| Estruturação
Partidária 2
Walter Sorrentino*
Foram centrais nos debates do 10o
Congresso, referentes às questões de Partido, 4 temas: 1)
a questão da unidade e luta no interior da frente única,
2) a necessidade de intensificar a ação política de
massas do Partido, 3) a maior atenção ao trabalho junto ao
proletariado, e 4) maior investimento no trabalho
teórico-ideológico do partido junto a suas fileiras e à
sociedade. São questões inter-relacionadas e dizem
respeito aos elos centrais da cadeia destinada a fortalecer
o PCdoB e à construção de uma hegemonia avançada para o
rumo da luta atual contra o neoliberalismo. Vai se formando
um novo consenso em torno delas no Partido. Sua exigência
nasce da nova situação que vai se gestando paulatinamente:
não obstante a manutenção de um quadro ainda marcado pela
defensiva, manifestam-se elementos crescentes de
consciência crítica, reanima-se relativamente o movimento
de massas, cria-se um degelo na luta de resistência
derivada da visível falência do projeto neoliberal.
Exige-se reposicionamentos no tocante ao papel do Partido.
O IV Plano de Estruturação Partidária
aprovado pelo CC leva em conta essa situação. Na coluna
anterior falamos do processo de estruturação partidária
visando superar defasagens na construção partidária.
Após 3 exitosos PEPs, onde nos encontramos? O 10o Congresso
deu um balanço profundo da situação partidária e indicou
um projeto político para o Partido. Quero destacar em
particular que o IV PEP tem três noções centrais: novas
abrangências, nova cronologia e concretude política. E,
fruto dos avanços exigidos, define de forma nova os alvos
centrais do esforço.
Nova abrangência deriva da noção de que
precisamos estruturar melhor o partido para que ele cumpra
sua atividade-fim. Indispensável hoje fortalecer a ação
política de massas do partido e o trabalho junto ao
proletariado. Portanto, ao lado das metas de
Militar-Estudar-Divulgar-Contribuir, vamos incorporar as
frentes de massa e planificar nelas nossa intervenção.
Trata-se de entrelaçar a presença permanente do militante
partidário na luta dos movimentos populares e sociais com a
luta pelo projeto político do partido - inclusive eleitoral
- e ligar ambas à estruturação partidária. Vamos
conectar esses esforços. O passo essencial é compreender a
ação política de massas do partido como parte destacada
da tática e trazê-la à esfera da direção política e
geral do partido. Faz falta o que no passado nos
caracterizava: investir tempo e pedagogia na investigação
das condições do movimento de massas, desenvolver suas
bandeiras e descortinar formas de luta adequadas. Isso vai
ligado à idéia de que o partido precisa desenvolver mais
campanhas políticas com sua própria identidade, para
vincar sua marca de luta perante os trabalhadores e o povo.
Nova cronologia porque aprovamos que o
Plano tem duração de 2 anos e se relaciona com o período
de mandato das direções estaduais eleitas. Portanto,
corresponde a um programa de trabalho dessas direções. E
exigirá dividi-lo em etapas e fases distintas, segundo as
batalhas políticas e distintas características do
período. São questões que levam a maior complexidade da
planificação. O partido é um mosaico muito variado em
graus de estruturação e um plano precisa fazer o recorte
apropriado a cada situação partidária, a cada frente de
atuação e seu acúmulo específico.
Concretude, no sentido de que estruturamos
o partido para as batalhas políticas e no fogo dessas
batalhas. Planos que valessem para ontem, hoje ou amanhã, o
mesmo em São Paulo que em Tocantins, poderiam até ser
belos como proclamação de intenções, mas teriam pouca
serventia prática. Pôr a política no comando - essa a
questão chave! Em síntese: o projeto político comandando
a estruturação como abordagem do que é permanente na
construção partidária.
Isso não nos faz perder de vista rumos,
diretrizes e metas que são nacionais, particularmente o
alvo central do PEP, que é consolidar os comitês
municipais nas maiores cidades do país. Por isso, o IV PEP
propõe levar o centro de gravidade da execução do plano a
esses comitês municipais. Nossa história recente foi a de
reestruturar a direção nacional, após a queda da Lapa
(1976), o que se verificou a partir de 1978 com o retorno de
Amazonas ao país e a composição de nova direção. Com a
legalidade, fazia-se necessário e possível estender o
sistema de direção, consolidando os principais comitês
estaduais pelo país. Pode-se dizer que esse processo foi
cumprido - ainda com estados retardatários - e o Partido é
um mosaico complexo e muito variado pelo país. Mas o
principal, agora, para seguir avançando no sistema de
direção, num país de dimensões continentais, um partido
que diversificou e expandiu enormemente sua atuação, é
buscar consolidar os principais comitês municipais, nas
maiores cidades do país. Numa analogia, as atuais
relações de produção entravam o desenvolvimento das
forças produtivas. Sem comitês municipais fortes e
consolidados, o partido terá dificuldades de chegar onde
precisa, que é dirigir efetivamente bases numerosas, que o
liguem mais estreitamente à vida e luta dos trabalhadores e
do povo.
O IV PEP leva em conta esses elementos. O
CC fez uma discussão viva e enriquecedora dele. Restou a
certeza de que é necessário aprofundar o debate sobre a
momentosa questão de dar estabilidade à base militante do
partido, enfrentando a flutuação que vem se manifestando.
Os rumos estão dados. Na nossa coluna
voltaremos a cada um desses pontos. Indispensável que
todos, das bases aos comitês estaduais, estudem, debatam e
apliquem o IV PEP, tornando-o um fator vivo para o
fortalecimento partidário.
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NÃO DEIXE DE LER: Resolução
da 2a. Reunião do CC do 10º Congresso;
Matérias em A CLASSE OPERÁRIA -maio 2002: Entrevista com o
Autor da
Coluna e Matéria sobre o Ativo Nacional de Organização.
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Digressão...
Cada época tem seus próprios desafios e
gesta seus próprios heróis: a história os julga. Há 30
anos, nas selvas do Araguaia, homens e mulheres foram
escravos de sua própria consciência libertária,
dedicando-se à luta do partido e do povo. Sabiam o que
faziam, estavam dispostos a pagar com a própria vida, se
necessário fosse. E o foi!
Hoje, herdar a mesma causa que eles nos legaram também
implica desprendimento e abnegação, confiança e
convicção, ideais e disciplina. De um outro jeito. Na
enorme maioria das situações hoje, na legalidade, não
estamos ameaçados de morte pelo fato de sermos militantes
comunistas. A ameaça é outra: matar nossa consciência
revolucionária, desacreditar a luta transformadora,
fazer-nos uma folha levada pelo vento, sem destino
histórico. Assim, pós-modernamente...
É outra circunstância, mas o problema é o mesmo: é
preciso ser militante, vale a pena ser militante da causa
transformadora, marxista e revolucionária. Porque a
militância não nega, ao contrário enriquece com a
consciência e compromisso, outras dimensões
indispensáveis da vida - pessoal, familiar, profissional,
acadêmica, afetiva - e com elas quer conviver.
Heroísmo é um produto histórico, sofrido ponto de chegada
e não fútil ponto de partida. Também esta época que nos
foi dado viver gestará seus heróis, anônimos ou não.
Entre eles estarão militantes comunistas e eles, sem
dúvida, lembrarão sempre do exemplo dos que foram ao
Araguaia.
*Walter Sorrentino, médico, membro da Comissão
Política Nacional e Secretário Nacional de Organização |