O Partido Comunista do Brasil
condena energicamente a ação militar do governo de Álvaro Uribe
Vélez em território equatoriano, que resultou no assassinato de um
dos comandantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia –
FARC -, Raúl Reyes, e de mais 16 guerrilheiros. O PCdoB
solidariza-se com o povo colombiano e suas forças democráticas
incluindo as insurgentes. Manifesta sua consternação pela queda
dos combatentes. Raúl Reyes foi um revolucionário, um dirigente
político e um hábil negociador dedicado à solução do complexo
problema do intercâmbio humanitário de prisioneiros e da saída
política para o conflito colombiano.
A ação repressiva do governo colombiano, num ato em que ficou
patente a violação da soberania nacional e da integridade
territorial do Equador, e em que o imperialismo estadunidense está
implicado, com os meios tecnológicos e a assessoria militar que
fornece ao regime de Uribe através do Plano Colômbia, desperta
grande preocupação nas forças revolucionárias, progressistas e
democráticas da América Latina e de todo o mundo.
O assassínio de Raúl Reyes ocorreu no momento em que as forças
insurgentes faziam importantes gestos unilaterais visando à
realização de um intercambio humanitário, como inicio para uma
saída política ao conflito armado na Colômbia, iniciativa apoiada
por vários governos do mundo. O governo colombiano respondeu a um
gesto de paz com o uso da força, com o desrespeito aos direitos
humanos e ao direito internacional, ameaçando o convívio pacifico
do continente.
A denominada “operação Fênix” que culminou neste 1º de março foi
um “verdadeiro massacre”, como assinalou o presidente equatoriano
Rafael Correa. Foi uma ação planejada, um ataque surpresa, em que
as vítimas foram assassinadas enquanto dormiam.
O objetivo da famigerada “Operação Fênix” não foi outro senão
calar uma das mais importantes vozes pela busca de uma saída
política ao conflito armado que já dura mais de 40 anos É também
uma aposta na solução militarista ao conflito.
A estratégia militarista escolhida pelo governo colombiano
preocupa a todas as forças progressistas do mundo, e
principalmente aos países vizinhos, dado que cria uma situação de
instabilidade em todo o continente.
O governo colombiano violou a soberania territorial do Equador,
transgrediu todas as normas internacionais que regulam o respeito
às fronteiras entre países. A invasão com deslocamento de meios
militares, artilharia e bombardeio aéreo em um território
estrangeiro não se justifica em nenhuma hipótese.
Com esta ação e os argumentos que utiliza, o regime de Uribe
Vélez, lacaio do imperialismo estadunidense na América Latina,
traz para nossa região a teoria e a prática da “guerra preventiva”
da doutrina Bush.
É imperioso desmascarar que são os Estados Unidos, através desse
governo títere, que buscam desestabilizar o continente, usando a
força e desrespeitando a soberania das nações e o direito
internacional.
O episódio é um sinal de alerta de que são graves as ameaças à
paz, à democracia, à soberania nacional e à segurança dos povos na
América Latina. Tais ameaças são oriundas do imperialismo
estadunidense e de governos a seu serviço. O Partido Comunista do
Brasil, ao repudiar o intervencionismo dos Estados Unidos na
região e as ações repressivas do governo colombiano, conclama as
forças revolucionárias, progressistas e democráticas a reafirmar a
luta antiimperialista e, quanto ao conflito colombiano, a
contribuir para uma saída política, que se inicia a partir de um
intercâmbio humanitário, realizado em condições de segurança.
São Paulo, 3 de março de 2008
Secretariado do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil