Mais de uma década de política
neoliberal agravou a situação da juventude brasileira.
Atualmente, as principais preocupações dos jovens
brasileiros das regiões metropolitanas são o
desemprego, a violência e as drogas, segundo pesquisa
da Fundação Perseu Abramo. Os temas que mais
interessam são o emprego, a educação, a cultura, o
esporte, o lazer e a família. Sair com os amigos e
assistir TV são as atividades mais comuns.
Se por um lado 81% dos jovens não confiam nos partidos
políticos, por outro, 41% consideram-nos muito
importantes e 8% participam de suas reuniões.
A juventude brasileira quer liberdade, independência
nacional e democracia e, mesmo com todo o bombardeio
ideológico dos neoliberais, para 38% o socialismo é a
alternativa para resolver os problemas do Brasil.
Recente reportagem da Folha de S. Paulo sobre a
juventude hoje atestava, segundo o jornal, o “desinteresse
pelas vias institucionais da política, pelos partidos e
pelas entidades estudantis e a descoberta de formas
sociais e comunitárias como forma de ação
civilizatória” (14/5/2001). Na revista Veja, edição
especial “Jovem”, o título de uma matéria é “A
militância é social – a geração atual prefere
realizar trabalho voluntário a fazer política”.
Essas matérias são uma pequena amostra da gigantesca e
insidiosa campanha neoliberal que tem por objetivo
domesticar e desorientar a juventude progressista. As
classes dominantes estimulam a fragmentação e a
despolitização dos movimentos juvenis e procuram
limitar a ação juvenil à luta pela “cidadania” em
seu sentido liberal. Atacam com virulência o movimento
estudantil. Fazem uma falsa contraposição entre
movimentos juvenis “tradicionais”, excessivamente
politizados para eles, e os “novos” movimentos, como
ONGs, grupos de voluntariado juvenil e de jovens
protagonistas, que fariam uma ação social e não
política. Na prática, procuram uma face “humanitária”
para o neoliberalismo.
Segundo o Datafolha, 23% dos jovens participaram ou
participam de algum trabalho voluntário. Pesquisa da
Abong diz que 36% dos jovens de 16 a 24 anos desejam
integrar uma ONG. São jovens abertos, progressistas,
sensíveis aos problemas do povo, com vontade de
participar. Temos que nos aproximar deles e
incorporá-los à luta política por um novo rumo para o
Brasil e pelo socialismo.
A participação dos jovens em trabalho voluntário e em
ações solidárias não é exatamente uma novidade.
Muito antes de Milú Vilela, socialite e coordenadora do
Ano do Voluntariado da ONU no Brasil, incentivar os
jovens ao trabalho voluntário, Lênin, Dimitrov e Che
Guevara o fizeram com o movimento dos sábados
comunistas na União Soviética dos anos 20, e as
brigadas de jovens, na Bulgária do pós-guerra e em
Cuba após a vitória da revolução. A diferença
fundamental é que nesses casos os jovens voluntários
eram chamados a participar politicamente da construção
países independentes e socialistas.
Nas brigadas era comum a participação de jovens de
vários países que viajavam para trabalhar numa atitude
concreta de internacionalismo e de espírito coletivo e
solidário. Como podemos ver, o internacionalismo da
juventude não nasceu em Seattle em 1999, embora seja
muito importante o seu reflorescimento na atualidade.
Nos últimos anos aconteceram grandes e importantes
mobilizações internacionais contra a globalização
neoliberal na Europa e na América do Norte, e na
América Latina em menor dimensão; todas com marcante
presença de jovens. Nesta luta a mídia dá destaque
desproporcional a correntes políticas “autonomistas”
e neoanarquistas. Essas correntes defendem idéias
socialistas utópicas, aparentemente novas, mas que já
foram superadas por Marx e Engels há mais de 150 anos.
Além de solidária e internacionalista, apoiadora da
paz mundial e adversária da guerra imperialista, a
maioria dos jovens brasileiros é patriota. Durante este
ano, quando grupos musicais dos EUA tocaram o hino e
tremularam a bandeira de seu país em shows realizados
no RJ e no RS, os jovens vaiaram e gritaram “Brasil”.
É necessário dizer aos jovens que é preciso, sim, ser
internacionalista, mas negar a política e a luta pela
conquista do poder em cada Estado nacional significa
renunciar a qualquer mudança profunda e contribuir,
conscientemente ou não, para eternizar a dominação
imperialista e o próprio capitalismo.
O caminho da luta pelo socialismo científico no Brasil
é a união e a mobilização política dos
trabalhadores e da juventude na luta pela independência
nacional, pela democracia e por uma vida melhor.
Somente no socialismo é possível a realização da
plena cidadania, e o socialismo só é possível com a
participação política de amplas massas visando a
conquista do poder pelo proletariado. Por sua vez, esta
conquista só é possível com um forte e influente
Partido Comunista do Brasil.
Ampliar a influência do Partido entre os jovens
A União da Juventude Socialista – UJS, fundada em
1984, é a expressão concreta da estratégia e da
política do Partido para a juventude. Compreendendo o
significado da juventude para o movimento
revolucionário e para a construção partidária, e
perseguindo o objetivo de ampliar a influência do
Partido entre os jovens, o Comitê Central decidiu, em
1996, relançar a UJS como ampla organização juvenil,
sob a direção política e ideológica do Partido e com
plena autonomia organizativa.
A partir daí foi realizado amplo e rico debate no
Partido e em agosto de 1999 foi aprovada a importante
resolução “Sobre o relançamento da UJS e a
organização dos jovens comunistas”. Decidiu-se que
os jovens comunistas que realizam atividade juvenil
organizam-se no Partido de acordo com nosso Estatuto,
nas Organizações de Base – OBs, e têm a tarefa
partidária de militar na UJS.
Nossa atividade desde o 9º Congresso do PCdoB, em 1997,
e os êxitos alcançados confirmam novamente a justeza e
a atualidade de nossa política para a juventude. A UJS
é reconhecida nacional e internacionalmente como uma
das mais importantes organizações juvenis da América
Latina.
Necessita-se, no entanto, da busca do contínuo
fortalecimento do Partido e da UJS junto à juventude.
Toda essa experiência de cinco anos desde o
relançamento da UJS precisa ser melhor sistematizada
para identificarmos as debilidades e insuficiências a
fim de superá-las e avançar mais.
A UJS é um projeto em construção. Começa a
desenvolver mais ações e atividades próprias como
iniciativas da campanha por emprego para a juventude,
“Sem emprego não dá”, e atualmente a campanha
contra a redução da maioridade penal e em defesa do
Estatuto da Criança e do Adolescente, ECA. Ainda assim
é preciso reforçar esse trabalho próprio da UJS,
criando novas bandeiras e formas de participação dos
jovens para tornar a UJS um movimento juvenil e
socialista cada vez mais amplo e massivo.
Mobilizando a juventude brasileira contra o
neoliberalismo e o governo FHC, por um novo governo
patriótico, democrático e popular, a UJS teve papel
destacado nos últimos anos. O movimento estudantil tem
tido ação importante na defesa da educação pública,
gratuita e de qualidade e na oposição à política
neoliberal do governo FHC.
Entretanto, essa combativa militância precisa ser
forjada com firmes convicções revolucionárias, com
capacidade para desmascarar as idéias burguesas,
assimilar e difundir o marxismo, fazer a propaganda do
socialismo e cultivar os valores e as atitudes
socialistas, inclusive com o próprio exemplo.
Dadas as debilidades organizativas da UJS, é
necessário planejar a consolidação das direções
estaduais e o fortalecimento e construção de
direções municipais e núcleos, com prioridade para as
principais escolas, universidades, bairros e empresas.
Outro desafio a enfrentar é a dificuldade para
arrecadar recursos.
A ação política nos vários movimentos juvenis sempre
foi um objetivo fundamental da UJS. Mesmo priorizando o
movimento estudantil, a UJS avançou na intervenção em
outros movimentos. Nos bairros de periferia filiou
vários grupos de hip hop nacional, lançou um CD e
realiza um circuito nacional chamado “Grito da
Periferia”. Entre a jovem intelectualidade, os jovens
socialistas são os principais organizadores dos
Encontros de Jovens Cientistas, que ocorre anualmente
nas reuniões da SBPC, e dos Centros Universitários de
Cultura e Arte, os CUCAs da UNE.
Permanece o objetivo de ampliar a atuação da UJS nos
diversos movimentos juvenis, principalmente entre os
jovens trabalhadores, onde a construção da UJS possui
caráter estratégico.
A UJS tem ampla influência e atuação no movimento
secundarista, universitário e de pós-graduandos; uma
enorme conquista. Dessa influência nacional resultam as
vitórias nos congressos da UNE e da UBES em 1999 e
2001, e nos dois últimos congressos da Associação
Nacional dos Pós-graduandos, ANPG. A UJS e aliados
independentes têm sido maioria nas instâncias dessas
entidades, onde participam todas as correntes
políticas. As demais forças políticas investem
crescentemente no movimento estudantil e a tendência é
a disputa por influência no movimento ser mais acirrada
no próximo período.
A ação da UJS, no entanto, não pode limitar-se às
manifestações, eleições e congressos. É preciso
avançar, renovar nossos desafios e objetivos para
fortalecer ainda mais o movimento estudantil, ampliando
a participação dos estudantes na base, a
representatividade e o enraizamento das entidades
estudantis.
As tarefas do Partido
O Partido precisa dominar em profundidade nossa
política para a juventude para poder orientar mais e
melhor a atividade política e ideológica da UJS, dar
maior apoio e acompanhamento. A UJS é força auxiliar
do Partido e os frutos de seu trabalho estarão em
razão direta do investimento feito pelos comunistas na
organização juvenil.
Os comitês do Partido precisam pautar regularmente o
trabalho entre os jovens, exercendo assim uma direção
coletiva. Os secretários ou responsáveis pela
Juventude dos comitês devem ser quadros maduros, com
mais de 30 anos, e capacitados para dirigir nosso
trabalho juvenil.
Estudar mais a realidade da juventude brasileira é
outro desafio para os comunistas no próximo período.
Para isso faz-se necessário um centro de estudos sobre
juventude e o lançamento de uma revista teórica e
política sobre o tema.
A formação política, ideológica, teórica e moral
dos jovens comunistas é uma evidente necessidade. É
imprescindível estimular o estudo individual e a
participação dos jovens comunistas que atuam na UJS
nas atividades regulares de formação do Partido e em
atividades específicas para esses jovens, além das
atividades de formação da própria UJS.
Nenhum jovem comunista sem Organização de Base. Com
esse lema devemos continuar a incorporação dos jovens
nas OBs do Partido, com a tarefa de militar na UJS.
A promoção de quadros jovens deve ser feita sem
retirar das direções da UJS os seus melhores e mais
experientes dirigentes, imprescindíveis para assegurar
a direção partidária no trabalho da organização
juvenil.
O Partido precisa afirmar a sua identidade perante a
juventude. Nesse sentido é primordial fazer mais
propaganda do Partido para os jovens.
Que os jovens cantem por todo o Brasil como cantaram os
militantes da UJS em novembro de 2001, no Congresso da
UBES, parafraseando a canção de Geraldo Vandré: “vem
vamos embora, que esperar não é saber, quem sabe faz a
hora, entra no PCdoB”.
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