
Maria Luiza-- |
Militante do PCdoB
Apelidos: Tuca, Dona Maria.
Cor: branca Altura: 170 cm Idade: 33 anos Sexo: fem. Cabelo: cast./claro/liso/longo Barba: Bigode: Sapato: 39. Data e local de nascimento: 16/10/41, em Araraquara/SP. Filiação: Armando Garlippe/Aracy Vieira de Sousa Garlippe. Ficha antropométrica: Dentes grandes, tratados e regulares.
Biografia
"Foi enfermeira do Departamento de Moléstias Transmissíveis do Hospital das Clínicas de São Paulo nos anos de 1967 a 1969. Perticipava da Associação dos Funcionários deste Hospital, defendendo sempre os direitos dos funcionários e pacientes.
Mesmo na mais negra repressão, Maria Luiza participava da vida política, distribuindo folhetos e organizando seus colegas de trabalho. Desde essa época pensava em transferir-se para o interior, daí o seu interesse em trabalhar no Departamento de Moléstias Transmissíveis.
Foi viver na região do Gameleira, no Araguaia, onde desenvolveu intenso trabalho de saúde, destacando-se como parteira. Com o assassinato de João Carlos Haas, Tuca substituiu-o no serviço de Saúde do conjunto das Forças Guerrilheiras do Araguaia.
Está desaparecida desde o ataque à Comissão Militar, em 25/12/73."
Homenagens:
Nome da antiga Rua 07, na Vila Esperança, em Campinas, com início na antiga Rua 05 e término na antiga Rua 07- Lei nº 9497, de 20/11/97.
Dados referentes a prisão, morte e/ou desaparecimento:
Citada como Maria Luiza (Tuca), no Manifesto dos familiares dos mortos e dasaparecidos na guerrilha do Araguaia, no II Congresso Nacional Pela Anistia, novembro/79 - Salvador/BA, publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro de 11/04/80, ano VI, nº 69, parte II.
Citada como Maria Luiza (Tuca) na Relação de pessoas dadas como mortas e/ou desaparecidas devido às suas atividades políticas, da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da Ordem dos Advogados do Brasil - seção do Estado do Rio de Janeiro - outubro de 1982.
Relatório Arroyo: "Quando já estavam a mais ou menos um quilômetro do acampamento, às 11 hs e 25 da manhã (25/12/73), ouviram cerrado tiroteio. Encontraram-se logo depois com Áurea e Peri, que vinham apanhá-los para o acampamento. Os dois afirmaram que o tiroteio tinha sido no rumo do acampamento. Cinco minutos depois do tiroteio, dois helicópteros e um avião começaram a sobrevoar a área onde houvera o tiroteio, e continuaram durante todo o dia nessa operação. Dois helicópteros grandes fizeram duas viagens - da base do Mano Ferreira, a uns cinco ou seis quilômentros, até o local do tiroteio. Tinha-se a impressão de que ou estavam levando mais tropas ou retirando mortos e feridos do local. J. e seus companheiros (eram oito) afastaram-se do local mais ou menos um quilômentro. No dia seguinte, 26 [de dezembro], foram a uma referência para encontro, num local próximo. Aí encontraram os companheiros Osvaldo, Lia [Telma Regina Cordeiro Corrêa], Batista [Uirassú de Assis Batista] e Lauro.
Osvaldo informou o seguinte: que o grosso da força havia acampado dia 24, mas percebeu que estava perto da estrada. Dia 25, pela manhã, afastaram-se para uns cem metros de onde se achavam, designando alguns companheiros para limpar (camuflar) o local em que estiveram. Os membros da CM e sua guarda ficaram num ponto mais alto do terreno, e os demais ficaram na parte de baixo . Na hora do tiroteio havia 15 companheiros no acampamento: Mário [Maurício Grabois], Paulo, Pedro, Joca, Tuca, Dina (com febre), Luís (com febre), na parte alta; embaixo: Zeca, Lourival, Doca e Raul (estavam ralando coco babaçu para comer). Lia e Lauro faziam guarda. Osvaldo e Batista realizavam a camuflagem."
Relatório do Ministério Exército: Filha de Armando Garlippe e de Durvalina Garlippe, sem data de nascimento e naturalidade.
Militante do PCdoB, utilizava os codinomes "Tuca" e "Dª Maria", integrando o Destacamento da guarda do comando militar na guerrilha do Araguaia, sendo considerada desaparecida desde Maio.
Relatório do Ministério da Marinha: - Nov./74 - relacionada entre os que estiveram ligados à tentativa de implantação de guerrilha rural, levada a efeito pelo comitê central do PCdoB, em Xambioá.
- Morta em Jun. 74.
Relatório do Ministério da Aeronáutica:. Militante do PCdoB e guerrilheira no Araguaia. Segundo o noticiário da imprensa nos últimos 18 anos e documentos de entidades de defesa dos direitos humanos, teria sido morta ou desaparecida no Araguaia. Não há dados que comprovem essa versão.
Informações e depoimentos
O
btidos através da imprensa ou dos familiares:
"A Tuca, enfermeira, sempre ajudando todo mundo ..."
"As mulheres guerrilheiras eram também parteiras, como a Tuca, formada em enfermagem".
"Contam uma história que eu não sei se faz parte do folclore ou não. Nessa ocasião eu ouvi também que havia uma moça loura que era parece quem dava mais assistência, inclusive de obstetrícia. e num combate que houve, de curta distância, corpo a corpo, estava um capitão com um sargento e um cabo. Eles viram um pequeno grupo do outro lado e trocaram tiros e a moça foi atingida. Os outros fugiram...Então ... o que eu soube é que esse capitão ou tenente teria procurado socorrer a moça ferida. ...E quando, ele se aproximou dela com arma baixa - ela estava muito ferida - ela meteu a mão no cano da bota, e ele não tinha visto que ali tinha um revólver, e ela que estava muito ferida ainda acertou o tiro: foi esse que pegou o maxilar e saiu pelo outro lado do rosto. Então as pessoas que o acompanhavam metralharam a moça que já estava muito ferida..." 3 [Depoimento de Jarbas Passarinho].
Curió, em reportagem do SBT, em julho/96, faz referência a um combate com 10 guerrilheiros, no começo da 3ª Campanha, na localidade de Some Home, sendo que quatro deles morrem. Pode ser o cambate do dia 25/12/73. Este local pode ser o descrito por Osvaldão, no Relatório Arroyo, pois Some Home fica a uns 6 Km da Fazenda Consolação e 4 Km distante do rio Saranzal. Pode ser que alguns tenham sido presos, outros escaparam e, provavelmente quatro tenham sido mortos no local.
"Sr. José Moraes Silva, (...) que oferecido para reconhecimento do declarante as fotografias dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia, reconheceu Beto (Lúcio Petit da Silva), Zé Carlos (André Grabois), Landinho (Orlando Momente), Sônia (Lúcia Maria de Souza), Fátima (Helenira Rezende Nazareth), Tuca (Luiza Augusta Garlippe), João Araguaia (Dermeva; da S. Pereira), Rosa (Maria Célia Correa) e Osvaldão (Osvaldo Orlando da Costa)".
"Sr. Pedro Moraes da Silva, (...)que, oferecido para reconhecimento do declarante, as fotografias dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia, reconheceu Sônia (Lúcia Maria de Souza), João Araguaia (Dermeval da S. Pereira), Zé Carlos (André Grabois), Landinho (Orlando Momente) que usava um chapéu de couro de macaco da noite com rabo; Tuca (Luiza Augusta Garlipe), Beto (Lúcio Petit da Silva), Rosinha (Maria Célia Correa), Dina (Dinalva Oliveira Teixeira), Cristina (Jana Moroni Barroso) que ia sempre aos sábados lavar a roupa na casa do declarante e se escondia no mato, esperando até que a roupa secasse, Nunes (Divino Ferreira de Souza), Fátima (Helenira Resende de Souza Nazareth), (...); Duda (Luis Renê Silveira e Silva), cujo corpo foi jogado em castanhal na Região Gameleira, que hoje é a Fazenda Brasil-Espanha; (...)".
"Sr. Pedro Vicente Ferreira, conhecido por Pedro Zuza, (...)que dos guerrilheiros, o declarante conheceu Zé Ferreira, Mariadina, Tuca, Lia, Chica, João Goiano e Osvaldão, que conheceu como mariscador (caçador), e outros cujos nomes não se recorda; (...)que a turma que estava com Osvaldão era Mariadina, Tuca, Chica, Lia e o filho do Seu Américo e outras pessoas; que os militares mostravam fotos dos guerrilheiros; que o filho do Seu Américo, que tinha 14 anos, se entregou e nunca mais apareceu. que conheceu major Curió na palestina, quando andava na mata procurando por guerrilheiros".
Texto do Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964, editado pelo governo de Pernambuco no governo Arraes
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