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Nota da Comissão Política Nacional
Politizar o debate eleitoral, concentrar energias
e reforçar a mobilização militante para garantir o projeto político do
PCdoB
1 – A luta eleitoral concentra a disputa política em curso no país. A
pouco menos de um mês do primeiro turno, há uma clara polarização de
forças políticas entre a base do governo que busca se fortalecer para
impulsionar as mudanças, dando sustentação ao projeto vitorioso em 2002,
versus os setores conservadores e de direita, especialmente o PSDB e o
PFL, que pretendem questionar o novo rumo que vem tomando o país e reunir
condições para retomar o projeto derrotado para as eleições futuras de
2006. Nas próximas semanas tal disputa vai se acirrar, pois aí é que se
define o voto da maioria do eleitorado.
2 – O caminho da crescente afirmação da soberania e da democracia e, mais
recentemente, a retomada do crescimento econômico, com efeitos sociais na
retomada do consumo, do emprego e elevação da renda dos trabalhadores,
trazem uma conjuntura mais favorável ao governo e repercute no plano
eleitoral, como comprovam o crescimento da preferência popular pelos
candidatos dos partidos da base de sustentação do governo, na maioria das
principais cidades do país.
3 – A oposição conservadora e de direita, no entanto, enrijece o combate.
Tendo perdido seu discurso e bandeiras, usa agora expedientes condenáveis
e argumentos falaciosos, para impingir a pecha de autoritarismo ao governo
democrático de Lula, ou enquadrar como autoritárias personalidades de há
muito comprometidas com a luta pela liberdade, como o Ministro da Cultura,
Gilberto Gil e o Ministro José Dirceu. Expõem, elas sim, sua propensão
autoritária de manter controle absoluto sobre os meios de comunicação e o
setor áudio-visual. Até mesmo satirizam o sadio sentimento de
nacionalidade e auto-estima do povo brasileiro. Carecem de autoridade
política e moral para fazer de seus próprios interesses os desígnios da
nação. Igualmente grave é que, tomando por base o Senado da República, os
representantes dessas correntes políticas procuram obstaculizar as medidas
de apoio ao desenvolvimento que vem sendo intensificadas no seio das
diversas agências do governo. Nos pleitos municipais, particularmente,
procuram fazer uma pesada ofensiva contra a vitória de candidatos
progressistas, seja por um debate paroquial, seja pela tentativa de
desqualificar os feitos do governo federal; contam com poderosos apoios
nos meios de comunicação, e em forças conservadoras cevadas durante os
oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso.
4 – É nesse quadro polarizado que se trava a disputa. Há uma tendência de
crescimento das forças progressistas nos principais centros. Entretanto, o
que se verifica é que na grande maioria dos casos a decisão se dará no
segundo turno das eleições. Nele é que se definirá a qualidade política
dos resultados eleitorais nacionais, pois estarão em jogo a maioria das
capitais brasileiras. Tal quadro exige maior esforço de politização do
debate, desvendando o sentido nacional da disputa, que é o de consolidar a
vitória eleitoral das novas forças políticas e sociais emergentes em 2002.
A ferrenha disputa se decide na condução política: desvendar a falácia dos
argumentos da oposição, nomeadamente o PSDB, que conduziu o país a um dos
períodos mais constrangedores da trajetória nacional durante a década
passada. Trata-se de traduzir ao imaginário popular o sentido dos campos
políticos em confronto e agregar apoios que possibilitem a vitória no
segundo turno.
5 – A campanha dos
candidatos comunistas aos executivos municipais tem encontrado boa
acolhida do eleitorado e enfrenta com ousadia os desafios que se interpõem
em sua marcha. Inácio Arruda em Fortaleza, Luciana Santos em Olinda,
Vanessa Grazziotin em Manaus, Jandira Feghali no Rio de Janeiro, Robert
Rios em Teresina, são candidaturas competitivas e, em gradações
diferenciadas, têm chances de chegar ao segundo turno e vencer. Poderão
obter sucesso de grande importância candidaturas comunistas como a do
vice-prefeito Luciano Siqueira em Recife, e de Edvaldo Nogueira,
vice-prefeito em Aracaju, entre outras. Há ainda perspectiva de vitória
majoritária com Zózimo Chaparral em Barra do Garças/MT, João Lemos em
Camaragibe/PE e Junior Piaia em Ijuí/RS, entre várias outras candidaturas
majoritárias do PCdoB. Porém, em nenhum caso a vitória já está definida.
Com o acirramento da disputa em curso, será preciso mais nitidez e
diferenciação de opiniões e propostas, a fim de facilitar a opção do
eleitor, e ao mesmo tempo focar as propostas dos comunistas para cada
cidade, materializadas em projetos concretos.
6 - A luta pelo projeto político do PCdoB tem também na eleição para
vereadores parte destacada. É imperioso elevar o esforço pela eleição de
vereadores comunistas em todo o país, principalmente nas capitais e
maiores cidades em cada Estado. É nos últimos quinze dias de campanha que
cerca de 85% do eleitorado define seu voto a vereador. Particularmente, a
direção nacional chama a atenção para fazer valer o projeto político
eleitoral coletivamente definido em cada instância, de modo a assegurar as
medidas de priorização e concentração de esforços indispensáveis à
vitória. Sempre que esse projeto coletivo fica em segundo plano, ou é alvo
de divergências ou disputas no interior dos organismos dirigentes ou da
chapa, fica comprometida a vitória. Tal prejuízo é inadmissível, pois
evoca a falta de clareza sobre o caráter do Partido e da disputa em curso.
Por isso, nesta reta final as direções municipais e estaduais são chamadas
à aferição detalhada e realista das perspectivas eleitorais, para pôr em
ação as medidas de priorização e concentração que se fizerem necessárias.
7- Em síntese, em todos os casos, exige-se o reforço da mobilização
militante nestas três semanas finais até 3 de outubro e, o reforço
inaudito das medidas políticas para sustentar materialmente os objetivos
almejados. A vitória do PCdoB é uma possibilidade, mas deverá ser
perseguida em cada um dos passos destinados a mobilizar, organizar e
comandar extensos contingentes de apoiadores, assegurar a logística e
infra-estrutura para as tarefas indispensáveis de promover a amarração de
votos, dar volume à campanha, organizar a ação nas ruas no dia da eleição.
A conquista do voto é batalha que só termina às 17 horas do dia 3 de
outubro. A direção nacional confia em que, em todo o país, esse esforço
poderá conduzir o PCdoB a uma vitória expressiva. Está convicto de que a
vitória dos candidatos de sua legenda e daqueles apoiados pelo Partido
terá um relevante papel no fortalecimento do projeto de um Brasil
soberano, democrático e próspero, onde seu povo tenha continuamente
melhorada sua qualidade de vida.
São Paulo, 8 de setembro de 2004.
A Comissão Política Nacional do PCdoB
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