Camaradas e amigos, o 10o Congresso
prepara o coletivo partidário para a elevação da luta
antineoliberal, na busca de um novo rumo para o Brasil,
e reforça a construção de um Partido Comunista do
Brasil forte, partícipe destacado da vida política e
social do país, inspirado nas idéias do socialismo
renovado.
Dentre os problemas relevantes da atuação política do
PCdoB situa-se a experiência dos comunistas nos
governos municipais e estaduais – que cresce
gradativamente, desde 1988, quando o Partido jogou papel
saliente em importantes vitórias das forças populares
e democráticas, como a conquista da Prefeitura de São
Paulo e a partir dos êxitos eleitorais obtidos em
pleitos municipais e estaduais que se seguiram. Hoje, o
PCdoB governa a cidade de Olinda (a segunda em
importância política em Pernambuco, patrimônio
histórico e cultural da Humanidade, que tem na camarada
Luciana Santos a primeira prefeita comunista do país) e
Mirandiba, no Sertão Central pernambucano. São
comunistas: o ex-vice-governador do Piauí; os
vice-prefeitos do Recife e de Aracaju e de mais quatro
cidades; cerca de 600 ocupantes de postos de relevo em
administrações municipais e estaduais, dentre
secretários, dirigentes de empresas estatais,
fundações e autarquias; e detentores de funções
importantes em escalões intermediários. Essa
experiência em geral vem servindo para a ampliação da
atividade política do Partido, dando-lhe maior
visibilidade e prestígio social, atraindo para suas
fileiras e para sua esfera de influência,
parlamentares, lideranças políticas, técnicos e
intelectuais qualificados, ativistas das lutas sociais.
Implica, por outra parte, em situações novas na vida
partidária – com reflexos políticos, ideológicos e
organizativos – que demandam exame acurado por parte
dos organismos dirigentes.
Trata-se de uma experiência muito diversificada,
refletindo as especificidades regionais, o perfil e a
extensão das coligações partidárias e o grau de
inserção dos militantes na administração. Há,
entretanto, traços comuns em relação às diversas
situações, relacionados com a orientação adotada e
com a própria natureza política una e revolucionária
do PCdoB. A participação nos governos é parte
integrante da ação política geral do Partido,
associada às demais frentes de luta, tendo como foco a
busca de um novo rumo para o país através da
constituição de uma maioria social e política capaz
de promover um pacto social progressista e abrir caminho
para transformações de conteúdo mais avançado.
Essa rica e importante atividade institucional ainda
carece de um balanço abrangente, crítico e
autocrítico. Cumpre, nesse instante, registrar aspectos
reveladores do valor do trabalho dos comunistas nessa
frente, reafirmar princípios, intenções
programáticas e indicações em favor do aprimoramento
do trabalho militante tendo em vista nossos objetivos
estratégicos.
Importância atual
Cabe assinalar que a intensificação do trabalho dos
comunistas nas frentes parlamentar e institucional
decorre de uma gama de circunstâncias, que conformam
objetivamente as possibilidades e os limites
momentâneos da luta política e social no Brasil – em
conexão com a correlação de forças ainda adversa, em
plano mundial. Numa conjuntura de refluxo do movimento
revolucionário, com reflexos sobre as lutas sociais sob
as condições da ofensiva neoliberal, a atividade
institucional ganha importância e corresponde ao atual
período de prolongada acumulação de forças. Mas isto
não significa que a participação em governos tenha se
convertido no centro de nossa tática. Antes é preciso
combinar permanentemente a ação institucional e
parlamentar com as lutas sociais, conjugando-as no
intuito de elevar o patamar do conflito entre o povo e
as elites dominantes.
Expressando esse entendimento, a Resolução Política
do 9º Congresso, ao formular o conceito de “partido
revolucionário, marxista-leninista, de feição moderna”,
agregou como um dos seus atributos a predisposição de
“assumir responsabilidade em níveis de poder local e
mesmo nacional, se existirem as condições necessárias
para isso”. Uma diretriz importante, que denota
correta apreciação da correlação de forças e
procura, no cenário atual, estender nossa ação
política a áreas antes consideradas secundárias.
Posteriormente, após os resultados obtidos no pleito de
2000, quando o Partido participou de coligações
vitoriosas em 160 municípios, o Comitê Central definiu
com clareza essas “condições necessárias”: “I
– Adoção de políticas, programas e projetos de
aprofundamento da democracia e desenvolvimento
econômico e social, sintonizados com as aspirações
dos trabalhadores, com o objetivo de elevar o nível de
consciência política e de organização do povo e
baseados em participação popular; II –
Fortalecimento da unidade das forças políticas
progressistas, democráticas e populares; III –
Fortalecimento da identidade partidária, preservando a
sua independência e contribuindo com a sua
construção; IV – Transparência na ação e na
política administrativa adotada, em especial na
prestação de contas, junto à população e ao
Partido, da ação de seus representantes”.
Ressaltam, nessa orientação, a um só tempo, a
flexibilidade tática indispensável à condução da
luta política em função do objetivo estratégico; e o
zelo em relação à independência de classe do
Partido.
O reconhecimento da necessidade de travar o embate
político nas mais diferentes esferas da sociedade,
inclusive a partir dos governos municipais e estaduais
– até do governo central, na ocorrência de
condições favoráveis – se coaduna inteiramente com
o conteúdo do Programa Socialista, que assinala: “o
caminho para o socialismo passa pela realização de
inúmeras batalhas em diferentes níveis com a ampla
participação do povo. Não pode ficar restrito à
esfera da propaganda revolucionária. É indispensável
atuar no curso dos acontecimentos políticos cotidianos”.
A participação do PCdoB nos governos é, portanto,
parte essencial da orientação tática adotada para o
evolver da luta de classes em nosso pais – que tem
como objetivo central deter a ofensiva neoliberal e,
mediante ampla frente política e social, de cunho
nacional, democrático e popular, conquistar um novo
direcionamento para o desenvolvimento do Brasil.
Forjar a corrente socialista
O Programa Socialista, em seu capítulo VI, “O
caminho para alcançar o socialismo”, indica que “todo
o procedimento político e organizativo relacionado com
o caminho para o socialismo objetiva acumular forças,
ganhar prestígio e influência no meio do povo. (...)
Tarefa de primeiro plano para alcançar o socialismo é
a construção de um forte Partido Comunista.”. A
questão central, portanto, no exame da participação
do PCdoB nos governos é exatamente esta: como e em que
medida essa participação contribui para o acúmulo de
forças em função do objetivo estratégico (“a
conquista do poder político pelo proletariado e seus
aliados, o campesinato, as massas populares urbanas, as
camadas médias e a intelectualidade progressista”),
sendo a essência do acúmulo de forças, do ponto de
vista revolucionário, a “construção de um forte
Partido Comunista”?
A missão histórica do Partido Comunista é exercer a
vanguarda do movimento transformador. E a exerce
através da fusão da consciência socialista com o
movimento “espontâneo” que, por si mesmo, limita-se
a objetivos imediatos, parciais, ou às ilusórias
soluções social-democratas, reformistas. Daí decorre
que o PCdoB, no interior dos governos de que participa,
deve se constituir como uma corrente de pensamento
independente, socialista, em torno da qual se aglutinem
não apenas os comunistas mas numerosos técnicos e
ativistas sem partido.
Os comunistas não podem, sob nenhuma hipótese,
deixarem-se diluir na pluralidade de forças que
compõem os governos. É preciso que se diferenciem,
não apenas pela eficiência técnica e administrativa,
pelo respeito e dedicação ao povo, pelo comportamento
transparente e ético; mas, sobretudo, através das
idéias avançadas.
Travar a luta ideológica
Sempre há a possibilidade de influência
social-democratizante, e também neoliberal, nos
governos de esquerda. Governantes ávidos por
realizações imediatas – influenciados por técnicos
e intelectuais desarmados, política e ideologicamente;
permeáveis a teses destinadas a acomodar a
administração aos limites impostos pelo grande capital
e pelos constrangimentos políticos, institucionais e
financeiros decorrentes do modelo de desenvolvimento
capitalista-dependente, de natureza neoliberal, ora
vigente no país –, tendem a reduzir seu horizonte a
políticas públicas compensatórias. Adequam-se à
gestão da máquina estatal burguesa, não exploram
todas as possibilidades que o poder público local
oferece de resistência às políticas emanadas do
governo central e de mobilização do conjunto da
sociedade em busca de soluções inovadoras para os
problemas que afligem a população. Demais, tendem
muitas vezes a restringir a participação popular a
parâmetros quase que meramente formais, através de
mecanismos de gestão pública do orçamento e de tomada
de decisões setoriais carentes de efetiva influência
do povo organizado. Na gestão econômica e financeira,
no disciplinamento do uso e ocupação do território
urbano e na abordagem de problemas estruturais – como
transporte, segurança alimentar, saneamento, dentre
outros –, e de políticas públicas fundamentais, como
a da educação e a da saúde, a da cultura e a dos
esportes, não são poucos os que se inclinam por
simplesmente reproduzirem conteúdos e procedimentos
conservadores, ainda que com roupagem aparentemente
progressista.
Demais, nas condições do chamado mundo globalizado, as
articulações possíveis do poder local com governos e
agências financiadoras internacionais – aos quais
recorre em busca dos recursos financeiros e aporte
técnico – implicam, em muitos casos, em agravos à
identidade nacional e cultural das cidades. Ao que se
associam exóticas teses que sugerem um retorno às
cidades-Estado, subestimando o poder central como
promotor das transformações de fundo na sociedade.
Diz-se que a globalização da economia e das
comunicações leva a que culturas, línguas e
religiões sejam compartilhadas por todos os povos e que
a diplomacia internacional não estaria mais
circunscrita às relações entre os governos centrais,
mas envolve o conjunto dos poderes nacionais e locais. E
que nos fóruns internacionais de cidades, que se
multiplicam, problemas do desenvolvimento local e
regional seriam compartilhados de tal modo que as
diferenças de abordagem ideológica que persistem sobre
eles são meramente formais. Assim, uma grande rede
unitária de cidades, em formação, configuraria uma
espécie de “nova ONU”, voltada para o
desenvolvimento de ações de cooperação
descentralizada em redes internacionais orientadas para
o fortalecimento institucional das administrações
locais; apoiada em “uma diplomacia própria, de baixo
para cima”, sustentada por acordos internacionais
firmados entre os representantes locais de
administrações descentralizadas – como defende a
prefeita da cidade italiana de Turim, Mercedes Bresso,
presidente da FMCU (Federação Mundial das Cidades
Unidas), cujas idéias têm certa acolhida entre
gestores brasileiros.
Também tem significação a tese, defendida por alguns,
de que o denominado orçamento participativo teria um
papel transformador do próprio caráter do Estado,
reformulando-o em “bases democráticas e inclusivas,
diferenciado tanto do Estado de bem-estar
social-democrata, como do modelo neoliberal e do “autoritarismo”
socialista. O que seria parte de uma “nova concepção
de socialismo” – espontaneísta, desprovida de
qualquer base científica! – a ser construído “por
iniciativa de comunidades e movimentos sociais, no seio
da sociedade civil, e não a partir de um Estado
governado por socialistas”.
Isto impõe aos comunistas a necessidade de manifestar
com nitidez a sua compreensão a propósito da natureza
de classe burguesa do Estado brasileiro; das causas da
sua crise fiscal e financeira; e da sua dissociação
profunda e crescente dos interesses dos trabalhadores e
do povo. Requer a denúncia do desmonte do Estado
nacional, a defesa da sua reconstrução como parte da
conquista de objetivos intermediários, relacionados com
a mudança de enfoque no desenvolvimento do país, a
caminho de futuras transformações de maior
envergadura. Implica na demonstração, com argumentos
vivos e consistentes, da exaustão da capacidade da
elite dominante de se colocar à frente de um projeto
nacional e soberano de desenvolvimento do país e a
indicação da necessidade da constituição de um novo
poder político, sob a hegemonia dos trabalhadores e das
camadas populares urbanas e rurais, a partir do qual se
proceda a superação do capitalismo pelo socialismo.
Inúmeras são as questões que emergem no cotidiano das
administrações municipais e estaduais, envolvendo
interesses reais da população, em torno das quais flui
o confronto de idéias. Limites e possibilidade de
resistência às políticas neoliberais; alcance dos
mecanismos e fóruns de participação como espaços
públicos do conflito social; política fiscal como
instrumento de promoção do desenvolvimento econômico;
compatibilização da ocupação e uso do solo urbano em
bases equânimes e democráticas com a expansão dos
empreendimentos imobiliários, adequação de políticas
habitacionais à carência de linhas de financiamento e
à ampliação das demandas e do acirramento da luta
pela moradia; política salarial e plano de cargos do
funcionalismo público face às prioridades
estratégicas da administração; políticas públicas
relativas à atenção à saúde, à educação, à
cultura e à preservação ambiental; prioridades na
destinação dos recursos orçamentários – são,
dentre tantos, temas que reclamam opinião fundamentada
dos comunistas. Assim como problemas estruturais que
exigem abordagem metropolitana, no caso de cidades
integrantes de aglomerados urbanos, como o transporte e
o trânsito, a segurança, o saneamento e a destinação
dos resíduos sólidos. Ou ainda questões carregadas de
conteúdo ideológico, como os conceitos de Cidadania,
Direitos Humanos e Ética – via de regra marcados por
concepções liberais, que procuram obscurecer seu
conteúdo de classe.
Pesa a ausência de um acúmulo maior dos comunistas no
trato de tais questões – e por conseqüência, a
dificuldade de uma diferenciação em relação às
demais correntes políticas em presença. Ao se inserir
mais amplamente nas experiências administrativas, o
Partido convive com outras correntes possuidoras de um
conhecimento empírico e teórico muitas vezes
avançado, relativo a padrões democráticos de
relação entre a instituição estatal e a sociedade,
com as quais é necessário interagir. Daí a
conveniência de realizar, concomitantemente com o
desenrolar da experiência concreta, pesquisas, estudos
e debates destinados a formar juízo de valor próprio
sobre tais questões. O esforço da bancada federal de
vincar marca partidária, própria, na abordagem da Lei
de Responsabilidade Fiscal constitui exemplo a ser
seguido.
É papel irrecusável dos comunistas defender os
interesses fundamentais do povo, como prioridade nos
investimentos e na implementação das políticas
públicas, em contraposição à lógica neoliberal que
reforça privilégios e amplia a exclusão social. Lutar
pela democratização da gestão pública em suas
variadas dimensões: na operação de governo, no
relacionamento com o funcionalismo e na interação com
a sociedade – atentando sempre para evitar que se
disseminem expectativas ilusórias entre militantes,
ativistas, técnicos e parcelas das massas envolvidas
com a ação governamental.
Ação política diversificada
A participação dos comunistas nos governos, a par
de permitir sua inserção no debate de idéias, no
interior da administração, em geral também propicia a
participação em fóruns que se desenvolvem em outras
instâncias da sociedade. Muitos são os quadros que,
mercê do prestígio que vão angariando, passam a ter
acesso a diferentes públicos, seja na academia, seja em
instituições diversas da sociedade civil, seja junto a
distintos segmentos sociais – onde explicitam os
pontos de vista do Partido sobre problemas locais e
setoriais, articulando-os com as questões nacionais.
Aos poucos se firmam como referência na luta de
idéias, atraindo adeptos e seguidores; logrando,
inclusive, atenuar a desinformação e o preconceito em
relação ao PCdoB.
Os governos, em geral constituídos a base de frentes
amplas – em que predominam a pluralidade política e
ideológica –, apresentam-se como ambiente pleno de
possibilidades para a implementação da política de
alianças do PCdoB. A administração é palco de
discrepâncias, da formação de consensos e da
celebração de acordos visando à ação comum. A
conduta hábil, combinando a polêmica com a busca da
unidade, favorece o fortalecimento e a ampliação das
alianças políticas com partidos, grupos, lideranças,
setores técnicos e intelectuais – tanto nas cúpulas
governamentais como nos escalões intermediários.
Quadros comunistas, exercendo funções de
responsabilidade na administração, têm a oportunidade
de vivenciar os problemas concretos da vida da
população, conhecendo os mecanismos como são tratados
pelo poder público. Passam a dominar políticas
públicas, adquirem capacidade gerencial, estabelecem
diálogo com diferentes segmentos sociais, administram
conflitos. Operam, em muitos casos, a difícil relação
entre os poderes Executivo e Legislativo, que condiciona
a governabilidade. Projetam-se como gestores
conceituados. E, desde que efetuem uma prática
consciente, não-espontaneísta, examinem os problemas
à luz da linha partidária, conseguem alcançar uma
percepção mais nítida e concreta do caráter de
classe da instituição estatal e da necessidade da sua
superação mediante a ruptura revolucionária.
A participação nos governos também se revela
importante instrumento de ligação com o povo.
Programas sociais, orientados para a geração de
emprego e renda e para amainar as conseqüências da
exclusão social; intervenções urbanísticas que
mobilizam a população; fóruns de gestão pública e
democrática do orçamento, Conselhos e Conferências
setoriais; mediação do conflito com o movimento
popular – dão oportunidade a que os comunistas
estabeleçam laços de solidariedade e de aproximação
com ativistas e grupos organizados da população,
sensíveis à discussão política e permeáveis às
nossas proposições. Há situações em que amplas
parcelas da população se envolvem no debate em torno
da ação governamental, travando contato com a
experiência do poder local. Configurando, assim,
ambiente favorável à ampliação da base militante do
Partido e do lastro social de sustentação da sua linha
política.
Reforçam-se, mutuamente o trabalho realizado nos
governos, nas casas legislativas e no seio dos
movimentos sociais, se devidamente integrados através
da orientação política partidária e de planos que
explorem as suas interfaces. São frentes onde o Partido
intervém de acordo com a sua tática geral e sempre no
intuito de elevar a combatividade, o nível de
consciência política e de organização do povo.
Convergem para a busca permanente de estreitamento dos
laços orgânicos do Partido com as massas.
Manter elevado o espírito de partido
Tais objetivos e possibilidades não se concretizam,
contudo, se os militantes atuarem no interior dos
governos de maneira dispersa. É imprescindível que
trabalhem organizados numa rede partidária própria,
composta por células e frações. Nenhum militante deve
atuar isoladamente, sem vínculo organizativo, sem ter
onde e com quem debater o trabalho que realiza,
avaliando-o, crítica e autocriticamente; e planejar,
dentro da sua área de atuação, a implementação das
alianças, a ampliação das ligações com o povo, o
recrutamento de novos militantes e o fortalecimento da
base material de sustentação do Partido. A dispersão
orgânica leva inevitavelmente à diluição política e
ideológica, põe em risco a unidade de pensamento e de
ação.
É na estrutura partidária que deve fluir o debate
esclarecedor em torno de questões que inquietam a
militância – prevalecendo, sempre, a orientação do
Partido.
No relacionamento do governo com a sua bancada de
sustentação no Poder Legislativo, vem à baila o modo
como o parlamentar comunista exercita o seu apoio e ao
mesmo tempo preserva a sua independência política –
da qual o Partido não abre mão –, sem se deixar
levar pelo corporativismo, pelo eleitoralismo vulgar ou
pelo localismo inconseqüente.
Na relação do governo com os movimentos sociais (dos
funcionários públicos inclusive), a eventual
convergência de interesses não implica, sob nenhuma
hipótese, em renúncia à mobilização do povo e à
autonomia das organizações de massas; assim como o
conflito momentâneo não justifica a tomada de atitude
precipitada ou desconectada do contexto da luta de
classes e da concepção estratégica do Partido.
Também é condição sine qua non da manutenção da
independência de classe do Partido no interior dos
governos, da elevação continuada da qualidade da
ação empreendida, prevenir a formação de grupos “independentes”
e distanciados da orientação partidária. Para tanto,
imprescindível é a adoção, por parte da direção
local, de mecanismos de acompanhamento e controle dos
quadros e militantes que ocupam funções na
administração. Uma vez traçada a orientação geral,
consideradas as circunstâncias, o plano e as
peculiaridades do governo, e a dimensão da tarefa dos
militantes, estes têm liberdade inventiva e autonomia
de ação compatíveis com a natureza e o ritmo do
trabalho administrativo. Porém, não estão dispensados
da prestação de contas regular e da avaliação
crítica e autocrítica do seu desempenho, perante o
Partido e o povo.
Na destinação de militantes à administração,
importa, por parte das direções partidárias,
atenção para que a escolha de quadros mais avançados
não enfraqueça a estrutura partidária nem fragilize a
sua capacidade de iniciativa nas diversas frentes de
luta.
A ocupação de cargos pelo militante é uma missão que
lhe é conferida pela classe, através do seu Partido.
Jamais benesse ou honraria, muito menos espaço próprio
para a alimentação de projeto individual. O comunista
no governo é antes de tudo um cumpridor consciente e
disciplinado da orientação política e das normas
estatutárias; empenhado em servir ao povo com base nos
princípios e nos valores revolucionários. Se deixarem
de existir as condições para a participação do PCdoB
e a aliança política é desfeita, o militante deve
abandonar o cargo com a mesma determinação que o
assumiu, mantendo elevado o espírito de partido.
O cargo público é transitório. Permanente deve ser o
desejo do militante de ostentar por toda a vida o
honroso título de membro do Partido Comunista do
Brasil!
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