No alvorecer dos 80 anos do Partido
Comunista do Brasil, a vida tem demonstrado: sempre que
houve a compreensão tática e o espaço político
necessário, a atuação dos comunistas no Parlamento
escreveu destacadas páginas que nos tornam plenos de
orgulho.
É o que demonstra a retrospectiva da nossa presença
neste ambiente adverso, posto que palco privilegiado da
democracia burguesa no trânsito de seus interesses.
Neste cenário, ousando ao enfrentamento em menos de
vinte anos de vida parlamentar, o PCdoB imprimiu sua
força nos anais da História.
Mas, por que este meio de atuação é estratégico para
o êxito rumo ao socialismo?
Especialmente em 1946 e em 1988, nas duas constituintes
republicanas que sucederam ditaduras no País, os
comunistas tiveram oportunidade de registrar o vigor do
seu desempenho. Na Constituinte de 1946, em particular,
uma bancada de 15 deputados federais e um senador
mostrou o peso de principal força oposicionista ao
sistema conservador, buscando registrar conquistas do
nosso povo numa Carta elaborada sob condições
restritivas.
No segundo momento da legalidade, após uma ditadura de
curso superior há duas décadas e o massacre de
numerosos quadros, os comunistas retornaram ao panorama
parlamentar nas eleições de 1986. Não obstante os
obstáculos relativos à liberdade e à soberania, e seu
menor peso numérico e expressão partidária na
Constituinte de 1988, apenas cinco parlamentares
imprimiram qualidade às batalhas travadas, à base da
pressão popular e da firmeza dos setores progressistas.
Hoje, vivendo seu mais longo período de vida legal, o
Partido – com sua bancada parlamentar na Câmara dos
Deputados e nos outros níveis de atuação -
desenvolveu, sob essa linha de amplitude e
flexibilidade, uma característica fundamental voltada
para a resistência ao projeto neoliberal, centrada na
busca da unidade oposicionista em defesa da democracia e
dos direitos do povo trabalhador, do patrimônio
público, das riquezas nacionais, e contra as
manifestações de servilismo ao capital financeiro
internacional. Esta linha busca isolar os conservadores
e estimular a constituição de blocos progressistas e
democráticos no Congresso Nacional, assembléias
legislativas e câmaras municipais; vem se desenhando
desde o final dos anos 80 e início dos anos 90. Sua
batalha inicial consistiu no desmascaramento do governo
Collor, simultâneo ao panorama de defensiva no plano
mundial ocasionado pelo fim da bipolaridade.
Com a vitória de Fernando Henrique Cardoso em 1994, o
projeto neoliberal alcançou o patamar almejado pelo
Consenso de Washington, pelo Fundo Monetário
Internacional (FMI) e pelo capital financeiro gerido a
partir dos Estados Unidos da América, na mais extensa e
completa subordinação da nossa História aos objetivos
imperiais. Essa maior dependência foi efetivada
mediante a conjugação dos cinco verbos máximos do
dicionário neoliberal e do atual império
(desnacionalizar, privatizar, desarmar,
desconstitucionalizar e desregulamentar), que estabelece
o caminho para a incorporação do Brasil e da economia
regional à Área de Livre Comércio das Américas
(Alca), desintegrando e liquidando o Mercado Comum do
Sul (Mercosul).
O Parlamento brasileiro foi subjugado pela instalação
em seu ambiente de uma maioria governista, submetida por
um balcão de negócios destinado a subornar deputados e
negociar a soberania nacional, mediante mudanças que
desfiguram completamente a Constituição.
Essas negociatas serviram à aprovação da emenda
constitucional que promoveu a reeleição de Fernando
Henrique em 1998, sob o mesmo pacto entre banqueiros e
mega-empresários que financiou em 1994 o candidato
neoliberal. O elenco de temas enumerados pelo pedido da
CPI da Corrupção acentuou a participação da base
governista nos escândalos que desnudam o projeto em
vigor e o achincalhe ao Parlamento. Nele, FHC passeou à
vontade, comprando e vendendo, além de consciências e
do patrimônio público, uma imagem oferecida e
trabalhada pela mídia para debilitar a democracia,
desmoralizar e substituir o legislativo, decantando sua
ditadura civil. Parte significativa dessa mídia atuou e
atua em perfeita sintonia com o Executivo, mantendo-se
às expensas do poder, voltada para o objetivo de
impedir que informações essenciais cheguem à
sociedade.
Ao longo do ano de 1998, o Palácio do Planalto promoveu
a maior privatização do mundo, vendendo o Sistema
Telebrás ao grande capital, ocasionando a perda do
controle até mesmo da segurança da Nação (inclusive
sob o aspecto militar, visto que a Embratel passou ao
controle da norte-americana MCI). A distribuição – e
parte da geração e transmissão – do sistema
elétrico teve o mesmo destino, conduzindo à atual
crise, na qual os consumidores e o país são duramente
penalizados e as empresas concessionárias são
compensadas pelo setor público por seus “prejuízos”
tarifários.
Nesse ambiente, a maior submissão ao rentismo global
tornou o país mais vulnerável às flutuações
promovidas pela especulação financeira que atingia em
cheio a Ásia, polarizando o debate no Congresso
Nacional. FHC tratou de obscurecer uma onda especulativa
que, após sua reeleição, afundou o mito da propalada
estabilidade na desvalorização cambial de janeiro de
1999. Neste ano, tal mudança custou ao Brasil um
acréscimo na dívida externa líquida, em reais e sem
os acréscimos de juros, de 130,3 bilhões. A perda
total da União chegou aos R$ 62,5 bilhões, visto que
parte da dívida do setor privado foi assumida pelo
Tesouro e Banco Central, mediante a emissão de títulos
vinculados ao dólar. Os devedores privados se
protegeram repassando o risco cambial para o governo.
A inserção do superávit primário na Lei de
Diretrizes Orçamentárias (LDO) passou a determinar a
vida no País, sufocando os investimentos, que são
consumidos pela política subordinada ao pagamento de
juros ad infinitum. A Lei de Responsabilidade Fiscal,
brandida como um regulamento para os administradores
públicos, representou, na verdade, a
institucionalização das normas do FMI para o País e
para o pacto federativo, comprometendo a capacidade de
realização pública das prefeituras e governos
estaduais.
Medidas diversas, como a transferência das iniciativas
nas matérias de interesse partidário e eleitoral para
o Senado ou a redução de direitos trabalhistas,
previdenciários e dos servidores públicos, consagram o
projeto de ataque à democracia em consonância com a
agenda neoliberal.
O governo FHC dedicou-se enfim à consolidação da
entrega do patrimônio nacional e à instituição do
Estado mínimo, desobrigando-se das políticas sociais e
promovendo o desmonte dos direitos, completando a
submissão dos interesses nacionais às regras do
mercado global.
Hoje, além do recurso ao suborno, as votações no
Congresso ocorrem nas circunstâncias de estado de
sítio, requerendo o instrumento do habeas corpus para o
livre ingresso e permanência de visitantes na Casa. A
Polícia da Câmara, sob a inspiração do Palácio do
Planalto, passou a tratar deputados com violência
física e diversos deles enfrentaram a truculência no
exercício da defesa dos interesses populares.
Em conseqüência de tudo isso, a versão de que o
Parlamento é uma instituição corrompida, subserviente
e fonte de vícios políticos, continua se generalizando
junto à população, simultânea à progressiva
desmoralização do modelo neoliberal. Nesse ambiente,
os comunistas não se intimidam e, mantendo uma agenda
permanente, apóiam e estimulam outras legendas à
diferenciação radical; distinguem-se e se colocam em
condições de propor alternativas à situação de
crise em evolução.
Ação ampla e flexível
Malgrado as vicissitudes do período da reforma
constitucional e leilões de estatais, aos comunistas
coube estabelecer a resistência com ênfase nos grandes
temas nacionais, mediante uma atuação contundente
contra o desmonte do país. A intervenção comunista
tem logrado certo êxito na medida em que consegue
aglutinar nas ações conjuntas as bancadas do campo
popular, com opiniões respeitadas neste espectro. Sua
política de alianças conquistou algumas vitórias,
impedindo a aprovação das reformas políticas
restritivas, de fundo neoliberal, planejadas no bojo do
projeto conservador que visa limitar o quadro
partidário e estabelecer toda sorte de dificuldades
para o PCdoB e para as legendas do campo popular,
capitaneadas por expoentes neoliberais (além de
Fernando Henrique, o vice-presidente Marco Maciel, o
prócer do PFL Jorge Bornhausen, o senador Sérgio
Machado, entre outros).
Entretanto, a pretexto de punir bandidos que se escondem
no Congresso Nacional, os mecanismos que garantiam a
imunidade popular estão em via de ser limitados (falta
a decisão do Senado) com o objetivo de atingir os
mandatos populares, tornando-os vulneráveis a variadas
situações.
O povo brasileiro conseguiu frustrar ofensivas que,
apesar da maioria governista, até o momento não se
completaram - em especial a completa privatização dos
setores energético, do petróleo e do saneamento; a
quebra integral da estabilidade no serviço público; a
insistente cobrança de contribuição dos inativos; a
nova investida contra os direitos trabalhistas na forma
do desmonte da CLT. São, estes, momentos de intensa
expressão da luta de classes em curso no país.
O processo e o momento culminante dessas iniciativas
está articulado com a ação mais geral do PCdoB, que
influiu decisivamente na constituição de frentes
únicas eleitorais em 1989, 1994 e 1998. Após essa
última campanha, com o insucesso eleitoral, o
esgarçamento da esquerda teve seus reflexos no
Parlamento. O bloco de esquerda, que incluía PCdoB, PT
e PDT, com o apoio do PSB, não se manteve, mas
conquistamos um novo patamar de unidade articulando um
novo bloco com o PSB. A bancada, que havia dobrado em
1995 (em relação a 1988), também apresentou uma
redução numérica (de três parlamentares) apenas
resgatada em 2002, quando passamos a contar novamente
com dez deputados.
Não obstante as dificuldades, o PCdoB persistiu nas
iniciativas e opiniões que buscam a reaglutinação do
campo popular. Nesse rumo, o seminário “Um Novo
Projeto para o Brasil”, realizado no primeiro semestre
de 2001, foi exitoso: recolheu as opiniões e propostas
de três pré-candidatos (Luiz Inácio Lula da Silva,
Anthony Garotinho e Ciro Gomes). Este acervo constitui o
escopo central do debate em curso, visando a um programa
unitário para as eleições presidenciais de 2002.
Linha combativa, patriótica e unitária
Ao longo do período 1998-2001, que sucede a
realização do 9º Congresso, diversos outros eventos
marcaram nossa presença na Câmara dos Deputados.
Pela primeira vez, em 1999, e fruto da persistência na
política de unidade, a Presidência de uma Comissão
Permanente (de Desenvolvimento Urbano e Interior –
CDUI) foi ocupada pelo PCdoB, inaugurando no Parlamento
uma nova qualidade na intervenção política de massas.
A CDUI foi convertida num instrumento de mobilização
popular, protagonizando a 1ª Conferência de Saneamento
e a 1ª Conferência Nacional das Cidades - que produziu
a Carta das Cidades. A longa tramitação do Estatuto da
Cidade (dez anos, apenas na Câmara) foi impulsionada em
1999, culminando em sua recente aprovação.
O PCdoB ocupou a vice-presidência da Comissão da
Amazônia e Desenvolvimento Regional e a presidência da
CPI da Nike no ano 2000 e, no ano em curso, exerce a
vice-presidência da CDUI.
A iniciativa do projeto voltado para a defesa da Língua
Portuguesa é exemplar da repercussão obtida pela
ação comunista na defesa da nossa soberania,
proporcionando eventos de amplitude nacional e
internacional que atraem a atenção e o apoio de
literatos, lingüistas, acadêmicos, professores e
estudantes das escolas e universidades brasileiras.
Na Comissão Mista de Orçamento, a elaboração anual
da LDO e do Orçamento Geral da União (OGU) é
acompanhada em ritmo de vigilância permanente, em
sintonia com as aspirações e demandas do país e do
povo brasileiro. Temas como a denúncia do uso indevido
de recursos públicos, a partir do levantamento
minucioso da execução orçamentária; do superávit
primário, do elevado comprometimento dos recursos
orçamentários nos encargos das dívidas, da
limitação dos gastos com juros, vêm se destacando nos
debates, na mídia e nas publicações partidárias.
Ganhou ênfase também a denúncia das manifestações
acentuadas pelo neoliberalismo, no sentido de estimular
a apuração das ações conservadoras que revoltam o
povo brasileiro, contribuindo para o sumiço dos
recursos indispensáveis ao desenvolvimento. Assim, os
comunistas lutaram pela instalação de uma abrangente
CPI da Corrupção.
Nas questões internacionais, a presença de
parlamentares do PCdoB se destaca em circunstâncias as
mais diversas: no Fórum Social Mundial Parlamentar de
Porto Alegre; no Fórum de São Paulo; no Parlatino; na
Conferência Mundial sobre o Racismo (África do Sul);
na Convenção sobre Desertificação (Bonn); na
reunião da OIT (Genebra).
A relação cordial – de permanente convivência e
troca de opiniões e experiências - com as embaixadas
de nações amigas, de regimes populares, contribui para
alimentar a luta pela soberania e autodeterminação dos
povos nos diversos continentes e a criação de frentes
parlamentares de amizade, com a contínua participação
do PCdoB. Contempla, entre outros países, a China, a
Palestina, a Liga Árabe, Cuba, Timor Leste, Vietnã,
Coréia do Norte. Destacamos as gestões que aproximam
os partidos comunistas do Brasil e da China,
incluindo-se diversas missões de intercâmbio.
Iniciativas atuais pela paz são dignas de nota, a
exemplo da moção aprovada na Comissão de Relações
Exteriores que pede a suspensão dos bombardeios no
Afeganistão.
A regulamentação da edição de Medidas Provisórias
(MPs) pelo Executivo foi uma destacada meta que o PCdoB
apoiou na agenda da oposição, no sentido de
estabelecer limites claros para os abusos legislativos
de FHC, autor de mais de cinco mil MPs. Essa agenda
incluiu também a defesa de uma Reforma Política
Democrática com financiamento exclusivamente público
das campanhas eleitorais e dos partidos políticos;
critérios democráticos para outorga de canais de
rádio e TV; combate à redução do tempo de campanha e
do tempo de propaganda eleitoral gratuita; e
regulamentação dos instrumentos do plebiscito,
referendo e iniciativa popular.
Ganhou destaque a luta pela aprovação da PEC da
redução da jornada de trabalho e de um justo valor
para o Salário Mínimo. Outros temas de amplitude
abraçaram a defesa do Projeto de iniciativa popular que
cria o Fundo Nacional de Moradia Popular e o Conselho
Nacional de Moradia. Expressiva vitória ocorreu com a
aprovação da Emenda Constitucional que definiu um
percentual orçamentário mínimo para a Saúde em todos
os níveis administrativos da Federação.
A atuação dos comunistas se expressou igualmente em
diversificados temas e situações, relevantes para o
País e para os trabalhadores. Considerando sua
relação com a sociedade e com a História, citamos
entre inúmeras atividades, nossa participação na
Passeata dos Cem Mil, no Grito dos Excluídos e no
lançamento do Manifesto em Defesa do Brasil, da
Democracia e do Trabalho, em Brasília; na Frente
Parlamentar em Defesa do Brasil; no resgate da História
e valorização de nosso povo, por ocasião dos 500 anos
do descobrimento, dos heróis comunistas tombados na
Guerrilha do Araguaia, das suas ricas lições e de seu
legado; na contribuição ao plebiscito da dívida; na
posição firme adotada pela Comissão de Relações
Exteriores e Defesa Nacional, de resistência à
implementação do Acordo de Alcântara; nos encontros
sobre a questão da Saúde; na CPI dos Medicamentos e no
combate a biopirataria; no debate da legislação
trabalhista, com seminário sobre a CLT; na
incorporação ao OGU do reajuste dos servidores e da
correção da tabela do Imposto de Renda; na frente
parlamentar em defesa do movimento estudantil, no apoio
à luta contra a discriminação racial e de gênero; na
presença constante nas negociações das greves dos
servidores públicos; no aporte de recursos para o
Programa Especial de Treinamento (PET); na defesa da
indústria petroquímica nacional; nas homenagens a
personalidades como Oscar Niemeyer, Barbosa Lima
Sobrinho, Milton Santos, Gilberto Freyre, e eventos como
o dos 150 anos do Manifesto do Partido Comunista de 1848
e dos 20 anos da Anistia.
Buscamos honrar o grande prestígio alcançado pelo
PCdoB, mediante a ação de uma bancada federal em luta
para superar debilidades comuns a essa frente,
destacando na avaliação do DIAP 50% de seus membros
entre os 100 mais influentes do Congresso Nacional,
contando em seu conjunto com uma presença feminina na
ordem de 40%. É significativa a produção legislativa
dos comunistas (propostas de emendas constitucionais,
projetos de lei, requerimentos, indicações, etc.) e de
suas iniciativas jurídicas – principalmente na forma
de ações diretas de inconstitucionalidade (ADINs),
mesmo diante da torrente de medidas casuísticas
oriundas do Palácio do Planalto. Apenas em 1998 foram
apresentadas 256 proposições pelo conjunto dos nossos
deputados, superando a média das demais bancadas.
Agimos também para a integração das equipes de
trabalho dos parlamentares que pertencem à bancada
federal, visando alargar o sentido comunista da nossa
atuação – sob a regência do interesse coletivo,
esforço unitário e combate ao espontaneísmo –,
ampliamos as assessorias e as edições do jornal Abra
os Olhos.
É permanente a articulação em mão dupla entre a
direção partidária nacional e a bancada: as reuniões
na Câmara, em Brasília, são acompanhadas com
freqüência pelo Secretariado do Comitê Central e a
Comissão Política conta com a participação de quatro
deputados entre os seus membros.
A cada dia, cresce a nossa compreensão de que nossos
mandatos representam a vitrine do Partido. Por mais que
se apresentem as honras do exercício do cargo
parlamentar – num ambiente de vaidades e veleidades
–, não podemos esquecer em nenhum momento que
pertencemos ao coletivo e que nosso labor individual
está a seu serviço. Nossa atribuição de comunistas
é a de utilizar este ambiente, com todos os seus
vícios e armadilhas, enquanto espaço de denúncia das
contradições do capitalismo e de articulação da
resistência e das lutas do povo por uma vida melhor. E
não devemos fazer uma concessão sequer, por menor que
seja; mesmo porque não estamos imunes, devemos estar
vigilantes e em permanente alerta quanto às tendências
ao particularismo, ao regionalismo, ao espontaneísmo,
às atitudes que de algum modo possam comprometer a
unidade partidária. Nossa fúria deve estar
inteiramente voltada para o combate ao inimigo de
classe!
Dificuldades e perspectivas
A situação atual do Parlamento o torna vulnerável
aos objetivos de fragilização da democracia. A
limitação à edição de MPs não evita que o
Executivo substitua o Legislativo, e, mesmo desgastado,
o governo neoliberal persiste na ofensiva contra os
direitos do povo e dos trabalhadores, obstruindo a pauta
do Congresso. Os comunistas tratam de extrapolar os
limites da atuação parlamentar e estabelecer vínculo
com o movimento popular numa agenda de lutas que visa à
elevação crescente das pressões da sociedade –
enquanto principal forma de articulação para respaldar
a atuação unida das oposições contra as manobras
palacianas.
Torna-se gradualmente necessária a interveniência do
Partido e das organizações de massa sob a sua
influência rumo à conjugação das demandas e
reivindicações populares, evitando que despontem,
sobretudo, no recurso pontual aos parlamentares. Essa
mão dupla entre o Partido e as massas é 1) capaz de
oferecer respaldo às propostas que convergem na
direção do Parlamento; 2) contribui num sentido amplo
para o enfrentamento de problemas que a ação
particularizada dos demais partidos de esquerda e
correntes democráticas da oposição não responde; e
3) para que o PCdoB ofereça maior consistência a sua
plataforma de lutas na vanguarda de inúmeros temas de
interesse da sociedade.
Não obstante a existência da comunicação imensamente
facilitada pelas páginas instantâneas e correios
eletrônicos, carecemos ainda de um ágil fluxo de
informações acerca das iniciativas parlamentares dos
comunistas em todos os níveis, mediante a maior
inserção e difusão da nossa propaganda e da nossa
ação política, considerando-se inclusive que o
Partido não dispõe de deputados federais em 17 estados
e que a rede mundial de computadores não é acessível
a todos os militantes no País. Nossos 12 deputados
estaduais (10 eleitos em 1998) e 173 vereadores (149
eleitos em 2000), que pugnam genericamente em torno de
uma agenda semelhante à da bancada federal, enfrentam
as seqüelas da política hostil ao Pacto Federativo e
as duras repercussões da política de desmonte do País
e dos direitos sociais, em condições de vasta
diversidade.
Visando a um acompanhamento próximo dessa atuação, o
Comitê Central criou uma Comissão Parlamentar que, em
dois encontros nacionais realizados em Brasília,
avaliou a produtiva e generosa ação nas diversas
esferas, reclamando agora novos passos rumo a uma ação
mais articulada. Essa ação exige bandeiras de luta que
signifiquem a marca central da presença dos comunistas
no cenário político – escolhidas entre aquelas que
calam fundo nas aspirações populares.
Essa sintonia contribuirá para colocarmos o Partido à
altura do cumprimento de suas tarefas de denúncia do
neoliberalismo driblando o isolamento, do combate ao
paradigma do “mercado” como solução divina e
apanágio de todos os problemas, erguendo as bandeiras
de luta favoráveis aos direitos do povo e à soberania
nacional. Assim, poderemos comemorar em 2002, com
vitórias expressivas, seus 80 anos de existência e
seus 40 anos de reorganização, registrando, no patamar
merecido pelos seus heróis, os 30 anos da gloriosa
jornada de luta da Guerrilha do Araguaia, ao elegermos
expressivas bancadas em todos os níveis de
representação e de atuação.
Eis porque é estratégica nossa atuação parlamentar.
O Partido Comunista do Brasil vem cumprindo o seu papel
de ampliar continuamente a ressonância das lutas
populares no Parlamento. Os recentes embates em torno da
preservação das conquistas dos trabalhadores (em
especial na defesa da CLT) demonstram quão profícua
tem sido essa denúncia na mudança da correlação de
forças em curso. Entre erros e acertos, o PCdoB realiza
sua avaliação crítica na busca permanente da
formação de um coletivo coeso, diferenciado das
organizações burguesas e pequeno-burguesas, buscando
demarcar o que contribui para os avanços rumo ao
socialismo do que implica em atraso no curso da
revolução.
Nosso exemplo de bancada coesa há de se espelhar nos
camaradas da melhor estirpe transformadora, entre os
mais destacados filhos do povo brasileiro que nos
inspiram nesta longa e proveitosa caminhada. Esta é a
bancada de Mauricio Grabois! Esta é a bancada de João
Amazonas! Esta é a bancada do Partido Comunista do
Brasil!
Pleno êxito para o 10º Congresso do Partido Comunista
do Brasil! Avancemos, com energia e criatividade, rumo
ao socialismo!
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