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Impulsos e gargalos da vida partidária

por Walter Sorrentino*

A vida partidária vive uma inflação de atividades. Um dia após outro, vimos perseguindo objetivos de fortificar nosso papel e nem sempre percebemos o quanto já percorremos do caminho traçado.

Uma amostra disso está no Portal. Alguém que o acompanha regularmente pode verificar a riqueza e diversidade da atuação do PCdoB. Ali estão presentes os temas políticos e ideológicos da atualidade do Brasil e do mundo. A luta pela mudança e a distinção das propostas do PCdoB vem sendo tratadas com particular atenção. Os temas da construção do PCdoB ganharam novo escopo, com a renovação da página do Partido. Problematizam-se diferentes aspectos da atuação de massas, incluem-se temas da participação institucional, de políticas públicas, da vida cultural, retrata-se o que vai pelos Estados e municípios. Um sem número de endereços eletrônicos complementam essa riqueza, dando acesso às atividades da juventude, das mulheres, da vida sindical, da história do Partido, etc, etc.

É um resultado respeitável. O veterano comunista português, Álvaro Cunhal, falava do Partido de paredes de vidro, em livro bem conhecido. Podemos nós também falar da riqueza e impulso da vida partidária, tornada mais transparente e socializada com o Portal. Só temos a regozijar com isso. O PCdoB vai revelando a parcelas mais amplas sua vocação de partido de intensa vida democrática, multifacética, que se abre para a sociedade.

Nem tudo são flores, todavia. A inflação nos está exigindo novas atitudes, para ser conseqüentes com as potencialidades que se abrem. Com a vitória alcançada, se adensaram as exigências do trabalho de direção, em todas e cada uma das frentes de atuação. Enorme complexidade está envolvida na formulação da orientação política e das conseqüências a extrair para a construção política, ideológica e organizativa do Partido nas novas condições. É o tema da 9a. Conferência.

É notório esse efeito no trabalho da direção nacional. Ela vem procurando agir com conseqüência, refletindo a consciência de que é preciso pôr em outro patamar o trabalho de direção. Cada uma das frentes foi submetida a enorme pressão para estar à altura das novas exigências. A esfera da direção política, dos movimentos sociais, das finanças, comunicação, formação e propaganda, organização, todas estão em curso de procurar atender ao novo impulso da vida partidária. Vai se constituir novo sistema informático nacional, altamente profissional. O Portal, já referido, amplia muito seu papel. A CLASSE vai se tornar quinzenal e a PRINCÍPIOS bimensal. Cursos e seminários estão sendo programados. A atividade de finanças está ganhando maior dimensão política. Está em curso o esforço de constituir nova secretaria nacional, concernente ao trabalho institucional.

O problema é que esse mesmo impulso precisa chegar ao conjunto do Partido, permear mais profundamente sua estrutura. A mesma consciência e conseqüência precisa chegar rapidamente às principais direções intermediárias. São elas as instâncias que podem tornar sistêmico o impulso. Isso é ainda muito desigual pelo Partido afora. Elas vivem muitas vezes ainda a rotina da situação anterior, sob o peso dos mesmos e antigos problemas estruturais. Não se dão conta inteiramente que o novo surge entremeado com o velho, e os antigos problemas precisam ser contextualizados na nova situação. Existe sempre o risco de nos atrasarmos com respeito à profundidade e ritmo que precisamos imprimir em busca do novo patamar se não sanarmos esse gargalo.

Os sinais de limitações estão presentes, e nunca os escondemos, particularmente na concepção e prática do papel das direções. Se inauguramos novo ciclo de acumulação estratégica do Partido, o melhor é encarar o atual momento como fundante de um novo ciclo na vida partidária, renovar composição, métodos e impulsos do trabalho de direção, de modo que elas liderem efetivamente o impulso junto ao coletivo partidário. Sobretudo no nível intermediário, particularmente nos comitês municipais dos maiores municípios, maior conseqüência se exige para captar essa nova dinâmica. Maior pressão das bases nesse sentido precisa ser feita.

O que se precisa compreender é que são muito mais favoráveis as condições para um PCdoB mais forte. É excepcional a situação que vivemos, de prestígio do Partido e de mais ampla interlocução que alcançamos com a sociedade. Quebram-se profundos preconceitos arraigados acerca do PCdoB, e nisso a participação institucional tem ajudado muito. Por isso, não nos bastará seguir com as linhas de acumulação de forças traçadas anteriormente. Esse é o debate pautado no documento da Conferência: novas linhas de acumulação de forças, tendo por base reforçar os espaços próprios do Partido, conferir-lhe marcas políticas próprias e base de massas, ampliar sua base social com prioridade nos trabalhadores. No centro disso estão postos o maior protagonismo do Partido na luta política e social, um papel mais saliente na luta de idéias, justa utilização de nossas crescentes particiapações institucionais e um projeto eleitoral ampliado para 2004, adequando nossa tática eleitoral. Mais nevralgicamente, propõe-se o mergulho do Partido no movimento social.

Fortalecer o papel e estrutura do PCdoB faz parte do reposicionamento tático do Partido perante a situação brasileira. Está em curso então amplo escrutínio sobre essas linhas de acumulação de forças, refletindo o novo ambiente e perspectivas que se abrem para isso. Precisamos construir um consenso acerca delas e pôr em movimento, desde já, as engrenagens práticas que abrem caminho. A chave está no trabalho das direções em todos os níveis.

*Walter Sorrentino, médico, é
Secretário Nacional de Organização do
Comitê Central do PCdoB


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