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Brasil, sexta-feira, 21 de novembro de 2008

09 de março de 2006

 COLUNAS

Disputa eleitoral e estruturação partidária


Walter Sorrentino*

O Partido Comunista do Brasil já acumulou larga experiência eleitoral ao longo destes 28 anos em que teve candidatos, 20 dos quais – desde a legalização do Partido, em 1985 – concorrendo com sua própria legenda.

O Parido desenvolveu particular capacidade de ligar as disputas eleitorais às disputas políticas maiores em curso. E, em geral, cresce quando situa a disputa nesse terreno do debate político de projetos para o país.

Essa é uma das singularidades na participação eleitoral do PCdoB neste ano. Ela se refere a que a esquerda brasileira passou por transformações importantes ao longo do governo Lula, período em que os trabalhadores e o povo fizeram novas experiências políticas. Há assim uma clara percepção de que o PCdoB está bem situado politicamente e seus candidatos devem ser protagonistas avançados do processo de debates em torno de saídas para o maior desenvolvimento democrático do país e sobre a crise política que se verificou em 2005. O PCdoB atuou com lealdade, firmeza e clareza nesse processo; defendeu o capo político do governo Lula e buscou firmar um lugar político próprio, com críticas fundamentadas à política econômica.

O Partido aprimorou também, ao longo dessa experiência, sua visão de ligar à disputa eleitoral à estruturação partidária. Isso se dá, por um lado, apoiando a proposição de seus candidatos nos setores estratégicos onde atua – proletariado, juventude, setores formadores de opinião. Por outro, de avançar em novos segmentos, porque estes últimos anos o Partido teve uma grande expansão em sua atuação política, a partir não apenas dos movimentos sociais, como também da participação em numerosas instâncias institucionais. Essa é outra das singularidades: o Partido cresceu muito na eleição de vereadores em 2004 e tem presença grande em numerosas instâncias de governo, sobretudo na área de esportes, o que pode se refletir numa votação ampliada dos candidatos comunistas na eleição de outubro deste ano.

A terceira singularidade se refere ao momentoso desafio da superação da cláusula de barreira. Isso deve imprimir à campanha eleitoral do PCdoB um forte conteúdo de denúncia e apelo democrático à sociedade, e centrar a disputa na eleição e votação para deputados e deputadas federais. O Partido vai buscar avançar o máximo possível na votação proporcional e na eleição efetiva de deputados federais. Ao mesmo tempo, vai buscar o equilíbrio na apresentação de nomes para as disputas majoritárias – governos, vices e senadores. Ou seja, de certo modo, o PCdoB vai encarar a eleição deste ano como uma espécie de avanço na transição em sua estratégia eleitoral, de modo a sinalizar o Partido como uma alternativa política efetiva, e que possibilite a retomada de uma reforma política verdadeiramente democrática para o país.

Toda eleição tem componentes permanentes e de certo modo já dominados pelos comunistas. Mas, ao mesmo tempo, cada uma delas encerra singularidades concretas.As eleições de outubro, pela disputa política de projetos que envolve e pelos desafios colocados quanto à odiosa prevalência da cláusula de barreira, terão sentido estratégico para os comunistas, nada rotineiros. Para isso, o 6º Plano de Estruturação Partidária do PCdoB centra seu horizonte em outubro e seu foco em duas questões centrais: mobilizar o Partido para a batalha política eleitoral, e aprimorar a intervenção política de massas neste primeiro semestre, articulando ambas as questões para um desempenho avançado do PCdoB.

É, sem dúvida, no cumprimento destes propósitos que o Partido pode ser vitorioso. Os instrumentos decisivos para isso são a realização de convenções eleitorais em todo o país, bem como a implantação da Carteira Nacional de Militante, que possibilitarão mobilizar o Partido desde a base, coesionando-o em torno dessas diretrizes e objetivos centrais.
 


*Walter Sorrentino, médico, é Secretário Nacional de Organização do Comitê Central do PCdoB

waltersorrentino@pcdob.org.br

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