José Vieira Loguercio , RSAgora que há consenso entre nós da
primazia da Soberania, na sua relação com a Democracia, o Desenvolvimento e a
Distribuição de Renda. Também há consenso de que para o PC do B cumprir com
êxito suas tarefas, precisa ter a cara, o jeito, à bossa de nossa gente, do
povo e do proletariado do Brasil. Nosso povo tem demonstrado um amadurecimento
político notável e surpreendido a elite direitista.
Portanto podemos nos fixar no objetivo essencial: como recompor em bases
novas o Estado Nacional no Brasil?
Sim, pois o que garante Soberania, Democracia, Desenvolvimento e
Distribuição de Renda é o Estado Nacional. Mas este que aí está? Evidentemente
que não. Só um Estado Nacional recomposto em novas bases pode realizar essas
tarefas
Este é o centro do problema.
A proposta do Comitê Central à nossa convenção Nacional, fala em ‘Estado’
em vários itens (10, 12, 15, 19 e 24). Contudo, nos parece, com acepções
distintas. É certo, e Lênin já alertava, que após a mais-valia, o Estado era o
assunto mais intrincado da ciência política revolucionária. Mas julgo haver
hoje um clima interno propício e uma imposição da realidade, para que esse
tema seja tratado exaustivamente e de cima a baixo.
No exame desse tema deveremos estudar o Estado em Geral, o Estado Nacional
desde seu surgimento até seus vários tipos de desdobramento, o Estado Nacional
no Brasil, o que precisa ser feito para colocar o Estado a serviço do povo
brasileiro? Certamente esse será o tema primordial de nosso próximo Congresso
Nacional, mas a realidade impõe que algumas coisas possam e devam ser
adiantadas.
A formatação do Estado Nacional no Brasil, é a obra fundamental da
Revolução de 1930 tendo à frente Getúlio Vargas com sua equipe. Para se
consolidar teve que vencer pelas armas a contra-revolução de 1932, liderada
pela elite liberal paulista (aliás, vencida mas não destroçada, tanto que
criou a USP e é o centro elaborador e executor do neoliberalismo no Brasil).
O Estado Nacional fruto da revolução de 1930 era garantidor da Soberania do
Brasil e indutor do Desenvolvimento. Mas como mantinha e ampliava a
Concentração de Renda, não precisava da Democracia.
Com o vento neoliberal iniciado com Collor e aprofundado com FHC o Índice
de Soberania da nação brasileira cai vertiginosamente, e nosso desenvolvimento
é truncado e atrofiado. O Índice de Soberania Nacional que estou construindo
está baseado no comportamento do Estado Nacional em relação: a
Tributação e sua Destinação; Monopólio da Força em suas Fronteiras;
Investimento em Ciência e Tecnologia; Investimento em Energia e
Infra-Estrutura; Inserção Soberana ou Submissa nas Relações Internacionais.
Na herança maldita deixada por FHC, nada foi mais terrível que retirar do
Estado a capacidade de destinar a tributação. Em seu período mais de
50% da tributação nacional não era destinado ao que reza nossa Constituição. O
Estado continuou tributando mas a destinação da tributação foi
controlada pelo Império. Para se ter uma pálida idéia, Marx demonstrou que
Roma chegou a tributar em 20% os povos da Ásia Menor, que compensavam
aumentando nessa proporção o preço de suas mercadorias. O mecanismo da dívida
é uma forma disfarçada de tributação imperial na que participam
sócios locais. Através dele, mais da metade da tributação é destinada ao
seu pagamento. E atentem, sem poder compensar com o aumento de preços de
nossas mercadorias. Ou seja, esses recursos, fruto do trabalho de milhões, é
drenado diretamente “no caixa”. Se considerarmos que esse mecanismo foi
adotado por muitas nações cujos Estados se tornaram submissos ao do EUA, é
óbvio que isso ajudou em trilhões de dólares à ciranda financeira. Em outras
palavras, uma parte do trabalho de centenas de milhões de mulheres e homens é
drenado diretamente para alimentar a máquina imperial.
Nosso índice de Soberania Nacional melhorou com Lula: notadamente as
relações externas passaram a ser orientadas pela Soberania e não mais pela
Submissão, evitamos a ALCA e saímos do controle do FMI. Mas é preciso investir
muito mais em Ciência e Tecnologia, Energia e Infra-Estrutura e recuperar o
monopólio da força pelo Estado Nacional como demonstram os recentes e
trágicos acontecimentos em São Paulo.
Mas, sobretudo, é preciso que o Estado recupere a capacidade de destinar
a tributação.
A grita do empresariado contra os altos impostos é cínica. É o povo quem
paga o imposto. O grosso do empresariado recolhe imposto e muitas vezes
não o repassa, sonega.
Os avanços do governo Lula na Distribuição de Renda e na Democracia, são
garantias que podemos evoluir para modificações ainda maiores no Estado
Nacional, rumo à sua recomposição em novas bases.