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Um partido
comunista contemporâneo - 23
Planejar: mais política e mais técnica
Oswaldo Napoleão*
Este artigo encerra a série de 23 textos
que apresentou aspectos teóricos, políticos
e organizativos sobre o tema Partido
Comunista na atualidade. Desenvolvidos em
aulas para o Curso Nacional de Formadores e
Curso Nacional de Quadros apresentam o
enfoque do PCdoB partindo da afirmação do
caráter leninista de sua organização para
acumular forças, renovar e reconstituir a
nova luta pelo socialismo.
Aqui abordaremos à luz das resoluções da 6º,
7º e 8º reuniões do Comitê Central,
acontecidas em março, julho e outubro de
2007, a necessidade do planejar a atividade
partidária para superar as defasagens na
esfera ideológica e organizativa.
Com o título de “Tática mais afirmativa e
audaciosa do Partido” a resolução política
da 6º reunião do Comitê Central (mar/2007),
complementada pela resolução organizativa
“Audácia e determinação para estruturar o
Partido a altura do atual projeto político”
orientaram de forma planejada a atuação
partidária em 2007.
O partido colocou em foco a construção do
projeto eleitoral para 2008, sintonizado com
o crescimento partidário e a realização de
amplas conferências municipais e estaduais.
Dedicou grande atenção para a realização dos
cursos de capacitação de quadros
intermediários, quase 4.000 camaradas
passaram pelos cursos. Implantou um novo
viés para A Classe Operária, com distribuiu
massiva, com tiragem mensal que ultrapassa
350.000 exemplares. A implantação da
Carteira Nacional de Militante alcançou um
elevado patamar, com grande envolvimento dos
Comitês Estaduais, e ainda a vitoriosa
campanha pela sede nacional própria do
PCdoB.
Em julho na 7º reunião do Comitê Central
aprovou-se a resolução apoiando a
constituição de uma nova Central sindical
para onde deve confluir a atuação dos
comunistas, e que promoveu intensa
movimentação nas fileiras partidárias que
desaguará no congresso de fundação da
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do
Brasil – CTB agora em dezembro.
O êxito no reposicionamento político
alcançado pelo Partido neste ano de 2007,
indica como objetivo geral para 2008 a
questão de tornar o PCdoB conhecido de
amplas parcelas do povo e do conjunto dos
trabalhadores.
Nessa linha a resolução da 8º reunião do
Comitê Central (out/2007) indica a
necessidade de impulsionar de forma
articulada reformas democráticas que se
coloquem como um referencial para a
atividade política dos partidos de esquerda
e do movimento social como forma de
acumulação de forças rumo a desafios
maiores. Para isso propõe para a iniciativa
e fortalecimento da luta democrática, a
defesa e busca de concretização de cinco
reformas: reforma política, reforma da
educação, incluindo a reforma universitária,
reforma tributária progressiva, reforma
agrária e reforma urbana.
Na vida interna, no que se refere à
esfera ideológica e organizativa, o foco
deve se concentrar para maior zelo com a
vida partidária e consolidar a construção
institucional do partido com base no
Estatuto.
Desenvolver a consigna de “ninguém sem
tarefas no Partido”, assegurando que todos
os quadros se ocupem da vida partidária,
infundindo mais caráter militante à
atividade do partido desde a base.
Dessa forma temos 6 grandes diretrizes
que norteiam estrategicamente a estruturação
partidária para o ano de 2008:
1. A construção de um projeto eleitoral
avançado;
2. A consolidação da CTB nacionalmente e nos
estados;
3. Esforço para sedimentar o Bloco de
Esquerda;
4. Impulsar a luta pelas 5 reformas
(Política, da Educação, Tributária, Agrária
e Urbana) mencionadas anteriormente e também
a reforma pela democratização dos meios de
comunicação;
5. Avançar na constituição de um sistema de
direção e sua institucionalidade;
6. Assegurar mais vida partidária regular em
todo o Partido.
Essas diretrizes condensam os objetivos
nacionais do PCdoB com os quais os Comitês
Estaduais e Municipais devem dialogar quando
do seu planejamento e para esse diálogo três
componentes são essenciais. Para pontuá-los
transcrevo trecho do documento intitulado
“Planejamento da Estruturação Partidária
2008 – Planejar as ações para conferir
êxitos aos objetivos partidários” subscrito
pelo Secretariado Nacional e datado de 05 de
novembro de 2007, que os aponta:
Mais política
A política precisa estar no posto de
comando do planejamento. É preciso elevar a
compreensão de que as defasagens na
construção partidária só podem ser
efetivamente enfrentadas no curso do embate
político, portanto o planejamento da
estruturação partidária deve estar em
consonância com o projeto político do
partido, extraindo dele os elementos
centrais a serem tratados a cada tempo e
lugar, e promovendo com flexibilidade os
ajustes políticos que se impõem diante de
uma realidade dinâmica, em permanente
alteração.
Com mais clareza dos objetivos políticos
centrais, é necessário adotar metas e ações
concentradas e articuladas em cada frente,
visando os objetivos políticos traçados, que
permitam alcançar outro patamar de
influência política do Partido entre os
trabalhadores e o povo, em função do que
está a própria estruturação orgânica e
ideológica.
Gestão coletiva
A experiência demonstra que tiveram
êxitos aquelas experiências que levaram a
elaboração e gestão do plano ao âmbito
coletivo e de autoridade das Comissões
Políticas dos comitês partidários, mesmo
quando o controle mais direto fique a cargo
de uma determinada secretaria. Isso porque o
planejamento não deve ser confundido com a
soma de planos de secretarias, mas ser
articulado em função de objetivos políticos
centrais para os quais todas as esferas da
ação partidária devem convergir.
Melhor técnica
Em planejamento, todos os procedimentos –
identificação de problemas, definição de
objetivos, metas e ações – estão
condicionados ao conhecimento da realidade,
que, por sua vez, não está relacionado
apenas ao dado empírico, ou seja, não é um
conhecimento imediato, mas deve ultrapassar
as idéias simplistas do senso comum.
A construção deste conhecimento da
realidade, por sua vez, exige método,
atitude sistemática, articulada, pois é
neste conhecimento que serão construídos os
passos que levarão à ação, no rumo dos
objetivos políticos focados que se almeja.
Um plano que não esteja fundamentado neste
conhecimento da realidade e nesses objetivos
torna-se uma abstração, um mero esforço
diletante e não um instrumento de auxílio à
tomada de decisões quanto às ações
estratégicas a serem realizadas.
Desse modo, o domínio da metodologia de
planejamento, embora não sendo um fim em si
mesmo, é fundamental para que o esforço de
planejar resulte em planos que sejam, de
fato, um elemento de estruturação partidária
nos planos político, ideológico e
organizativo. É indispensável para propiciar
maior agilidade para adequar os planos às
necessidades vivas da realidade política
cambiante e facultar sua gestão.”
Essas três componentes são designadas
para o aprimoramento do planejamento
buscando transpor as debilidades encontradas
na experiência do processo de planejar dos
comunistas. Focar os objetivos políticos
centrais; ter um palco para a gestão, o
acompanhamento e controle e absorver e
dominar técnicas de planejamento –
planejando sobre a realidade objetiva onde
se atua.
*Oswaldo Napoleão é membro da Comissão
Nacional de Organização do PCdoB.
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