Perseguição: cena da greve de 53
 
O PCdoB na resistência ao neoliberalismo

O Partido Comunista do Brasil completa, em 25 de março, 80 anos de existência. Poderia ser um aniversário como tantos - mas não é. Basta dizer que nenhum outro partido político brasileiro até hoje conseguiu tal façanha. Isto tem a ver com a turbulenta trajetória do nosso país. Com o sufocamento das organizações de caráter popular. Mas também com a incapacidade crônica das classes dominantes para montar um sistema político estável. Veja na animação abaixo, passo a passo, a atribulada história partidária brasileira.

Porém o 25 de março encerra outro paradoxo ainda mais intrigante. Este partido, recordista de longevidade, foi justamente o mais combatido pelos donos do poder. Nenhum foi tão perseguido, proibido, cassado e caçado, atacado, discriminado, amaldiçoado. Nenhum pagou um preço tão alto durante as ditaduras, do Estado Novo ou de 1964.
São fatos. E dão o que pensar. Mas eles não caíram do céu. Existem explicações históricas concretas para esta trajetória fora de série.
Um partido com raízes
O Partido Comunista do Brasil é filho de uma classe social determinada - o proletariado, a classe dos modernos trabalhadores assalariados, explorados pelo capital. Esta classe cresce na própria medida em que o capitalismo se desenvolve - embora boa parte dela seja atirada no desemprego. Ela tem interesses próprios, presentes e futuros. Tem um projeto histórico. E necessita de um partido que expresse esta identidade.
Toda vez que os poderosos tentaram sufocar ou liquidar o PCdoB, ele recorreu à sua classe. E toda vez ela atendeu ao chamado, generosamente, fornecendo energias e talentos, mulheres e homens dispostos a levar adiante a bandeira vermelha da foice e do martelo.
Por isso o PCdoB cuida permanentemente dessa identidade. Ainda no 10º Congresso, em dezembro de 2001, ele reafirma sua identidade com o proletariado e sua decisão de aprofundá-la.
Um partido com propostas
A legenda do PCdoB está ligada a todas as batalhas e conquistas dos trabalhadores e do povo. Ele foi o primeiro partido brasileiro a falar em reforma agrária. Foi o primeiro a defender os direitos sociais, a começar pelos mais simples, que não existiam em 1922: a jornada de 8 horas, a carteira e trabalho, o direito a férias, aposentadoria, 13º salário.
A luta pela liberdade e a democracia é outra bandeira permanente do PCdoB. Em cada um destes 80 anos ele a manteve erguida, às vezes em condições extremamente difíceis.
O PCdoB também tem sido um intransigente defensor do Brasil, da independência e soberania da nossa nação. Este aspecto ganha uma atualidade renovada diante da atual ofensiva do neoliberalismo, que é, no fundo, uma tentativa de recolonização. Aí está o projeto da Alca, que pretende reduzir toda a América Latina à condição de neocolônia dos Estados Unidos.
Diante dessas ameaças, o Partido defende a unidade das oposições para romper com o atual estado de coisas. E no 10º Congresso lançou a proposta de um governo de reconstrução nacional.
O povo brasileiro entende e aprova estas propostas, e aí está outro ingrediente da sobrevivência e vitalidade do PCdoB.
Um partido de luta pelo socialismo
Desde a sua fundação o Partido persegue a superação do capitalismo e a construção de uma sociedade de tipo superior, socialista. Na sociedade agrária e atrasada de 1922, este objetivo se deparava com enormes obstáculos. Porém o próprio desenvolvimento do capitalismo dependente se encarrega de removê-los. E hoje, que a barbárie capitalista exibe suas chagas à luz do dia, até as pesquisas de opinião atestam a simpatia do nosso povo pelo socialismo.
O PCdoB defende um socialismo renovado. Estudou com olho crítico as experiências do século 20 e tirou daí lições importantes para a construção da nova sociedade nas condições do século 21. Rejeita a idéia de importar modelos prontos, e propõe um socialismo com a cara, as cores e as caracterísicas próprias do Brasil e dos brasileiros.
Estas características ajudam a explicar por que o Partido Comunista do Brasil enfrentou e venceu as tempestades destas oito décadas, enquanto tantas outras legendas ficavam pelo caminho. Ele é um partido necessário, indispensável mesmo. O povo trabalhador precisa dele para ajudá-lo a descobrir e desbravar o caminho da sua emancipação.