Economia

6 de outubro de 2017 - 16h39

Parente acelera venda de distribuidora da Petrobras, diz jornal inglês


Foto: Agência Petrobras
   
"Temos de estar sempre preparados para que, se o mercado sorrir para nós, possamos ir até lá e dar um beijo nele", disse Parente sobre a preparação para a desestatização da distribuidora, que, segundo o jornal, espera-se que seja “uma das maiores privatizações do país”.

Parente declarou ainda que não pode confirmar as expectativas do mercado de que a oferta pública inicial acontecerá no último trimestre deste ano, nem que o negócio irá avaliar a empresa entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões.

Segundo o executivo, a venda faz parte dos planos para reduzir a dívida da Petrobras. O que ele não mencionou, claro, é que a estratégia de desestatização dos ativos da empresa integra uma estratégia maior, de desmonte do Estado brasileiro.

E, como o próprio ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciou em Nova York, neste momento, os ativos estão baratos. Ou seja, é uma péssima hora para o Brasil se desfazer de seu patrimônio, especialmente se o objetivo é resolver a questão fiscal.

O Financial Times informa em seu texto que o índice de ações de referência do Brasil, Ibovespa, teve alta de 28% ao longo do ano passado. As ações da Petrobras, por sua vez, subiram 16% durante o mesmo período.

Parente comunicou que a Petrobras pretende manter o controle da BR Distribuidora, mas com mais da metade dos diretores independentes. Os diretores escolhidos pelo governo seriam selecionados a partir de uma lista restrita preparada por um headhunter internacional para tentar evitar “compromissos políticos”.

Pensamento colonizado


De acordo com o jornal, analistas receberam bem os planos de vender as ações da BR Distribuidora, mas alertam que os investidores provavelmente descontarão os riscos de os futuros governos tentarem controlar os preços por razões políticas.

Nesta quinta (5), a Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet), publicou texto em seu site criticando o fato de o presidente da Petrobras ter aberto o pregão da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), justamente no dia do aniversário da estatal, na última segunda-feira (2).

“A imagem é emblemática, acontecendo 18 anos depois da mesma solenidade que marcou o lançamento das ADR’s da Petrobras na NYSE. O que une os dois momentos é o pensamento colonizado do mesmo grupo político da ideologia neoliberal, que retornou ao poder para completar o desmonte da Petrobras”.

Em 1999, presidia a empresa Henri Philippe Reischstul, que propôs a mudança do nome para Petrobrax, de forma a facilitar a sua venda. Na época, Parente era o presidente do Conselho de Administração.

“Agora, no comando efetivo da empresa, persegue um agressivo e desnecessário programa de privatizações que condena a Petrobras a ser apenas uma empresa de exploração e produção de petróleo bruto”, diz a Aepet.

Os petroleiros têm denunciado que a venda da BR Distribuidora, especificamente, é descabida, inclusive porque trata-se de um ativo lucrativo. Além disso, a BR Distribuidora tem relevância estratégica para a Petrobras, uma vez que tê-la como subsidiária significa custos mais baixos e a garantia da distribuição para todo o Brasil.

“É importante, enquanto empresa, que a petroleira tenha uma subsidiária que é distribuidora. Porque aí o produto dela tem a garantia de que chegará de Norte a Sul do país. E, quando você é dono da empresa, os custos operacionais são bem mais baixos. Se vende a BR, vai ter que depender de outras distribuidoras e não vai ter os custos mais baratos, como é hoje, tendo sua própria empresa”, avaliou o diretor de Administração e Finanças da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Aldemir Caetano, em uma entrevista antiga ao Vermelho sobre o assunto.

A categoria tem alertado ainda que a distribuidora poderá perder seu caráter social, pois, privatizada, deverá ser orientada exclusivamente para buscar o lucro.




 Do Portal Vermelho

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