Disputa eleitoral e
estruturação partidária
Walter Sorrentino*
O Partido Comunista do Brasil já acumulou
larga experiência eleitoral ao longo destes 28 anos em que
teve candidatos, 20 dos quais – desde a legalização do
Partido, em 1985 – concorrendo com sua própria legenda.
O Parido desenvolveu particular capacidade
de ligar as disputas eleitorais às disputas políticas
maiores em curso. E, em geral, cresce quando situa a disputa
nesse terreno do debate político de projetos para o país.
Essa é uma das singularidades na
participação eleitoral do PCdoB neste ano. Ela se refere a
que a esquerda brasileira passou por transformações
importantes ao longo do governo Lula, período em que os
trabalhadores e o povo fizeram novas experiências políticas.
Há assim uma clara percepção de que o PCdoB está bem situado
politicamente e seus candidatos devem ser protagonistas
avançados do processo de debates em torno de saídas para o
maior desenvolvimento democrático do país e sobre a crise
política que se verificou em 2005. O PCdoB atuou com
lealdade, firmeza e clareza nesse processo; defendeu o capo
político do governo Lula e buscou firmar um lugar político
próprio, com críticas fundamentadas à política econômica.
O Partido aprimorou também, ao longo dessa
experiência, sua visão de ligar à disputa eleitoral à
estruturação partidária. Isso se dá, por um lado, apoiando a
proposição de seus candidatos nos setores estratégicos onde
atua – proletariado, juventude, setores formadores de
opinião. Por outro, de avançar em novos segmentos, porque
estes últimos anos o Partido teve uma grande expansão em sua
atuação política, a partir não apenas dos movimentos
sociais, como também da participação em numerosas instâncias
institucionais. Essa é outra das singularidades: o Partido
cresceu muito na eleição de vereadores em 2004 e tem
presença grande em numerosas instâncias de governo,
sobretudo na área de esportes, o que pode se refletir numa
votação ampliada dos candidatos comunistas na eleição de
outubro deste ano.
A terceira singularidade se refere ao
momentoso desafio da superação da cláusula de barreira. Isso
deve imprimir à campanha eleitoral do PCdoB um forte
conteúdo de denúncia e apelo democrático à sociedade, e
centrar a disputa na eleição e votação para deputados e
deputadas federais. O Partido vai buscar avançar o máximo
possível na votação proporcional e na eleição efetiva de
deputados federais. Ao mesmo tempo, vai buscar o equilíbrio
na apresentação de nomes para as disputas majoritárias –
governos, vices e senadores. Ou seja, de certo modo, o PCdoB
vai encarar a eleição deste ano como uma espécie de avanço
na transição em sua estratégia eleitoral, de modo a
sinalizar o Partido como uma alternativa política efetiva, e
que possibilite a retomada de uma reforma política
verdadeiramente democrática para o país.
Toda eleição tem componentes permanentes e
de certo modo já dominados pelos comunistas. Mas, ao mesmo
tempo, cada uma delas encerra singularidades concretas.As
eleições de outubro, pela disputa política de projetos que
envolve e pelos desafios colocados quanto à odiosa
prevalência da cláusula de barreira, terão sentido
estratégico para os comunistas, nada rotineiros. Para isso,
o 6º Plano de Estruturação Partidária do PCdoB centra seu
horizonte em outubro e seu foco em duas questões centrais:
mobilizar o Partido para a batalha política eleitoral, e
aprimorar a intervenção política de massas neste primeiro
semestre, articulando ambas as questões para um desempenho
avançado do PCdoB.
É, sem dúvida, no cumprimento destes
propósitos que o Partido pode ser vitorioso. Os instrumentos
decisivos para isso são a realização de convenções
eleitorais em todo o país, bem como a implantação da
Carteira Nacional de Militante, que possibilitarão mobilizar
o Partido desde a base, coesionando-o em torno dessas
diretrizes e objetivos centrais.

*Walter Sorrentino, médico, é Secretário Nacional de
Organização do Comitê Central do PCdoB
waltersorrentino@pcdob.org.br
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