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Brasil, quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

6 de junho de 2006

tribuna de DEBATE

Reeleger Lula, renovar o compromisso com as mudanças e eleger os candidatos do PCdoB


José Marcos Araújo (Marcão)
Membro da Comissão Política do Comitê Estadual do PCdoB/PA e
Coordenador da CSC/PA

O documento é uma excelente ferramenta para a ação política, analisa de forma profunda o momento que vivemos e mostra as tarefas e obras a serem construídas no longo da caminhada. Em alguns momentos no documento constatamos, em nossa opinião, que pode estar equivocada, uma tendência a simplificar o debate e leva a superficialidade na análise e, portanto na definição das tarefas. Principalmente quando aponta os caminhos a serem trilhados pelo governo Lula, quando coloca em algumas vezes reduzidas opções ou quando coloca as nossas propostas como decisões já tomadas pelo candidato Lula, quando isso ainda não ocorreu (infelizmente). Nos parágrafos finais do texto se percebe uma melhor utilização das palavras, por exemplo, no parágrafo 21 se coloca que para um segundo mandato, “é preciso a recomposição de uma frente que reúna os partidos de esquerda e do centro...”, ou seja se afirma o que é necessário ser feito, mas não se coloca como a única alternativa a ser tomada, pois o receio é que ao colocarmos uma única opção e se esta não for utilizada, fiquemos com nossos argumentos fragilizados. Por exemplo no parágrafo 23 se afirma que “é preciso que o presidente Lula ofereça sua candidatura para mais um mandato etc. e tal...”. E se ele, ou o PT, não fizerem isso? Não se construa um programa comum a partir das premissas que defendemos? É exatamente neste tipo de situação que defendemos uma revisão geral do texto colocando essas questões como de nosso proposição, por exemplo, este texto poderia ficar “Para o êxito dessa política básica defendemos que o presidente Lula ofereça sua candidatura para mais um mandato presidencial, que se concretize uma coalizão de centro-esquerda nos moldes assinalados acima, se construa um Programa comum aceito ....”. Encontramos outro exemplo no parágrafo 26 quando se afirma que “No cumprimento desse objetivo, o PCdoB construirá condições para uma coligação nacional formal entre PCdoB, PT e PSB ...” Seria mais preciso se grafar “No cumprimento desse objetivo, o PCdoB trabalhará para construir condições para uma coligação nacional formal entre PCdoB, PT e PSB, tendo por candidato presidencial Luis Inácio Lula da Silva...’.

Resolvido, a meu ver, os assuntos de caráter mais de apropriação da gramática passamos a alguns comentários pontuais, onde defendemos pequenos ajustes.

No primeiro parágrafo “1 – O Brasil passa por momento decisivo... Terá de se decidir entre avançar na transição para um projeto de desenvolvimento com afirmação da soberania E TAL ou retroceder para a estagnação econômica, o desemprego, E TAL.”,

=> Entendo que existem muitas outras variáveis possíveis, tais como eleger o LULA e seguir a política econômica atual, com os reflexos na lentidão no desenvolvimento, nas taxas elevadas de juros. Lógico que entendo que as duas citadas são as principais vertentes da encruzilhada e, principalmente, que a proposta de avançar na transição é a nossa proposta, do PC do B e que, a outra opção, da estagnação é o nosso alvo de combate principal. Porém não é correto minimizar o debate, reduzindo nossa necessidade de análise e de acompanhamento da realidade e das alternativas concretas que iremos atuar.

No parágrafo 5, que trata da valoração estratégica das políticas governamentais nos últimos três quartos de século, seria interessante fazer uma crítica ao período Kubitscheck, por sua opção, na integração nacional, de utilizar-se da opção rodoviária esquecendo e até eliminado as alternativas ferroviárias e hidroviárias. Opções que colocam nosso país submisso ao capital internacional, desde aquela época. Pelas dimensões de nosso país, pela sua formação geográfica é criminoso não pensar em hidrovias na região amazônica e ferrovia para interligar o conjunto do país. Até hoje, no governo Lula, permanece a falta de uma definição sobre as eclusas do Rio Tocantins, que foi interrompido a partir da construção da barragem de Tucuruí, eliminando uma via natural dos moradores, que desde todo os séculos utilizaram o rio como estrada natural.

No parágrafo 8, que mostra avanços do governo Lula entre esses os da conquista da auto-suficiência na produção de petróleo e da construção conjunta de matriz energética. É necessário não esquecer de lembrar que o petróleo que produzimos não é o que refinamos, por opção de governos submissos anteriores apesar de termos uma produção já auto-suficiente de petróleo ainda precisamos importar o petróleo que seja adequado à capacidade de refino de nossa indústria. É importante também ressaltar que nossa matriz energética atual impede uma opção mais forte de crescimento. Os tristes anos de desmonte dos tucanos nos legaram uma terrível herança, onde a falta de investimento na construção de hidroelétricas e outras alternativas reais de produção de energia coloca o país num dilema concreto: sem crescimento e sem desenvolvimento não se supera as contradições da fome e da miséria de nosso povo e sem energia (com a capacidade atual) não se pode crescer. Esquecer esse problema concreto é indicar o caminho do crescimento a qualquer jeito que pode nos levar a cair no “apagão”. É tarefa do governo Lula em seu novo mandato, buscar a construção de nova planta energética para o Brasil, mesmo sabendo que neste campo as soluções são de longo prazo, pois envolvem investimentos altíssimos e de grande monta, como o caso que envolve a construção da Hidroelétrica de Belo Monte, no Pará.

No parágrafo 11, que poderia ser juntado ao parágrafo 21 mais à frente, pois tratam de assunto similar, das instabilidades, governabilidade, estabilidade política e crises..., fica faltando incluir a postura hegemonista do Partido dos Trabalhadores e sua dificuldade em se aliar, onde não seja a parte mais importante da união, onde não seja a cabeça da chapa. Isso ocorreu em Fortaleza (Ce), na eleição de Severino para a Câmara, no congresso da CUT BA e centenas de outros eventos e até no pouco caso que demonstraram com os problemas que a clausula de barreiras irá trazer para nosso partido. Essa postura sectária dificulta e traz problemas na tarefa necessária de ampliar a base de apoio do governo, para a eleição e para a governabilidade, que essa unidade seja construída a partir da política e não dos acordos fechados de formas heterodoxas que deram no que deu...

No parágrafo 17, fica de uma timidez muito grande a análise do papel do PMDB, falta analisar com mais coragem o papel deste partido na eleição e na governabilidade do país. O Brasil, do tamanho que é, com nossas múltiplas facetas culturais, sociais e econômicas não pode se dar ao luxo de tratar com desleixo um parceiro do tamanho do PMDB. Não podemos deixar de analisar o que significaria ele caindo aos braços do neoliberalismo com Alkimin, mesmo que parcial, já que sabemos que as contradições daquele partido tornam difícil uma unidade total – tanto em torno de Lula como em torno de Alkimin. Esse tema é tratado também no parágrafo 22.

A partir do parágrafo 22 caberia incluir texto que avaliasse de forma mais concreta o papel e importância de Evo e Chavez e a situação positiva de Lula não estar mais sozinho como personalidade de esquerda no continente. As tarefas são mais amenas se mais pessoas estiverem dispostas e à postos para executa-las e evita ainda o isolamento que o hegemonismo imperialista poderia querer impor ao Lula. Não se trata apenas do projeto brasileiro, temos o projeto bolivariano de Chaves e Evo.

No parágrafo 24, que trata da construção de diretrizes fundamentais com as quais o novo governo poderia se comprometer e se movimentar ao longo de seu mandato, defendemos que se inclua uma análise sobre a matriz energética, caminhos a seguir e propostas, bem como a respeito da opção de transportes no Brasil, onde pelo menos iniciemos o debate sobre as alternativas ferroviária e hidroviária.

Neste parágrafo 24, após o item 5, senti falta da defesa mais firme de alguns de nossos aliados tradicionais como Cuba, Índia, África, China e Comunidade Árabe. Caberia um registro das relações internacionais com essas nações, seus significado e importância.

No parágrafo 29 é importante ampliar o texto, para que na nossa campanha eleitoral que explore bastante e explicitamente a importância histórica dos parlamentares e dos comunistas, desde a fundação do nosso partido em 22, a nossa atuação na constituinte de 46, campanhas do Petróleo é Nosso, o papel do Aldo na crise política do país e que só o voto nesses candidatos pode barrar a tentativa das elites de “cassar” o nosso partido, através da violência da democracia.

  

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