Por José Luiz A. Pingarilho
Presidente do C E do PCdoB/AP
No debate que se inicia agora dentro do Partido visando a Convenção
Nacional, uma das questões centrais para o êxito de nosso Projeto Eleitoral
será o das alianças eleitorais. Acho que o nosso Partido, por mais difícil que
seja, terá que refletir bastante sobre os desdobramentos da aliança nacional
nos Estados e aprovar uma posição flexível quanto à composição nacional
(coligação). Sou daqueles que, por conta da “verticalização”, considera
prejudicial ao Partido um “engessamento” a nível nacional com o PT ou PSB, sob
pena de estreitarmos as nossas possibilidades eleitorais e não cumprirmos com
a meta de eleger uma expressiva bancada federal e estadual, compatível com o
crescimento e influência partidária, além da dificuldade que teríamos para
superar a dificílima “cláusula de barreira”.
No item 22 da nossa Resolução em debate diz que “para governar a Federação
brasileira são essenciais as alianças amplas, representativas de extensas
bases sociais para garantir a governabilidade, para alcançar a unidade da
maioria da nação visando a realização dos grandes empreendimentos mudancistas”,
o que é plenamente correto e incontestável. Entretanto, se faz imperioso que
essa orientação se traduza para o campo das alianças eleitorais de 2006.
O PCdoB no Amapá vai definindo a sua tática política de acordo com os
interesses nacionais (claro) e de nosso projeto eleitoral local. A aliança com
o PDT no Estado tem caráter político em reunir forças convergentes na
construção de um Projeto Nacional de Desenvolvimento, que valorize o trabalho
e amplie a democracia, assim como, o de criar melhores condições na
concretização de nosso Projeto Eleitoral para o Estado. A característica
regional do PDT/AP é de contradição à orientação nacional, aqui o PDT é e será
determinante na recondução das forças progressistas e democráticas ao centro
do poder político do País.
Como se sabe, para o avanço das forças progressistas e democráticas é
imperativo a celebração das alianças. Há uma grande estratificação das classes
na sociedade capitalista, e no Brasil como um país continental, assumem
características diferenciadas. O regionalismo, não é determinante, mas joga
papel importante na configuração do poder político do país.
Aqui no Amapá, trabalhamos com a possibilidade de constituirmos uma ampla
aliança eleitoral que poderá envolver, no mesmo palanque, o PDT, PT, PMDB, PL,
PP, PCdoB, PV e outros, dos quais, o PDT e o PT são nossos principais aliados
no Estado, por conta de compromissos programáticos firmados e de nossa
parceria em suas administrações a nível do Estado e dos municípios. Essa
aliança, se vier a se configurar, poderá assegurar uma grande bancada federal
e estadual que inclua os nossos candidatos que irão a reeleição.
Caso o PDT lance um candidato à Presidência da República e se configure uma
coligação a nível nacional entre o PCdoB, o PT e o PSB, aqui no Amapá e,
possivelmente em outros Estados da Federação, nós teríamos que reproduzi-la, o
que certamente iria criar enormes dificuldades para o Partido. No nosso caso
particular, em virtude das dificuldades com o PSB local nos sobraria apenas o
PT.
Há que se considerar que o grau de vitalidade do partido no Estado ficou
expresso em seu processo de Conferência com um elevado grau de participação
nunca visto antes no Estado. Um retrocesso nesse processo eleitoral é uma
hipótese que nos recusamos a considerar. A questão que se impõe no momento é a
de ampliar a demarcação com os representantes do neoliberalismo no Estado
visando acumular forças e preservar os espaços conquistados até então. O que
depender do PCdoB no Amapá, iremos indicará uma tática ampla que possibilite a
reeleição dos nossos parlamentares e aliados comprometidos com o Projeto de
Desenvolvimento do Estado e do país.