O 10º Congresso pôs no centro de nossos
debates a crise e o impasse brasileiro e as saídas
avançadas defendidas pelo PCdoB. Formulou o Projeto
Político do PCdoB, em torno do qual precisamos
fortalecer a confiança de nossa militância e das
forças sociais avançadas do país.
Ao hierarquizar as principais questões com que se
depara a luta por esse projeto, avulta a questão do
Partido, de seu fortalecimento, de sua coesão em torno
do rumo coletivamente definido, de sua mobilização e
entusiasmo militante na luta. O Partido precisa se
preparar em novo patamar para disputar a hegemonia que
propicia aquelas saídas. Nisso se inclui o trabalho
teórico-ideológico do Partido.
Em que se constitui a questão ideológica
A questão ideológica não é a-histórica. Partindo
dos fundamentos teóricos universais do
marxismo-leninismo, ela está ligada ao ambiente dado da
luta de classes no Brasil e no mundo. Responde
centralmente pelas convicções, ideais, disciplina e
confiança no projeto transformador, por parte da
militância partidária, em ligação com o projeto
político concretamente plasmado. E se reflete na
confiança com que nos dirigimos aos trabalhadores e
povo brasileiros, impulsionando-os a uma ação
política transformadora.
Lênin, na brilhante generalização da experiência
revolucionária feita em O Esquerdismo, pontua
dialeticamente a questão. Ideais, disciplina,
convicção e confiança dos comunistas demandam em
primeiro lugar consciência de classe da vanguarda, sua
fidelidade à revolução, sua tenacidade, abnegação e
heroísmo. Em segundo lugar, capacidade de se ligar
estreitamente às massas e participar ativamente de seu
movimento real. Em terceiro, só se desenvolvem com uma
orientação política ajustada, comprovada pela vida e
pela própria experiência das massas. E nos alerta
Lênin: essas condições não surgem de pronto, nascem
de esforços prolongados e uma dura experiência, e
exigem por base uma teoria revolucionária acertada,
não compreendida como um dogma, mas que está em
permanente desenvolvimento procurando responder à
atividade prática colocada diante do movimento
revolucionário. Em outra generalização, Lênin
enfatiza que sem teoria revolucionária não há
movimento revolucionário.
A base de nossa formação ideológica está na teoria
marxista-leninista, nos fundamentos da ciência social
avançada acerca da luta de classes do proletariado.
Daí emanam inclusive os indispensáveis atributos de
valores éticos e morais classistas que caracterizam
nossa corrente de pensamento e que têm valor fundante
na construção partidária. Mas a questão ideológica
abarca também a dimensão ética, valorativa, e demanda
ser tratada como uma dimensão irrecusável do próprio
combate político junto à sociedade.
Nessa perspectiva, abordamos o trabalho
teórico-ideológico do Partido relacionado ao projeto
político que elaboramos, à luta de idéias e polêmica
teórica em curso na sociedade e aos desafios concretos
da construção partidária na presente situação.
A questão teórico-ideológica na atualidade
Desde o 8o Congresso manifestamos nossa compreensão
de que vivemos tempo histórico de crise ideológica do
proletariado, que apresenta exigências de
desenvolvimento da teoria avançada, o que vem sendo
progressivamente compreendido pelo movimento comunista
como tarefa essencial de nosso tempo. O
capitalismo-imperialismo se apresenta em fase declinante
do ponto de vista histórico, produz uma onda de
regressão em todos os campos da vida e consciência
social. Coloca-se em evidência a questão de retomar a
tendência transformadora, produzir nova onda de luta
pelo ideal socialista renovado, reconstruir a confiança
subjetiva na alternativa histórica a esse estado de
coisas por parte dos trabalhadores. É nesse ambiente
que falamos de reforçar as convicções no projeto
transformador, em primeiro lugar por parte da vanguarda
do movimento que são os militantes comunistas,
notadamente quanto à exigência de uma força de
vanguarda que é o partido comunista.
Diante das exigências do projeto transformador no
Brasil, precisamos valorizar mais nossas próprias
reflexão e experiência, a partir de um domínio maior
do marxismo. Ou seja, MAIS MARXISMO e MAIS BRASIL em
nossa atividade teórica.
Isso aponta para uma abordagem histórico-crítica do
marxismo-leninismo, e para enfatizar a investigação
empírico-teórica, do particular concreto ao universal
abstrato. O marxismo nos dá os fundamentos e o método,
mas a realidade está em permanente mudança e precisa
ser apreendida nesse movimento. Uma visão de manual ou
escolástica do marxismo será de nenhuma serventia, o
mesmo valendo se adotarmos uma visão eclética ou
irracional. Ao mesmo tempo, isso pressupõe a
necessidade de maior ênfase na apreensão da realidade
brasileira, de sua formação econômico-social, das
particularidades do processo transformador brasileiro.
Precisa se fazer mais presente, a indagação de um
caminho brasileiro para o socialismo enquanto problema
teórico e prático que envolve esforços para responder
às exigências do tempo e da gente do presente, nas
condições do Brasil. Em suma, fazemos um chamamento à
originalidade, generalizando nossa própria
experiência, como forma de enriquecer a compreensão
marxista contemporânea do Brasil e do mundo. Um aspecto
de particular relevância nesse sentido é o esforço em
curso de escrever a História do Partido Comunista do
Brasil; história que, como diz Gramsci, é como
escrever, de um ponto de vista monográfico, a própria
história do desenvolvimento da formação social
brasileira nestes 80 anos desde 1922. Reputamos ser esse
um instrumento privilegiado de nosso esforço pela
elevação da formação ideológica dos militantes
comunistas.
Em nossos cursos abordamos o marxismo como um sistema de
categorias e conceitos indispensáveis para um
conhecimento científico das sociedades humanas para,
nessa base, desvendar o sistema de leis básicas que
regem as relações essenciais entre os diferentes
aspectos e diferentes fases da vida em sociedade. Por
isso, concebemos as formações sociais como uma
totalidade orgânica sujeita a um movimento
contraditório em desenvolvimento dialético. Mas as
categorias e leis fundamentais da concepção
materialista-dialética da história, comum a todas as
formações sociais, exigem avançar no exame de uma
formação historicamente determinada, no caso o
capitalismo contemporâneo, e se completam com as
categorias e leis específicas de uma formação social
concreta, no caso a brasileira. De onde uma forma de
desenvolver o marxismo, não secundária, é desenvolver
o estudo da formação econômico-social brasileira em
sua concretude particular.
Conteúdos da luta ideológica em ligação com o
projeto político
Isso está em correlação com a luta de idéias na
atualidade. O PRP aponta importantes conteúdos para o
trabalho ideológico do Partido no sentido do atual
combate político travado pelas forças progressistas.
Os valores têm hoje uma dimensão enorme na disputa
política, são parte preponderante na propaganda
político-eleitoral e todos os meios de comunicação
dedicam enormes recursos às questões de comportamento.
É, sem dúvida, um dos mecanismos mais poderosos da
hegemonia neoliberal, dando origem, aliás, à
expressão “pensamento único”.
Instalou-se a mercantilização de todas as dimensões
da vida social. Vige a sociedade de mercado, da
exclusão programada, onde apenas 1/3 está “incluído”,
deixando de haver os direitos do trabalho e de cidadania
para o restante. Altera-se a organização da política,
onde se implanta o mercado de representação, a
política espetacularizada, midiática, que prescinde de
representação organizada e a atomiza segundo grupos de
interesse. Proclama-se o fim das ideologias e, nessa
base, desenvolve-se uma crise da militância política e
das dinâmicas tradicionais da vida e dos movimentos
sociais. Por toda parte rebrotam concepções
espontaneístas que negam a exigência da ruptura e a
necessidade de um novo poder político ligado às amplas
massas trabalhadoras, a validade de se bater por um novo
projeto de sociedade, a necessidade de um partido e
militância política revolucionárias.
Na base desse ideário está o irracionalismo, em
diversas variantes e matizes pragmáticas e
relativistas, para não falar de suas versões banais,
do esoterismo às crenças supersticiosas. Afirma-se, no
limite, a crise da razão, a impossibilidade do
conhecimento científico de qualquer realidade, a
negação da totalidade concreta em desenvolvimento
dialético contraditório. A própria ciência é tomada
como apenas mais um tipo de discurso. Aspecto saliente
é igualmente o do multiculturalismo, cujo transplante
para nosso país guarda relação com a crescente
norte-americanização da vida social e espiritual de
parcelas crescentes da sociedade através de seitas
religiosas, costumes e festejos abstrusos para nossa
cultura, com influências perniciosas sobre a cultura e
a língua. Nessa perspectiva, manipulando anseios
humanistas progressistas da diferença e do respeito
pelo outro, o multiculturalismo é mais uma “idéia
fora de lugar” na realidade histórica brasileira.
Leva a fragmentar a compreensão do processo histórico,
atomizar a apreensão da realidade e a representação
social. É uma declaração de guerra àquilo que há de
mais avançado na cultura própria do povo brasileiro
– nosso humanismo desimpedido e mestiço, avesso aos
guetos de toda espécie –, e leva à negação da
perspectiva transformadora comum a todo o povo
brasileiro.
A esses valores o Partido contrapõe outros e precisa
considerar isso cada vez mais num aspecto decisivo do
combate político pelo projeto transformador, permeando
a atividade militante cotidiana.
Conforme se afirma em nosso Programa, os comunistas
defendem o internacionalismo proletário, apóiam a luta
de todos os povos por sua emancipação nacional e
social. Ao mesmo tempo põem em relevo, igualmente, a
luta em defesa da soberania e da independência do nosso
país. Essa luta constitui uma das grandes tarefas da
época que vivemos. A conquista do socialismo é
inseparável do combate decidido por uma pátria livre,
independente e soberana. Em última instância, o
internacionalismo proletário, na situação atual, é
também a defesa da soberania nacional de todos os
países. Aí está um conteúdo fundamental de nosso
trabalho ideológico. O que pode haver de mais avançado
e internacionalista, na presente situação histórica
de hegemonia imperial, do que a luta patriótica, de
afirmação nacional, para subtrair uma grande nação
como o Brasil dos elos da cadeia imperialista mundial?
Por isso, defendemos um ideário oposto ao da elite
brasileira, secularmente globalizada e hoje em pleno
apogeu de uma recaída neocolonial. Politicamente
conferimos centralidade à questão nacional, como pólo
articulador do entrelaçamento entre as exigências
nacionais, democráticas e sociais na luta contra o
neoliberalismo. Os comunistas defendem o ideal
patriótico. Cultivam o sentimento nacional, o orgulho
de pertencer a este povo, a cultura, a língua e a arte
da terra em suas múltiplas manifestações e a
admiração pelas lutas históricas que tantos heróis e
mártires produziram. Daí que o documento elaborado por
ocasião dos 500 anos de Brasil tem uma importância
desmedida em nosso programa de trabalho teórico e
ideológico. Também por isso, travamos o combate contra
a opressão imperialista, pelo ideal de convivência e
respeito entre povos e nações, pela paz mundial contra
a guerra de agressão movida pelos interesses do
capital.
Combatemos pelo ideal patriótico em ligação com o
ideal socialista. O socialismo é o projeto de
emancipação internacionalista, humanista e
civilizatório que corresponde às exigências de nosso
tempo. Afirmamos a centralidade do proletariado na
formação capitalista, como a força revolucionária de
nosso tempo histórico. Defendemos os direitos ligados
ao trabalho, contra a exploração e a desumanização
da vida. Sobrepomos as coisas públicas e coletivas
sobre as coisas privadas, a solidariedade generosa
contra o individualismo mesquinho. Afirmamos que não
lutamos pelo igualitarismo, mas pela igualdade de
direitos para todos, exatamente para que floresçam e
sejam respeitadas as diferenças entre os indivíduos,
que fazem a riqueza da espécie humana. Lutamos contra
os preconceitos étnicos e de gênero, combatemos o
sentimento de indiferença e impotência que se procura
inculcar na sociedade para desestimular a participação
política e o ímpeto transformador. E defendemos o
ideal libertário, da ampla democracia e participação
das massas no processo de direção do Estado, dos
direitos de cidadania em todos os terrenos.
O socialismo é o projeto de que o Brasil precisa.
Corresponderá em nossa trajetória à continuação, em
patamar mais elevado, sob direção dos trabalhadores e
de sua vanguarda política, das históricas lutas
sociais travadas pelos brasileiros desde Zumbi dos
Palmares até a luta contra a discriminação de hoje,
desde os abolicionistas e republicanos até os que
construíram as memoráveis jornadas do Petróleo é
nosso, desde a luta dos mártires da independência
contra a tirania e a opressão colonial até a luta
contra a ditadura, a jornada do Araguaia, das Diretas
Já e da juventude cara-pintada que levou ao impeachment
de Fernando I.
A formação ideológica da militância comunista
Ao lado disso, no plano da construção militante do
Partido, igualmente o trabalho ideológico do Partido é
imprescindível. O Projeto de Resolução Política
aborda em profundidade os eixos desse trabalho pelo
fortalecimento da corrente comunista na atualidade.
Vivemos um período de 16 anos de legalidade, que
impulsionou fortemente o papel do Partido. Alcançamos
êxitos de grande significação. Entretanto, esse foi
também o período da crise do socialismo e da
formidável ofensiva neoliberal, produzindo uma crise
ideológica do movimento revolucionário proletário e
pressionando as perspectivas transformadoras dos
militantes comunistas. Foram condições bastante
adversas, de alcance histórico e objetivo. O Partido as
enfrentou em situação de legalidade, em meio ao
refluxo do movimento de massas e predomínio de disputas
eleitoral-institucionais, que sem dúvida pressionam no
sentido do pragmatismo e espontaneísmo.
Nesse ambiente, o Partido cresceu e vai gestando uma
nova geração comunista, pouco afeita ainda aos
fundamentos da ciência social avançada, manifestando
variados graus de dificuldade quanto aos ideais,
disciplina e valores éticos e morais que caracterizam
nossa luta. Foi o diagnóstico do 9º Congresso, quanto
à defasagem ideológica que se manifestava em nossa
construção partidária. Que perspectiva terá esse
novo militante: a de que o movimento é tudo e o
objetivo final é acumular forças? Não pode ser: isso
conduz a lassidão, acomodação, menor empenho na
construção partidária, quando não à deturpação do
próprio caráter do Partido. Que perspectivas lhes
daremos? Isso nos remete mais uma vez à questão do
projeto político do Partido, sem o qual não podemos
falar de ideais, disciplina, convicções e confiança.
Mas ligado ao projeto político, a questão da
formação teórico-ideológica avulta. Ela está na
base do empenho pela construção da força da
transformação que é o partido comunista. No Partido e
em sua hegemonia reside a questão essencial do êxito
do movimento transformador.
Para isso, precisamos formar uma militância classista!
Precisamos formar marxistas! Exige-se um maior esforço
de formação teórica e prática. Formação que não
se dá apenas na escola do Partido, mas também no
esforço individual, no trabalho militante, em
compromisso com o movimento real das massas
trabalhadoras, e através do exemplo que os dirigentes
dão à atividade desses novos militantes.
Balanço de nosso trabalho
Ao dar o balanço de nossa atividade na frente
ideológica uma questão nos indaga, então: tendo feito
as opções justas que fizemos nesse período de
legalidade, e que conduziram o Partido às expressivas
vitórias alcançadas, demos de fato a suficiente
atenção e investimento ao trabalho ideológico do
Partido? Fizemos de fato o melhor que podíamos?
Investimos recursos humanos e materiais de forma
equilibrada entre as diversas frentes, em consonância
com essa exigência? Um insuficiente trabalho
ideológico do Partido no interior de suas fileiras não
refletiria, em última instância, a subestimação do
próprio papel do Partido no processo transformador e na
luta pela hegemonia nesse processo?
Afirmamos que se revelaram insuficiências nossas nesse
terreno. E dizemos que, na atualidade, elevar o nível
do trabalho ideológico do Partido é um elo central que
precisa ser desatado para o fortalecimento do PCdoB e de
seu papel na luta pela hegemonia. Reside aí um dos
principais impulsos que precisamos conferir para uma
organização comunista mais extensa, coesa e
consciente.
O nosso Partido vem compreendendo de maneira progressiva
a exigência do trabalho teórico-ideológico. 1962 foi
uma demarcação de campos nesse sentido. No período da
legalidade, ponto alto dessa trajetória foi a atitude
renovada do Partido para com a teoria
marxista-leninista, a partir do 8º Congresso, processo
de conteúdo antidogmático que procurou fugir à
compreensão da teoria como estudo e adaptação de
modelos preestabelecidos. Derivou dessa postura a
conquista histórica que foi a re-elaboração
programática de 1995 e o esforço empreendido na
direção de valorizar sistemática e enfaticamente o
estudo sobre o Brasil, nossa história e identidade
própria. Já referimos a importância do documento 500
anos, embora nos pareça que ele ainda não obteve o
reconhecimento de sua real importância.
Nos últimos anos, ao lado da regularidade do trabalho
da revista Princípios, incrementou-se a elaboração
teórica e a participação na luta de idéias por parte
de quadros partidários, estabeleceu-se novo patamar de
interlocução com áreas do pensamento avançado.
Diga-se, a propósito, que a elaboração e o debate do
Projeto de Resolução do 10º Congresso são frutos
desse esforço, produzindo um documento de alto nível,
referência imprescindível para a formação dos
comunistas.
Teve importância, também, a retomada do trabalho de
formação pelo Comitê Central. Fez-se um balanço
crítico da experiência anterior e elaborou-se
coletivamente uma nova orientação, que embora ainda
nos primeiros passos produziu muitos e bons frutos.
Entretanto, foi, sobretudo, um esforço intensivo de
difusão, ao nível da base e dos estratos médios de
direção do Partido. O esforço ligado à esfera
superior da formação não foi equacionado, embora
tenhamos lançado a promissora idéia dos Seminários
Teóricos, dos quais o primeiro está em curso tendo por
tema a questão do proletariado brasileiro.
Isso posto nosso Congresso precisa apontar para novos
passos no reforço do trabalho teórico-ideológico do
Partido.
Investir mais no trabalho ideológico
Devemos investir mais no trabalho
teórico-ideológico do Partido. Quadros, recursos,
novos meios e formas mais amplas e modernas. A base
disso está na valorização do esforço teórico.
Devemos aprofundar o rumo iniciado no 8o Congresso, de
encarar de forma renovada a atitude do Partido para com
a teoria. O modo pelo qual o Partido produz, se
relaciona, difunde e trata a questão teórica nas suas
fileiras pode renovar muito nossa feição e fortalecer
o Partido com novas forças, infundir mais firmes
convicções acerca de nosso projeto transformador e
mais confiança em nossa própria elaboração.
Deveremos estimular a relação mais íntima entre a
atividade política militante e o desenvolvimento do
trabalho teórico e perseguir maior intercâmbio do
Partido com correntes avançadas de pensamento da
intelectualidade brasileira.
Por fim, produto desse esforço, deve ser mais e mais
formação militante. Temos uma concepção avançada,
que pode ser ainda mais desenvolvida. Estamos já a meio
caminho desse esforço. Novos passos podem ser dados e
demandam investimentos conscientes. É hora de voltar a
sistematizar os trabalhos próprios de uma Escola do
Partido, com atividades sistemáticas e sistêmicas de
formação, nos variados níveis exigidos pelo mosaico
que é a realidade partidária hoje, com seus graus
muito variados de estruturação.
A direção do trabalho pelo Comitê Central
Do ponto de vista da direção desses esforços,
precisamos reformular uma certa visão esquemática de
nossa concepção do trabalho teórico-ideológico.
Correlacionar o trabalho ideológico realizado pelo
Partido junto à sociedade – sejam as camadas
avançadas da sociedade, na polêmica teórica, em
emulação com o pensamento social avançado, sejam as
massas trabalhadoras –, com o trabalho realizado no
interior das fileiras militantes do Partido relativo ao
cultivo de nossa identidade, disciplina militante,
ligação com o povo e luta contra as pressões
degenerativas. Em todos os casos, carece-se de programas
de trabalho com conteúdos objetivados, meios adequados
a cada qual, e instrumentos modernos para sua
consecução. Um se alimenta do outro, se enriquecem
reciprocamente. Não podem então estar separados
mecanicamente no processo de direção.
A direção nacional precisa conceber essa
multiformidade, unificando e coesionando o processo de
direção na frente teórico-ideológica. Trata-se de
articular o trabalho da Secretaria de Propaganda e
Formação, da revista Princípios e do jornal A Classe
Operária, mais o Portal da Internet, com o trabalho do
Instituto Maurício Grabois, e deste com as atividades
próprias da Escola do Partido.
Enfim, a frente teórico-ideológica nos exige maior
empenho de forças e esforços mais ou menos
prolongados. É parte irrecusável de nossa acumulação
de forças, indispensável para alcançar o necessário
patamar exigido pelo processo político em curso no
Brasil, vale dizer, para a construção do PCdoB apto a
disputar a hegemonia necessária ao projeto político
por um novo rumo para o Brasil. E será a continuação
desse movimento histórico empreendido por nosso Partido
no sentido de renovação com permanência, voltado a
construir a vanguarda política transformadora exigida
pelos tempos presentes.
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