Chegamos ao final do 10o Congresso
alcançando pleno êxito – ele vai se constituindo no
ponto de virada na história de nosso Partido. Este
Congresso tem duas marcas bastante acentuadas: revela um
período de crescimento, expansão e florescimento do
Partido e demonstra o maior nível de unidade política
já alcançado por nós.
Foram eleitos 852 delegados para a plenária final, e
821 compareceram (uma ausência de apenas 3,6%). Vieram
delegações do Acre, do Amazonas, do Pará, do
Maranhão, do Rio Grande do Sul, de todas as partes do
Brasil, enfrentando grandes distâncias. Em nossa
plenária 95 delegados fizeram uso da palavra, além de
20 representantes de delegações estrangeiras e mais 15
dirigentes que proferiram intervenções especiais.
As intervenções na plenária foram inflamadas,
alegres, emocionadas, vibrantes: as marcas do PCdoB.
Fomos honrados com a presença de 32 partidos e
organizações revolucionárias de vários continentes,
além de personalidades da vida política nacional e do
Rio de Janeiro. Foi o Congresso que alcançou maior
repercussão nos meios de comunicação, levando nossos
posicionamentos para o Brasil inteiro.
No decorrer do Congresso foram realizadas centenas de
reuniões de organizações de base, publicadas quatro
Tribunas de Debates e apresentadas mais de 500 emendas
às teses do Comitê Central, em boa parte aceitas e
incorporadas às resoluções. O Partido realizou uma
grande façanha de construção política coletiva. A
nominata integral apresentada para a composição do
novo Comitê Central teve aprovação de mais de 92% dos
delegados. Foi o voto de confiança na formação do
coletivo dirigente, que foi ampliado de 56 para 67
membros. Foram eleitos 17 novos quadros de diversos
lugares, dando maior representação e atualidade e
elevando o nível de renovação do principal órgão
dirigente de nosso Partido.
Projeto mais nítido
O Congresso expressou avanços na compreensão mais
profunda da nossa política e num domínio maior das
particularidades e diversidades de nosso país.
Construímos um projeto mais nítido, estabelecendo
objetivos e procurando compreender a natureza da crise
que atravessa o capitalismo brasileiro e os rumos para
sua solução. O programa de reconstrução nacional é
o eixo correto da nossa proposta para a atualidade. Essa
compreensão vai ganhando maior alcance: a
reconstrução de nosso país é o grande desafio que
nos é colocado. Para empreendê-lo é fundamental
unificar amplas forças políticas e sociais.
Nosso projeto político une o Partido em todas as
frentes de atuação. É defendido no parlamento, no
movimento sindical, estudantil, na luta pela moradia,
contra as discriminações de cor e de gênero. As lutas
variam de forma, segundo as circunstâncias políticas.
Neste momento, as batalhas eleitorais ganham dimensão
especial. Mas não podemos desligá-las do entendimento
de que a força política motriz das transformações
sociais é o proletariado, em aliança com os demais
trabalhadores e o povo brasileiro. Nesta fase da luta
política devemos abrir caminho para batalhas mais
importantes, dando passos significativos no embate pela
derrota das elites dominantes.
O quadro sucessório presidencial ainda não está
definido. As elites governistas buscam um candidato
único para impedir a derrota do modelo neoliberal. Na
oposição, várias candidaturas se apresentam, mas nem
todas chegarão ao final da disputa. A manutenção de
quatro pré-candidaturas pode tornar-se insustentável.
Por isso o esforço pela unificação das oposições,
desenvolvido pelo PCdoB, tem um papel decisivo nas
articulações políticas atuais. A batalha eleitoral de
2002 pode se tornar fundamental, pois a derrota da
política neoliberal no Brasil terá grande repercussão
em toda a América Latina.
Amazonas é insubstituível
Fizemos um balanço bastante positivo da atuação do
Comitê Central cessante, que estabelece condições
para novos avanços com a direção aqui eleita. São
significativas as renovações no Secretariado, na
Comissão Política e no Comitê Central, as maiores
renovações desde a reconquista da legalidade, nos anos
80 do século passado. O camarada João Amazonas,
sabiamente e de forma experimentada, vinha provocando a
transição da presidência do Partido que agora
efetuamos. Não é uma transição abrupta ou uma
ruptura, mas um processo de desenvolvimento que tem
envolvido o coletivo dirigente. João Amazonas
continuará presente na transição e na nova direção,
que levará em conta o trabalho coletivo e colegiado.
Por isso estamos aumentando o número de
vice-presidentes e indicamos Amazonas para presidente de
honra de nosso Partido. Trata-se de uma garantia para
cumprirmos melhor nossa tarefa.
Temos a convicção de que João Amazonas é
insubstituível. Ele é o nosso grande ideólogo.
Trata-se de um dirigente destacado, presente em um longo
período histórico, que atravessou momentos decisivos
da luta socialista. João Amazonas participou de um
processo de discussão fundamental no Movimento
Comunista Internacional e jogou um papel chave durante o
apogeu e declínio nas experiências socialistas do
século XX e no processo de redemocratização de nosso
país. Teve papel saliente na reconstrução do Partido
em 1943, na Constituinte de 1945, no enfrentamento ao
revisionismo no final dos anos 50, na reorganização do
Partido Comunista do Brasil em 1962, nas lutas contra a
ditadura militar a partir de 1964, na luta guerrilheira
do Araguaia, na redemocratização em 1985, na
Constituinte de 1988 e nas campanhas democráticas e
populares para a presidência a partir da Frente Brasil
Popular em 1989. João Amazonas é o maior dirigente
comunista brasileiro, por sua trajetória e pelo papel
que desempenhou em nossa história. Ele formou o
pensamento político do Partido.
Pessoalmente, serei um lutador esforçado e abnegado –
é o meu compromisso. Contarei com o trabalho coletivo e
a direção colegiada para levar adiante essa nossa
missão. Contudo sei que a responsabilidade principal é
do presidente. Tentarei dar desenvolvimento ao
pensamento político do nosso Partido na nova situação
e reunir as inteligências e os meios necessários para
enfrentar novos desafios que se nos apresentam.
Manteremos a linha revolucionária e flexível que nos
possibilitará conquistas ainda maiores.
Campo da revolução
Quero agradecer o empenho da direção e dos
militantes do Partido que contribuíram para o êxito
deste 10º Congresso. E o trabalho abnegado de mais de
200 militantes e quadros do Partido que atuaram na
infra-estrutura desta plenária final.
Temos grandes tarefas políticas e organizativas pela
frente. E a compreensão de que o Partido está mais bem
preparado para os novos desafios. Nosso Partido é
insubstituível na luta política em curso. Somos o
partido da transformação revolucionária.
Contrapomos-nos aos que embelezam o capitalismo e buscam
a conciliação de classes. Nosso lugar é no campo da
revolução: é o que nos diferencia das demais
organizações.
Viva o Partido Comunista do Brasil!
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