Completar o aprimoramento dos
trabalhos
do congresso
Walter Sorrentino*
Os trabalhos do 11º
Congresso se desenvolveram em todo o país, com a
realização de 27 Conferências Estaduais, atingindo quase
70 mil militantes mobilizados e mais de 1400 municípios.
Seus debates tiveram forte inserção na cena política do
país e aumentaram ainda mais a convivência democrática e
a respeitabilidade do Partido perante as forças aliadas.
Múltiplas emendas foram sugeridas pelas conferências aos
projetos de resolução em debate. A Tribuna de Debates
divulgou a contribuição de centenas de artigos da
militância partidária. Ao mesmo tempo, se renovou a
direção de todos esses milhares de municípios e de todos
os Estados. Em praticamente todos os lugares, o PCdoB atraiu
centenas de novas lideranças, vindos do movimento social ou
de outras agremiações, atraídos pelas posições
políticas avançadas do Partido, como tem sido noticiado
pela nossa imprensa.
Pode-se dizer que nessa
caminhada reside o mais intenso e organizado processo de
formação política de quadros do PCdoB. Serão mais de
1000 delegados e delegadas na plenária final do Congresso,
provindos de assembléias de base, conferências distritais
e municipais, e conferências estaduais. Ao aprovarmos as
resoluções do 11º Congresso, teremos alcançado a coesão
que caracteriza o PCdoB e motiva admiração por parte de
todas as forças democráticas. Neste ano, além do aspecto
político, estarão envolvidos temas estratégicos acerca do
Estatuto, o caráter do Partido Comunista, o aggiornamento
de concepções e práticas de Partido, para o tempo
presente.
Trata-se de uma autêntica
demonstração de democracia e modernidade no trabalho
partidário, que este ano conheceu aprimoramentos que
melhoraram o caráter do processo. Em primeiro, porque se
realizaram num tempo concentrado, com foco mais definido nos
grandes temas da orientação política e na renovação da
lei maior do Partido que é o Estatuto. Em segundo, porque
se unificou em norma nacional os procedimentos congressuais,
permitindo maior uniformidade da estruturação do Partido
em todo o país, inclusive no que toca à composição dos
comitês partidários.
A plenária final do
Congresso deverá coroar todo esse esforço. Cumpre
completar aprimoramentos, que permitam em maior grau a
expressão democrática da vontade militante e um processo
consciente e organizado para aprovar as resoluções
congressuais, bem como de eleição do novo Comitê Central.
Algumas medidas novas serão propostas para este Congresso.
O Comitê Central proporá
à plenária do Congresso que aqueles de seus membros que
não tenham sido eleitos(as) delegados(as), passem a ter
direito a voto. Trata-se de uma medida de transição face
ao novo Estatuto em debate, que é justa, já que esses
companheiros e companheiras estiveram à frente do trabalho
de direção partidária nacional nesse período e estão
sujeitos à avaliação nesse Congresso. Dado o seu reduzido
número perante o montante nacional de delegados(as), é uma
medida que será apreciada soberanamente pela plenária do
Congresso, que é instância máxima do Partido.
Outro aprimoramento é dar
a conhecer aos delegados e delegadas, tão logo aprovados
pelo Comitê Central que se reúne dias 8, 9 e 10 de
outubro, as emendas ao Projeto de Resolução Política e ao
Projeto de Estatuto, bem como o conjunto de emendas enviadas
pelas Conferências Estaduais. Do mesmo modo, será
divulgada a proposta de regimento do Congresso, bem como o
balanço do trabalho da direção nacional e as candidaturas
oferecidas pelo atual Comitê Central para o futuro comitê
a ser eleito no Congresso.
Essas medidas favorecem a
transparência e com isso a participação militante. Por
outro lado, elas devem ser complementadas pela atitude dos
delegados e delegadas, preparando-se com antecedência para
as intervenções que farão no Congresso. Nesse sentido,
propõe-se ativamente que cada delegação estude com
antecedência os que farão uso da palavra, com
intervenções por escrito (o tempo de intervenção será
de 7 minutos para o debate dos Projetos de Resolução
Política e Estatuto). Isso significa que quando abrirmos o
Congresso, na quinta feira 20 de outubro, à tarde, já
será instalado o processo de inscrições. Isso busca
evitar o espontaneísmo nas inscrições e intervenções,
dada a complexidade dos temas a serem deliberados.
Inclusive, isso poderá permitir, por parte das
delegações, organizar um painel de intervenções que
permita expor, não só as opiniões pessoais, indicações
das respectivas conferências estaduais.
O resultado de todo esse
processo deverá se manifestar no maior protagonismo
político, fortalecimento e estruturação do PCdoB. A vida
se encarregou de inserir os trabalhos do 11º Congresso num
período de radicalizada luta política de classes no país.
Com os graves acontecimentos em curso no país, a esquerda
brasileira passa por transformações de certo vulto, se
revolve. Novo contingente de lutadores e lutadoras estão
fazendo suas experiências políticas diante desses
acontecimentos. O PCdoB está demonstrando em seu Congresso
ser força política balizadora desses enfrentamentos,
notabilizando-se como força consciente de suas
responsabilidades e mais provada para atrair esse conjunto
de forças. Cumpre nesta reta final levar a termo esse
esforço, com mais de 1000 delegados e delegadas de todo o
país, para as importantes deliberações a serem tomadas.

*Walter Sorrentino, médico, é Secretário Nacional de
Organização do Comitê Central do PCdoB
waltersorrentino@pcdob.org.br
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