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Brasil, quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

27 de junho de 2006

tribuna de DEBATE

Derrotar definitivamente as forças antinacionais


Paulo Marcomini,
Campinas/SP

Berzoini, atual presidente do PT, afirmou recentemente que lamenta a crise da oposição porque dificulta o debate (de um projeto nacional). Volta e meia se ouvem afirmações de alguém não oposicionista nas quais a campanha de baixíssimo nível direcionada contra o governo Lula é chamada de debate.

O modo de pensar subjacente a essas manifestações reporta a passagens dos parágrafos 11, 12 e 13 do Projeto de Resolução Política:

“Isto colocou o problema de como construir maioria para a governabilidade e a estabilidade política e neste sentido foram cometidos erros de certa monta por membros do governo integrantes do partido hegemônico da sua base, envolvendo tanto as opções políticas de alianças quanto os métodos de condução política” (§ 11).

“... crises deste tipo são praticamente permanentes na cena política brasileira pela própria natureza do Estado brasileiro originário de sua revolução burguesa que não foi nem propriamente democrática nem nacional” (§12).

“No caso específico do governo Lula, houve partidos e pessoas da base do governo que em algumas vezes deixaram de fazer uma clara demarcação com estes setores sociais e políticos e noutras chegaram a acreditar que a cruzada moralista promovida pela direita estava isenta de interesses políticos e econômicos. Esta é uma importante lição oferecida pela atual crise” (§ 13).

As citações contêm: a) uma contextualização histórica da crise política, inovadora em sua formulação; b) uma menção às vacilações conciliatórias, no campo progressista, frente às “frações hegemônicas das classes dominantes, conservadoras e de direita”, e às dificuldades para as identificar e conhecer; c) uma menção aos erros políticos cometidos por membros petistas do governo numa correlação de forças desfavorável.

Os parágrafos em pauta tratam de uma questão e de duas manifestações dessa mesma questão. A questão “a” reside nas limitações da revolução burguesa no Brasil, já concluída. As tarefas democráticas e nacionais, inconclusas, pertencem agora ao processo transformador dirigido pelos trabalhadores. As manifestações, referidas em “b” e “c”, refletem o nível de então da luta emancipatória e progressista nos aspectos ideológico, político e social.

Na prática, a democracia e a soberania nacional não se conquistam de forma pronta e acabada, mas devem ser desenvolvidas na dinâmica da história. O que se questiona é o fato de, no Brasil, esse desenvolvimento, na atualidade, exigir rupturas, ter que enfrentar adversários que ainda contam com instrumentos poderosos de ação política e dominação ideológica no âmbito nacional (§13). O parágrafo 5 deixa claro como a causa do desenvolvimento com soberania, democracia e distribuição de renda, nas atuais condições do mundo, difíceis e ameaçadoras, exige a projeção do processo de construção da integração interna (Vargas e Kubtchek) para o exterior, para a integração continental. No entanto, ao pôr em prática essa política exterior e contrariar as pretensões hegemônicas estadunidenses, o governo Lula sofre assanhada oposição, descrita no parágrafo 15.

Por qualquer ângulo de análise, se evidenciam as relações entre a herança histórica e a atual conjuntura. A permanência continuada, porém, não é eterna. O mesmo parágrafo 15, dando continuidade ao 14, trata da “vasta luta de resistência em curso”, das possibilidades concretas no Continente sul-americano e do potencial brasileiro. Cresce o acúmulo de forças, mas de forma tumultuada, irregular, parcial, confusa... O caminho da unidade popular, sempre trilhado pelo PCdoB, à frente de um esforço em prol da construção de uma ampla frente política, social, ideológica, econômica, de um novo projeto nacional de desenvolvimento, necessita ser mais iluminado ideologicamente.

O discurso dominante classifica de “ideológica”; toda atitude que de alguma forma signifique resistência à dominação imperialista. Vimos acima como, na raiz das dificuldades para o avanço, está a falta de nitidez na identificação do adversário principal, que é aquele que exerce o mais forte domínio ideológico mas não consegue escamotear a questão de fundo: sua submissão ao imperialismo. Devemos esforçar-nos ao máximo para que esse, que sempre foi o Norte do PCdoB, seja cada vez mais visível para as forças populares, democráticas, patrióticas e desenvolvimentistas.

Os tucanos e pefelistas vêm demonstrando a sobejo de que “debate” são capazes. Basta o “debate” - quanta divisão! – existente entre os setores que devem constituir a ampla frente almejada. Deve ser substituído por produtivo debate, de alto nível. Devemos procurar formas de trazer para o cotidiano político e social as questões estratégicas.

Enquanto estiverem disseminados conceitos do tipo “equilíbrio” político, “alternância de poder”, fica difícil a ocorrência de rupturas.

 

  

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