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  9ª Conferência | Notícias

10º Congresso do PcdoB
 
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Resoluções
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Sobre a situação nacional
Sobre o partido
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Intervenções especiais
Traços da situação internacional
 José Reinaldo Carvalho
A atuação do Partido junto ao proletariado 
João Batista Lemos
Informe especial sobre a desnacionalização
Haroldo Lima
Nova etapa da construção partidária
Jô Moraes
Forjar a corrente socialista através da participação do PCdoB nos governos municipais e estaduais
Luciano Siqueira
Juventude e militância política socialista
Ricardo Abreu - Alemão
Avaliação do trabalho parlamentar do PCdoB
Inácio Arruda
Amazônia: uma região estratégica
Eron Bezerra
A política de finanças
Ronald Freitas
Perspectivas da propaganda comunista
Pedro De Oliveira
Acerca da questão nacional na perspectiva do socialismo
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A questão de gênero e o PCdoB
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"Um partido vitorioso"
João Amazonas
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 Intervenções Especiais do 10º Congresso
A política de finanças
José Freitas
Quando da realização do 9º Congresso do Partido, foi apresentada uma Intervenção Especial sobre o Trabalho de Finanças, cujo conteúdo tem sido a linha orientadora do nosso trabalho nessa frente.
Quatro anos se passaram desde o início dessa empreitada. Compete-nos vir em presença da Plenária do 10o Congresso para apresentar um balanço dos resultados de implementação das idéias e propostas que compuseram a referida intervenção e apontar os novos desafios que a luta nos coloca nessa frente.
- Iniciamos a implantação do Sistema Nacional de Contribuição Militante (SINCOM) que conta com cerca de 1.830 contribuintes e cujas receitas correspondem a 8% do orçamento do Comitê Central.
- Constituímos um serviço de controle e acompanhamento contábil, que, de acordo com as normas legais emanadas da Justiça Eleitoral, padroniza as Prestações de Contas das Finanças partidárias, tanto no que respeita aos exercícios financeiros anuais como as prestações de conta das campanhas eleitorais.
- Buscou-se a consolidação e diversificação das fontes de finanças, ajustando e padronizando os sistemas já em curso, e intensificando a busca de novas fontes, com destaque para as Campanhas de Massas, Eventos Partidários e Ajuda de Amigos e Simpatizantes.
Assim, diversificaram-se as fontes, e embora sendo as finanças de origem do trabalho parlamentar as que mais contribuem para o nosso orçamento global, outras fontes vão aumentando sua participação.
- Foram instaladas em nível nacional em vários Estados e em alguns Municípios Comissões de Finanças.
Como se desenvolveu esse processo, quais as dificuldades encontradas, quais os êxitos obtidos, qual o novo passo a ser desencadeado?
Inicialmente buscamos estabelecer os fundamentos político-ideológico-organizativos do trabalho e partimos para uma intensa atividade de propaganda em torno do tema onde procurávamos dar os elementos que deveriam fundamentar a nossa ação nessa frente. Foram distribuídos a todos os militantes que participaram dos debates e discussões do Congresso um carnê personalizado, que lhes possibilita contribuir sistematicamente com o Partido. Essa ação coordenada, de discutir as bases e os fundamentos da tarefa, ao mesmo tempo em que desencadeou uma ampla campanha de Contribuição Militante, teve uma expressiva repercussão no meio partidário.
A situação mais geral dessa frente era que no Partido não havia a prática e muito menos se discutia para tratar da “questão de finanças” como um problema político. Na realidade, as questões relativas à manutenção material do Partido – de como pagava suas contas –, não era assunto que entrava na pauta de discussão da absoluta maioria das direções, em todos os níveis.
As bases dessa situação eram e, em larga medida, continuam sendo, que manifestávamos nessa tarefa uma atitude voluntarista e espontânea. Voluntarista na medida em que se adotava e ainda se adota uma postura na qual a realidade importava menos do que a nossa vontade de realizar algo, ou que essa vontade fosse realizável porque as bases do pensamento que a gerou são corretas, científicas. Daí decorre que raramente nos preocupássemos, e ainda não nos preocupamos suficientemente, em criar as condições materiais que nos permitiriam realizar nossos sonhos, materializar a nossa vontade.
Espontaneísta à medida que se planejam pouco as ações, e quando o faz não se considera em profundidade o aspecto financeiro, não se estabelece o orçamento da tarefa, não a relaciona com as demais, estabelecendo prioridades, não se prevê as fontes de recursos necessárias à sua consecução. O espontaneísmo dá base operacional ao voluntarismo.
Em função desse quadro, envidamos esforços no sentido de politizar a tarefa de finanças, introduzindo-a na pauta de discussão das Direções Partidárias em todos os níveis.
Buscamos explicitar o fundamento político-ideológico da tarefa, ao mesmo tempo em que colocamos ao alcance de cada militante um sistema seguro e eficiente de contribuição.
Realizamos quatro Encontros Nacionais de Finanças, vários Encontros Regionais, trouxemos a discussão do problema para o Comitê Central, e estabelecemos normas que vinculam a participação plena do membro do Comitê Central em suas reuniões, a estar em dia com a sua contribuição partidária. Tudo isso fez parte do processo de mobilizar o Partido e engajá-lo na construção de um Sistema de Finanças capaz de garantir suas condições de existência de forma auto-sustentada. Essas atividades tiveram ampla repercussão na vida partidária e o assunto Finanças vem sendo progressivamente assimilado como tema político relevante pela maioria dos membros das direções.
Durante esse período, iniciou-se a realização da elaboração de Planos Integrados de Construção Partidária, onde a elaboração dos mesmos decorria da ação conjunta das Comissões Nacionais de: Organização; Propaganda; Formação e Finanças. Isso permitiu um amplo e seminal trabalho de discussão com o Partido, onde as tarefas de construção orgânica passaram a ser tratadas como atividades conjuntas das quatro comissões nacionais.
Na elaboração e execução dos planos avançou-se bastante e a tarefa de Finanças foi assumida no mesmo patamar que as demais, contribuindo, assim, para realçar a sua importância política.
Destacamos também no 9º Congresso, o combate ao amadorismo e a necessidade de profissionalizarmos a tarefa de finanças. Neste terreno construímos e mantemos um eficiente serviço de controle e recepção das contribuições, que nos permite informar a cada Estado o membro que contribui e com quanto e de que maneira o faz.
Finalmente assinalamos que a luta pela construção de uma base material à altura do nosso Partido, exige por parte das Direções a montagem de um Sistema de Finanças, que, tendo por base a Contribuição do Militante, desenvolva amplas finanças de massas; realize atividades de captação entre amigos e simpatizantes de nossa luta; conte com a contribuição de Parlamentares e demais detentores de cargos por indicação partidária; e realize finanças no curso da luta política.
Hoje, após esses quatro anos já referidos, a realidade se apresenta assim:
- A questão de finanças está fundamentalmente incorporada à agenda das Direções Partidárias, e tem havido um movimento no sentido de ampliar essa discussão com a militância. No terreno organizativo já foram constituídos vários Comitês Estaduais de Finanças e alguns Municipais.
- Iniciou-se um processo de planejamento integrado de construção partidária, onde através do estabelecimento de metas de novas filiações, realização de cursos, divulgação de materiais e metas financeiras, se procura racionalizar o trabalho do Partido.
- A existência do SINCOM é um fato político constante da vida partidária e a luta tenaz pela sua implementação o consolida como elemento aglutinador da discussão e prática da construção de uma política de finanças no Partido.
Mas muito está por ser feito, e os números que apresento falam mais que longas dissertações.
Nesse período, dos cerca de 30 mil membros do Partido aproximadamente 700 integraram-se ao SINCON. Mas recentemente esse número evoluiu e temos atualmente cerca de 1.830 contribuintes. Chama a atenção o fato de haver no Partido cerca de 3 mil quadros dirigentes, em vários níveis, ficando evidente que boa parte deles não contribui por meio do Sistema, se é que contribuem. E apesar de resoluções de Comitês Estaduais com a orientação de que para participar plenamente das suas reuniões os dirigentes deveriam estar em dia com os pagamentos, grande número delas não é cumprido, banalizando a decisão e denotando pouco empenho de dirigentes na implementação do sistema.
No que se refere à realização de Campanhas Nacionais Centralizadas, as mesmas não foram possíveis de ser efetuadas, sendo apenas algumas realizadas no âmbito dos Estados.
Continuamos tendo dificuldades e resistência em realizar finanças no Curso de Atividade Política.
Embora tenhamos diversificado as Fontes de Finanças, ainda predominam largamente as contribuições provenientes das atividades parlamentares.
Se a constituição da Comissão Nacional de Finanças foi um significativo avanço, também ainda há muito a ser feito. A Comissão pela sua própria estruturação, com membros espalhados em vários Estados, tem enfrentado problemas de funcionamento e necessita ser reformulada, para atender a novas exigências.
Persistem resistências e é necessário haver uma participação mais ativa por parte das Direções no engajamento de todo o Partido no SINCOM.
Avançamos no sentido de uma politização e profissionalização da Frente de Finanças, mas esses avanços ainda são limitados e encontra, na permanência de uma visão idealista em relação à questão das bases materiais do Partido, um freio expressivo que necessita ser compreendido e superado.
Fazer política hoje no Brasil é caro, muito caro: são os programas de TV; a edição de jornais e revistas; as viagens de assistência e acompanhamento; as viagens de representação internacional; os Encontros Nacionais por áreas de atuação; as reuniões do Comitê Central e a realização de Congressos. Cada uma dessas atividades exige recursos, muitos recursos, e limitarmos a realização plena dos mesmos por insuficiência de fundos denota uma debilidade que exige empenho, interesse, e participação do conjunto partidário, mas com destaque para a Direção e, mais ainda, para os dirigentes mais destacados.
Diante do balanço apresentado, cumpre-nos destacar os novos passos a serem dados no rumo de consolidar êxitos, corrigir erros e vencer novos desafios.
É necessário persistir no caminho de politizar a tarefa de finanças, levar a compreensão que lutar pela construção de uma base material partidária, capaz de dar suporte às nossas atividades políticas, é uma tarefa essencial. Nesse sentido, o novo passo a ser dado é levar essa discussão a toda a militância.
Até agora colocamos o foco do trabalho da direção nacional até as direções municipais. Devemos continuar a discussão em todos esses níveis, mas já temos experiência acumulada e é necessário levar essa discussão até o militante, ganhá-lo para a compreensão de que é a partir dele, de sua atitude como um agente ativo, que se obterá finanças para o Partido; neles está a chave do problema.
Devemos continuar a construir o SINCOM nos termos atuais, de forma centralizada, e, dessa maneira, efetivar uma integração orgânico-financeira entre as várias instâncias partidárias, que estreitará os laços político-ideológicos do conjunto do Partido.
Aos vários níveis partidários deve ser colocado o objetivo de conseguir – por meio da contribuição militante –, levantar os recursos básicos do seu funcionamento tais como: aluguel de sede, contratação de funcionário etc. e, dessa maneira, buscar nas fontes externas de finanças os recursos para a ação política de massas.
Múltiplas são as tarefas que a Frente de Finanças impõe, mas no novo quatriênio iniciado além das tarefas já indicadas devemos concentrar esforços em colocar o militante no centro de nossa atividade nessa área. Desenvolver no comunista a consciência do dever de ser um agente fundamental na construção da base material do Partido. Contribuir, e além de contribuir, participar de atividades que objetivem arrecadar fundos financeiros é uma tarefa nobre, tanto quanto um piquete de greve; uma passeata; a participação em um curso ou palestra, uma disputa eleitoral, etc. Despertar no militante essa consciência é uma enorme tarefa político-ideológica que temos pela frente; é sumamente necessário diante da complexidade da luta política que travamos na atual conjuntura.

Sobe

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