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Um partido
comunista contemporâneo - 18
A linha política de estruturação do partido
–
uma trajetória de 10 anos
Oswaldo Napoleão*
A atual linha política de estruturação
partidária desenha-se em meados dos anos
1990 - onde no centro da tática do PCdoB
situava-se a resistência à ofensiva
neoliberal capitaneada pelo governo FHC - a
partir do exame do desenvolvimento da
realidade partidária que apontava a
existência de uma defasagem entre a
influência política que o partido angariava,
de um lado, e a correspondente evolução na
formação ideológica e estruturação
organizativa.
O conceito de estruturação estabelecido
nesse período define-se como a síntese do
esforço em condições determinadas de tempo e
lugar para enfrentar as defasagens
existentes. É complementar, e não se
confunde, com os conceitos de construção e
organização. Construção partidária é perene
e se dá nos planos político, ideológico e
organizativo. Organização com seu programa
próprio de trabalho é parte da estruturação,
e tem papel particular porque coordena e é o
esteio da estruturação.
“Cuidar mais e melhor do Partido” é a
consigna que baliza a atual linha de
política de estruturação partidária. Ela
surge a partir do pronunciamento de João
Amazonas na Convenção Nacional do PCdoB em
dezembro de 1995 que afirmava “É preciso
cuidar do Partido”.
Cuidar do Partido assume assim a
necessidade de pôr em correspondência as
frentes política, ideológica e orgânica
enfrentando o descompasso existente para a
essencial e necessária edificação partidária
harmônica nas três frentes e capaz de
realizar as lutas por uma sociedade que
suplante o capitalismo com sua face
neoliberal. Na construção partidária a
ideologia é a força aglutinadora e a
organização a força concretizadora e eram
elas que necessitavam de ajustes no trabalho
partidário.
Isso compreendia os avanços no
enraizamento do partido junto ao povo,
especialmente junto aos trabalhadores - o
partido organizado com sua estrutura em
funcionamento, das organizações de base aos
Comitês Estaduais e o desenvolvimento na
formação ideológica - a apreensão dos ideais
comunistas e o aprofundamento teórico pelo
conjunto dos membros do partido,
especialmente dos quadros, fazendo o
enfrentamento com as pressões tendentes a
subestimar o papel do partido.
No 9º Congresso, em outubro de 1997,
apontava-se a necessidade de “armados com
elevado descortino teórico e ideológico,
defendendo de modo histórico-crítico o
legado revolucionário proletário desde
século, (...) reafirmarmos o papel decisivo
do Partido Comunista para o êxito do
movimento de superação do capitalismo.
Reafirmação que é simultaneamente renovação.
O Partido deve acompanhar as mudanças que se
vão operando na sociedade, preservando seus
ideais socialistas, adquirindo feições e
funções novas face ao avanço da realidade e
da consciência social. A teoria e a
construção do Partido estão em processo
permanente de desenvolvimento”.
O núcleo do enfrentamento do descompasso
constatado apontava para a valorização e o
desenvolvimento do “Partido de militância
política que seja a expressão da
solidariedade e compromisso com as massas
populares, e caminho para a emancipação da
consciência de homens e mulheres,
principalmente de trabalhadores”.
Para assegurar o partido de militância
política colocava-se a necessidade de
consolidar as direções dos comitês
municipais e distritais e pôr em
funcionamento regular as organizações de
base, assegurando que todo militante
desenvolvesse quatro atitudes que distingue
seu papel de comunista: militar em uma
organização de base; estudar a política do
Partido, o marxismo e a realidade
brasileira; contribuir financeiramente para
sustentar o trabalho partidário; divulgar as
idéias socialistas, o programa e as
propostas partidárias.
Em 1999 institui-se o Plano de
Estruturação Partidária, instrumento para
coordenar as ações das frentes de
organização, comunicação, formação e
finanças no enfretamento do descompasso e
garantir o funcionamento das bases para
assegurar uma vida partidária de militância
assentada no centralismo-democrático e
norteadas pelas diretivas do Partido. A
partir de 2002 incorporam-se as frentes de
massas - sindical, movimentos sociais e
juventude - e o plano passa a ser bienal,
correspondendo ao período de mandato das
direções estaduais. Ganha destaque a idéia
de que estruturar o partido está em
correlação com o cumprimento de seu papel
político notadamente quanto á sua ação
política de massas e eleitoral.
Na 9º Conferência acontecida em julho de
2003, convocada para atualização da tática
dos comunistas decorrente da grande
alteração surgida na realidade política
brasileira com a vitória de Lula em 2002,
aponta-se o enfrentamento das defasagens nos
seguintes termos: “Ponto central da
estruturação orgânica partidária, ainda na
atual fase, é a consolidação de órgãos
dirigentes, principalmente nos grandes
municípios do país e os comitês estaduais,
no sentido de colocar o Partido à altura dos
desafios do momento. Será fruto de uma nova
acumulação de forças militantes, mas exigirá
também romper com práticas limitadas que são
características de outros tempos e outras
exigências. O essencial é compreender que
direções capazes e respeitadas são uma
construção do coletivo, e demonstração de
consciência política avançada quanto ao
caráter de nossa luta. Exige-nos também
concepções, métodos e estilos adequados à
extensão dos papéis, funções e feições que o
Partido precisa desenvolver.”
Em decorrência da linha tática aprovada
na 9º conferência o Comitê Central convocou
o 1º Encontro Nacional sobre questões de
Partido, que ocorreu em 2004, com o objetivo
central de encaminhar a luta pela
consolidação de uma linha política de
estruturação para o partido na nova etapa
estratégica aberta com a vitória das forças
populares e antineoliberais em 2002. Colocar
a linha de estruturação do PCdoB em novo
patamar para elevar o protagonismo político
do Partido, fortalecendo a estrutura
partidária, priorizando a atuação junto à
juventude, aos trabalhadores e à
intelectualidade, e também elevar a luta
contra as pressões tendentes a rebaixar o
papel estratégico do Partido.
Nas palavras de Walter Sorrentino o êxito
da linha pode ser acompanhada por “três
variáveis decisivas: maior direcionamento
aos trabalhadores, fazer funcionar o partido
pelas bases e formar uma nova geração de
quadros.”
A questão do direcionamento aos
trabalhadores, e em especial à classe
operária fabril, foi alvo de realização de
um 2º Encontro sobre questões de Partido em
2005, que tratou especificamente de
“implementar a política do Partido entre os
trabalhadores e trabalhadores por intermédio
deles – fator estratégico para o projeto do
PCdoB e para o futuro do Brasil”.
A atual linha política de estruturação
partidária desenvolvida ao longo dos últimos
10 anos é orientada para a superação das
defasagens que acometem a estrutura orgânica
do Partido. O Partido nesse período se
desenvolveu em todas as esferas, alcançando
outro patamar de influência na luta política
e social, consolidando-se organizativamente.
As defasagens são dinâmicas, a cada tempo
assumem características próprias e devem ser
enfrentadas a partir e decorrentes da
orientação tática desenvolvida pelo Partido.
No 11º Congresso, realizado em outubro de
2005, reitera-se a política de cuidar mais e
melhor do partido, apontando que na
atualidade o enfrentamento das defasagens na
construção partidária passa por reforçar a
opção de ser um partido revolucionário,
renovado e extenso em militância para
responder às necessidades da luta pela
hegemonia, voltado para o pensamento
avançado, para os trabalhadores, para a luta
política e social em curso e a construção de
uma alternativa socialista futura. E que a
chave para os futuros desafios do Partido é,
agora, formar larga estrutura de quadros, de
nível superior, intermediário e mesmo de
base, assentada numa profunda compreensão da
exigência de unidade de ação de todo o
Partido.
*Oswaldo Napoleão é membro da Comissão
Nacional de Organização do PCdoB
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