O Partido Comunista do Brasil está para
completar 80 anos, período que se confunde com as lutas
do nosso povo por soberania, democracia, direitos dos
trabalhadores e pelo socialismo. No contexto do 10o
Congresso, propugna a formação de um amplo movimento
cívico para pôr fim ao atual domínio do
neoliberalismo e descortinar um novo rumo para o país.
Na luta por uma sociedade que substitua o sistema
capitalista, contemple as aspirações dos
trabalhadores, e contribua na construção de um amplo
movimento nacional — é determinante haver um Partido
forte, o desenvolvimento da teoria revolucionária e a
ampla disseminação das idéias avançadas. Para que o
povo brasileiro possa almejar uma saída progressista é
imprescindível um partido comunista que seja capaz de
intervir na grande política com eficácia conseqüente
e de lutar pela unidade das forças antineoliberais. Ao
mesmo tempo, é fundamental o desenvolvimento e a
difusão das idéias avançadas para que o Partido
consiga implementar sua tática e acender no povo
brasileiro a chama da luta pela construção de um país
justo, socialista — o mesmo povo que revelou, em
pesquisa do Ibope, ser simpático ao socialismo.
Assim, a produção e a propaganda das idéias que
expressam o projeto político do Partido e fundamentam a
construção de um Brasil conforme nosso Programa
Socialista são tarefas de todo o Partido. Os
militantes, as bases, as diversas instâncias
organizativas, os parlamentares, os comunistas que atuam
em entidades de massa e outras instituições — toda a
vida partidária necessita entender e divulgar ao
máximo as idéias sobre o que o Partido propõe para
mudar o país e abrir a perspectiva de construção do
socialismo. Tais idéias estão contidas no presente
projeto de resolução política. Esse documento,
resultado maior do 10º Congresso, deverá ser estudado
pelo coletivo e amplamente difundido na sociedade, bem
como os outros materiais aprovados nesta reunião.
Portanto, nesse momento de intensa luta política e
ideológica, nos cenários internacional e nacional, a
tarefa de propaganda e luta de idéias precisa ser
elevada a um novo patamar — em sintonia com todas as
frentes da estruturação partidária.
Passos e desafios
O contexto da propaganda no 9o Congresso, em 1997,
exigia o devido equacionamento da tarefa como um sistema
integrado de instrumentos.
Em 1998 teve destaque o trabalho da propaganda
eleitoral, com o Partido na disputa para as assembléias
estaduais e a Câmara Federal. Em 1999 vivemos um
momento especial com o entrosamento da execução do
plano de mídia e o movimento de rua em torno do
abaixo-assinado e da mobilização para a Marcha dos Cem
Mil — a campanha foi desenvolvida de forma concentrada
e em sintonia com as mobilizações de rua. Naquele ano
passamos a trabalhar com as inserções nacionais no
rádio e na TV. Em 2000 o Partido se empenhou nas
eleições municipais, teve avanços importantes e a
propaganda evidenciou maior domínio de conteúdo e de
técnica. Em 2001 estamos desenvolvendo o plano aprovado
no último Ativo, centrado na continuação da montagem
de nosso sistema de mídias, procurando potencializar
seu uso cumulativo.
De forma geral, podemos afirmar que o Partido — no seu
conjunto — está fazendo mais propaganda e com melhor
domínio dos elementos que a tarefa exige. Com a recente
ação consciente para gerar uma cultura partidária que
envolva o planejamento adequado — com a
implementação dos planos de estruturação — a
propaganda também colheu frutos. Porém, muito há o
que superar para chegarmos aos milhões de brasileiros
neste país continental.
O plano de mídia tem se tornado o centro de nossa
tarefa nacional, pois nos permite falar para a maioria
do povo através da TV e do rádio. Temos trabalhado com
o programa semestral de 10 minutos mais as inserções
nacionais — em 2001 ocupamos a grade de inserções em
vários estados. Nesse processo, vimos apresentando
melhor domínio da linguagem apropriada à televisão.
Ao mesmo tempo em que procuramos manter a identidade
própria do Partido e a mensagem direta de suas
lideranças, temos internalizado fundamentos da
linguagem exigida pelo veículo — trabalhando também
com elementos de ficção e plasticidade para atingir a
emoção dos telespectadores. Esse trabalho se torna, a
cada dia, mais competitivo e mais caro; exigindo maior
reforço de nossa equipe.
A imprensa partidária é fator decisivo de nosso
trabalho. O jornal A Classe Operária saiu de uma
situação difícil em 1997 para um momento de
recomposição mínima de tiragem, distribuição,
periodicidade e credibilidade. Foi sendo definido como o
órgão central e oficial do Partido, interno, de
veiculação dos documentos e orientações da direção
para as bases partidárias. Adotou, a certa altura, o
sistema de envio direto aos estados (assumidos pelos
respectivos comitês estaduais) e, agora, está em fase
de expansão de assinaturas. Necessita de ampliação em
sua equipe de redação e valorização de seu
insubstituível papel como unificador e formador da
vanguarda revolucionária em nosso país, retratando a
vida e a luta da classe operária.
A revista Princípios tem se mostrado uma iniciativa
vitoriosa do Partido. Reforçou seu rol de colaboradores
dirigentes políticos, cientistas, artistas e escritores
de peso têm comparecido em suas páginas. Podemos dizer
que a revista estimula e aglutina um coletivo dedicado
à elaboração marxista e avançada. Na fase recente
ajudou a conceituar o neoliberalismo e a desvendar a sua
implementação em nosso país, ao mesmo tempo em que
deu passos no enfoque da realidade brasileira ao
acompanhar sua evolução política, econômica e
cultural. Outros instrumentos importantes na propaganda
são as revistas Debate Sindical e Presença da Mulher
— alvos de intervenções especificas neste Congresso.
O Partido tem estado em incontáveis lutas em todo o
país. Produz e distribui milhares de materiais
enfocando os mais diversos problemas vividos pelo povo.
Parte dos comitês estaduais e alguns municipais
dispõem de jornais e boletins. Há experiências
vitoriosas em curso com jornais de massa, como é o caso
de São Paulo. Os mandatos também têm se destacado na
agitação.
A página do Partido na Internet tem servido como
instrumento de contato com certas parcelas da
população e tem agilizado o trabalho da propaganda. Em
nosso meio, prolifera a criação de páginas de
comitês e parlamentares comunistas. A Comissão
Política Nacional deu início aos preparativos para
lançar, dia 25 de março de 2002, o Portal único do
PCdoB na Internet. A iniciativa colocará à
disposição do Partido um instrumento estruturador de
enorme potencial, de caráter polivalente, introduzindo
mudanças em diferentes aspectos da nossa luta — a
começar pela comunicação, mas estendendo-se a toda
vida partidária. Com o Portal estarão disponíveis
matrizes de materiais de propaganda que poderão ser
reproduzidos nos estados e municípios.
A propaganda eleitoral tem exigido muito do Partido, o
que não poderia ser diferente. No atual período de
legalidade temos disputado eleição a cada dois anos e
isso tem ocupado boa parte das preocupações nos Ativos
nacionais. Do amadorismo, temos avançado para um
domínio de elementos básicos para nos situarmos na
grande disputa. Já dominamos, mesmo com heterogeneidade
entre os diversos estados, fundamentos básicos, mas
ainda falta a disseminação do trabalho com pesquisas
eleitorais, e maior profissionalização na concepção
e execução das peças publicitárias. No atual
período destaca-se a divulgação massiva do conteúdo
programático elaborado pelos comunistas para o programa
oposicionista que disputará a Presidência da
República — a seguir, o próprio programa da frente
para 2002.
A comissão nacional de propaganda ainda se encontra em
fase de composição de uma equipe mínima, que seja
capaz de elaborar a montagem do sistema das diversas
atividades envolvidas e executar as tarefas
fundamentais. Tem realizado Ativos anuais com a
presença da maioria dos estados (no último havia 19);
definido planos e — recentemente — tem conseguido
controlar sua aplicação. As comissões estaduais de
propaganda, aos poucos, estão sendo estruturadas e
algumas já conseguem elaborar seus próprios planos,
perseguindo a estruturação de sua rede estadual de
propagandistas. Na batalha da recente eleição
municipal conseguimos montar comissões de propaganda em
importantes capitais.
Entretanto, precisamos investir mais em recursos humanos
e materiais para podermos contar com uma rede nacional
mínima — capaz de efetuar a tarefa da propaganda em
seus aspectos ideológicos, políticos e de agitação
— e podermos traduzir para as amplas massas o projeto
político do Partido e a teoria revolucionária.
Tarefas para o próximo período
Como tarefa permanente deveremos persistir na
construção do sistema integrado de instrumentos
ideológicos e de propaganda, (o Instituto Mauricio
Grabois, a revista Princípios, o jornal A Classe
Operaria, o Rádio, a TV, a Internet) procurando a
interação entre os diversos meios.
Colocar em prática o projeto de construção do Portal
do PCdoB na internet, que funcione como elemento
estruturador da nossa atividade de propaganda nacional.
Criar as condições para que a revista Princípios
aumente sua tiragem, amplie seu número de assinantes e
fortaleça a redação, para poder jogar maior papel na
luta de idéias, atingir as universidades e centros de
luta ideológica.
A Classe Operária, como órgão central do Partido,
cumpre sua insubstituível tarefa de unificação
política e de formação da vanguarda revolucionária
no Brasil — um país continental e com muitas
especificidades. É um jornal da direção nacional para
todo o Partido, que publica os documentos e
orientações do Comitê Central, sendo a referência
para toda sua área de influência e demais forças
políticas. É instrumento de divulgação fundamental,
pois a maioria dos filiados ainda não tem acesso à
internet. Devemos lutar contra o rebaixamento de seu
papel entre nós. Precisamos investir mais em recursos
materiais e humanos na sua elaboração para que reflita
a dinâmica da vida do Partido. Atingimos o pico de 50
mil jornais na divulgação das teses do 10º Congresso
e a tiragem se estabilizou na média ainda insuficiente
de 20 mil exemplares mensais. É nossa tarefa ampliar a
circulação e equacionar melhor sua periodicidade. No
plano de construção junto ao proletariado, a Classe
deverá pautar-se para servir de instrumento do Partido
nas fábricas e nas grandes concentrações operárias.
Deveremos lançar mão de inúmeros outros instrumentos
para atingir os milhões de brasileiros em todo o
território nacional. Para isso a TV e o rádio são
fundamentais. Em nossos programas institucionais,
procuramos falar de forma simples e direta, com a
linguagem própria desses meios de propaganda. Na TV,
utilizando as imagens, a emoção e a esperança em um
novo Brasil como elementos importantes para ganhar os
corações e mentes para a perspectiva socialista. No
rádio, as possibilidades são diversas e exigem
preparação técnica e ocupação dos espaços
disponíveis. Jornais regionais e municipais, integrados
com o jornal nacional, podem e têm contribuído também
no sentido da massificação de nossas idéias.
Trabalhar num conjunto de atividades para as
comemorações dos 80 anos do Partido, em 25 de março
de 2002. Dentre elas, lançar, como instrumento poderoso
de construção partidária, o livro da História do
Partido (em elaboração), resgatando sua memória e
extraindo lições das lutas travadas, além de
comemorar os 40 anos da reorganização (18 de
fevereiro) e os 30 anos da Guerrilha do Araguaia, em
abril.
Atualizar, do ponto de vista gráfico, a logomarca do
PCdoB, padronizando nacionalmente a identidade visual do
Partido, contribuindo para a massificação da
referência comunista.
Equacionar os novos problemas decorrentes da fusão do
trabalho de propaganda com o de formação.
Ao efetivarmos a integração das tarefas desenvolvidas
pelas comissões de propaganda e formação novos
desafios se apresentam — como a organicidade e a
problematização do conteúdo científico orientador do
trabalho. O Partido se prepara para enfrentar grandes
batalhas e continuará se capacitando para cumprir seus
objetivos históricos.
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