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Um partido
comunista contemporâneo - 20
Estatuto, renovação de concepções e práticas
Oswaldo Napoleão*
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Amazonas, nos 40 anos do partido ainda
clandestino |
Em maio de 2007 o Partido Comunista do
Brasil comemorou 22 anos de atividade legal
ininterrupta sendo que, antes desse período
o Partido fundado em 1922 atuou de forma
aberta em pequenos intervalos – logo quando
foi fundado, por poucos meses em 1927 e
entre 1945 e 1947.
Durante a ditadura militar iniciada em
1964, e que por 21 anos prevaleceu no
Brasil, o PCdoB atuou com base no estatuto
de 1962, o estatuto da reorganização do
partido. Em 1988 aprovou o estatuto que
regulou a vida interna partidária até o 11º
Congresso, que sofreu pequenas alterações em
três ocasiões.
O estatuto atual, portanto, foi aprovado
no 11º Congresso, em outubro de 2005, e tem
como singularidades ter sido elaborado
recolhendo a experiência dos anos de atuação
legal ininterrupta dos comunistas e da crise
do socialismo - enfrentada a partir do 8º
Congresso do PCdoB em 1992 - e a reafirmação
de ser um partido leninista, revolucionário,
para o tempo presente, tempo de acumulação
de forças para renovar e reconstruir a
alternativa socialista.
O estatuto ao consignar a reafirmação de
ser um partido classista, marxista e de
militância dá o sentido de permanência, de
continuador da grande jornada revolucionária
socialista do século 20.
Ao mesmo tempo firma, as idéias de
renovação necessárias para colocar o partido
em sintonia com o tempo da luta presente, e
em diálogo com os aspectos positivos e os
erros e insuficiências das experiências
anteriores da luta socialista. Aponta no
sentido de trilhar caminhos originais, sem
modelo organizativo único de Partido,
renovando as concepções e práticas para
atender os desafios colocados pelos embates
no Brasil.
Com a articulação dialética de
permanência, renovação e originalidade e as
reflexões políticas e teóricas inerentes à
experiência de 20 anos de legalidade, se
buscou aproximar mais a atividade partidária
das exigências da vida real no tempo
presente. Tempo de acumulação estratégica de
forças articulando a intervenção na luta
política e eleitoral, na luta de idéias e na
luta social.
O Partido deve assumir as feições e
articular as práticas que visem dar
sustentação ao projeto político partidário,
e o estatuto é o esteio que regula essas
opções organizativas e normativas tornando,
o partido agilmente funcional para responder
as exigências colocadas pelo embate político
e construir a hegemonia no rumo de um
projeto nacional pelo Brasil e pelo
socialismo.
No artigo 1º afirma o objetivo superior
do Partido: o comunismo, seguindo afirmando
ser “o partido político da classe operária e
do conjunto dos trabalhadores brasileiros,
(...) organização política de vanguarda
consciente do proletariado, guia-se pela
teoria científica e revolucionária elaborada
por Marx e Engels, desenvolvida por Lênin e
outros revolucionários marxistas.”
O PCdoB sem abrir mãos dos seus ideário
consagrou no estatuto partidário,
concretamente, as idéias de um partido
marxista leninista, de princípios, moderno e
preparado para os embates da nova luta pelo
socialismo.
Consignou-se no estatuto a compreensão de
que o partido é uma comunidade de filiados,
militantes e quadros, que assumem direitos e
deveres diferenciados com graus crescentes
de responsabilidades, associados em bases
conscientes e livres. Sem abrir mão do
princípio de ser um partido de militância e
do caráter de vanguarda da organização
comunista, assume a tradição política
brasileira e incorpora os filiados como um
patrimônio partidário, no sentido mais amplo
do termo, não somente aqueles de base, mas
também lideranças sociais e políticas,
intelectuais e culturais.
O estatuto normalmente é compreendido
como um conjunto que se refere somente a
esfera ideológica, o estatuto aprovado no
11º Congresso, com inovação, incorpora
elementos da estruturação partidária
expressando as opções para a prática da vida
interna e respondendo às necessidades
presentes da construção do PCdoB.
Diversificou o repertório organizativo
para atender às características da atividade
partidária. Introduziu a Carteira Nacional
de Militante como marca distintiva de
valorização da atuação militante e definiu
suas tarefas: militar numa organização de
base, estudar o marxismo e o Brasil,
divulgar as idéias e a linha política do
Partido e contribuir financeiramente para a
sustentação material da organização
partidária.
Estabeleceu como critério principal as
relações de trabalho para constituir
organizações de base e comitês auxiliares
como uma forma de potenciar e fortalecer a
ação junto aos trabalhadores.
Introduziu um capítulo que trata sobre a
atuação dos comunistas nas entidades e
movimentos sociais no qual constam artigos
específicos sobre a questão da mulher, da
luta contra a opressão racial, sobre a
juventude e a atuação sindical. Tratou
também da participação de comunistas em
cargos públicos de representação do partido.
Adotou o voto secreto para os processos de
eleições internas, matéria que polarizou e
promoveu grande debate. Aprimorou, assim, a
norma do centralismo democrático,
assentando-o na liberdade de opinião e
expressão pessoal, e não na unidade de
pensamento. Liberdade pessoal que é estímulo
ao debate, mas que não prescinde da
obrigação de difundir e defender as opiniões
partidárias construídas pela maioria. A
compreensão em torno do centralismo
democrático foi fortemente unitária, em todo
o processo de debate nenhuma emenda foi
apresentada, demonstrativo do valor que a
militância partidária atribui ao princípio
diretor da organização dos comunistas - o
centralismo democrático – para a construção
da unidade partidária assentada em um
processo amplamente democrático.
“O estatuto busca responder antes de tudo
ao projeto estratégico do Partido.
Organização serve sempre a política, e o
Partido é um instrumento, não um fim em si
mesmo. Por isso deve ser funcional à
consecução do projeto estratégico do
PCdoB.”1
O esforço permanente dos comunistas em
adotar caminhos originais mantendo os
princípios e compromissos na nova luta pelo
socialismo estão expressos, em síntese, no
estatuto aprovado no 11º Congresso do PCdoB.
*Oswaldo Napoleão é membro da Comissão
Nacional de Organização do PCdoB.
1. Walter Sorrentino – Informe ao 11º
Congresso sobre o Projeto de Estatuto
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