O tema Partido na 9ª Conferência Nacional
por Walter Sorrentino*
A 9a. Conferência abarca o tema Partido,
tendo por eixo central seu fortalecimento e maior
protagonismo nas novas condições do país. Mais
precisamente, esse fortalecimento é compreendido como parte
integrante da luta atual entre continuidade e mudança, isto
é, pela superação do projeto neoliberal no Brasil. O
enfoque proposto constitui, portanto, um todo orgânico com
a parte política do documento, não são partes
separáveis. Essa sistemática foi reafirmada nas duas
reuniões do Comitê Central após a vitória eleitoral: em
ambas buscamos tirar conseqüências de fundo provindas da
nova realidade política para a vida do Partido.
O Partido precisa crescer, se fortalecer,
ganhar musculatura. Vivemos um momento extraordinário para
isso - somos parte das forças que sustentam a luta pelo
novo rumo, integrantes do governo central. Nunca vivemos uma
situação desse tipo, nunca foram tão favoráveis as
condições para a expansão partidária. Nossa embarcação
está em alto mar, precisa ganhar maior calado.
O documento propõe ao debate novas linhas
de acumulação de forças para impulsionar a construção e
estruturação partidária. Essas linhas têm por base
reforçar os espaços próprios do partido, conferir-lhe
marcas distintivas, ampliar sua base social com prioridade
nos trabalhadores. No centro nevrálgico das condições de
impulso está o vetor político, ou seja, a exigência de
uma acertada orientação política para a atual fase, que
está em debate na própria Conferência - lutar pelo êxito
do governo Lula na condução das mudanças que o país
reclama. Indica-se a necessidade de maior protagonismo do
Partido na luta política e social; a importância de jogar
um papel mais saliente na luta de idéias; a justa
utilização de nossas crescentes participações
institucionais e o desenvolvimento de um projeto eleitoral
ampliado, adequando nossa tática eleitoral.
Todos esses são vetores nos quais se
apoia o impulso renovado de crescimento e maior
estruturação do partido. Porém a ênfase principal é
dada no mergulho dos comunistas no movimento social e na
realidade profunda de vida do povo. Em torno dessa
indicação se desenvolve toda uma discussão de caráter
político e ideológico, crítico e autocrítico, para
coloca-la no centro das nossas atenções. O povo brasileiro
deu mostras de maturidade e elevação de sua consciência
política; é grande a esperança de mudança e as
interrogações sobre os obstáculos a superar; aumenta a
vontade de participação na vida nacional. Por isso tudo,
os comunistas precisam ser campeões na ligação com o
povo, suas lutas e aspirações; alargar sua interlocução
com a sociedade; desenvolver mais ação de massas, mais
campanhas próprias junto aos trabalhadores. Enfim, o
mergulho na vida social dos trabalhadores e do povo é o
principal esteio da acumulação de forças, inclusive de
seu incremento eleitoral e militante.
Dizemos, por isso, que iniciamos um novo
ciclo de acumulação estratégica de forças do PCdoB. O
anterior adveio com a legalidade, alcançada em 1985, e
sabemos o quanto ele nos exigiu um esforço prolongado para
colocar a estruturação partidária em outro patamar.
Agora, temos como empreender impulso mais profundo e
avançado. O documento trata, portanto, dos temas da
construção política, ideológica e organizativa do
partido nesta fase, que nos permitam superar certa
estagnação, já debatida em nossos Congressos, quanto às
linhas de desenvolvimento da estruturação partidária.
Para isso é necessário também completar o esforço do 8o,
9o e 10o congressos, no sentido de atualizar nossas
concepções de partido revolucionário contemporâneo,
enfrentando o tema no âmbito da realidade e consciência
atuais, nos marcos dos desafios colocados pela realidade
brasileira e mundial.
Quatro ordens de questões são
polemizadas no documento. A primeira invoca a questão de
pôr como objeto da acumulação de forças a construção
da hegemonia política e ideológica do Partido, recuperando
essa rica categoria leninista em nossas formulações. É
antídoto ao pragmatismo e imediatismo na construção
partidária. A segunda, disso decorrente, é a de definir
com maior acuidade o projeto político próprio do Partido,
referência para a acumulação de forças, visibilidade e
independência. A terceira é a do aprofundamento dos laços
com os movimentos sociais, repondo a compreensão da
relação espontaneidade-consciência no movimento
transformador, em diálogo crítico com o espontaneísmo e
confronto com a estratégia política dos movimentos. É
antídoto ao burocratismo e crescente institucionalização
da luta política no país. A quarta, é assimilar uma
concepção organizativa de um PC de massas, essencial para
o partido incorporar em suas fileiras novos e extensos
contingentes militantes. Com base em nossa experiência
real, se problematizam uma série de questões sobre perfil
e caráter de militância, perfil e caráter das
organizações partidárias, vida dos comitês e aspectos
cruciais de política para quadros.
Toda essa discussão repõe a centralidade
da questão Partido, um dos fatores estratégicos
definidores da atual luta de classes. O documento reafirma
essa centralidade, combate estigmas que se construíram
sobre os comunistas, busca adaptar tal polêmica aos tempos
e exigências do presente. Quanto mais madura se faz a
indagação de um caminho próprio para a transformação
social em nosso país, tanto mais deve maturar a resposta
sobre a adequação do Partido. Se a hora é de fato de
resssurgimento da consciência crítica no Brasil e no
mundo, ainda que nos marcos de uma situação de defensiva
estratégica, vai se abrindo novo tempo de lutas que precisa
ter no PCdoB um papel verdadeiramente avançado e de
vanguarda na luta pelo socialismo.
*Walter
Sorrentino, médico, é
Secretário Nacional de Organização do
Comitê Central do PCdoB
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