Por Claudia Castro de Andrade, RJ
A vitória de Lula em 2002, teve uma significativa importância no cenário
político e social, não só brasileiro como também da América Latina. Mais que
uma vitória da esquerda, a ascensão de Lula ao poder, provou que o espírito de
luta, sequioso por mudanças, do povo brasileiro, não expirou.
A representação de um partido e um representante realmente preocupado com
os interesses da classe trabalhadora parecia um sonho impossível,
principalmente depois de oito anos de um governo que entregou nas mãos de
particulares, vários de nossos patrimônios públicos.
Entretanto, ao ser eleito, Lula deixou clara a insatisfação do povo com a
direita elitista e sua política excludente e nitidamente imperialista que
busca promover uma política desenvolvimentista em detrimento de nossa
liberdade, deixando nosso país cada vez mais dependente econômica e
tecnologicamente das grandes potências. A vitória da esquerda, há de se
ressaltar, deixa claro o amadurecimento democrático do povo, mostrando
concomitantemente que a globalização e todo o esquema de política neo-liberal
já não mais nos ilude. O povo está ciente de seu poder de transformação.
É claro, que a democracia brasileira, bem como todo o processo de
conscientização popular, ainda tem muito a evoluir, porém o fortalecimento da
esquerda contribui e promove uma maior consciência de nosso papel na
sociedade, nos fazendo perceber que é a nós, o povo que constitui essa grande
nação, a quem pertence a soberania, o poder de decisão e o direito e dever do
exercício da cidadania.
É sabido, porém, que o sistema educacional moldado aos parâmetros da classe
dominante, em nada contribui para essa tomada de consciência, mas ainda assim,
o povo com sua sabedoria latente e intrínseca, compreende o caminho a ser
seguido e compreende também que só um trabalhador e um partido que o
represente, é capaz de avaliar seus queixumes, seus sofrimentos, dificuldades
e ansiedades, de uma nação contraditoriamente rica e carente como a nossa.
As transformações sociais, que se iniciaram em 1922, com a criação do Partido
Comunista do Brasil, estavam sendo adiadas por interesses particulares, mas
agora, o oportuno momento está permitindo um avanço da ideologia comunista e
igualitária que objetiva caminhar para um mundo mais justo e coerente.
Aguardemos, pois.