Tarefas do Partido na última etapa do IV PEP
por Walter Sorrentino*
Acerca da segunda etapa do IV Plano Bienal
de Estruturação Partidária, o entendimento geral - que se
mostrou correto - é que seu desenvolvimento dependeria
muito dos rumos políticos do país e do próprio Partido,
ditados pelo resultado do processo eleitoral: vitória ou
derrota, seja da Frente antineoliberal, seja do projeto
eleitoral do PCdoB. Isso condicionaria de maneira profunda a
evolução da nossa construção partidária. Felizmente,
para o país e para o nosso Partido, estamos discutindo a
nova etapa da construção partidária em meio à maior
vitória das forças populares na história republicana. A
reunião do CC de novembro do ano passado lançou as bases
de reflexão para o novo impulso partidário que se abre.
A 9ª Conferência Nacional a ser
convocada pelo CC enfeixa esse debate e desafio. Sua
realização exitosa será sem dúvidas a marca principal e
substantiva da segunda etapa do PEP, o ponto central do
sucesso dela. Ao mesmo tempo, com sua realização se
encerrará o IV PEP, após o que daremos um balanço dessa
experiência e projetaremos novos planos em ligação com as
Conferências Ordinárias.
É fundamental mobilizarmos as forças
partidárias desde a base, num amplo debate que alcance
também as correntes avançadas, e cumprirmos ativo programa
de ação neste período, unificando a militância em torno
delas. Portanto, a Conferência não é um fim em si mesmo,
mas instrumento para um maior papel do PCdoB e para seu
crescimento neste período concreto. Desde já deve ficar
bem claro que para termos sucesso no enfrentamento das
tarefas advindas do novo quadro político, é fundamental
que o Partido cresça em ritmo acelerado, que lhe permita
colocar-se à frente das principais lutas e movimentos
sociais, de modo a exercer o papel de pólo aglutinador de
pensamentos e ações avançadas que conduzam o país para
um novo rumo. Esse é o propósito central deste período.
Intensificar a presença do Partido nas
lutas políticas e sociais
O aspecto central é a necessidade
imperiosa de pôr o Partido em movimento. O Partido precisa
se pôr em ação permanente, pela base, buscando ser um
fomentador das lutas estimulando, instigando, dirigindo,
participando e apoiando-as. Não pode haver local em que a
luta surja sem que haja a participação do Partido. Os
comitês municipais precisam ter mais vida política
concreta, se envolver mais na busca de soluções dos
problemas do povo, procurando contribuir através dessas
participações para elevação do grau de consciência das
massas.
Um outro aspecto, que tem
interdependência com esse, é o necessário crescimento. O
Partido precisa crescer mais e rapidamente. O crescimento do
Partido é condição indispensável para que atinjamos
nosso objetivo. É preciso reafirmar que, para além do
crescimento da nossa influência e ligação com as massas,
é preciso crescer organicamente, filiar de maneira
expansiva, formar novos e numerosos quadros para todas as
frentes de inserção partidária. O crescimento de um
Partido, particularmente o nosso, não se dá de maneira
espontânea, voluntarista. É preciso planejar,
movimentar-se, persistir na busca desse crescimento. O PCdoB
precisa readquirir a motivação para crescer, se animar,
definir metas, qualificar esse crescimento. O momento é
propicio para isso. A participação popular aumenta na vida
política do país e nós devemos "aproveitar" no
sentido de mostrar o Partido para o Povo, dar visibilidade a
nossa sigla, as nossas propostas e as nossas lideranças.
Esse é um dos sentidos primordiais da elaboração do Plano
de Estruturação Partidária. Mantemos a perspectiva de que
precisamos continuar a nos concentrar organizadamente na
consolidação dos principais comitês municipais nos
maiores Estados do país.
A chave para este salto no crescimento
partidário tem nome: mergulhar no movimento social e de
massas. Aos dirigentes e militantes comunistas compete, de
maneira qualificada, repensar práticas e bandeiras de luta
para as entidades e movimentos que dirigem. Ao mesmo tempo,
devemos estreitar ao máximo os laços com os diversos
movimentos populares em curso bem como buscar criá-los onde
houver possibilidade. A participação em movimentos e
entidades populares, bem como participação em campanhas
próprias de massa, sempre foi uma marca central na
trajetória do nosso Partido nestes 81 anos de vida.
Entidades, movimentos e campanhas que sirvam para ajudar o
povo a se organizar para conquistar seus objetivos mais
elevados, bem como para fortalecer o nosso pensamento junto
às amplas massas.
Em síntese, é preciso pôr o Partido em
movimento! É preciso saber aproveitar ao máximo os novos
espaços abertos no país pelo avanço da esquerda,
conjugando de maneira adequada a nossa presença nos
governos - federal, estadual e municipal - com o
fortalecimento das ações de massa. A conjugação desses
elementos deve nortear de maneira decidida as principais
ações a serem compostas nesta segunda etapa do IV PEP e
impulsionar o crescimento imediato das fileiras
partidárias.
Vai se configurando um raciocínio de que
enfrentamos em várias esferas partidárias fortes sinais de
burocratismo e espontaneísmo, que dificultam sobremaneira
as nossas participações nas lutas e emperram nosso
crescimento. Enfrentar esses problemas e ultrapassar
concepções atrasadas sobre a construção partidária é
fundamental num momento que está exigindo do PCdoB buscar
de maneira efetiva construir a hegemonia política. Neste
processo devemos preparar ajustes no trabalho de direção a
serem consolidados na Conferência de 2003, adaptando as
direções às exigências ampliadas que se apresentam.
O IV PEP e suas perspectivas
O IV PEP nasceu com duas grandes novidades
em comparação com os anteriores. Ambas com a preocupação
de superar debilidades importantes, constatadas ao longo da
avaliação da aplicação dos planos. A primeira diz
respeito à combinação do período de aplicação do Plano
com o mandato dos Comitês Estaduais. A bienalidade facilita
o seu controle e execução, pois termina sendo um programa
de trabalho da direção eleita, o que faz com que todo o
coletivo dirigente assuma a responsabilidade de aplicação
do plano, contribuindo fortemente para diminuir sua
compartimentação. Isso diz respeito também ao caráter
coletivo de sua elaboração. Durante as elaborações dos
planos anteriores constatou-se que uma das dificuldades para
envolver o coletivo residia no fato de que ela ocorria de
cima pra baixo, ou seja, o Comitê Central debatia,
deliberava e definia metas para o conjunto do Partido e por
sua vez os Comitês Estaduais faziam o mesmo, o que a certa
altura gerava um descomprometimento dos comitês municipais
e terminava ocasionando métodos administrativos de controle
e cobranças por parte do CC. Portanto o Plano debatido
amplamente com o coletivo de baixo pra cima foi uma
importante alteração no conteúdo da elaboração
permitindo uma forma mais coletiva de definições de metas
mais ajustadas à realidade local.
A outra grande novidade, que diferencia o
IV PEP dos três anteriores, foi a sua abrangência em
termos das secretarias internas envolvidas do próprio CC.
Isso significou a inclusão das secretarias das áreas de
massa do Partido, como sindical, movimentos populares e
juventude, todas elas amplamente envolvidas no IV Plano, com
seus capítulos específicos com metas e objetivos a serem
alcançados.
Desde final de outubro de 2002, a CNO vem
lançando mão de experiências de um novo modelo de
planejamento estratégico, denominado de
"situacional", cuja sigla é PES. Num processo que
envolveu diversas reuniões internas da CNO e todas as
comissões internas do CC, foi feita uma tentativa de darmos
um balanço do que foi a elaboração do IV Plano, sua
execução na primeira etapa, seu balanço, seus objetivos,
eixos e metas. Apresentamos em anexo os resultados desse
trabalho.
A própria elaboração do IV Plano, ainda
que tenha sido melhor que os anteriores deixou a desejar na
medida que este não conseguiu ter uma formatação mais
uniforme, fazendo com que as secretarias tivessem
entendimento diferenciado sobre como concebe-lo. Isso se
verificou na apresentação de metas e objetivos, em alguns
casos, até descabidos e fora da realidade. Deixamos de
fixar parâmetros de avaliação das metas propostas. O IV
PEP acabou sendo uma somatória de vários planos das
secretarias, que nem sempre se interconectavam.
A CNO, como gestora do PEP, apresentou
dificuldades no controle e gerenciamento do mesmo, seja por
deficiências de recursos humanos, seja por dificuldades de
controle da vida partidária, das suas ações em âmbito
nacional e estadual. Ocorreram dificuldades de ordem
financeiras, na medida que o Plano ocorreu com a
circunstância da maior campanha eleitoral de nossa
história.
No entanto, apesar desses problemas, vai
se consolidando dentro do Partido a idéia da realização
de planos estaduais, estes, como se disse, sendo
apresentados como uma espécie de plano de trabalho de uma
gestão de direção eleita pelo coletivo, como irá ocorrer
este ano a partir de julho, com os processos ordinários de
conferências municipais e estaduais.
Na seqüência de nossas ações de
planejamento, o CC deve apreciar, após a Conferência
Nacional a oportunidade e as diretrizes para a elaboração
de um V PEP, nos termos do debate proposto no documento base
da 9ª Conferência.
Orientações para a 2ª etapa
Em síntese, sugerimos as seguintes
orientações para a 2ª etapa do IV PEP:
1. Devemos retomar e acelerar os planos
formulados no IV PEP em cada Estado, agora em uma conjuntura
política mais favorável;
2. Para a etapa imediata, em curso, a centralidade está no
maior protagonismo na luta política e social, visando
essencialmente o crescimento intenso das fileiras militantes
do PCdoB e perseguindo a consolidação dos comitês nos
maiores municípios do país;
3. O vetor político deve ser o centro da aplicação do PEP
nesta etapa. Ele se materializa essencialmente no esforço
de elaboração e aplicação da nova orientação do
Partido na luta pelo êxito do governo Lula na condução
das mudanças que o País reclama;
4. O centro da atual etapa, cumprindo o final do IV PEP, é
a realização exitosa da 9ª Conferência Nacional,
envolvendo o conjunto da militância na definição dos
rumos do Partido. No curso de seus debates, devemos dar um
balanço crítico nos desempenhos desses planos ao longo dos
últimos cinco anos e decidir as bases, oportunidades e
formas que pode assumir um novo Plano, a ser formulado no
âmbito das Conferências Ordinárias Estaduais deste ano;
5. Devemos considerar como marcos da atuação do Partido no
período, além da realização da 9ª Conferência
Nacional, as campanhas pela Paz, pela Redução da Jornada
de Trabalho, a construção do Fórum dos Trabalhadores e a
participação nos congressos da UNE e da CUT. Em torno
desses marcos deve-se fixar as metas a serem perseguidas em
cada Estado.
Cabe à esfera da direção nacional
impulsionar a nova potencialidade que se abre para o seu
desenvolvimento. É na sua capacidade realizadora que se
centra o principal do novo estirão a perseguir na atividade
partidária. São projetos nacionais neste período:
estruturar a escola nacional, lançar o papel do IMG como
instrumento de luta de idéias, dar novo impulso ao Portal e
relançar A Classe Operária quinzenal, organizar campanha
pela sede própria nacional, realizar pesquisa nacional
sobre o Partido, instituir novo sistema informatizado
nacional que permita o recadastramento geral da militância;
e modernizar o gerenciamento partidário, instituindo
técnicas de planejamento estratégico.
São Paulo, 21 de março de 2003.
*Walter
Sorrentino
Secretário Nacional de Organização do
Comitê Central do PCdoB
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