O 11º Congresso realizado em outubro de 2005 traçou a linha política do
Partido e as suas tarefas mais importantes para o atual período da luta
política. Com base nessas orientações, o Partido delineia seu Projeto de
Resolução Política a ser apreciado e aprovado na Convenção Nacional do próximo
mês de junho.
1 – O Brasil passa por momento decisivo na definição dos destinos para sua
construção como nação independente e democrática com a aproximação das
eleições gerais em outubro próximo. Terá de se decidir entre avançar na
transição para um projeto de desenvolvimento com afirmação da soberania, da
democracia e de conquistas sociais, iniciado em 2002 com a vitória de Lula –
imprimindo-lhe agora nítida feição desenvolvimentista com distribuição de
renda –, ou retroceder para a estagnação econômica, o desemprego, as
privatizações, a submissão aos ditames dos EUA, a um regime de restrições
democráticas. Sem dúvida, por seu peso específico, a decisão brasileira
ultrapassará os limites nacionais e terá forte influência na cena
internacional, sobretudo nos rumos da América do Sul.
2 – O PCdoB está imbuído da idéia de que a experiência da construção de um
projeto nacional de desenvolvimento – com soberania, democracia e valorização
do trabalho – deve ser levado a patamar superior. Por isso, se empenhará na
luta por um novo mandato de Lula na presidência da República, na certeza de
que a ampla corrente liderada pelo presidente Lula reúne as melhores condições
para levar o país a tal objetivo. Posiciona-se com a responsabilidade e a
autoridade de quem, desde 1989, participa da construção do projeto liderado
por Lula, de quem sempre esteve compromissado com a defesa política do
governo, sem perder sua independência, não confundindo seu programa com o
programa de governo, e fazendo as críticas que julgou procedentes e oportunas.
Neste período o Partido assumiu responsabilidades de governo, ocupou cargos
destacados no Congresso Nacional, inclusive a presidência da Câmara dos
Deputados, e estreitou os laços com o povo e os trabalhadores elevando sua
intervenção na organização do movimento social, ganhando a confiança de
setores mais amplos da nação brasileira. Avalia, tal como no seu 11º
Congresso, que do ponto de vista histórico a vitória de Lula e da luta pelo
novo projeto de desenvolvimento brasileiro situam-se no processo de acumulação
de forças, de criação das condições objetivas e subjetivas indispensáveis para
que o Brasil chegue a uma sociedade mais evoluída, socialista. Ao mesmo tempo
em que propugnará por nova vitória de Lula e das forças democráticas e
progressistas em geral o PCdoB mobilizará suas energias pelo próprio
fortalecimento, buscando eleger seus candidatos a cargos majoritários e
proporcionais.
3 – Quando eleito, Lula, representando novas forças políticas, sociais,
democráticas e progressistas, encontrou o país em situação extremamente grave.
Porque as contas externas não fechavam, o governo de Fernando Henrique Cardoso
havia recorrido várias vezes ao socorro do Fundo Monetário Internacional. E
estes créditos estiveram sempre vinculados a pesados compromissos com
orientações e diretrizes que afetaram a soberania brasileira e impuseram
grandes sacrifícios aos trabalhadores. A dívida pública e a carga tributária
experimentaram significativos crescimentos. A inflação, com tendência a alta,
ultrapassava os 10% ao ano. Além disso, na relação política com outras nações,
o governo de FHC se orientava no sentido de somar-se aos desígnios dos EUA de
construir nas Américas uma “Aliança” sob hegemonia norte-americana. Essa
herança maldita deixada pelo governo neoliberal de FHC condicionou fortemente
o início do mandato do presidente Lula, obrigando-o a concentrar seus esforços
na área econômico-financeira e contornar o perigo de um colapso. Nisso o
governo Lula alcançou inegável êxito.
4 – O atual governo tem se caracterizado como de afirmação crescente da
soberania nacional pela aplicação de uma política externa independente, que
busca o multilateralismo nas relações internacionais e a construção de um
mundo de feição multipolar, cuja materialização central é a luta pela
construção de um bloco contra-hegemônico de países sul-americanos – político,
diplomático, comercial e infraestrutural –, que ponha de lado a proposta
imperialista da Alca (Associação de Livre Comércio das Américas).
5 – A valoração estratégica desta política governamental evidencia-se
quando se examina a trajetória dos últimos três quartos de século de
construção da nação brasileira. Vargas a partir de 1930 promoveu a unificação
política do Estado nacional brasileiro, contrariando as oligarquias regionais
e permitindo assentar as bases para o desenvolvimento nacional; Kubitscheck em
meados do século XX avançou na integração nacional, econômica, física e
infra-estrutural, possibilitando o desenvolvimento rápido, a industrialização
e a interiorização. Lula no início do século XXI marcha em direção ao
fortalecimento da integração continental, juntamente com outros líderes
progressistas da América Latina – condição básica para enfrentar o
imperialismo nas atuais condições do mundo, contrariando as pretensões
hegemônicas norte-americanas.
6 – O governo de Lula tem como marca importante sua postura democrática, de
diálogo e consulta permanente e variada com os movimentos sociais – foram
realizadas mais de 20 conferências nacionais temáticas nas quais milhares de
pessoas participaram da elaboração de políticas públicas para o país –,
constituindo-se em experiência democrática das mais avançadas na história
brasileira. Entretanto, não conseguiu caminhar no rumo de uma reforma política
democrática, de fortalecimento dos partidos políticos e no cerceamento da
influência do poder econômico sobre o processo político.
7 – Neste período, o governo enfrentou a questão social com importantes
políticas públicas e programas emergenciais que vêm servindo a milhões de
pessoas pobres. Foram criados 3,7 milhões de empregos de carteira assinada
desde 2003, o salário-mínimo foi reajustado acima da inflação, foram
assentadas cerca de 250 mil famílias de sem-terra. Quadruplicou o
financiamento aos titulares de propriedades familiares no campo. O programa
Bolsa-família ajuda a 8,5 milhões de famílias. Foram disponibilizadas diversas
formas de crédito aos mais necessitados. Avançou-se também na educação – foram
criadas depois de longos anos novas universidades públicas, cerca de 200 mil
alunos pobres beneficiam-se do Prouni estudando em universidades particulares
e criaram-se condições para um salto no ensino médio através da aprovação do
Fundeb – e noutros setores sociais, através de novos planos de inclusão e do
aumento do valor das destinações oficiais a eles dirigidas. São vitórias
importantes para um país com sérios problemas sociais de natureza estrutural
como uma taxa de desemprego significativa, salários ainda rebaixados e elevada
concentração de renda.
8 – Do ponto de vista da economia, registram-se avanços dignos de nota como
a diminuição da vulnerabilidade externa advinda da melhoria da situação das
transações correntes do balanço de pagamentos em função dos superávits
comerciais. Assim, diminuiu o volume da dívida externa e cresceram as reservas
internacionais. O país abandonou a tutela do FMI e criou condições de o
governo traçar autonomamente sua política de desenvolvimento. Interrompeu-se o
danoso processo de privatizações e novo papel foi destinado às empresas
estatais, reconstruindo-as no seu conjunto e direcionando-as para o esforço do
desenvolvimento. O país conquistou a auto-suficiência na produção de petróleo
e, ao lado disto, constrói matriz energética diversificada, inclusive nuclear.
Vive-se uma relativa estabilidade econômica, onde não se vislumbra uma crise
iminente.
9 – Estas conquistas convivem com uma média de crescimento baixa limitada
pelo alto endividamento público. A estrita política macroeconômica manteve-se
em contradição com as próprias iniciativas de retomada do desenvolvimento
econômico e social. Destacadamente o Banco Central do Brasil tem se
notabilizado por uma gestão ortodoxa e contracionista. A política monetária –
com as elevadíssimas taxas de juros –, a política fiscal – com exacerbado
superávit primário – e a liberal política cambial criaram graves embaraços à
obtenção de um viável, sustentável e alto ritmo de crescimento econômico. A
unilateral fixação de exageradas metas de inflação ignora as necessidades de
crescimento e de geração de empregos. É baixa a taxa de investimentos e ainda
não se alcançou um padrão de financiamento diferente daquele que estava em
vigor anteriormente – baseado em endividamento público crescente e em pesada
carga tributária – que estimulava a especulação e o rentismo e acabava por
proporcionar aos grandes credores e banqueiros sucessivos recordes de
lucratividade. Para o PCdoB, o padrão de crescimento de tal modelo não se
coaduna com as necessidades e potencialidades do país, de seus trabalhadores e
outras camadas, inclusive de setores produtivos da burguesia. As mudanças
nesse padrão constituem-se em grandes desafios e lutas a serem desencadeadas
para a concretização do projeto de desenvolvimento.
10 – Além disso, um Estado endividado e desprotegido diante dos
liberalizados e intensos movimentos de capitais continua vulnerável às
pressões dos credores. Diante da situação de grandes restrições encontradas,
sem os investimentos necessários e envolto em suas próprias contradições, o
novo governo não conseguiu na sua instalação iniciar um novo ciclo de
desenvolvimento. Passados mais de três anos, ele pode reunir agora as
condições para mudanças qualitativas no padrão e ritmo do desenvolvimento. Em
suma, são anos de transição com avanços e limites proporcionados pelo conflito
de orientações – desenvolvimentistas e contracionistas – dentro do governo que
representam diferentes interesses políticos e sociais tendo, assim,
prevalecido uma orientação econômica híbrida.
11 – O governo Lula, durante boa parte de sua experiência, viveu sob forte
instabilidade política, enfrentando crises, sobretudo a partir de meados de
2005, obrigando-o freqüentemente a atuar em defensiva. Isto adveio da
correlação de forças desfavorável que emergiu das eleições de 2002 e 2004,
onde a oposição conservadora se aproveitou das posições destacadas que manteve
no Congresso Nacional, particularmente no Senado da República, em governos
estaduais dos maiores estados da Federação e em prefeituras de cidades
importantes. Isto colocou o problema de como construir maioria para a
governabilidade e a estabilidade política e neste sentido foram cometidos
erros de certa monta por membros do governo integrantes do partido hegemônico
da sua base, envolvendo tanto as opções políticas de alianças quanto os
métodos de condução política. O PCdoB defendeu, desde o início, a rigorosa
apuração dos ilícitos cometidos contra o patrimônio público e a punição dos
culpados.
12 – Porém, se se observa a trajetória histórica brasileira seria
ingenuidade imperdoável não destacar que crises deste tipo são praticamente
permanentes na cena política brasileira pela própria natureza do Estado
brasileiro, originário de sua revolução burguesa que não foi nem propriamente
democrática nem nacional. Desse modo, quando forças democráticas, patrióticas
e populares conseguem certas posições no centro do poder do Estado as frações
hegemônicas das classes dominantes, conservadoras e de direita, inconformadas
com estes avanços buscam de imediato, com tenacidade e por todos os meios,
interrompê-los. Isto foi o que aconteceu logo depois de 1945 quando a onda
democratizadora do pós-guerra foi aplastada pelo repressivo governo Dutra;
assim foi no segundo governo Vargas, de feição progressista, quando a vaga
reacionária protagonizada pela UDN, Forças Armadas e mídia criou um ambiente
propício ao golpe levando o presidente ao suicídio. Assim se explicam as
sucessivas manobras golpistas contra o governo democrático e
desenvolvimentista de Kubitschek que não conseguiu fazer seu sucessor. Assim
se promoveu o golpe militar que derrubou Goulart. Mesmo o governo Sarney,
responsável pela democratização do país após o fim do regime militar, foi alvo
de investidas das forças mais conservadoras sob o manto do neoliberalismo.
13 – As classes sociais dominantes, apesar da evolução econômica e das
mudanças de seu perfil, sempre agiram promovendo cruzadas moralistas,
estimulando golpismos de diferentes tipos, construindo poderes paralelos como
quartéis-generais de sua atuação e aceitando servilmente a ingerência
imperialista. Hoje os financistas nacionais e estrangeiros acobertados pelo
manto todo-poderoso do “mercado” não contam com as Forças Armadas como aliadas
para aplicar sua tirania. Contam, porém com as novas UDNs, o PSDB e o PFL e
têm à sua disposição, por interesse econômico e por convicção, o complexo da
grande mídia como instrumentos centrais de ação política e dominação
ideológica. No caso específico do governo Lula, houve partidos e pessoas da
base do governo que em algumas vezes deixaram de fazer uma clara demarcação
com estes setores sociais e políticos e noutras chegaram a acreditar que a
cruzada moralista promovida pela direita estava isenta de interesses políticos
e econômicos. Esta é uma importante lição oferecida pela atual crise.
14 – A luta por um novo mandato de Lula e pelo avanço de posições das
forças democráticas e progressistas, em geral, e do PCdoB, em particular,
circunscreve-se em uma situação externa onde o hegemonismo e o unilateralismo
dos EUA sustentados por crescente belicismo e agressões a várias nações e pelo
controle cultural e ideológico sobre os povos são fatores determinantes de uma
correlação de forças global ainda desfavorável às forças progressistas e se
constituem em permanentes ameaças aos povos e países do mundo, da América do
Sul inclusive. Entretanto, estão presentes na contratendência elementos da
realidade econômica e de uma crescente resistência ao imperialismo e à guerra
favoráveis à luta pelo aprofundamento de um novo projeto nacional de
desenvolvimento com integração e democracia no Brasil e esta exerce influência
para o ascenso da onda antiimperialista no Continente sul-americano. Há no
momento, apesar dos crescentes desequilíbrios estruturais, dinamismo na
economia particularmente ao sul do planeta e na região asiática, assim como há
disponibilidade (liquidez) de capitais, numa situação em que importantes
países em desenvolvimento conseguem reduzir sobremaneira suas restrições
externas e buscam se aliançar para barrar a hegemonia norte-americana e poder
se desenvolver. A América Latina está embalada em vigorosa onda com sucessivos
governos e candidatos progressistas obtendo vitórias, se consolidando e
criando não só um ambiente solidário como pondo em andamento experiências de
desenvolvimento com orientações econômicas não ortodoxo-liberais.
15 – Ao lado disto avulta o enorme potencial brasileiro e da integração
sul-americana. No Brasil ficaram preservados e foram redirecionados
instrumentos de Estado importantes para a retomada do desenvolvimento. O
crédito de longo prazo é de exclusividade pública, há empresas estatais
estratégicas altamente produtivas e lucrativas; além disto, a integração
sul-americana deu passos significativos, apesar da crescente campanha das
forças conservadoras para desacreditar o grande esforço integracionista do
continente, subordinadas que sempre foram às injunções hegemonistas do
imperialismo. A virulência dessas correntes, liberais e subalternas, dirigida
contra o patriótico governo boliviano de Evo Morales, e sua sanha contra a
política externa do governo Lula, são demonstrações de que tudo farão para
manter sempre o continente a mercê do credo neoliberal e sob tacão das
potências imperialistas hegemonistas. A vasta luta de resistência em curso é a
prova de que há possibilidades concretas para se buscar superar os limites
atuais e retomar a rota do crescimento a taxas mais altas, sustentado,
mantendo-se a estabilidade alcançada, democratizando a distribuição da renda
nacional.
16 – Diante da grave crise política que se avolumou e se estendeu a partir
do terceiro ano do governo Lula, o PCdoB se orienta percebendo que a crise em
curso expressa uma exacerbação da luta pelo poder: de um lado, a pretendida
revanche das forças conservadoras neoliberais, que nunca aceitaram a vitória
de Lula e preparam febrilmente sua volta ao centro do poder; do lado
contrário, a luta do novo governo e de seus aliados para ir até o fim e abrir
novo rumo para o país. Tal embate político se aguça na medida em que se define
a conformação dos campos em luta para o pleito de outubro deste ano. Pela
tendência atual, o centro da disputa eleitoral, considerando-se a eleição à
presidência da República, está entre a aliança PSDB/PFL, principal
representação política da recomposição de um consenso conservador para retomar
o Planalto, e a aliança democrática e de esquerda, nucleada por PT, PSB,
PCdoB, liderada por Lula, principal representação política capaz de
estabelecer uma repactuação para sustentar a transição ao novo rumo de
soberania, democracia, progresso social e solidariedade continental.
17 – A possibilidade do surgimento de uma terceira via ou terceiro pólo que
rivalize com os dois principais tendencialmente vai se tornando inviável. O
PMDB que, por sua representação e dimensão poderia se constituir numa terceira
via, não consegue superar seu paradoxo – partido grande com forte expressão
política, mas pelo seu caráter político e orgânico eminentemente federativo,
demonstra ser impotente para se unir e galvanizar uma candidatura presidencial
viável. Os partidos médios ou pequenos, com a vigência da verticalização, por
suas dimensões e limitações de alianças entre si, são incapazes de
constituírem uma terceira viabilidade política expressiva, terminando ao fim e
ao cabo por se aliarem a um dos pólos políticos principais, ou favorecendo na
prática por sua opção política um desses pólos que se encontram no centro da
disputa. Já algumas forças políticas no espectro da esquerda e da
centro-esquerda incorrem no equívoco de adotar uma linha de ataque ao governo
Lula pretendendo construir desde agora uma outra alternativa que não tem base
na realidade e subestima a força da direita.
18 – A representação política conservadora tem como centro estruturante o
PSDB, que indica o candidato presidencial. Esse partido é o autor e condutor
principal do modelo neoliberal brasileiro implantado na década de 1990, cuja
aspiração revelada por um dos seus fundadores é ter a hegemonia do governo
central por 20 anos para sustentar a conversão do Brasil aos preceitos
neoliberais. A vitória de Lula em 2002 clivou a rota dessa direita “moderna”.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ideólogo principal desse padrão de
dominação imperialista imposto ao país, continua como a voz cantante do novo
credo que fundamenta a via moderna da velha concepção de subordinação da
classe dominante brasileira às potências internacionais.
19 – A plataforma montada para o tucano ungido a candidato presidencial,
Geraldo Alckmin, demonstra que a elite da classe dominante brasileira não tem
nenhum projeto original para o país. A não ser a repetição do modelo
recorrente e imposto de fora, que consiste na retomada e continuidade do
projeto de caráter liberalizante e subalterno dos oito anos do governo FHC. Em
verdade, pretendem, primeiro, o retorno ao caminho de neocolonização do
Brasil, da inserção internacional subordinada, “voltada principalmente para os
países ricos”, defendendo o distanciamento do Brasil da “onda
populista-nacionalista” que se espalha pela América do Sul, contra a política
externa “terceiro-mundista” e por maior aproximação dos Estados Unidos,
retomando o projeto da Alca, liquidando com o que resta de soberania do país.
Segundo, a volta da implantação do chamado Estado mínimo, aprofundando o
desmonte do Estado nacional e as privatizações. Este é o lema do candidato
Alckmin, contido numa máxima neoliberal: “menos Estado e mais crescimento”, ou
seja, a forma plena de “ditadura do mercado” que produz mais desigualdade,
mais precariedade do trabalho e mais marginalização social. Na realidade
tucanos, pefelistas e as elites econômicas dominantes e intelectuais,
deslumbrados com o poder financeiro, investem contra a onda patriótica e
progressista que se estende sobre a América Latina taxando-a de “populista”.
Muito ao contrário ela é a resposta incontida de seus povos ao estrago social
provocado pelo projeto liberal e subalterno aplicado nos países do continente
desde a década passada. A resistência a esse projeto abominável tem gerado até
revoltas e insurreições dos povos vizinhos. No Brasil o cortejo da elite
tradicional predominante quer retomá-lo, derrotando o presidente Lula através
do seu braço político tucano e de aparatosa e permanente cruzada de dominação
ideológica, coberta com o manto da “modernidade”, da “ética” e da
“eficiência”.
20 – Diante da elevação da luta de resistência ao hegemonismo do
imperialismo norte-americano e do esforço crescente da busca de alternativa ao
neoliberalismo torna-se necessário que o embate pela recondução de Lula à
presidência tenha maior ousadia política, com base em um novo e amplo pacto
político nucleado pelas forças de esquerda que vise sustentar a transição a um
outro paradigma de desenvolvimento baseado na soberania nacional,
democratização da renda, liberdade política, integração e fortalecimento
político e econômico da América do Sul.
21 – Apesar das decepções de setores políticos e sociais que mantinham uma
expectativa sobreestimada quanto às possibilidades do novo governo eleito em
2002, dos limites objetivos e contradições deste governo, dos erros e
equívocos de ex-dirigentes do PT e das debilidades do campo de alianças
políticas de sustentação ao governo podem ser dados novos e maiores passos
adiante. Antes a experiência de governo nacional era apenas retórica, hoje
pode-se retirar os ensinamentos desse curto período de rica e densa prática
política e de governo, matéria-prima necessária para definição das novas
tarefas.
22 – Para o PCdoB, diante do quadro político partidário plural formado no
país e do nível de complexidade para governar a Federação brasileira são
essenciais as alianças políticas amplas, representativas de extensas bases
sociais para garantir a governabilidade, para alcançar a unidade da maioria da
nação visando à realização dos grandes empreendimentos mudancistas. E, também,
do ponto de vista do Partido Comunista do Brasil, na resultante da
movimentação política atual o presidente Lula ocupa lugar de expressiva
liderança do povo brasileiro e desempenha papel protagonista saliente no
Continente. Para sua recondução a um segundo mandato é preciso a recomposição
de uma frente que reúna partidos de esquerda e do centro no espectro político
nacional. Desse modo, o ensinamento mais importante para o êxito de uma ampla
aliança de governo consiste em uma grande liderança nacional e uma ampla
coalizão de partidos representativos de esquerda e do centro, tendo como
núcleo os primeiros, reunidos em torno de um programa comum e com
responsabilidades de governo. Do ponto de vista do PCdoB, não se pode como na
prática passada aglutinar no “varejo”, sem uma coalizão política de governo
com fisionomia e objetivos determinados. Antes, prevaleceu a aglutinação de
partidos de feição mais conservadora em detrimento da aproximação com o centro
do espectro político brasileiro e da consolidação do núcleo de esquerda da
frente formada para governar. Hoje, é correto o esforço desempenhado para se
recompor uma coalizão de centro-esquerda na qual PT, PSB, PCdoB ocupariam a
função de núcleo, conformando-a principalmente com o PMDB e estendendo a
outros partidos que aceitassem o Programa comum de governo.
23 – O PCdoB tem como orientação política para o grande embate político
eleitoral deste ano lutar pelo avanço das mudanças reelegendo Lula e impedir a
volta da direita ao centro do poder – este é o centro da tática atual dos
comunistas. Para o êxito dessa política básica é preciso que o presidente Lula
ofereça sua candidatura para mais um mandato presidencial, que se concretize
uma coalizão de centro-esquerda nos moldes assinalados acima, se construa um
Programa comum aceito pelo conjunto dos partidos coligados com base em um novo
pacto político e haja apoio das organizações nacionais mais expressivas do
movimento social, com base em sua plataforma autônoma. Salvaguardadas as
diferenças programáticas próprias de cada partido, para o PCdoB, a elaboração
do Programa comum deve: 1) partir das vitórias alcançadas pelo governo Lula,
2) ter como norte afirmar a soberania nacional, responder às aspirações dos
trabalhadores, de setores do empresariado ligados à produção, das camadas
medias, dos movimentos sociais, reacendendo a esperança, 3) consolidar novo
pacto político que sustente a transição ao novo projeto nacional de
desenvolvimento. Portanto, no quadro de relativa estabilidade econômica,
superada em certa medida a vulnerabilidade externa, a sinalização principal de
uma nova plataforma (“Nova Carta”) deve se voltar para atender os elementos e
fatores que contribuam para mais elevado investimento e desenvolvimento,
valorização do trabalho e bem-estar social.
24 – No sentido da sinalização para a construção dessa nova plataforma, o
Partido Comunista do Brasil propõe às outras forças políticas que se aglutinam
em torno da luta pela reeleição de Lula à presidência da República, assim como
aos trabalhadores e ao povo brasileiro, algumas diretrizes fundamentais com as
quais o novo governo poderia se comprometer e se movimentar ao longo de seu
mandato. De forma geral elas já estão assinalados no documento aprovado pelo
11º Congresso do Partido.
1 – Assumir firmes compromissos desenvolvimentistas, avançando para a
construção de novos rumos e alternativas superando o hibridismo econômico e
abrindo um novo ciclo de crescimento mais rápido e robusto que possa se
reverter em benefício dos trabalhadores e da população em geral – promovendo
assim o desenvolvimento humano e o combate às graves desigualdades sociais.
Para tanto é necessário que o plano do novo governo estipule claramente metas
e meios ousados de crescimento, investimento e de geração de empregos. Tais
objetivos transformam em condição absolutamente necessária à sua consecução a
diminuição das taxas de juros reais. Pode-se assim diminuir o peso da dívida
pública e os elevados superávits primários para potencializar o investimento
público, fortalecer o mercado interno e para melhorar as condições para o
investimento privado, nacional e estrangeiro voltados à infra-estrutura, à
produção e ao desenvolvimento do país.
2 – O novo esforço para o desenvolvimento não é contraditório com a
estabilidade econômica e por isto mesmo o novo governo Lula deve procurar
reduzir os encargos financeiros e alongar os prazos de vencimento da dívida
pública; adotar uma política cambial que não prejudique a trajetória
ascendente de superávits comerciais; assim como estabelecer metas de inflação
que não comprometam o desenvolvimento, além de estar atento às manobras
especulativas que possam surgir contra o país. Com os mesmos objetivos é
necessário dedicar maiores recursos às rubricas sociais do gasto público
primário, dando-lhe melhor eficiência, maior transparência e elevando o
controle público.
3 – Metas maiores de crescimento pressupõem o fortalecimento das empresas
estatais e do sistema financeiro público – destacadamente do BNDES – que deve
trabalhar integrado harmonicamente com os mesmos objetivos. Isto é
particularmente importante no caso do Banco Central do Brasil cujo controle
público deve ser reforçado a fim de que ele possa assumir obrigações com o
desenvolvimento e com a geração de empregos. O sentido social do
desenvolvimento deve expressar-se igualmente na democratização do Conselho
Monetário Nacional (CMN).
4 – Avançar no desenvolvimento de uma ativa política industrial e de
inovação, científica e tecnológica que realize o imenso potencial de
desenvolvimento brasileiro com autonomia, fortalecendo os centros de produção
do conhecimento científico e tecnológico.
5 – Continuar caminhando no sentido da afirmação da soberania nacional,
fortalecendo a política externa independente, sobretudo avançando na
consolidação multifacética do bloco sul-americano contra-hegemônico, avançando
nas relações Sul-Sul e com países de interesses assemelhados a fim de
fortalecer a luta contra a hegemonia imperialista, e a luta por um novo
ordenamento político internacional e pacífico.
6 – Ampliar a liberdade política lutando com destaque por uma reforma
política democrática que fortaleça os partidos políticos. A democratização dos
meios de comunicação em suas variadas formas deve ser urgentemente estimulada,
assim como o fortalecimento dos mecanismos de uma participação popular maior
na vida política do país.
7 – Avançar na valorização do trabalho e na distribuição de renda,
preservando os direitos e ampliando as conquistas de melhores condições de
vida e trabalho, recuperando crescentemente o poder de compra do
salário-mínimo (segundo a elevação do PIB nominal e da produtividade do
trabalho), assim como a ampliação do crédito à propriedade familiar.
Desenvolver esforços especiais no sentido de ampliar a geração de mais e
melhores empregos.
8 – Implementar a reforma agrária. Estabelecer metas mais ousadas de
assentamentos, de financiamento e de infra-estrutura vinculados à agricultura
familiar.
9 – Avançar na universalização dos direitos sociais incorporando a demanda
dos movimentos sociais por uma educação pública gratuita e de qualidade, pela
erradicação do analfabetismo; por uma reforma universitária avançada, com
expansão das universidades públicas, controle do ensino privado e ampliação do
acesso ao ensino superior público; pela valorização do SUS como política de
Estado para a saúde e amplo programa de saneamento ambiental; pelo
desenvolvimento de uma política cultural e esportiva de inclusão social, de
valorização e afirmação da identidade nacional; pela afirmação de políticas
públicas que superem preconceitos de raça/etnia, de gênero, de religião e de
orientação sexual; pela viabilização da reforma urbana para ampliar o acesso à
moradia; pela implementação de uma previdência pública solidária e inclusiva,
inserida na seguridade social; pelo fortalecimento da política de preservação
do meio-ambiente e de combate à biopirataria.
25 – Tendo por base essa linha, considerando suas responsabilidades
políticas históricas, bem como a conformação dos campos político-eleitorais, o
PCdoB define seu plano político-eleitoral para 2006 articulando a disputa de
projetos políticos para o país com a conquista de maior representatividade
eleitoral dos comunistas. O primeiro objetivo central do plano eleitoral
partidário é a vitória de Luis Inácio Lula da Silva a um segundo mandato
presidencial, e a conquista de governos estaduais e mandatos no Senado e
Câmara dos Deputados que permitam somar forças para governabilidade do futuro
governo. O projeto partidário tem, assim, essencialmente um caráter nacional,
pondo em primeiro plano essa radicalizada disputa de projetos políticos para a
nação. As alianças, composições e objetivos em cada Estado são condicionados
por essa perspectiva nacional.
26 – No cumprimento desse objetivo, o PCdoB construirá condições para uma
coligação nacional formal entre PCdoB, PT e PSB, tendo por candidato
presidencial Luis Inácio Lula da Silva, assegurados os interesses da
plataforma de avanço no projeto mudancista e do projeto eleitoral partidário,
majoritário e proporcional. Atuará para atrair forças mais amplas de partidos
políticos que componham com esse projeto, particularmente do PMDB, seja do
ponto de vista nacional, seja em cada estado, buscando ampliar palanques
estaduais para a campanha de Lula e demarcar com o campo da(s) candidatura(s)
do projeto neoliberal em cada estado. Realizará alianças, em coligação formal
ou sob a forma de apoio político, com candidatos majoritários estaduais que
componham com essa perspectiva. Em nenhum caso será aprovada coligação com
forças encabeçadas por forças de sustentação da candidatura conservadora
tucano-pefelista.
27 – O discurso político central da campanha dos comunistas será o da
demonstração dos feitos destes 3,5 anos do governo Lula em comparação com os 8
anos de FHC, denunciando a herança maldita de políticas neoliberais que
desconstruiu as bases para o desenvolvimento econômico soberano do país; da
demarcação com o projeto conservador neoliberal encabeçado pelo bloco
conservador PSDB-PFL; e da perspectiva mudancista de um segundo mandato Lula.
28 – A implantação da cláusula de barreira de 5% dos votos à Câmara Federal
como condição necessária para um partido político ter direitos de
representação parlamentar plena é o intento das forças conservadoras para
restringir o pluripartidarismo democrático e barrar o crescimento da força
eleitoral dos comunistas. Trata-se de uma excrescência antidemocrática,
decalque de modelos políticos que não se prestam ao país. Os comunistas
seguirão dando combate a ela e lutarão pela sua revogação. Propugnam na
concertação de forças para a disputa eleitoral, na inclusão do compromisso com
o propósito de uma reforma verdadeiramente democratizante do sistema
político-eleitoral que incorpore inclusive a questão do financiamento público
das campanhas eleitorais. A campanha dos comunistas denunciará essa medida e
apelará ao voto do povo nos candidatos comunistas, visando elevar a
representação de deputados federais, como também de candidatos majoritários ao
governo e senado. Isso, mais a vitória de Lula e o incremento da representação
democrática, progressista e de esquerda serão importantes fatores para remover
esse entulho autoritário de nossa legislação.
29 – O segundo objetivo central do PCdoB é a ampliação da força eleitoral e
representação dos comunistas, priorizando a votação e a eleição de
deputados(as) federais, assegurando o alcance de votação de 2% em no mínimo 9
estados, aproximando-se o mais possível da cláusula de 5%, e também conquistar
condições para disputar cargos majoritários com candidaturas próprias a
governos estaduais e ao senado, além de ampliar a representação dos comunistas
nas Assembléias Legislativas dos estados.
30 – No cumprimento desse segundo objetivo, as coligações proporcionais
serão compostas tendo por base o núcleo nacional PCdoB-PT-PSB, mas
ampliando-as segundo os objetivos eleitorais dos comunistas em cada caso com
partidos do campo de sustentação de Lula em cada estado, assegurada a
perspectiva nacional apontada. Considerando a realidade partidária, a
experiência eleitoral progressiva das eleições de 2004, e tendo em conta a
injunção da cláusula de barreira, o projeto eleitoral do PCdoB combinará com
equilíbrio, segundo um plano nacional:
a. a disputa prioritária de votos e conquista de mandatos para as eleições
de deputados federais, visando elevar a votação e conquista de mandatos de
deputados federais em todos os estados, segundo os interesses do projeto
nacional; mesmo nos estados onde não existam condições objetivas e subjetivas
para a eleição de deputado(a) federal essa perspectiva deve ser assegurada;
b. Reunir condições para a vitória de candidaturas majoritárias do PCdoB a
governos, vice-governos e senado, com equilíbrio e sob decisão nacional, que
sejam expressão da representatividade alcançada por quadros políticos
comunistas, elevando a visibilidade da legenda.
c. Com base nessas assertivas, a Convenção Nacional indica que um plano de
metas eleitorais seja definido progressivamente, sob essa perspectiva
nacional, nas convenções estaduais em curso, para apreciação e referendo do
Comitê Central.
31 – Questão da maior relevância são os caminhos e meios para assegurar
esse objetivo próprio do PCdoB:
a. A capacidade de pôr em movimento coeso e ousado, desde já, a estrutura
militante do PCdoB, que vem se ampliando e consolidando nos últimos anos, como
base para realizar uma campanha avançada de massas superior a todas as
anteriores e para levar decididamente a campanha a vastos setores de
trabalhadores, bem como a setores populares.
b. Assegurar inteiramente a direção da campanha pelas Comissões Políticas e
Comitês Estaduais, capaz de assegurar a prevalência do interesse do projeto
político do conjunto do Partido, segundo a perspectiva nacional em cada
estado, e combater tendências pragmáticas.
c. A indicação de candidatos comprometidos com essa perspectiva partidária
e nacional e com influência de massa nos mais variados setores de atuação
social, em torno dos quais se constituam comitês amplos de candidaturas que
atraiam setores largos ao esforço de campanha.
d. Utilizar corretamente a influência política alcançada pelo PCdoB nos
diversos níveis e espaços institucionais, mobilizando seus titulares para um
papel político avançado junto ao povo, de sustentação a esse projeto
eleitoral, sob direção das instâncias partidárias e potenciar a influência
alcançada no movimento social, politizando sua intervenção decisiva nessa
disputa política e concentrando o trabalho de suas lideranças nesse
enfrentamento eleitoral.
e. Realizar um trabalho de comunicação massivo, por intermédio da campanha
dos candidatos, com plataformas ligando a disputa política nacional ao perfil
das candidaturas e às reivindicações sentidas do povo, pondo em evidência a
legenda do PCdoB.
f. Assegurar recursos para uma campanha massiva e extensa, capaz de chegar
não só a bases partidárias e a setores tradicionais onde o Partido tenha
influência, como também a novos segmentos, expressão da ampliação do prestígio
nacional do PCdoB. O financiamento de campanha no país, inteiramente privado,
tem assegurado forte vantagem às forças conservadoras. Agora, isso está sob
forte injunção dessas forças, de modo hipócrita, já que recusam o
financiamento público exclusivo de campanha. Dada essa situação, muito
modificada com respeito às eleições de 2002, o financiamento da campanha dos
comunistas será feito com base em ampla mobilização e esforço militante junto
ao povo. Ao mesmo tempo, devem se reforçar laços de compromisso com segmentos
interessados em um projeto nacional de desenvolvimento democrático acelerado,
capazes de se comprometer com a sustentação material da campanha dos
comunistas, cuja eleição reforça essa perspectiva. Deve-se dar grande
importância à constituição do setor financeiro da campanha, seja em sua
capacitação e representatividade política, seja em sua capacitação técnica
para assegurar o cumprimento das exigências da prestação de contas nos termos
da lei.
32 – Uma enorme perspectiva se abre perante o povo brasileiro nas eleições
de outubro. A vitória do projeto proposto pelo PCdoB é possível e terá uma
significação de largo alcance para a consecução dos propósitos firmados pelo
Partido em seu 11º Congresso. O PCdoB é beneficiário dos êxitos destes últimos
anos, pois aumentou seu prestígio e autoridade política, incrementou respeito
e presença nos movimentos sociais, reforçou suas relações com amplos setores
sociais e aumentou suas fileiras militantes. Teve papel decisivo no
enfrentamento da crise política instalada no país e esteve isento de qualquer
imputação frente ao denuncismo golpista da oposição. A esquerda brasileira
passou por transformações importantes nos últimos anos, os trabalhadores e o
povo trilharam experiências políticas novas. O PCdoB teve um lado bem definido
nesses enfrentamentos, demonstrou clareza, coragem e lealdade diante das
tentativas ainda em curso de destruir a experiência de um governo advindo das
forças e lutas populares. Trata-se de transformar esses êxitos em força
eleitoral. Estão dadas as condições para alargar a base eleitoral do Partido
em todo o país, com ousadia realista. O maior capital dos candidatos do PCdoB
em cada estado é esse posicionamento nacional. Nessa disputa política maior,
de caráter nacional, os candidatos comunistas jogam um papel mais destacado.
Ao lado disso, a força dos comunistas advém de sua maior presença nas lutas e
movimentos sociais, de sua participação em espaços governamentais, elevando
seu papel e protagonismo político, notadamente entre os trabalhadores e a
juventude do país, cujo voto nos candidatos do PCdoB pode alcançar novos
patamares. É hora, portanto, de não apequenar as perspectivas, lançar-se com
arrojo à luta pelo cumprimento deste projeto.
São Paulo, 12 de Maio de 2006.
O Comitê Central do Partido Comunista do Brasil.