Por Carlos Alberto (Carlinhos)
Metalúrgico, Secretário de Formação do Comitê Municipal de Niterói
Membro do Comitê Estadual do Rio de Janeiro
Parcela da esquerda brasileira encontra-se hoje dividida por uma visão
estreita da realidade, seja por uma analise oportunista e hegemonista,
presente em nosso próprio campo, que desprovida de qualquer tipo de
perspectiva revolucionária, procura adocicar a exploração capitalista, com
políticas sociais compensatórias desligadas de um projeto de luta e
mobilização nacional.
Por seu turno, os esquerdistas, porque desprezam as massas e a luta por
objetivos concretos, isola-se da classe, desligam-se do fundamental do
trabalho prático e vivem a bradar urras ao socialismo, à espera da chegada da
sociedade sem classes.
A essas correntes lhes faltam à percepção, de que a luta social e a luta
política são importantes porque atua sobre a consciência espontânea do
proletariado, o que nos permite moldar, uma consciência socialista, o
organizando como classe no interior do Partido.
Neste sentido, a luta revolucionária, pela superação do capitalismo, precisa
de um período de acumulação de forças, que acontece baseado num longo
aprendizado político. Ao contrário das correntes esquerdistas que pregam a
revolução a qualquer momento, o doutrinarismo de esquerda demonstra que, não
basta o discurso e a propaganda. É necessária a experiência própria percorrida
pelo povo.
A critica a esses dois pólos é importante, para a definição de uma correta
tática política para o momento atual do desenvolvimento da luta de classes.
Vivemos um contexto complexo, e contraditório, que se espelha no fato de
estarmos perante uma fase de recuo do movimento operário e popular em escala
mundial.
É evidente que há alguns (e bons) progressos na luta popular: e no
processo revolucionário na América Latina e Europa, contudo, estas lutas não
significam que estejamos vivenciando uma fase de ofensiva dos trabalhadores, a
essência dessas várias lutas ainda tem-se pautado pela resistência ao
neoliberalismo.
Em primeiro lugar, pela natureza dos seus objetivos políticos e formas de
luta.
Em segundo, pela avaliação da sua dimensão, não desprezível, mas ainda muito
insuficiente para colocar o capital na defensiva.
Contudo, a resistência dos explorados e oprimidos pelo capital não é um
fenômeno a ser menosprezado. Bem pelo contrário. Sem toda uma fase de
resistência é praticamente inviável a possibilidade de a classe trabalhadora
(e seus aliados, o campesinato e as camadas médias, principalmente as massas
proletárias) levar o cabo uma estratégia de avanço numa situação
revolucionária.
Nesse contexto é que se insere a disputa eleitoral que se avizinha. A
reeleição de lula representa a possibilidade de enfrentarmos a luta de
resistência, fortalece-la, e dentro de uma estratégia de acumulação de forças,
lutarmos pela independência nacional, não numa perspectiva simplesmente
nacionalista, mas sim patriótica. Ou seja, o crescente vazio de soberania nos
Estados periféricos (ao contrário do que sucede no centro do sistema
capitalista) não é mais do que a tentativa das grandes potências e grupos
capitalistas controlarem mais eficazmente a exploração em escala mundial.
Também é a partir do espaço nacional que as lutas revolucionárias se organizam
e, podem articular-se no plano internacional possibilitando a transição para a
ofensiva dos trabalhadores essa e a essência da luta de resistência e seu
papel de condição sine qua non para a maturação política e ideológica da
classe trabalhadora e seus aliados pela revolução socialista.
Neste contexto, a missão das forças revolucionárias, progressistas e
democráticas, é a luta no quotidiano, persistentemente, tenazmente, com base
nas mais diversas questões concretas pela conscientização política e social
das populações e sua disponibilidade para a luta, pela sua mobilização, e pela
efetiva participação popular, pela defesa dos seus legítimos e justos
interesses, de um Brasil, e um Mundo melhor e pela Paz.
Luta, na qual, sem dúvida, têm um papel decisivo a existência e a orientação
política revolucionária do partido. Pois alem da divisão no campo da esquerda
devemos continuar a enfrentar a disputa no interior do governo e dentro do
nosso próprio campo pelos rumos do 2º mandato presidencial Só assim se poderá
ir ganhando espaço para que se acumulem as condições sociais e políticas para
a mudança. A acumulação da força política e social é condição prévia para
atingir uma situação conjuntural que já não possibilite que os de cima exerçam
e mantenham o seu domínio na sociedade
Isso implica em uma atividade política diária junto das massas e seus
problemas. Consequentemente, a ação de qualquer militante comunista passa
necessariamente pela intervenção persistente e duradoura no seu local de
trabalho, estudo e residência.
Portanto, o militante comunista deve atuar nas organizações de massas
(sindicatos, comissões de trabalhadores, entidades estudantis, movimento
associativo, etc.) a fim de fortalecer a ligação do Partido com, às populações
mais diretamente afetadas pelo capitalismo. Todavia, deve-se ter em atenção
dois pontos para mim, importantíssimos:
A) a atividade dos comunistas nunca se deve diluir ou confundir com a sua
participação unitária nas organizações de massas. Se o afastamento dos
comunistas dos movimentos sociais resulta no isolamento dos partidos
comunistas, reduzir a atividade comunista à luta unitária (ou mesmo
institucional) não contribui em nada para a afirmação do nosso projeto
socialista;
B) os camaradas devem procurar formar-se política e ideologicamente, estudando
e discutindo o marxismo-leninismo.
É por de mais evidente que a atividade militante é um excelente educador
político de qualquer comunista, diremos que é a principal escola de
aprendizagem política é a luta de classes. Contudo, "sem teoria
revolucionária, não há movimento revolucionário", o que implica a necessidade
da reflexão teórica marxista. Sem o estudo do marxismo-leninismo o
aperfeiçoamento da atuação prática dos comunistas torna-se pobre e, a prazo,
degenera toda uma organização partidária.
Em simultâneo, o estudo do marxismo deve ter sempre em conta a sua aplicação à
conjuntura histórica em que se vive. Portanto, o marxismo não se distingue das
correntes teóricas burguesas só porque interpreta corretamente a realidade
social (o que é verdade, mas este é um ponto de vista parcial e insuficiente).
O marxismo, enquanto perspectiva científica de classe, e de questionamento
social é, sobretudo, uma filosofia da práxis, ligada à vida e fundida com a
luta operária e popular, com o objetivo de transformar e revolucionar a
sociedade.
Por tudo isto, é fundamental a militância comunista. Esta militância tão
desprezada pelos nossos inimigos de classe, muitas vezes classificada quase
como que um fanatismo religioso, é componente essencial para avançarmos em
nosso projeto estratégico de transição para o Socialismo.