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editorial

Trabalhadores não aceitam pagar a conta da crise

Em qualquer crise no mundo capitalista, os trabalhadores e as populações mais pobres são os primeiros afetados. No Brasil, de olho nas possíveis conseqüências para os setores produtivos e no uso da crise contra os empregados, as seis centrais sindicais (CTB, Força Sindical, CUT, CGTB, Nova Central e a UGT) pediram uma audiência com o presidente Lula e o ministro Guido Mantega, da Fazenda.

Um dos motivos é o uso da crise pelos patrões para chantagear os trabalhadores nas negociações salariais. As categorias que fecharam seus acordos estão em situação mais tranqüila, mas aquelas que ainda estão pendentes já enfrentam o jogo patronal. Um exemplo são os papeleiros de São Paulo, que exigiram 5% de aumento real, mas poderão ter menos de 0,5%.

É contra isso que as centrais pedem ao governo a manutenção dos empregos e dos investimentos federais para aquecer a economia e a valorização do trabalho e da renda. Fortalecer o mercado interno, pensam, é o caminho para enfrentar a crise. Nesta mesma pauta cabem ainda outras reivindicações, como a redução das taxas de juros e a manutenção dos programas sociais.

As centrais estão também organizando a 5ª Marcha Nacional a Brasília, marcada para 3 de dezembro, com o tema “Desenvolvimento e valorização do trabalhoâ€. Será uma mobilização importante em defesa dos direitos dos trabalhadores e do setor produtivo e contra qualquer benefício para o responsável pelos atuais problemas, ou seja, o sistema financeiro. Os trabalhadores devem participar da manifestação, exigir seus direitos e mostrar sua insatisfação com o jogo no cassino financeiro mundial.


Em outubro...

... O coronel Brilhante Ustra, da reserva do Exército, foi o primeiro oficial reconhecido pela Justiça como torturador. A ação declaratória, pela qual foi condenado, reconhece que ele praticou violências contra presos políticos quando comandou o DOI-Codi, em São Paulo, sob a ditadura de 1964.


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