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O PARTIDO VIVO

Estruturação e ação política de massas

Walter Sorrentino*

Na última coluna falamos de campanha eleitoral e sua relação com o crescimento partidário. Há outro aspecto nodal da mesma questão política: vincular a estruturação partidária à ação política de massas. Aliás, é a novidade introduzida no IV PEP.

Somos um Partido de ação política de massas, aí abarcada a luta eleitoral, institucional e de massas propriamente ditas. Em tempos de refluxo, como na década de 90, compreende-se o predomínio da luta institucional – mobilizações são mais possíveis nas eleições de entidades, ou mesmo as eleições parlamentares, de executivos locais, etc. É uma espécie de adaptação à correlação de forças. Mas a conjuntura está se modificando paulatinamente.

A crise neoliberal e o emergir de uma consciência crítica mundial, manifestada nos fóruns anti-globalização, bem como em algum grau de retomada da luta popular, exigem flexões claras. Na América Latina, nos últimos anos, isso ficou evidenciado, muito embora ao mesmo tempo se manifestou a falta de uma direção orgânica para o movimento de protesto. Na Itália, manifestações de milhões em defesa do trabalho, inclusive uma greve geral, falam do mesmo sentido. Mesmo na França, surpreendida pelo ascenso eleitoral da extrema direita, o povo soube mobilizar suas reservas de energias republicanas para dar uma resposta contundente ao fato. O caráter dos embates por dar uma saída avançada para a encruzilhada estrutural do país aponta no mesmo sentido de exigências: o movimento de massas foi decisivo para a redemocratização, sofreu um refluxo com a década perdida neoliberal, e precisa ser retomado enquanto um poderoso movimento cívico mudancista.

É o novo que vai surgindo pouco a pouco, sem ainda uma definição mais demarcada, sem ainda inverter a correlação de forças estrategicamente desfavorável do mundo hoje, mas que significam um degelo da situação anterior. Permite-se mesmo pensar na possibilidade de abordar um caminho mudancista num país com as dimensões do Brasil, por intermédio de vitória eleitoral, que se inscreve nas possibilidades concretas de hoje.

Retoma-se numa situação desse tipo a exigência de conectar a luta institucional com a ação política de massas, unificar não apenas a política geral mas a própria ação política realizada pelo partido. Bradar contra a institucionalização e os pecados que geralmente a acompanham na vida de um partido revolucionário, será brado impotente se não for enfocado no contexto concreto dessas modificações das possibilidades da luta e das criteriosas flexões que nos exige.

A questão da ação política de massas é uma questão central da nossa tática, e como tal precisa ser levada à esfera da direção política e geral do partido, romper com a compartimentação a que estão submetidas as diversas frentes. Ademais, exige-se atitude pedagógica dos dirigentes, investigar e elaborar linhas politizadoras e de massa para o trabalho militante, com a mesma tenacidade e sagacidade que marcam nosso pensamento político.

Ao mesmo tempo – e isso foi muito marcado no debate do IV PEP - precisamos conectar a presença na luta de massas com o esforço de estruturação partidária. Porque afinal, mesmo nas difíceis condições em que atuamos nos anos 90, o militante comunista esteve sempre ao lado do povo, vivendo suas lutas e agruras, esforçando-se em manter ativas as entidades como sindicatos, associações de moradores, juvenis, femininas, anti-racistas, e outras. A questão é a de infundir a cada uma das lutas de que participamos uma perspectiva política e ligada ao projeto político do partido. Isso, entre outros procedimentos que elevem a consciência do povo, inscreve como nossa obrigação militante construir o partido no seio das lutas travadas.

A questão se relaciona com outra de fundo, também presente em nossas reflexões congressuais. É o da frente ampla da frente ampla necessária à derrota das forças neo-liberais, que exige um sagaz processo de unidade e luta, destinado à construção da hegemonia de forças avançadas no processo da própria luta. Esse sempre foi problema complexo, resolvido na base da política mais justa e da capacidade de pôr em movimento forças de massa. Aí entra a questão: intensificar hoje a presença de massa do partido, disputar ativamente a base social que apóia a ruptura com a política neoliberal é irrecusável e tem, na ação política de massas, aspecto que não é secundário. Se falamos conseqüentemente em amplo movimento cívico mudancista, não devemos perder de vista um instante a questão de dar-lhe sólidas e profundas bases de apoio de massa.

O IV PEP pôs em questão esses elementos. Toma corpo a noção de que o Partido precisa demarcar mais sua identidade por intermédio de campanhas políticas próprias de massa. É nossa rica tradição com a luta contra o nazifascismo e pela Força Expedicionária Brasileira, a Campanha O Petróleo é nosso, as jornadas de luta contra a carestia, para não dizer do Araguaia e do impeachment. Hoje algumas bandeiras podem ser centrais a esse esforço, como a campanha contra a ALCA e pela redução da jornada de trabalho. Sem negar a amplitude em torno dessas bandeiras - marca “genética” de nossa identidade -, campanhas políticas próprias são instrumentos e meios para alcançar amplas massas e vincar identidade política e de massa para o partido.

Está aí um bom mote para as entidades sob nossa direção política, como UJS, CSC, UBM e UNEGRO: orientá-las para o esforço da batalha eleitoral em ligação com suas próprias bandeiras permanentes, e ligar tudo isso ao fortalecimento do partido com novos lutadores, provindos da luta concreta, no seio das batalhas concretas.

Enfim, como nosso tema recorrente é fortalecimento e estruturação do partido, mais uma vez se demonstra que esse é um processo eminentemente político, a par de seus aspectos ideológicos e organizativos. Ligar o atual esforço de estruturação a uma maior presença na luta de massas é o modo de cumprir nosso papel, reafirmar a sadia radicalidade do partido, dar-lhe mais visibilidade e identidade própria para constituir uma maior base e influência de massa.

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NÃO DEIXE DE LER:
O PCdoB-SP realizou, no curso dos debates do 10º Congresso,
importantes debates coletivos acerca do tema da coluna de hoje. Ficaram registrados
nos documentos da Conferência Estadual, e também em documentos do Encontro
Estadual realizado em março deste ano. Procure conhecê-los, entrando em contato
com o Secretariado do PCdoB-SP.
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Digressão...

A coluna rende seu preito de homenagem à memória do bravo guerreiro JOÃO AMAZONAS. Foi-se com a serenidade dos que cumpriram sua missão. Os que ficamos, os comunistas de seu partido, educados por ele, seguiremos em frente com sua obra. Essencialmente, construir o PCdoB, pelo qual ele deu o melhor de sua energia ao longo de 67 anos. Que sua memória se perenize nesse esforço cotidiano de cada um de nossos militantes!

*Walter Sorrentino, médico, membro da Comissão Política Nacional e Secretário Nacional de Organização

 
e-eletrônico: waltersorrentino@pcdob.org.br

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