Um partido
comunista contemporâneo - 11
Valores militantes – um começo de conversa -
(1ª parte)
A coluna, até aqui, articulou primados
teóricos de um partido de tipo leninista e
as polêmicas atuais sobre a questão de
partido. Antes de encerrar a segunda parte
do programa proposto, vamos fazer duas
digressões importantíssimas. Uma se refere à
condição de um partido de militância, o que
envolve não só formação teórica, mas
convicções assentadas em valores bem
estabelecidos. Daí o artigo de Olívia
Rangel, Valores militantes – um começo de
conversa, que vai publicado a seguir, em
duas partes. Outra é o artigo de José Carlos
Ruy, Uma crítica às formas não-leninistas de
organização: para que serve o partido do
proletariado?. Ele é indispensável na
polêmica real em curso hoje no nosso país e
será publicado na seqüência
Por Olívia Rangel **
Os Estatutos do Partido fazem referência
em vários capítulos e artigos ao que
poderíamos chamar de valores militantes
(veja anexo). Já no primeiro capítulo o
Partido é definido como “uma organização de
caráter socialista, patriótica e
antiimperialista, expressão e continuação da
elevada tradição de lutas do povo
brasileiro, de compromisso militante e ação
transformadora contemporânea ao século XXI,
inspirados pelos valores da igualdade de
direitos, liberdade e solidariedade, de uma
moral e ética proletária, humanista e
democrática”.
Por que o Partido preocupou-se em reafirmar
esses valores em seu Estatuto? Afinal, o que
são esses valores militantes ou valores
proletários?
I - Um pouco de história: a construção
de valores e da ética
Pelo menos desde o surgimento da
Filosofia, na Grécia Antiga os seres humanos
vêm se preocupando com o sentido da
existência e, consequentemente, em como
orientar essa existência. Buscam eixos
norteadores os valores éticos para organizar
seu comportamento e suas “normas” de
conduta.
Portanto, o conceito de valores é histórico.
Emana do grande manancial da construção
humana. Normas e valores são alterados ao
longo da história da humanidade.
I. 1 - O que é ética, afinal?
O termo ‘ética’ tem sido muito invocado
em nosso cotidiano com significados
diversos, nem sempre indicando a mesma
coisa. Essa multiplicidade de significados
também aparece nas discussões filosóficas da
Grécia Antiga. Entretanto, mesmo sendo uma
palavra usada com sentidos e intuitos muito
diferentes, ética refere-se sempre ao que um
dado grupo social entende como o que deve
ser o bom comportamento humano. Sendo assim,
as discussões sobre ética referem-se aos
modos de valorar os próprios comportamentos
e o das outras pessoas e, também, aos
parâmetros que servem para orientar essas
ações.
O termo ‘ética’ tem origem no termo grego
ethos, que significa ‘costumes e hábitos
sociais’. Já a palavra ‘moral’ tem origem no
termo mores, do latim, e tem o mesmo
significado. No entanto, historicamente,
esses conceitos foram adquirindo
significados diferentes. Alguns autores
definem moral como conjunto de princípios,
crenças, regras que orientam o comportamento
das pessoas nas diversas sociedades, e ética
como ‘reflexão crítica sobre a moral’ e
também como ‘a própria realização de um tipo
de comportamento’.
Outros autores, por sua vez, procuram
distinguir as duas palavras, usando o termo
‘moral’ para os códigos de valores
diferentes e específicos que existem, e o
termo ‘ética’ para a busca de valores
universais, que seriam válidos no âmbito da
humanidade como um todo e não apenas em um
grupo específico (Ernica, 2003). Em geral,
‘moral’ contempla valores religiosos,
enquanto ‘ética’ independe deles.
Os valores morais são juízos sobre as ações
humanas que se baseiam em definições do que
é bom/mau ou do que é o bem ou o mal. Eles
são imprescindíveis para que possamos guiar
nossa compreensão do mundo e de nós mesmos e
servem de parâmetros pelos quais fazemos
escolhas e orientamos nossas ações. Esses
valores são desenvolvidos pela consciência
humana, ao longo da história.
I. 2- A ética surge com o
desenvolvimento da consciência humana
A consciência surge de um salto que se dá
no processo de evolução dos primatas, isto
é, no processo de hominização. Os seres
humanos, embora tendo uma origem animal,
precisam transformar sua natureza. A
intermediação da consciência é decisiva para
a constituição da ação humana. O homem
transforma a natureza por meio do trabalho.
E, ao transformar a natureza em relações
sociais de produção, cria um mundo material
próprio e produz também as idéias.
A premissa é a de que o reino da necessidade
cria o primeiro impulso da construção da
história, que se dará no sentido da busca
permanente do homem da realização de suas
necessidades e carências, partindo das bases
naturais com que conta: seu patrimônio
corporal e uma dada natureza. Como afirmam
Marx e Engels em A Ideologia Alemã,, o homem
se distingue do animal pela consciência de
que é portador e que lhe permite conceber,
por exemplo, uma casa, antes de construí-la.
Num primeiro momento, o homem produz para
satisfazer a suas necessidades básicas de
sobrevivência; num segundo momento, para
satisfazer às necessidades que vão se
criando na proporção em que a base material
vai sendo modificada por essa ação e esse é
o primeiro ato histórico.
O ponto de partida da história não pode,
portanto, ser a idéia. É a vida material que
determina, em última instância, a
consciência. No entanto, Marx e Engels
também consideravam que, ao serem
assimiladas pelas massas, as idéias adquirem
força material. Não por acaso,
historicamente, o trabalho de pensar, de
desenvolver teorias, foi se transformando em
função de um segmento privilegiado da classe
dominante, enquanto o trabalho manual
passava a ser exercido pelos explorados. O
conhecimento passa a constituir-se numa
forma de poder.
Ao tomarmos parte da vida social, vamos
desenvolvendo uma vida interior marcada por
representações das relações que
estabelecemos conosco, com os outros e com o
meio externo a nós. O desenvolvimento da
consciência e da linguagem nos permite
trazer à consciência nossas necessidades,
vontades e desejos. A partir daí, podemos
interpretar o que se passa conosco e com os
outros, imaginar o futuro, mobilizar
experiências e saberes já realizados e
podemos, enfim, orientar nossas ações
futuras, segundo determinadas finalidades.
I.3 A ética deve ser historicizada
Portanto, ética, assim como os valores
que defende, é um conceito constituído
historicamente. Como o pensamento dominante
de uma época é o pensamento da classe
dominante, o mesmo vale para a ética. Mas
essas idéias, concepções éticas e valores
dominantes estão sempre em conflito com
outras, produzidas pelos dominados.
Assim, os valores defendidos pelo
capitalismo são os valores do capitalismo e
não a expressão ‘natural’ (ou seja,
determinada pela natureza) de uma
determinada situação social. A exploração do
homem pelo homem não é natural. Faz parte de
um determinado momento histórico, o da luta
de classes.
Criados na vida social para orientar as
ações humanas e regular a relação entre as
pessoas, os valores morais não têm validade
universal. Têm significado apenas em um
contexto específico, no quadro de uma
cultura determinada, e têm existência
histórica, porque são criações humanas e,
por isso, podem ser alterados.
Um comportamento considerado correto e
aprovável em determinado momento pode ser
avaliado como ruim e profundamente
reprovável em outro. Uma sociedade
escravista não pode crer na fraternidade e
igualdade. Aristóteles (filósofo grego, 384
a 322 a.C.), por exemplo, acreditava que os
escravos eram incapazes de ter uma vida
“virtuosa”, de ser cidadãos pensantes.
Durante milênios, as mulheres foram
consideradas inferiores aos homens. As
concepções de Santo Agostinho a respeito do
gênero feminino tornaram-se herança de todas
as gerações subseqüentes de cristãos e
influenciaram o pensamento político e
psicológico do Ocidente.
A ética é uma criação humana, um reflexo das
necessidades e desejos, esperanças e
aspirações do homem em sua própria
consciência. E esse reflexo surge sempre das
condições materiais, do processo em
desenvolvimento e das relações existentes em
todo lugar em que o homem cria suas
necessidades vitais e de reprodução. Os
conceitos morais mudam da mesma forma que as
condições materiais de vida, as forças de
produção e as relações produtivas, e não
podem ser, em nenhuma época, mais elevados
que o nível da estrutura sócio-econômica.
A ética é um conjunto de ideais e de
obrigações, cuja base se encontra em
determinadas aspirações de bem-estar,
justiça e direito. A vida social é
impossível sem certos princípios, regras e
ideais que prescrevem a maneira como os
indivíduos têm que se relacionar um com o
outro ou diante de uma situação determinada.
Ao tratar-se de uma sociedade dividida em
classes, os conflitos morais refletem as
divisões classistas e tratam de justificar
as relações econômicas existentes, ou de
mudar estas relações.
Com base nesse posicionamento, os conceitos
de ‘bem’, ‘justiça’ e outros similares tomam
seu significado, e as mudanças propostas
nessas condições devem realizar-se de acordo
com as necessidades e os interesses do setor
mais amplo ou da minoria da menor comunidade
social.
Mas o próprio marxismo recolheu de seu tempo
- uma época de revoluções - características
que não são exclusivas do proletariado
revolucionário.
Lembremo-nos do ideal de 1789: liberdade,
igualdade, fraternidade (solidariedade).
Lembremo-nos do jacobinismo, do blanquismo e
suas características de coragem e valentia
revolucionárias. O que por sua vez nos
remete aos antecedentes do humanismo, que
vêm pelo menos desde o renascimento. A noção
da ética, assim, tem seu sentido histórico e
também de classe.
I.3.1. Algumas considerações sobre a
questão da ética no Brasil
A direita, no Brasil e no mundo, tem
feito também a sua construção ética, de
conteúdo burguês e dialogando com a
ideologia pequeno-burguesa conservadora.
Pode-se dizer até que a bandeira da ética e
dos valores é um dos “eixos de
popularização” das plataformas direitistas,
ao lado da “segurança” e, em certos países,
da “nação”. Exemplos típicos são os
neoconservadores de Bush, nos EUA, Le Pen,
na França, o PAN no México, Álvaro Uribe na
Colômbia.
Falando do caso do Brasil, em A Dialética da
colonização, Alfredo Bosi destaca que uma
das conquistas históricas do marxismo foi
ter descoberto que é nas práticas sociais e
culturais, fundamente enraizadas no tempo e
no espaço, que se formam as ideologias e as
expressões simbólicas em geral.
Ele refere-se, mais adiante à ética dos
escravistas, citando um memorial da
Assembléia Provincial de Minas Gerais
criticando “a imoralidade da violação das
leis” de quem liberava seus escravos.
Segundo Bernardo Joffily, “três grandes
movimentos “éticos” das forças conservadoras
marcaram a história brasileira nas últimas
gerações: 1) O do udenismo, com seu ápice no
episódio da morte de Getúlio Vargas, e sua
fugaz vitória, também sob o estandarte de
“varrer a bandalheira”, com a eleição de
Jânio Quadros; 2) O golpe de 1964, feito em
nome do “combate à subversão e à corrupção”
e com apoio inicial num movimento de massas
das camadas médias que dava grande ênfase à
questão; e 3) A oposição ao governo Lula, em
especial durante a crise de 2005 e a
campanha eleitoral de 2006”.
Não se deve deduzir daí que ética é coisa da
direita, ou que a política da esquerda tenha
ou deva ter vínculos mais frouxos que a da
direita em relação a valores. Longe disso.
Deve-se sim sublinhar, mais uma vez, que
ética e valores são conceitos histórica e
socialmente condicionados. O escravista que
se insurge contra a imoralidade de quem
adere à Abolição não é menos ético que o
abolicionista que promove fugas em massa nas
senzalas; apenas trata-se de códigos de
valores éticos opostos...
Mais recentemente, setores da esquerda, como
o PT, também empunharam a bandeira da ética.
Como lembra Sorrentino, “O PT surge tendo
como balizas de pensamento estratégico a
questão democrática e da inclusão social.
Unidas, deram ensejo ao discurso proveitoso
do direito à cidadania. A bandeira da ética
nesse contexto tinha que ter
obrigatoriamente centralidade, como elemento
diferenciador num país de tradições
patrimonialistas fortes e onde as elites
sempre fecharam os espaços públicos, são
sagazes e cruéis na luta política a partir
da ocupação exclusivista da máquina estatal
e de governo. A tradição liberal do seu
pensamento democrático - uspiana por assim
dizer -, e mais a radicalização da disputa
político-eleitoral, fez sentir-se na prática
do PT, primeiro, como exclusivismo político,
segundo, como deriva para um discurso quase
udenista, por vezes, que somados levaram ao
falso discurso eticista, moralista, que não
suportou nem o primeiro tranco de
experiência sob o governo Lula. Isso vem
causando grandes danos à imagem do PT e suas
bases de classes médias... Deram à bandeira
da ética um caráter universal, não
classista, mas isso esteve profundamente
ligado a um sentimento e aspiração dos
trabalhadores”.
I.4 - A ética tem classe
Existem, há tempos, condições concretas para
a produção de artigos materiais suficientes
para garantir uma existência decente para
todos os seres humanos. No entanto, em vez
de observarmos uma melhoria das condições de
vida das populações em geral, constatamos
que o fosso entre ricos e pobres
aprofunda-se em todo o mundo, e em várias
partes do mundo, em particular na África,
grassam a fome e a miséria.
As causas da pobreza e da exploração não
podem ser explicadas pela escassez de
alimentos e produtos, mas na forma de
apropriação e distribuição destes produtos.
Residem nas relações econômicas do
capitalismo, fundadas sobre a propriedade
privada dos meios de produção. Portanto, a
concepção ética dominante baseia-se, em
última instância, na defesa da exploração.
Portanto, não é uma ética em defesa do bem
comum e sim do bem de alguns poucos.
Ser ético ou defender uma ética avançada,
segundo Heller , significa, hoje, atuar em
defesa dos direitos e dos interesses dos
trabalhadores e das instituições por meio
das quais esses direitos e interesses são
preservados, entidades democráticas e
populares, sem as quais não há perspectiva
de avanço humano.
Para Marx e Engels, não existe o homem
abstrato como conceito absoluto, mas sim o
homem real, que estabelece uma relação real
com outros homens e com a natureza. Sobre
essa base real, levanta-se na sociedade a
superestrutura política, jurídica, cultural
etc., que emerge como reflexo das
necessidades advindas da base econômica
dessa sociedade.
A consciência social, que também se
desenvolve a partir dessa base real,
representa um conjunto de concepções
políticas, jurídicas, morais e religiosas,
artísticas, filosóficas, científicas etc.
A ética, para o marxismo, é uma das formas
de consciência social, que influencia e é
influenciada pelas outras formas de
consciência, como a arte e a ciência, dentre
outras. Nesse sentido, ela é histórica e
transforma-se de acordo com as
transformações sociais (GUASCO, 1985).
A filosofia marxista busca entender as
doutrinas éticas segundo suas bases reais,
não as proclamadas, mostrando que na
sociedade não existe ética independente dos
interesses que ela defende, em especial
econômicos. Portanto, numa sociedade
dividida em classes sociais, como a
capitalista, não existe ética acima das
classes.
Antes de classificar os homens que atuam na
história como ‘bons’ ou ‘maus’, é
indispensável entender o mundo objetivo
material dos homens e as necessidades
objetivas que dele emergem. Como afirmava
Engels ,
“É preciso, na história da sociedade,
investigar as verdadeiras alavancas da
história, é necessário não se deter tanto
nos objetivos dos homens isolados, por mais
importantes que sejam, como aqueles que
impulsionam as grandes massas, os povos em
seu conjunto e, dentro de cada povo, grupos
inteiros, é preciso estudar não só as
explosões rápidas, mas as ações contínuas,
que se traduzem em grandes transformações
históricas. É preciso pesquisar as causas
determinantes que se refletem na consciência
das massas, que atuam, e de seus chefes – os
chamados grandes homens”.
A visão de socialismo científico de Marx,
Engels e Lênin não se confunde com uma
utopia moralizante. O socialismo constitui o
objetivo de avançar no progresso da
humanidade, proporcionando a cada homem o
máximo do que necessita. Por isso, os
principais preceitos da nova sociedade são
as palavras de ordem histórica que Marx e
Engels deram ao movimento socialista: o fim
da exploração do homem pelo homem, o fim da
exploração de classes.
I.5 - A ética tem cor e tem gênero
O que significará defender uma ética
revolucionária, hoje? Este é um grande
enigma, que desafia, sobretudo, a juventude.
É preciso refletir muito. Discursos são,
como dizia Guimarães Rosa, bolas de papel.
Palavras vazias. Não adianta dizer que é
avançado, carregar bandeiras, posar de
abnegado e, com o mesmo ímpeto, pisotear
valores, desmerecer colegas, subestimar a
companheira, ter agudo espírito
individualista ou, no máximo, de grupo ou
corporação. A pretexto da mudança, não
podemos esquecer das velhas idéias que
animaram o iluminismo, a defesa dos direitos
dos cidadãos, o espírito de solidariedade.
Houve um tempo em que um revolucionário, um
combatente, podia, ao mesmo tempo, ser um
ditador em casa, oprimir mulher e filhos ou
revelar preconceitos raciais. Isso ocorreu
porque a teoria ainda não estava
suficientemente desenvolvida e pouco se
conhecia sobre os conflitos de gênero e as
questões étnicas e culturais. Uma das
grandes limitações da Revolução Francesa
(1789), por exemplo, foi ter excluído as
mulheres da cidadania. A feminista
republicana Olympe de Gouges mostrou que não
é possível ignorar a dominação-exploração de
gênero, que recai sobre mais da metade da
humanidade, e a importância capital da luta
das mulheres por sua libertação.
Marx e Engels foram pioneiros na abordagem
da exploração feminina . Uma sociedade
igualitária, dizia Marx, deve acabar com a
discriminação do homem pelo homem.
Considero, que deve, portanto, igualmente
pregar a radical supressão da
dominação-exploração de gênero e de cor ou
etnia. No entanto, os clássicos marxistas,
em geral, pouco se debruçaram sobre esta
questão. Movimentos como o feminista e o
anti-racista iluminaram recantos obscuros da
formulação teórica e desvendaram novos
caminhos, desenvolveram a concepção de que a
desigualdade econômica não é a única forma
de injustiça na sociedade capitalista
liberal.
Hoje o projeto neoliberal “naturaliza” a
exploração de classe, os preconceitos e
discriminações, reforçando o machismo, a
xenofobia, o racismo, o individualismo, do
“salve-se quem puder”.
Por isso, repetindo Heller, ser ético, hoje,
significa atuar em defesa dos direitos e dos
interesses dos trabalhadores (eu
acrescentaria: das mulheres, dos negros, dos
oprimidos, em geral) e das instituições
pelas quais esses direitos e interesses são
preservados, entidades democráticas e
populares, que se encontram ameaçadas e sem
as quais não há perspectiva de progresso
humano.

** Olívia Rangel, jornalista, é membro do
Comitê Estadual de São Paulo.
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