Este é um momento decisivo desta
plenária final do 10º Congresso do nosso Partido.
Estamos concluindo os trabalhos, procurando votar
democraticamente o nome dos novos membros de direção.
Camaradas, temos um partido combativo, que não é
fechado; um partido – em certo sentido – alegre
porque luta por ideais elevados, com a certeza de que
eles podem ser conquistados. Por isso me alegra na
realização deste 10º Congresso, sobretudo o
entusiasmo e a numerosa participação de delegados de
quase todo o Brasil. E todos aqui se reúnem para
discutir com seriedade o futuro da nossa organização.
Não tenho dúvidas sobre o nosso futuro, pois nosso
Partido está vivendo um momento, como acentuou aqui o
companheiro Renato Rabelo, de expansão – está
vivendo um momento de crescimento organizado. O nosso
Partido vive uma situação de real importância para os
destinos do nosso país.
Saímos, nestes oitenta anos de luta, daqueles períodos
duros em que o Partido não passava de uma força –
sem dúvida – combativa e cheia de heroísmo, porém
fechada e com dificuldades para se relacionar e se impor
na sociedade brasileira como uma organização
respeitável e digna de ser ouvida e seguida pelos
brasileiros.
Por isso, companheiros, devo dizer que este Congresso
assinala um ponto de viragem para o nosso Partido. Estou
certo de que nas próximas eleições vai ficar definido
melhor ainda como o PCdoB vai conquistando posições
sólidas na sociedade brasileira – um partido que se
impõe pela defesa não somente dos ideais grandiosos,
como é a conquista do socialismo, mas sobretudo por
saber dar soluções aos problemas cruciais que se
colocam a cada momento na vida do nosso país.
E este Congresso registra um partido vitorioso. No
momento em que vamos eleger um novo Comitê Central do
Partido – a companheira Jô Moraes acabou de fazer
aqui uma dissertação bastante elucidativa sobre os
novos membros que deverão constituir a nova direção.
Quero colocar aqui o que já expressei diante do Comitê
Central que terminou o seu mandato diante deste
Congresso.
Companheiros, dirijo este Partido – como principal
dirigente, digamos assim – desde 1962. Claro que não
era somente eu; pois se tratava de uma direção
coletiva de companheiros abnegados, de quem não posso
falar sem lembrar com saudades e com respeito pela sua
combatividade – companheiros como Maurício Grabois,
Pedro Pomar, Lincoln Oest, Carlos Danielli, Ângelo
Arroyo, Luis Guilhardini e outros tantos que estiveram
presentes na direção deste Partido e que pagaram alto
preço pela coragem de desafiar um regime de traição e
brutalidade em nosso país, para defender os interesses
do nosso povo. Esses companheiros foram todos
assassinados pela repressão e morreram com honra no seu
posto de luta. Portanto, camaradas, devo dizer que
dirijo este Partido desde 1962, com a sua
reorganização, e assumindo maiores responsabilidades
ainda com a morte dos principais dirigentes daquela
época.
Agora vou fazer – em abril de 2002 – 67 anos de
militância no PCdoB; e militância ininterrupta. Jamais
interrompi a minha militância em nenhum momento. Fui
sempre um combatente esforçado para realizar as tarefas
do nosso Partido. Quero colocar diante de vocês uma
questão, que é uma questão também de princípios.
Devo dizer que dentro de duas semanas completo 90 anos
de idade; por isso peço aos camaradas que me dispensem
da função de principal dirigente do Partido – quer
dizer, de presidente nacional do Partido Comunista do
Brasil. No nosso Partido não há cargos vitalícios e
eu tampouco, com isso, estou pedindo aposentadoria.
Quero morrer, companheiros, na minha banca de trabalho,
continuando a lutar pelos ideais que procurei defender
durante a vida. Mas penso que não tenho mais
condições de poder dirigi-lo como principal posição
de direção. E, por isso, companheiros, peço dispensa
desse cargo e aponto para minha substituição o
companheiro Renato Rabelo, um bom camarada que vem se
destacando no nosso Partido e procurando seguir as suas
tradições de luta. Vou continuar como membro do
Comitê Central na minha banca de trabalho, mas já não
tenho condições físicas para continuar à frente do
principal cargo de direção.
Devo dizer, companheiros, que essa substituição se faz
normalmente e se faz como é devido. Por isso quero aqui
agradecer a vocês todos o grande apoio que sempre tive
nas fileiras do nosso glorioso e heróico Partido
Comunista do Brasil.
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