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O PARTIDO VIVO

Estruturação Partidária 1

Walter Sorrentino*

"Cuidar mais e melhor do Partido". Isso foi o sinal de alerta dado no 9o Congresso em 1997, e nos trouxe muitos e bons frutos.

Não é qualquer coisa o PCdoB, em uma década de hegemonia neoliberal e de pesadas derrotas impostas aos trabalhadores, em meio à formidável crise da URSS e Leste Europeu, convivendo em aliança desde 89 com o PT e seu predominante papel na esquerda, ter não obstante crescido substancialmente e avançado em sua consolidação política e orgânica.

Êxito significativo porque foi tempo de recuo na consciência, organização e mobilização de massas, no Brasil e no mundo. Tempo de pressão na perspectiva militante, na coesão, disciplina e convicção no projeto político transformador, fatores presentes ainda hoje. Isso tudo afetou, como não poderia deixar de ser, também o partido dos comunistas. Na sua forma menos maligna, criando uma pretensa noção de que o movimento é tudo e o objetivo final é acumular forças, o que conduz à lassidão e acomodação. O partido existe para cumprir seu projeto político, conscientizar, organizar e mobilizar os trabalhadores! O indicador central desse papel, em tempos de defensiva estratégica, é o empenho na construção partidária.

Uma forma adequada de encarar esses fenômenos é que os êxitos foram fruto de uma série de opções acertadas, nos campos político, eleitoral, ideológico e organizativo. Entretanto, opções, mesmo quando corretas, envolvem custos e descompensações. No caso, defasagens se verificaram no partido e o 9o e 10o Congresso as registraram.

Tais defasagens - e sua superação - condicionam a acumulação de forças do partido. Carecem de compensações adequadas. O enfrentamento delas foi iniciado no 9o Congresso. Tiveram por centro o deslindamento dos problemas da construção partidária nos planos ideológico e organizativo, procurando coloca-los em compasso com os avanços do pensamento político. Materializaram-se no conceito de estruturação partidária - síntese das exigências concretas da construção na fase presente do partido - e daí nasceram 3 planos de estruturação - 1999, 2000 e 2001.

De passagem diga-se que apesar de toda a importância da noção de planificação que é própria de nossa história de construção da nova sociedade socialista, entre nós ainda grassa forte espontaneísmo, geralmente voluntarista (mas às vezes também negativista).
Por isso, ganho não desprezível foi também a noção de planejamento, procurando superar o espontaneísmo que grassa entre nós e substituir as urgências pelas prioridades no trabalho cotidiano do partido. Com esse passo, passamos a tratar as questões de partido de modo mais realista e dialético. Passamos a superar um vício freqüente que era, ao tratar de questões de partido, lidar com o todo, o tempo todo ao mesmo tempo, em discursos freqüentemente doutrinaristas, dificultando uma apreensão mais discriminada dos passos a dar para consolidar o partido. Já disse na última coluna que, no mais das vezes, a questão ficava relegada indevidamente à esfera da organização.

Um consenso foi se formando no 10o Congresso, relativo à necessidade de novos passos no processo de unidade e luta no interior da frente única - firmando mais intensamente a identidade partidária -, maior atenção à ação política de massas, ao trabalho com o proletariado e ao trabalho teórico-ideológico do partido.

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NÃO DEIXE DE LER:
Nenhum comunista fora da O.B. 1998
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Digressão...

Encontro de partido em SP, 300 participantes. Antigo e experiente camarada operário cita duras e crescentes experiências de companheiras que sofrem violência de seus maridos, militantes comunistas, sob efeito do álcool. Um deles, confrontado com o fato, disse: "Sabe como é, a gente é homem, o sangue sobe à cabeça...".

No caso, no partido da Zona Sul da capital paulista, as ocorrências estão diretamente vinculadas ao desemprego dos maridos. Nem era necessária a relação direta. Porque, mais que isso, é sinal do embrutecimento a que vão sendo submetidas as relações sociais, com reflexo nas relações interpessoais.

Seguinte: inaceitável isso no Partido! Contra a brutalidade, pedagogia sim, leniência não. Estamos com as companheiras, para que denunciem mais intensamente essa situação. Por razões éticas e morais próprias aos comunistas, mas também porque as mulheres constituem hoje um contingente formidável para a luta emancipadora. E a primeira condição para incorporá-las é demonstrar, nós próprios, que o Partido é o prenúncio de uma nova sociedade a conquistar: com igualdade de direitos, de mulheres e homens emancipados.

*Walter Sorrentino, médico, membro da Comissão Política Nacional e Secretário Nacional de Organização

 
e-eletrônico: waltersorrentino@pcdob.org.br

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