do desenvolvimento da teoria
revolucionária. Não era a primeira vez que
se apresentava: ele nos reportava à crise da
2ª Internacional, da qual Lênin emergiu como
homem extraordinário de pensamento e ação
revolucionária, desenvolvendo o marxismo
para as condições de seu tempo.
Como foi sendo plasmada tal compreensão da
crise? Como evoluiu a elaboração do
pensamento de Amazonas sobre o tema? Como se
entrelaçam essas duas questões? Que legado
nos deixa e quais algumas das perspectivas
que se apresentam hoje na luta pelo
socialismo?
A crise do socialismo e do marxismo
O 8º Congresso do PCdoB centrou-se na crise
dos anos 1989 e 1991, que levou ao fim dos
Estados socialistas na URSS e no Leste
europeu. Na análise realizada, a crise tem
por ponto de partida os eventos de meados
dos anos 1950, com o 20º Congresso do PCUS,
e se aprofunda desde então com a dominação
revisionista de Kruschev a Gorbachev.
Entrelaçam-se na investigação das causas
dessa crise fatores objetivos e subjetivos.
Segundo a resolução adotada nesse Congresso,
num determinado momento da construção do
socialismo na URSS, com Stalin e PCUS à
frente, a vanguarda não esteve à altura em
termos teóricos de interpretar os fenômenos
novos que surgiam. A teoria revolucionária
se apresentava em fase de estagnação,
gerando um vazio e o descenso do movimento
comunista. Crise, portanto, não no sentido
de decadência, mas no de exigência de
desenvolvimento do marxismo.
Nessa direção, ainda segundo a resolução do
8o Congresso, torna-se necessário
desenvolver de maneira nova a ciência social
avançada, o marxismo, a partir dos seus
próprios fundamentos. Reclamam-se novos
procedimentos científicos para a atualização
da teoria, uma linguagem nova. Estagnada
como está ela não pode cumprir sua missão –
conseqüentemente, não se poderá vencer a
crise sem desenvolver o marxismo. Essa foi a
constatação do 8º Congresso.
Agrego aqui uma ponderação, possibilitada
hoje pela visão retrospectiva. A tomada de
consciência dessa crise foi progressiva.
Estavam em curso certos impasses das
alternativas de poder popular no último
quarto do século XX – Portugal, Irã,
Nicarágua, Moçambique, Angola entre outros;
a acachapante débâcle do Leste e o fim do
campo socialista como sistema de Estados;
instalação da poderosa ofensiva ideológica
neoliberal do capital financeiro, sob
hegemonia norte-americana, que perdura e se
repõe com forte centralidade. Esse quadro
impôs nova realidade ao movimento
transformador, de defensiva estratégica,
período de crise ideológica e apostasia no
movimento comunista, de nova acumulação
estratégica de forças para retomar a luta
pelo socialismo. Isso foi predominante na
década de 1990 e está em desenvolvimento até
hoje, reclamando esforço de re-elaboração da
estratégia e dos caminhos do movimento
transformador. Trata-se então de enfocar tal
crise também em seus desdobramentos numa
crise programática da esquerda e, devido
também a outros fatores, numa crise
orgânica, de militância. E confrontá-la com
a rica realidade do movimento social, em
resistência a tal estado de coisas e busca
de alternativas ao neoliberalismo.
A evolução do pensamento de Amazonas
João Amazonas foi o principal ideólogo do
PCdoB, homem de ação, político experiente,
com uma obra política e ideológica saliente.
Seu pensamento foi elaborado na ação e para
a ação, e de certo modo se confunde com o
pensamento do PCdoB, de seus congressos e
documentos fundamentais. Abarca várias
dimensões: teórico-ideológica,
estratégico-tática, internacionalista, de
ação de massas. Devido à sua formação
marxista consolidada, esse pensamento tem
papel central no exame da crise do
socialismo. Foi a alma da elaboração dos
documentos do 8º Congresso, acima referidos.
Antes de examinar diretamente o pensamento
de Amazonas sobre a crise, é necessário
repassar em traços gerais sua trajetória
para contextualizar a démarche desse
pensamento. Há dois marcos essenciais do
pensamento e ação de Amazonas – 1962 e 1992.
Um deriva do cisma histórico do movimento
comunista, de 1956, do qual emergiu
reorganizado o Partido Comunista do Brasil.
Outro, que precisa ser mais valorizado,
deriva da consciência de uma derrota
estratégica do movimento operário
revolucionário com a queda da URSS e do
Leste europeu no fim dos anos 1980, e de seu
enfrentamento no 8º Congresso do PCdoB.
É importante ressaltar que, para Amazonas, a
elaboração do diagnóstico da crise do
socialismo e do marxismo nasce com as
contendas ideológicas de meados dos anos
1950, após a morte de Stálin. Não se
configurou em toda inteireza desde o início,
mas foi abrindo caminho em sua elaboração. O
tema abarca, assim, décadas – e ainda está
em curso –, mostrando quanto são prolongados
tais combates no terreno das idéias. Como em
tudo, trata-se também de um movimento
contraditório, pelas escarpadas veredas do
desvendamento de fenômenos de enorme
complexidade histórica.
A ruptura de 1962
Em 1962 confluíram confrontos ideológicos e
políticos, nacionais e internacionais.
Amazonas foi protagonista destacado. Ele
fora participante da célebre Conferência da
Mantiqueira, em 1943, que reorganizou o PCB
após as pesadas ofensivas da ditadura do
Estado Novo, e passa a integrar o Comitê
Central e seu Secretariado Nacional. Ele vai
trilhando suas experiências e consolidando
concepções. O documento 50 anos de luta
(1972, 50º aniversário de fundação do
Partido Comunista do Brasil), do qual foi um
dos elaboradores, sistematiza a falta de
estabilidade da orientação política do
Partido Comunista do Brasil (PCB) –
direitismo em 1945-46; esquerdismo do
manifesto de agosto de 1950; certo
artificialismo do Programa de 1954;
direitismo escancarado do manifesto de março
de 1958 –, relacionando-a com o pouco
domínio do marxismo-leninismo. Faz curso na
URSS em 1955-56, que sempre ressaltou como
importante em sua formação, embora com
críticas ao esquematismo pró-soviético. Lá
presenciou in loco a mudança da direção do
PCUS, em prol de Kruschev. Sistematizou,
anos depois, sua convicção da existência de
um golpe nesse processo, e a ausência de
reação da classe operária e do PCUS que,
segundo ele, se encontravam desarmados
ideologicamente.
A reorganização do Partido Comunista do
Brasil em 1962 nasce do embate frente a
esses processos, e também para confrontar o
nacional-reformismo que tomou de assalto o
PCB com o Manifesto de 1958 e o 5º
Congresso de 1960. Amazonas foi afastado da
direção, apodado de “stalinista”. Passou
alguns anos na direção dos trabalhos
partidários no Rio Grande do Sul e, após o
5º Congresso, encabeça – com Grabois, Pomar
e uma centena de outros comunistas – a
Conferência Extraordinária de Reorganização
do PCdoB em 18 de fevereiro de 1962.
A partir daí, foram anos de intenso
confronto ideológico, nos quais se buscava
desmascarar o revisionismo contemporâneo,
expresso nas opiniões encabeçadas pelo PCUS
– a competição e coexistência entre
capitalismo e socialismo, e o caráter do
Estado e do Partido, de todo o povo.
Registre-se aí a característica da
frontalidade, sempre saliente em Amazonas. O
novo posicionamento extraía conseqüências no
campo internacionalista.
Construiu-se o campo internacional dos
partidos marxistas-leninistas no combate
anti-revisionismo soviético. Tal combate
perdurou desde a década de 1960, em que
Amazonas enfrentou, junto com o PCdoB, forte
pressão pelo isolamento político e
ideológico.
No plano da reflexão nacional, enfrentava-se
a ditadura e a necessidade de ampla união
dos brasileiros para livrar o país da crise
e da ditadura, tarefa enfrentada na 6ª
Conferência Nacional, em 1966. Ao lado de
uma tática ampla e uma estratégia firmemente
antiimperialista, o PCdoB mantém o
pensamento de duas etapas estratégicas
da revolução brasileira, tributária da visão
da 3ª Internacional e da análise que se
fazia da realidade brasileira – caráter
nacional, democrático, antiimperialista e
antifeudal da revolução na primeira etapa, e
socialista na segunda. Esse relativo
mecanicismo no pensamento do Partido com o
tempo cedeu lugar a uma compreensão mais
interligada das duas etapas. No 7º
Congresso, em 1988, numa notável reflexão
política, Amazonas firma a compreensão da
encruzilhada histórica em que estava
mergulhado o país, exigindo solução
avançada. Aproximavam-se assim,
entrelaçando-se, as duas etapas
estratégicas; ao mesmo tempo, concluía-se
não haver um ascenso revolucionário no
Brasil e no mundo. Nova conclusão
estratégica só seria extraída nos marcos do
aprofundamento da crítica e autocrítica no
8º Congresso em 1992, apresentando a
proposição sobre o caráter socialista da
revolução brasileira, que levou à formulação
do Programa Socialista do PCdoB, em
1995, hoje vigente.
No plano tático, firmou-se uma das fortunas
do pensamento de Amazonas, uma profunda
assimilação do leninismo, que ele procurou
aliar ao estudo da realidade política
brasileira. Isso o levou a vincular os
objetivos táticos bem firmados – a um só
tempo com firmeza de princípios e propósitos
–, com a flexibilidade no modo de
alcançá-los. Dadas as derrotas do Araguaia e
a tristemente célebre Chacina da Lapa (que
vitimou a direção partidária em dezembro de
1976), Amazonas levou o PCdoB a se orientar
pela atuação no seio de ampla frente
democrática e no ascenso das lutas de massa
do período, lutando pela hegemonia de forças
avançadas na luta contra a ditadura. Decerto
a base principal para esse rico pensamento
político foi a apreensão aprofundada e
inventiva de O Esquerdismo, doença
infantil do comunismo, de Lênin, obra
que Amazonas sempre indicava em suas
reflexões e debates, como antídoto poderoso
ao sectarismo político auto-suficiente.
Assim, sua obra cotidiana de orientação
tática é intensa nesses anos.
O marco de 1992
Sem dúvida nessa trajetória vão sendo
plasmadas as conclusões de Amazonas sobre a
crise do socialismo. O fim da URSS e do
campo socialista no Leste europeu promove um
salto qualitativo em suas elaborações.
Pode-se dizer – numa visão retrospectiva –,
que foram se configurando as insuficiências
da análise prevalente até aqueles momentos
tormentosos de 1989-1991. A produção teórica
de Amazonas traz uma pista dos fatores que
se acumulavam para o salto. A “traição
kruschevista” sem dúvida foi parcial e
unilateral como explicação para a derrota
sofrida na URSS. A démarche teórica da
restauração capitalista na URSS desde meados
dos anos 1950 – com “novas formas de
extração de mais-valia” –, e do
social-imperialismo – com “exportação de
capitais e dominação imperialista” –,
mostrava limitações. A questão do stalinismo
até aí havia sido pouco explicitada.
Amazonas nunca deixou de referir, como um
dos fatores de crise do movimento, o aspecto
subjetivo, ou seja, insuficiente estudo e
desenvolvimento do marxismo. A este
propósito, registro que a resolução do 8º
Congresso fez um paralelo com a crise do
marxismo no tempo de Lênin, situando a maior
contribuição dele, nesse sentido, em
Materialismo e empiriocriticismo, quando
talvez seria de referir também, mais
intensamente, o estudo empreendido por Lênin
da dialética de Hegel como fator seminal
para o salto na teoria revolucionária em seu
tempo. E, quem sabe, maior esforço pelo
estudo e domínio da realidade do Brasil,
modo comprovado de superar esquemas e
modelos pré-fixados.
Enfim, pelo meu entendimento, o estado da
arte até aí era de uma clara reafirmação
de princípios e defesa da identidade dos
comunistas, embora com alguma carga
dogmática. Com os acontecimentos
vertiginosos do final dos anos 1980 e início
dos 1990 um salto na elaboração foi dado por
Amazonas e ele não se enganou quanto ao
sentido dos acontecimentos históricos.
Com a Perestroika é relançado em outro
patamar o exame da crise do socialismo. Há
um antes e um depois em relação a esses
acontecimentos no pensamento de Amazonas.
Retrospectivamente, pode-se verificar o seu
método: ele desenvolveu um programa de
investigação e pesquisa, que esteve na base
de toda a sua produção até 1996-1997 –
válido ainda hoje. A partir de 1988,
Amazonas dará curso a esse programa de
investigação e extrairá outras contribuições
teóricas. Circunscreva-se aqui uma
absolutamente central: não há modelo único
de socialismo. Daí partiu a re-descoberta de
Lênin, a categoria da transição ao
socialismo, o papel do capitalismo de Estado
nessa transição. Essa foi a pedra angular
que permitiu a João Amazonas descortinar os
novos lineamentos do Programa Socialista do
PCdoB para o Brasil.
Mas vejamos o percurso, que foi progressivo
e não linear. Com o advento da perestróika e
da glasnost, promovidas por Gorbachev,
Amazonas em 1988 no artigo “Perestróika: a
contra-revolução revisionista” elaborou uma
crítica poderosa e percuciente – própria de
quem sustentara princípios e enxergava a
gênese histórica dos eventos. Nele, afirma
como causa real da crise da URSS o abandono
do caminho socialista e a vitória de uma
direção burguesa na URSS. Foi aberta uma
longa transição do socialismo ao capitalismo
na URSS desde meados da década de 1950, que
alcançou o ponto mais alto com Gorbachev.
Rechaçou ainda as mentiras e calúnias contra
Stálin.
Em 1990, no artigo “A teoria se enriquece na
luta por um mundo novo”, aprofunda a
crítica. Na URSS, falhava o motor, “a
teoria, ao não ter respondido às exigências
da evolução social, entrou em crise. E dela
só poderá sair re-elaborando os fenômenos
novos, dando-lhes correta interpretação”.
Segundo ele, se verificaram erros na
construção socialista. Uma nova etapa de
desenvolvimento na URSS foi aberta, após as
grandiosas vitórias obtidas na 2ª guerra
mundial. Problemas novos reclamavam
teorização, envolvendo o caráter do
desenvolvimento das forças produtivas; o fim
das restrições ao avanço democrático, das
repressões e falhas na legalidade, da
monopolização do PCUS sobre a vida política
e fusão Partido-Estado; as limitações no
campo social e na vida cultural com o
dirigismo do realismo socialista. Enfim, na
URSS, a prática se desligava da teoria e
esta se apresentava estancada. A nova etapa
não fora generalizada à altura das
exigências.
Ainda em 1990, no artigo “As transformações
sociais na época da revolução e do
socialismo” Amazonas dá novos passos no
exame crítico da crise. Propõe discutir o
tema sem preconceitos. Ele firma sua
convicção de que a ascensão de Kruschev ao
comando do PCUS resultara de um golpe,
configurando uma derrota histórica do
proletariado naquele país, com reflexos
em todo o movimento comunista. Iniciava-se
aí a transição do socialismo ao
capitalismo. Para tragédia do
socialismo, a contra-revolução se
apresentava fantasiada de liberal, de defesa
das liberdades. De forma penetrante, ele faz
a autocrítica: ao longo do combate ao
revisionismo, justo e necessário em sua
compreensão, demonstrara-se o como ocorrera
a derrota. Mas não fora suficiente
reconhecer isso. O edifício ruíra, era
importante resgatar os alicerces. A questão
candente era o porquê desses acontecimentos.
Estava na hora de perguntar, até mesmo
especular, sobre a absolutização de
princípios e normas verificada na
experiência socialista, a desatenção à
questão das etapas de transição do
capitalismo ao socialismo, a questão do
Estado socialista e a relação com o Partido.
Enquanto isso, os acontecimentos se
processavam em velocidade incrível.
Havia chegado a hora de a Albânia ser
envolvida neles, e fracassar em perseverar
num caminho de defesa da nação e do povo.
Segundo Amazonas, em artigo de 1991 “As
mudanças de rumo na Albânia socialista”, nas
condições daquele pequeno país, isolado,
impunha-se um reposicionamento estratégico:
não era possível manter o socialismo, mas
era necessário perseverar em manter as
conquistas revolucionárias.
Em 1991, no artigo “Defender e desenvolver a
teoria marxista: exigência da época atual”,
ele afirma ser necessário detectar as causas
da derrota sem primarismo auto-suficiente e
sem menosprezo pela teoria. Tratava-se de
encontrar as respostas no campo do próprio
marxismo, re-elaborando criticamente sobre a
massa formidável de fenômenos que se
desenvolviam. Segundo ele, embora algumas
teses do marxismo tivessem sido superadas,
ou mal aplicadas, apenas a doutrina marxista
seria capaz de revelar os motivos da ruína,
por retratar a realidade em movimento, as
leis objetivas em ação. Aponta que a
ausência de horizontes límpidos no campo da
luta social relaciona-se com o desprezo pela
teoria, sendo acentuado entre os
contestadores do socialismo.
Tal apreciação teve conseqüências na
rearticulação de campos no interior do
movimento comunista, ao qual Amazonas
dedicava atenção especial e direta. Nas
novas condições, mudava a forma de lutar
pela unidade internacional das forças
comunistas. Os partidos que sustentaram o
campo marxista-leninista, anti-revisionista,
desenvolveram-se insuficientemente, devido
ao forte sectarismo político e ideológico.
Outros partidos comunistas, outrora
alinhados com o campo soviético, também
extraíam conseqüências avançadas diante da
crise do Leste europeu e perseveravam em
posições revolucionárias. Era preciso
examinar a experiência da China de
construção do socialismo com peculiaridades
próprias. Abrira-se, para Amazonas, uma fase
de transição no interior do movimento
comunista. Tratava-se, como se concluiu no
8º Congresso, de re-estruturar a luta pela
unidade do movimento.
Negação da negação
Tais foram os pródromos de tudo o que viria
a se consolidar no 8º Congresso. Nesse
momento se configuraram de modo mais
desenvolvido as categorias e os conceitos e
juízos sobre a crise. Antes de tudo, a
constatação de que o próprio PCdoB fora
duramente atingido por ela. Fora necessário
e correto o combate ao revisionismo e isso
implicava que a experiência socialista na
URSS exigia dois balanços distintos: um até
meados da década de 1950; outro a partir
daí. Eram duas fases opostas.
Mas essa luta, justa e necessária, fora
unilateral. Na URSS abandonara-se o caminho
socialista. Mas tal abandono proviera de
erros reais na construção do socialismo na
União Soviética e no modelo único de
socialismo erigido, com Stálin à frente. Eis
aí o início do enfrentamento da
unilateralidade verificada no combate ao
revisionismo.
O como fora derrotado o campo comunista se
explicava essencialmente pelo confronto
entre o proletariado e a pequena burguesia.
Mas o porquê se devia ao desarmamento
ideológico e enfraquecimento do PCUS, cuja
degenerescência se iniciara já no período
stalinista. Quase 40 anos após a morte de
Stálin, fazia-se um balanço sistemático de
seu papel. Fora de fato um estadista de
larga visão, cuja vida e obra tinham marcado
caráter de classe. Mas cometera erros
importantes, dos quais resultou o
debilitamento ideológico do PCUS. Sua noção
de que quanto mais avança a construção do
socialismo maior é o acirramento da luta de
classes revelara-se falsa e a teoria da
construção socialista, limitada. Marcado
pelo subjetivismo e empirismo, não logrou
sistematizar à altura o desenvolvimento
socialista e suas novas exigências. Não se
tratava de ser stalinista, tampouco
anti-stalinista, bandeira da reação mundial.
A crise se verificava no campo da teoria,
filosofia, na própria concepção do
socialismo. Cristaliza-se a idéia de
descompasso na ciência social frente à
realidade em mutação. Tratava-se de
atualizar o marxismo mantendo os
fundamentos. Questões momentosas punham-se
diante das forças revolucionárias, exigindo
reafirmação de princípios para estas não se
perderem: a questão da luta de classes e seu
caráter, o caráter de classe da luta pelo
socialismo, a ditadura do proletariado como
conteúdo fundamental do novo Estado, a
necessidade de um partido de vanguarda
organizado a partir do princípio do
centralismo democrático. Mas, ao mesmo
tempo, era necessário superar concepções
pouco dialéticas prevalecentes em torno de
todos e cada um desses conceitos basilares.
Como se pode ver, Amazonas nesse período
reexamina suas próprias concepções e extrai
conseqüências. Foi um esforço crítico
antidogmático, avançando na concepção mais
dialética na abordagem dos fenômenos. Não
simplesmente negou, mas reformulou seu
pensamento numa espiral dialética mais
elevada, apropriando-se do velho e dando-lhe
nova configuração. Por isso, 1992 foi um
marco de sua trajetória e, junto com ela, da
trajetória do próprio PCdoB.
O programa de investigação
Mas a massa de fenômenos era
verdadeiramente formidável. Para Amazonas, a
crise não seria resolvida em curto período
de tempo, impondo-se espírito criativo e
inovador. Recusando a ideologização da
teoria, ele afirma a centralidade da luta
teórica, pelo desenvolvimento do marxismo. E
dará curso, após o 8o Congresso e até 1997,
a seu programa de investigação, extraindo
conclusões teóricas importantes.
Mais uma vez ele voltava à crítica da
experiência soviética. Dois artigos – “A
volta do capitalismo na União Soviética”, de
1991, e “Rússia, 1917. Grandiosa experiência
histórica”, de 1993 – a examinam sob o
ângulo da longa e gradual transição do
socialismo ao capitalismo. Neles, Amazonas
avançou um esforço de melhor compreensão
dialética repondo a importância do tema do
revisionismo contemporâneo como “tendência
exótica que conseguiu levar à prática seu
propósito anti-socialista”. Ao mesmo tempo,
manteve a firme e apaixonada defesa do
legado de outubro de 1917 como façanha
histórica. Alertava, a um só tempo, contra
os que, sob o pretexto de combate ao
dogmatismo, pretendem criar nova teoria em
substituição ao marxismo; e contra o
receituário morto e repetitivo, o
embotamento do pensamento criador, que se
recusa a definir melhor a realidade atual,
distinta de épocas anteriores.
Sobre esse substrato, em 1992, no artigo
“Etapas econômicas no sistema socialista”, e
em 1993 em “Capitalismo de Estado na
transição para o socialismo: notável
contribuição de Lênin à teoria
revolucionária do progresso social”,
Amazonas finca uma pedra angular, um elo
perdido, não apenas para o pensamento
estratégico do PCdoB como também para o
debate acerca da concepção do socialismo. É
uma de suas mais importantes contribuições
teóricas e políticas. Para ele, a obra de
Lênin sobre a transição do capitalismo ao
socialismo não fora tratada com rigor
científico. A transição devia ser apreendida
como um processo objetivo e subjetivo
evolutivo, sujeito também a saltos, não
espontâneo. Resgata Engels, para quem essa
era “a questão mais difícil”. Faz a crítica
do Manual de Economia Política, do
PCUS sob direção de Stálin: aí havia grave
omissão das etapas, expressando que os
soviéticos abordaram inadequadamente a
questão. Pela apreensão de Amazonas, não é o
Estado que determina tais etapas, mas sim as
leis econômicas objetivas em ação. E, ainda
segundo ele, o voluntarismo subjetivista que
caracterizou Stálin nessa matéria, podia ser
vislumbrado já no 18º Congresso, em 1939,
quando se dizia já estar concluída a etapa
socialista e se estar ingressando numa
época nova, a transição ao comunismo.
Para Amazonas, na URSS a técnica e o aumento
da produtividade atrasaram-se, não tendo
transitado de uma economia fortemente
extensiva, apesar dos imensos avanços
alcançados, para uma economia de caráter
intensivo, exigência do progresso econômico.
O fim dos anos 1950 exigia passar a outra
etapa econômica do socialismo – os
soviéticos não identificaram essa
necessidade, perderam-se em abstrações.
Tratava-se, segundo Amazonas, de definir de
modo rigorosamente científico as diversas
etapas da construção socialista, que têm
prazos bem mais longos. A teoria da
transição em Lênin foi resgatada como uma
teoria de valor universal, envolvendo
questões de tempo, método, lugar e dinâmica
revolucionária, ditadas por leis objetivas,
envolvendo política e economia. Implicava
caminhos, métodos, recursos e instrumentos
intermediários para a passagem do
capitalismo ao socialismo.
Particularmente as formas de Capitalismo
de Estado eram centrais para a
transição: sob capitalismo e sob socialismo
tais formas têm sentidos diferentes.
Assegurado o poder proletário, trata-se de
incrementar as forças produtivas, porque
socialismo tem que ser superior em
produtividade ao capitalismo, mas em suas
formas iniciais não tem as condições para
tanto nos países atrasados em seu
desenvolvimento. Devem ser utilizadas
concessões, formas de cooperativismo,
inversões de capitais, de modo regulado,
acessório, com prazos e limites delimitados.
A luta de classes persiste na transição, sob
outras formas. Para Amazonas, as etapas são
exigências objetivas, fruto de acumulação e
não de voluntarismo; e não se sabe quantas
haverá. Na URSS se foi rígido e esquemático.
Hoje, a experiência chinesa dá outros
elementos a essa reflexão.
Por outro lado, as bases econômicas deviam
se refletir na superestrutura. Aqui os erros
eram flagrantes. Não se apreendera, na
prática, a questão do caráter contraditório
do Estado socialista, em suas funções
simultaneamente de Estado e não-Estado,
implicando em efetiva democracia e
participação dos trabalhadores como
essenciais à função da construção
socialista.
Essas reflexões serviram de base para a
perspectiva de retomada de uma nova luta por
um novo ideário socialista. Com ela se abriu
caminho para uma reformulação do pensamento
estratégico dos comunistas no Brasil,
afirmando o caráter socialista do programa
do PCdoB para o país, base para que em 1995,
na 8ª Conferência Nacional, esse Programa
fosse aprovado. Amazonas foi a alma dessa
elaboração. O Programa Socialista do
PCdoB, partindo da nova conseqüência
estratégica – caráter socialista do Programa
para o Brasil, superando o mecanicismo das
duas etapas –, re-elabora a análise da
sociedade brasileira e aponta para o
entrelaçamento da luta pela soberania
nacional e socialismo: “conquista do
socialismo é inseparável do combate firme e
decidido por uma pátria livre, soberana e
independente. Em última instância o
internacionalismo proletário, na situação
atual, é também a defesa da soberania
nacional em todos os países”. Amazonas faz
essa fundamentação em artigo de 1994, “Não
há nação soberana sem Estado Nacional”, que
esteve na gênese dos esforços recentes por
ligar mais profundamente o estudo do
marxismo à realidade brasileira, e da
identidade patriótica e socialista do PCdoB.
Partido Comunista – indispensável à
luta
O último ponto das investigações de Amazonas
foi sobre a questão do Partido. Em artigo de
1996, “Força decisiva da revolução e da
construção do socialismo”, ele chama a
atenção para a necessidade de maior
dedicação aos desvios de concepção de
Partido. O PCUS degenerara e aí foi iniciada
a derrota do socialismo. Já no período sob
direção de Stalin, burocratizou-se,
desligou-se da massa, caiu na rotina,
endeusando dirigentes e o carreirismo. Abriu
terreno à capitulação no campo socialista e
nos partidos comunistas para desarmar
ideologicamente o proletariado.
A degenerescência se dera também em outros
períodos, como no da 2ª Internacional.
Ocorrera tanto antes como após a revolução.
Por quê? Ele generalizou uma resposta,
lembrando sempre que os partidos
revolucionários começaram a apodrecer “pela
cabeça”. Segundo ele, em última instância
fracasso é por conciliação de classes. O
Partido Comunista é o partido da luta de
classes, exigindo sempre se situar no campo
do proletariado. Apontou as distorções na
aplicação do conceito de partido de
vanguarda na experiência oriunda do PCUS.
A derrota significara a vitória do
liberalismo, como tendência burguesa no
interior do movimento comunista. Tratava-se,
para Amazonas, de fenômeno que começa nas
direções e exige educação permanente das
bases – incluindo a preocupação com a
composição orgânica do PCdoB –, na qual os
operários são os mais conseqüentes.
Ou seja, Amazonas centrou a necessidade de
se manter os fundamentos de tal tipo de
partido: a luta de classes, o caráter de
classe da luta pelo socialismo, a exigência
de ruptura para um novo poder político de
Estado, o PC como direção estratégica da
luta, a característica central da unidade
ideológica marxista e revolucionária como
fator fundante do PC. Deixou patente o
componente de permanência na concepção e
prática do PCdoB, a exigência de manter a
identidade e princípios do Partido, não
retroceder dos fundamentos. Essas reflexões
se somaram a outros importantes esforços
antidogmáticos, ainda em curso no PCdoB, que
redundam na renovação de concepções e
práticas, à base de recusa de um modelo
único organizativo de partido,
apreendendo mais e melhor as originalidades
de feições, formas e funções do PCdoB em
funcionalidade com seu projeto político
estratégico de luta pela hegemonia no
processo político real em curso. E deram
ensejo ao novo Estatuto partidário aprovado
no 11º Congresso.
Legado e perspectiva
O pensamento de João Amazonas, como
vimos, entrelaça-se profundamente com o tema
da crise da teoria revolucionária. É preciso
superar a crise no campo da teoria,
desenvolvê-la, renovar o marxismo, superar o
dogmatismo que empobrece a criatividade e a
dialética, superar enfim a compreensão
idealista do próprio conhecimento teórico.
Isso significa não ser possível considerar
que superar a crise no campo teórico leve em
conta apenas a prática passada, seus
ensinamentos, sem cuidar da outra parte, até
mais importante: a prática atual
contemporânea, por isso mesmo nova, ainda a
percorrer, que atenta para novas situações
para o próprio desenvolvimento teórico.
Trata-se, então, de um enfrentamento que não
se resolve puramente no campo teórico,
envolve também o leito de uma práxis
política transformadora contemporânea que
possa desenvolver a teoria marxista à altura
das exigências do período histórico
presente. Isso abarca, ao lado da dimensão
teórica propriamente dita, a ação política,
de massas, organizativa, em resistência
ativa e acumulação de forças para retomar um
novo ciclo de luta por um ideal socialista
renovado. Até porque, ao lado da resistência
que avança, são notórias algumas vitórias
importantes da esquerda neste início de
século XXI, a pôr na ordem do dia o debate
das alternativas políticas, no seio das
quais a perspectiva de abrir caminho ao
socialismo se faz presente.
O panorama que emerge dessas reflexões é de
que a luta pelo socialismo não se firmará
num golpe só – o caminho é mais difícil e
complexo, não se dá em linha reta. Trata-se
de compreendê-la como toda uma época de
transição do capitalismo ao socialismo, com
diversas etapas e fases intermediárias.
Socialismo não é perspectiva longínqua e
inacessível, nem tampouco um ideal romântico
ou messiânico. É mais propriamente uma
exigência do desenvolvimento histórico, que
não prescinde de uma teoria que, por sua
vez, deve estar em permanente
desenvolvimento, e de uma práxis política
profundamente inserida no curso real da luta
de classes, em ligação com as forças sociais
decisivas do processo transformador. Sua
realização vitoriosa depende de uma justa
direção da luta política concreta e resulta
da luta tenaz e consciente das massas. É uma
perspectiva política a ser construída no
leito concreto da luta de classes, nas
condições próprias de cada país.
Não há modelo único de revolução e
edificação do socialismo, mas sim uma
diversidade de caminhos e modos na conquista
do objetivo. Modelo único de socialismo é
uma deturpação da teoria revolucionária.
Para abrir caminho ao socialismo e sua
edificação só se pode partir da realidade
concreta de tempo e lugar, das
características próprias do processo
político das diferentes nações, das
características da luta de todas as classes
envolvidas.
Nessa luta, o espaço nacional segue sendo
indispensável à reflexão e ao fazer
estratégicos em ligação com a luta mundial
dos trabalhadores e povos contra o
imperialismo e o capitalismo. Não há nação
soberana sem Estado nacional soberano. Nos
países subordinados e dependentes,
patriotismo e internacionalismo proletário
se coadunam na busca de abrir caminho ao
desenvolvimento autônomo e soberano.
A saída para o Brasil é o socialismo,
abordado em cada aproximação, não apenas
como bandeira de propaganda, mas sim
assentado no terreno do real, das
características da formação econômico-social
brasileira e originalidades das suas
tradições políticas, das situações herdadas.
Isso impõe atuar no curso dos acontecimentos
políticos concretos, lutando pela hegemonia
política das forças avançadas, forjando a
luta e unidade do povo e fortalecendo seu
partido, o PCdoB.
Esses são alguns dos ricos legados do
pensamento de Amazonas, que se confundem com
o próprio pensamento do PCdoB. Como ele
mesmo disse, em dois pequenos e preciosos
artigos, “O socialismo no século 21”, de
1997, e “Caminhos novos à luta
emancipadora”, de 1998 (por ocasião dos 150
anos do Manifesto do Partido Comunista,
de Marx e Engels): “A batalha histórica
entre a burguesia e o proletariado vai durar
ainda muito tempo. A perspectiva, porém, é a
da vitória do socialismo florescente e
derrota definitiva do capitalismo selvagem”.
“Assim será o século 21. Em seus começos,
haverá sombras e luzes, mais sombras que
luzes. Depois, o quadro se inverterá. A
humanidade viverá tempos de grandes
esperanças”.
O ideário e a perspectiva política do
socialismo vivem, assim, à base dos esforços
que forem capazes de desenvolver os
marxistas revolucionários de todo o mundo
para enfrentar os desafios contemporâneos,
no plano teórico e no das convicções, no
plano das re-formulações programáticas e
estratégicas e nas concepções e prática de
Partido, na ação política e pedagógica junto
aos trabalhadores.
No plano teórico, entre outros temas,
demanda hoje capacidade de desenvolver a
análise crítica renovada da reprodução
ampliada do capital e da dominação
imperialista, o papel hegemônico da esfera
financeira nesse processo. Apreender os
efeitos da reestruturação produtiva do
capital e formação de novo proletariado,
mais heterogêneo e disperso que no passado.
Enfim, caracterizar com justeza nossa época.
Ademais, atualizar a teoria de Partido. Até
mesmo re-elaborar sobre os profundos
impactos na filosofia advindos do formidável
desenvolvimento da ciência, exigindo um
pensamento dialético superior, em tudo
demarcado com o pensamento esquemático e
mecanicista. Nesses desafios, não se deve
temer a investigação crítica da própria
crise da teoria do socialismo.
Esses são os tempos atuais a exigir dos
contemporâneos sua própria cota de
contribuição teórica inovadora, capaz de
interpretar em profundidade a época
corrente. Mas sempre haverá de se partir de
fundamentos sólidos – e o marxismo segue
sendo o manancial mais poderoso capaz de
fornecer o instrumental teórico de sua
própria crítica. Este é certamente o núcleo
do maior dos legados de João Amazonas.
_______
Referências
AMAZONAS, J. Os desafios do Socialismo no
Século XXI, 2º ed., pp. 13-58 e 187-272,
Anita Garibaldi, São Paulo, 2005.
LENIN, V. I. “El ‘izquierdismo’, enfermedad
infantil del comunismo”, in: V. I. Lênin,
Obras Completas, tomo XXXIII, pp. 121-225,
Akal, 1977, Madri.
__________. “Materialismo y
empiriocriticismo”, in: V. I. Lênin, Obras
Completas, tomo XIV, pp. 9-351, Akal, 1977,
Madri.
MARX, C. & ENGELS, F. “Manifiesto del
Partido Comunista”, in: Obras Escogidas,
tomo I, pp. 110-140, Progresso, 1980,
Moscou.
União dos brasileiros para livrar o país da
crise, da ditadura e da ameaça
neocolonialista, Resolução da 6ª Conferência
Nacional do Partido Comunista do Brasil,
1966, disponível em:
http://www.vermelho.org.br/pcdob/80anos/docshists/1966.asp
AMAZONAS, J. e GRABOIS, M., 50 Anos de Luta
(50º aniversário de fundação do Partido
Comunista do Brasil), 1972, disponível em
http://www.vermelho.org.br/pcdob/80anos/docshists/1972.asp
O Brasil numa Encruzilhada Histórica,
Resolução do 7º Congresso do Partido
Comunista do Brasil, 1988, disponível em
http://www.vermelho.org.br/pcdob/80anos/docshists/1988.asp
Informe Político ao 8º Congresso do Partido
Comunista do Brasil, 1992, disponível em
http://www.vermelho.org.br/pcdob/80anos/docshists/1992.asp
Programa Socialista do Brasil, in:
Construindo o Futuro do Brasil (Documentos
da 8ª Conferência Nacional do PCdoB), Anita
Garibaldi, São Paulo, 1995.
Partido renovado, Brasil soberano, futuro
socialista: Resolução Política, Estatuto e
Documentos do 11º Congresso do PCdoB, Anita
Garibaldi, São Paulo, 2006.
(1) Com a colaboração de José Carlos Ruy e
Oswaldo Napoleão.
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